Quilombolas
relatam perda de acesso à terra com produção de biocombustível na BA
O
cultivo de macaúba no Recôncavo Baiano pela empresa de energia Acelen, para a
produção de diesel renovável e combustível “verde” de avião, vem
danificando estradas próximas e
limitando o acesso a áreas de extrativismo antes utilizadas por comunidades
quilombolas que vivem no entorno, dizem seus moradores. Por meio de um
consórcio liderado pelo banco HSBC e pela IFC (International Finance
Corporation, braço de investimentos do Banco Mundial), a Acelen levantou R$ 7 bilhões em crédito público e privado
para a construção, na região, de uma biorrefinaria onde a macaúba será processada. Outras dez instituições financeiras nacionais
e internacionais participam da parceria, incluindo o BNDES e o Bradesco. A
empresa declara que já vendeu 90% de sua futura produção para os Estados Unidos
e a Europa.
No
entanto, o MPF (Ministério Público Federal) abriu dois inquéritos para apurar
se o processo de consulta prévia às comunidades potencialmente afetadas pelo
projeto está sendo feito de acordo com o
estabelecido pela Convenção 169 da OIT (Organização Internacional do
Trabalho), tratado ratificado pelo Brasil que protege os direitos de
comunidades indígenas e tradicionais.
À
Repórter Brasil, que esteve na região, os quilombolas reclamaram das restrições
de acesso que estariam sendo impostas pela empresa a locais historicamente
usados para práticas religiosas e de coleta de alimentos. Além disso,
queixaram-se dos buracos nas vias locais causados pelo vaivém de caminhões e
tratores.
“Não
queremos pedir licença para entrar naquilo que é nosso”, afirma Ananias Viana,
da comunidade quilombola Kaonge, em Cachoeira (BA). Ele explica que os
moradores costumavam coletar frutas para subsistência e cipó para artesanato em
áreas hoje inacessíveis. “Se a empresa tivesse conversado antes, não teria
conflito.”
Na zona
rural de Cachoeira, convivem com a chegada do empreendimento ao menos 18
comunidades quilombolas, cujo modo de vida se organiza em torno da agricultura,
do extrativismo e da pescaria.
De
acordo com a Acelen, a macaúba é uma planta de alto poder energético, sete a
dez vezes mais produtiva por hectare plantado em comparação à soja, do ponto de
vista da produção de combustíveis.
Controlada
pelo Mubadala Capital, um fundo soberano dos Emirados Árabes Unidos, a Acelen
chegou ao Brasil em 2021, durante o governo de Jair Bolsonaro, quando adquiriu
da Petrobras a Refinaria de Mataripe, em São Francisco do Conde (BA).
De
acordo com os quilombolas, estradas antes usadas principalmente por moradores
passaram a receber tráfego intenso de caminhões e máquinas pesadas como
tratores após o início da plantação de macaúba. Segundo eles, o resultado são
vias danificadas, com muitos buracos e trechos de difícil acesso.
No
entorno das plantações, pode-se observar cercas e placas com avisos de
restrição de entrada instaladas em áreas, onde antes, de acordo com os
moradores locais, eles circulavam livremente.
“De
repente, surge uma placa proibindo a entrada em um espaço que sempre foi
coletivo”, comenta a educadora quilombola Cristina da Mata, da UFBA
(Universidade Federal da Bahia).
“Os
impactos [de um empreendimento] em um território quilombola podem ocorrer além
de espaços de moradia. Um quilombo tem extrativismo, criação de animais,
práticas religiosas e acesso a áreas de preservação ambiental”, explica a
antropóloga Ana Paula Comin de Carvalho, professora da UFRB (Universidade
Federal do Recôncavo Baiano).
Procurada
pela Repórter Brasil, a Acelen afirmou que as sinalizações instaladas “têm
finalidade operacional e de segurança” e que disponibiliza “canais de contato
para registro de demandas e ocorrências”. “A empresa reconhece a complexidade
das dinâmicas territoriais locais e mantém canais permanentes de escuta e
diálogo para tratar percepções, dúvidas e demandas apresentadas pelas
comunidades”, complementou.
