Como
Bolsonaro, Paulo Guedes e Campos Neto transformaram fintechs em paraísos de
lavagem de dinheiro para o CV e PCC
Sob a
batuta de Jair Bolsonaro (PL), o Brasil não apenas abriu as portas para a
explosão das fintechs. Escancarou o cofre. Sob Paulo Guedes no comando do
“super” Ministério da Economia, e Roberto Campos Neto no “autônomo” Banco
Central, o país viveu uma combinação explosiva de desregulamentação financeira,
“inovação” sem fiscalização equivalente e enfraquecimento dos mecanismos
clássicos de inteligência contra lavagem de dinheiro.
O
resultado veio à tona nas operações da Polícia Federal e do Ministério Público:
fintechs transformadas em corredores paralelos para bilhões movimentados por
facções como PCC e Comando Vermelho. E com o envolvimento do núcleo duro do
ex-governo Jair Bolsonaro, que agora buscar retomar as rédeas com o filho “01”,
Flávio Bolsonaro.
A
engrenagem começou a ganhar musculatura ainda em 2018, no golpista governo de
Michel Temer (MDB), quando o Conselho Monetário Nacional aprovou a Resolução
4.656, que criou as figuras da Sociedade de Crédito Direto (SCD) e da Sociedade
de Empréstimo entre Pessoas (SEP), abrindo caminho para a expansão agressiva
das fintechs de crédito. O texto autorizava operações financeiras por
plataformas eletrônicas e aplicativos, inaugurando o ciclo de “uberização” do
sistema bancário.
Foi no
governo Bolsonaro, porém, que o modelo virou política de Estado. E que figuras
até então tidas como párias no sistema financeiro, como Daniel Vorcaro, se
fortaleceram e ganharam de Campos Neto o aval para abertura de instituições
como o Banco Master.
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Mantra de Guedes e lavagem de dinheiro
Paulo
Guedes transformou a “desburocratização” financeira em mantra ideológico.
Roberto Campos Neto, no Banco Central, acelerou o Open Banking, o Banking as a
Service (BaaS) e a multiplicação de instituições de pagamento que passaram a
operar como bancos sem carregar o mesmo peso regulatório dos bancos
tradicionais.
O
discurso era o da modernização. A prática abriu brechas gigantescas para
lavagem de dinheiro.
As
investigações mais recentes da PF mostram exatamente isso: fintechs usadas como
estruturas financeiras paralelas pelo PCC para ocultação patrimonial,
pulverização de transações, movimentações em massa e lavagem de recursos do
tráfico. Em uma das operações, investigadores apontaram circulação de cerca de
R$ 26 bilhões em estruturas financeiras ligadas ao crime organizado.
O
coração desse sistema estava justamente no modelo defendido pelo Banco Central
de Campos Neto: empresas financeiras leves, terceirizadas, muitas vezes
operando via BaaS, conectadas ao sistema bancário sem a mesma robustez e
regulamentação.
O BC só
correu atrás do prejuízo anos depois, já no governo Lula e sob gestão de
Gabriel Galípolo, quando o escândalo já estava instalado. Em 2025, o órgão
precisou endurecer regras contra as chamadas “contas-bolsão” — mecanismo usado
para agrupar operações de múltiplos clientes sob uma única estrutura formal,
dificultando a identificação dos verdadeiros titulares dos recursos. O modelo
havia se tornado terreno fértil para ocultação financeira.
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Moro e o fator Coaf em meio às 'rachadinhas'
Mas
talvez o episódio mais revelador tenha ocorrido em 2019, quando Bolsonaro,
Paulo Guedes e Sergio Moro atuaram diretamente sobre o Coaf, o órgão
responsável por inteligência financeira e rastreamento de operações suspeitas.
O contexto era explosivo.
Relatórios
do Coaf haviam identificado movimentações atípicas de Fabrício Queiroz,
operador do esquema das rachadinhas no gabinete de Flávio Bolsonaro. As
investigações apontavam depósitos fracionados, saques em espécie e circulação
incompatível com a renda declarada. O Ministério Público sustentou que o
esquema financiou imóveis e negócios do senador.
Foi
nesse ambiente que Bolsonaro editou a MP 893/2019, transferindo o Coaf do
Ministério da Economia para o Banco Central e rebatizando o órgão como Unidade
de Inteligência Financeira (UIF). A medida teve apoio explícito de Paulo Guedes
e articulação do governo.
Oficialmente,
o discurso era “tirar o Coaf do jogo político”. Na prática, o movimento ocorreu
exatamente quando os relatórios financeiros do órgão atingiam o núcleo do clã
Bolsonaro.
Sergio
Moro, então ministro da Justiça, acabou engolido pela disputa. O governo
retirou do comando do órgão Roberto Leonel, nome ligado a Moro, substituindo a
estrutura sob argumento de “autonomia”.
O
episódio marcou uma inflexão profunda no sistema de inteligência financeira
brasileiro.
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A brecha para PCC e CV
Enquanto
o governo desmontava barreiras de fiscalização e vendia a ideia de um sistema
financeiro “leve”, fintechs proliferavam numa velocidade muito superior à
capacidade de supervisão do Estado.
O Pix
aparece nesse cenário apenas como peça complementar — importante para acelerar
circulação instantânea de recursos, mas longe de ser o núcleo do problema. O
verdadeiro ponto crítico estava antes: na arquitetura regulatória frouxa criada
para fintechs, instituições de pagamento e estruturas de Banking as a Service.
A
retórica liberal de Guedes e Campos Neto produziu um sistema financeiro
hiperfragmentado, com milhares de operadores, intermediários e empresas
tecnológicas funcionando nas bordas da fiscalização tradicional.