<><>
Inquérito do MPF apura se processo de consulta está ocorrendo de forma adequada
O
plantio da macaúba pela Acelen foi autorizado em janeiro de 2025 pelo Inema
(Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia), por meio de
Procedimento Especial de Licenciamento, um mecanismo simplificado online e
parcialmente baseado em autodeclarações da empresa. A licença, válida por oito
anos, não permite supressão vegetal nem uso de recursos hídricos.
Em
janeiro de 2026, o MPF (Ministério Público Federal) instaurou um inquérito para
apurar se o processo de consulta prévia às comunidades quilombolas
potencialmente afetadas pelo projeto estava sendo conduzido de forma adequada
pela Acelen.
O
inquérito foi motivado por uma denúncia apresentada pela professora da UFRB em
junho de 2025. Segundo Carvalho, à época a empresa teria realizado apenas uma
reunião para apresentar o empreendimento às comunidades. A grande distância
entre o local do encontro e as residências dos quilombolas, além dos altos
custos de deslocamento, teriam resultado em um baixo comparecimento.
O
procurador do MPF Marcos André Carneiro Silva, responsável pelo inquérito,
alerta que o avanço de um novo ciclo econômico pode intensificar pressões sobre
territórios já vulneráveis. “São comunidades que muitas vezes não têm suas
terras tituladas. Quando essas áreas passam a ter maior valor econômico,
aumenta a especulação e o risco de expulsão”, diz. “Essas populações precisam
ser protagonistas do processo e devidamente consultadas antes de qualquer
implantação”, complementa Silva.
À
Repórter Brasil, a Acelen afirmou que conduz o projeto de biocombustíveis a
partir da macaúba com “foco em desenvolvimento responsável, diálogo territorial
e construção de relações de longo prazo com as comunidades das regiões onde
atua” e que essa abordagem fez parte da estratégia e da implementação da
iniciativa desde sua concepção.
A
Acelen declarou ainda que os processos de licenciamento ambiental das áreas
agrícolas foram conduzidos conforme a legislação aplicável.
<><>
Supressão vegetal próximo à plantação
Durante
o período em que esteve na região, na última semana de abril, a Repórter Brasil
pôde observar uma área de desmatamento aparentemente recente próxima aos
quilombos. Pilhas de madeira ainda estavam estocadas no local.
A área
corresponde a um CAR (Cadastro Ambiental Rural) com o nome registrado como
Fazenda Campina, o mesmo de outra fazenda, localizada a poucos metros dali,
onde a Acelen planta macaúba. A empresa tem licença para plantar em um complexo
de nome Fazenda Campina (ou Campinas, como aparece em alguns documentos) e
Fazenda Vale do Iguape.
Procurada
pela Repórter Brasil, a empresa disse que não realizou supressão vegetal na
área mencionada e que o polígono indicado não “integra as localidades
atualmente utilizadas pela companhia para implantação agrícola vinculada ao
projeto de macaúba”, declarou.
A
Acelen disse ainda que não tem informações sobre a origem das toras de madeira
observadas no local ou sobre eventual atividade realizada por terceiros na
região.
“A
companhia reforça que suas operações seguem rigorosamente os processos de
licenciamento, controle e monitoramento ambiental aplicáveis, conduzidos em
conformidade com os órgãos competentes e com as melhores práticas de gestão
ambiental”, disse em nota.
A
reportagem questionou o Inema se há autorização para supressão vegetal na área,
mas o órgão ambiental não respondeu até a publicação desta reportagem.
O
ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), que tem uma
unidade de conservação na região, a Resex (Reserva Extrativista) Baía do
Iguape, afirmou que não tinha, até o
momento da publicação desta reportagem, informações conclusivas sobre a
existência de autorização de supressão vegetal para a área em questão.
“Devido
a uma série de denúncias [sobre a área desmatada] registradas na unidade de
conservação, o imóvel citado integra o conjunto de áreas que serão objeto de
análise em atividades de monitoramento e controle”, afirmou o ICMBio em nota
enviada à Repórter Brasil.
O órgão
apresenta uma preocupação adicional sobre uma possível relação entre o desmate
e a tentativa de deixar a área mais atraente para a agricultura: “é necessário
considerar a possibilidade de processos indiretos de especulação fundiária e
arrendamento de terras voltados à expansão futura do cultivo de macaúba. Esse
tipo de dinâmica já foi observado em outros contextos de monocultura no
Recôncavo Baiano”, diz a nota. “Essas informações serão buscadas no escopo das
atividades de monitoramento e controle da administração da Reserva
Extrativista.”
<><>
Biorrefinaria ao lado de usina com histórico de vazamentos
Além do
plantio de macaúba em Cachoeira, o projeto da Acelen inclui a construção de uma
biorrefinaria em São Francisco do Conde, às margens da Baía de Todos os Santos,
também no Recôncavo Baiano, para processar o óleo extraído da palmeira e
produzir o biocombustível.
Ao
menos nove comunidades pesqueiras e marisqueiras vivem próximas à área prevista
para a usina, segundo a Acelen. Para construir a nova fábrica, será realizada a
derrubada de 36,43 hectares de vegetação de Mata Atlântica, de acordo com a
empresa.
A
Acelen já opera uma refinaria de petróleo na Baía de Todos os Santos, que tem
histórico de vazamentos e ações na Justiça para reparação de danos ambientais.
Pesquisadores
da UFBA (Universidade Federal da Bahia) e da UFRB e moradores locais afirmaram
à reportagem que os vazamentos de petróleo foram responsáveis pela redução da
quantidade de peixes e mariscos no mar — base da subsistência de muitas
famílias.
A
população do entorno da nova usina também reclama da maioria de vagas de
trabalho oferecidas pela Acelen para o empreendimento. Segundo as queixas,
ocupações como a de engenheiro químico, por exemplo, não correspondem ao perfil
das comunidades locais, onde predominam pescadores e prestadores de serviço,
como eletricistas.
“Eu
acho que essas vagas não são para a gente”, diz Uilma Almeida da Cruz,
marisqueira da Ilha das Fontes. Segundo ela, os cargos mais qualificados não
dialogam com a realidade local.
O MPF
ampliou o inquérito e analisa também os possíveis impactos socioambientais da
biorrefinaria nas comunidades tradicionais em São Francisco do Conde. Em maio,
o órgão encaminhou uma recomendação ao Inema para que o órgão vinculado ao
governo baiano realize um mapeamento das comunidades tradicionais da região de
forma a garantir o adequado processo de consulta prévia.
Questionada,
a Acelen Renováveis disse que o projeto da biorrefinaria em São Francisco do
Conde vem sendo “conduzido com diálogo junto às comunidades potencialmente
impactadas, incluindo pescadores, marisqueiras e lideranças locais”. A
companhia afirmou ainda que o “processo envolve a Consulta Livre, Prévia e
Informada (CLPI), além de iniciativas voltadas à inclusão produtiva,
qualificação profissional e desenvolvimento territorial”.
Sobre o
histórico de vazamentos de petróleo, a Acelen afirmou que realiza um amplo
processo de modernização da planta industrial e mantém programas contínuos de
monitoramento ambiental na região. “As ações desenvolvidas pela companhia
incluem iniciativas preventivas, avaliações ambientais e medidas voltadas à
recuperação progressiva de áreas sensíveis do entorno”, diz a nota.
>>>
Leia a íntegra da resposta:
>>>>>>
NOTA – ACELEN RENOVÁVEIS
A
Acelen Renováveis conduz o projeto de biocombustíveis a partir da macaúba com
foco em desenvolvimento responsável, diálogo territorial e construção de
relações de longo prazo com as comunidades das regiões onde atua. Essa
abordagem faz parte da estratégia e da implementação do projeto desde sua
concepção, orientando a atuação da companhia nos territórios.
A
Acelen Renováveis realiza iniciativas permanentes de escuta, relacionamento
territorial e acompanhamento das demandas apresentadas pelas lideranças locais.
A companhia reforça seu compromisso com a construção gradual de confiança, o
diálogo contínuo e o aprimoramento permanente das formas de atuação junto às
comunidades e aos diferentes públicos envolvidos.
Os
processos de licenciamento ambiental das áreas agrícolas foram conduzidos
conforme a legislação aplicável, e a empresa segue à disposição das autoridades
e das comunidades para prestar esclarecimentos e fortalecer canais de
interlocução.
Sobre
os questionamentos relacionados ao acesso às áreas, a Acelen Renováveis
esclarece que as sinalizações instaladas têm finalidade operacional e de
segurança, além de disponibilizar canais de contato para registro de demandas e
ocorrências. A empresa reconhece a complexidade das dinâmicas territoriais
locais e mantém canais permanentes de escuta e diálogo para tratar percepções,
dúvidas e demandas apresentadas pelas comunidades.
A
Acelen Renováveis destaca ainda que o projeto da biorrefinaria em São Francisco
do Conde vem sendo conduzido com diálogo junto às comunidades potencialmente
impactadas, incluindo pescadores, marisqueiras e lideranças locais. O processo
envolve a Consulta Livre, Prévia e Informada (CLPI), além de iniciativas
voltadas à inclusão produtiva, qualificação profissional e desenvolvimento
territorial.
>>>>
NOTA – REFINARIA DE MATARIPE
Desde
que assumiu a gestão da Refinaria de Mataripe, há quase cinco anos, a Acelen
realiza um amplo processo de modernização da planta, com investimentos
superiores a R$ 4 bilhões em segurança operacional, eficiência e melhorias
ambientais. A atuação responsável e o relacionamento com os territórios são
pilares da estratégia de longo prazo da companhia.
A
Refinaria de Mataripe tem mais de 70 anos e está inserida em uma região que
convive historicamente com desafios ambientais complexos. As ações
desenvolvidas pela companhia incluem iniciativas preventivas, avaliações
ambientais e medidas voltadas à recuperação progressiva de áreas sensíveis do
entorno.
A
empresa mantém programas contínuos de monitoramento ambiental na região,
incluindo acompanhamento de recursos hídricos, sedimentos e biota local. Também
desenvolve iniciativas socioambientais voltadas à preservação dos ecossistemas
costeiros e manguezais, com ações de restauração ecológica, educação ambiental
e participação de comunidades pesqueiras e marisqueiras da região.
A
Acelen reforça que processos de preservação e recuperação ambiental exigem
atuação contínua, diálogo permanente e construção conjunta com os territórios e
comunidades locais. A companhia seguirá atuando com foco em monitoramento
ambiental, preservação dos ecossistemas e fortalecimento das relações com os
públicos do entorno da refinaria.
1 de
junho
A
Acelen Renováveis esclarece que não realizou supressão vegetal na área
mencionada e que o polígono indicado não integra as localidades atualmente
utilizadas pela companhia para implantação agrícola vinculada ao projeto de
macaúba.
A
empresa não possui atuação operacional na área citada e, portanto, não tem
informações sobre a origem das toras de madeira observadas no local ou sobre
eventual atividade realizada por terceiros na região.
A
companhia reforça que suas operações seguem rigorosamente os processos de
licenciamento, controle e monitoramento ambiental aplicáveis, conduzidos em
conformidade com os órgãos competentes e com as melhores práticas de gestão
ambiental.
>>>>>
BNDES
O BNDES
esclarece que não possui financiamento contratado para o Grupo Acelen para o
cultivo da macaúba em Cachoeira (BA). O
BNDES concedeu dois financiamentos para o Grupo Acelen, sendo um para a empresa
Acelen Energias Renováveis S.A., destinado à implantação do Centro de Inovação
Tecnológica Agroindustrial, em Montes Claros (MG), e outro para a Acelen
Industrial S.A., para a construção da biorrefinaria em São Francisco do Conde
(BA).
É
importante ressaltar que todos os projetos analisados pelo BNDES são submetidos
à avaliação de riscos sociais e ambientais, conforme Regulamento de Gestão
Socioambiental e Climática de Operações do Banco. Ressalte-se que para todos os
apoios financeiros, aplica-se a Política de Responsabilidade Social, Ambiental
e Climática (PRSAC) do BNDES. Portanto, o Banco não oferece apoio financeiro a
clientes condenados, seja na esfera administrativa ou judicial, por atos que
envolvam discriminação de raça e gênero, trabalho infantil, trabalho escravo,
assédio moral ou sexual e crime contra o meio ambiente.
Sobre o
Centro de Inovação Tecnológica Agroindustrial, o projeto é focado na pesquisa e
no desenvolvimento da cultura da macaúba para produção de diesel renovável e
combustível sustentável de aviação. Também se destina a pesquisas e estudos a
fim de viabilizar a produção desses biocombustíveis.
A
respeito do financiamento para o projeto da Biorrefinaria em São Francisco do
Conde (BA), trata-se de operação contratada recentemente pelo BNDES. Cabe
ressaltar que este financiamento também não é destinado ao plantio da macaúba
na Bahia.
Para
esse projeto, o georreferenciamento indicou proximidade com áreas tituladas de
comunidades quilombolas, com base nas distâncias definidas pela mencionada
Portaria Interministerial nº 60 de 24 de março de 2015, com base nos dados do
Incra.
Foi
apresentada a Portaria nº 33.349, de 18/06/2025, emitida pelo Instituto do Meio
Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia, com validade até 18/06/2028 (“Portaria
INEMA”), por meio da qual foram concedidas, de forma concomitante, a licença
prévia e a licença de instalação para o projeto.
A
Portaria INEMA estabelece condicionantes relacionadas aos potenciais impactos
sobre as comunidades situadas no entorno da área do empreendimento, incluindo
comunidades quilombolas. Destaca-se, nesse contexto, a condicionante XL, que
determina: “Atender às demandas apresentadas nas consultas prévias, livres e
informadas realizadas com as comunidades quilombolas, no que for pertinente.”
A
Acelen Industrial S.A. apresentou ao BNDES as atas das consultas livres,
prévias e informadas (“CLPI”) realizadas junto às comunidades quilombolas de
Monte Recôncavo, Ilha do Paty, bem como as comunidades de Praia Grande, Porto
dos Cavalos, Ponta Grossa e Martelo, integrantes do conjunto da Ilha de Maré.
Ademais,
é uma obrigação padrão constante dos Contratos de Financiamento celebrados com
o BNDES manter a regularidade perante os órgãos ambientais.
Por
fim, cabe informar que, no acompanhamento de projetos aprovados, o BNDES age ao
ter a ciência da ocorrência de aspectos socioambientais que possam impactar uma
operação de financiamento já contratada. O Banco notifica a empresa exigindo
esclarecimentos e comprovação do cumprimento de suas obrigações ambientais.
O BNDES
esclarece que a análise para a concessão de apoio financeiro acontece no âmbito
de cada projeto apresentado, observando-se os limites de escopo de cada
operação. Assim, no caso das operações com as empresas mencionadas, a análise
de viabilidade financeira e a avaliação de riscos sociais e ambientais, bem
como as exigências de apresentação de licenças ambientais e demais documentos
comprobatórios de regularidade, ficaram restritas ao escopo dos respectivos
projetos, não cabendo ao BNDES a análise de empreendimentos ou iniciativas das
empresas que não integrem diretamente o objeto das operações financiadas.
Esclarece-se também que a refinaria pode funcionar com outros feedstocks, como
óleo de cozinha usado e soja.
O BNDES
informa que a solicitação e a análise de documentação comprobatória relativa ao
atendimento de requisitos socioambientais constituem procedimento padrão do
processo de avaliação e acompanhamento de operações. Conforme já esclarecido, o
Banco verificou a conformidade da operação com as exigências legais e
regulatórias aplicáveis, incluindo o licenciamento ambiental e suas
condicionantes, as quais foram devidamente apresentadas ao BNDES pela empresa,
cabendo à autoridade licenciadora a definição do escopo das comunidades a serem
consideradas e das medidas necessárias para mitigação de impactos. Reafirmamos
que é uma obrigação contratual da empresa se manter regular perante os órgãos
ambientais ao longo de todo o período do financiamento.
Fonte:
Reporter Brasil

Nenhum comentário:
Postar um comentário