E foi
exatamente nessas bordas que PCC e CV encontraram espaço para operar.
Hoje,
quando PF e Ministério Público descrevem fintechs como “bancos paralelos do
crime organizado”, o que emerge não é apenas uma falha regulatória. É o retrato
de um projeto político que tratou supervisão financeira como obstáculo
ideológico e transformou o combate à lavagem de dinheiro em dano colateral da
financeirização ultraliberal do bolsonarismo.
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‘Strike’ contra ‘bets’ e crime organizado
Por
sinal, na sexta-feira, a equipe que Haddad deixou no Ministério da Fazenda deu
um tiro certeiro que fez um “strike” nas “bets” que operam ilegalmente no país
e facilitam a evasão de divisas do Brasil e a lavagem de dinheiro do crime
organizado.
Vale
lembrar que a jogatina das “bets”, a maioria registrada em paraísos fiscais,
foi autorizada no final do governo Temer (2018), mas o governo Bolsonaro
atravessou quatro anos sem regulamentar o setor, facilitando toda sorte de
crimes.
Coube a
Haddad impor normas, desde o final de 2023, e exigir capital mínimo e registro
na Receita Federal. Os que não se ajustaram estão caindo na rede, com a asfixia
financeira ao crime organizado, que envolve ainda os devedores contumazes,
radicados nos EUA, como o ex-dono da Refit, Ricardo Magro, um gordo sonegador.
É mais
eficaz abafar a movimentação financeira que se alimenta duplamente do tráfico
de drogas e do contrabando de armas do território americano para as quadrilhas
brasileiras, do que declarar como “organizações terroristas” o PCC e o Comando
Vermelho (que, embora espalhem terror onde atuam, assim como o Terceiro Comando
Puro, não se comparam aos congêneres internacionais) e expor o cidadão de bem e
trabalhador às balas perdidas do fogo cruzado entre os bandos e as polícias.
• Bolsonaristas estão receosos com
lançamento de Dark Horse
Aliados
do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) defendem a realização de uma pesquisa
qualitativa para avaliar o impacto eleitoral da estreia no Brasil do filme
“Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo
a coluna de Lauro Jardim, em O Globo, a preocupação de integrantes do entorno
do parlamentar é que o lançamento da produção antes das eleições reacenda
desgastes provocados pelas revelações envolvendo a parceria entre Flávio
Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que teria participado do
financiamento do longa.
A
avaliação entre esses aliados é que a repercussão do filme pode influenciar a
disputa eleitoral, motivo pelo qual defendem uma análise mais aprofundada sobre
o momento mais adequado para sua estreia no país.
Já o
ex-deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro, que está nos Estados Unidos,
tem demonstrado uma visão diferente. De acordo com a publicação, ele considera
que a exibição da produção pode beneficiar eleitoralmente o irmão.
“Dark
Horse” foi exibido ao público pela primeira vez na semana passada, em Las
Vegas, nos Estados Unidos. Até o momento, não há definição sobre a data de
lançamento do filme no Brasil.
• Diretor de Dark Horse confirma que filme
é eleitoreiro: espero que ajude levar “Flávio Bolsonaro ao poder”
Cyrus
Nowrasteh, diretor de Dark Horse, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro, tratou o
filme como instrumento eleitoral para impulsionar Flávio Bolsonaro à
Presidência durante a première do longa em Las Vegas, nos Estados Unidos.
Segundo a Agência O Globo, o cineasta afirmou que espera que a obra ajude a
levar o senador “ao poder como o próximo presidente do Brasil”.
A
declaração foi dada após a primeira exibição pública do filme, realizada na
segunda-feira, 15 de junho, durante o Fraud Fighter Summit, evento da direita
trumpista no Ahern Hotel, em Las Vegas. A página oficial do encontro confirma a
première de Dark Horse em 15 de junho e lista Eduardo Bolsonaro entre os
convidados.
“Esperamos
que este filme seja visto no Brasil e receba o apoio dos brasileiros. Eles
reconhecerão a sua própria história, a sua história recente, e levarão Flávio
Bolsonaro ao poder como o próximo presidente do Brasil”, disse Nowrasteh,
segundo a Agência O Globo.
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Cyrus Nowrasteh expõe o motor eleitoral de Dark Horse
A fala
de Cyrus Nowrasteh rasga a embalagem cultural usada pelo bolsonarismo para
vender Dark Horse. O longa reconta a campanha presidencial de Jair Bolsonaro em
2018, explora o atentado a faca em Juiz de Fora, em Minas Gerais, e transforma
a trajetória do ex-presidente em peça épica para alimentar a sucessão familiar
em 2026.
No
mesmo painel, Eduardo Bolsonaro classificou Dark Horse como parte de uma
“guerra cultural” contra adversários políticos. Segundo a reportagem, o
deputado licenciado afirmou que o filme seria “um pesadelo para a esquerda” e
comparou seu potencial de influência cultural ao de Exterminador do Futuro 2.
A
estética é transparente: mártir, herói perseguido, inimigo interno, destino
providencial e herdeiro político. A declaração do diretor apenas verbaliza a
engrenagem central da produção: converter cinema, culto à personalidade e
ressentimento político em campanha presidencial para Flávio Bolsonaro.
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Dark Horse já virou caso eleitoral no TSE
A fala
de Nowrasteh reforça o argumento que levou Dark Horse ao centro da disputa
eleitoral antes mesmo da estreia comercial no Brasil. A Fórum mostrou que Nunes
Marques assumiu nova ação contra Flávio Bolsonaro e negou pedido para impedir a
exibição de Dark Horse como peça de propaganda eleitoral antecipada.
Na
prática, o filme deixou de ser apenas uma cinebiografia sobre Jair Bolsonaro e
passou a ser discutido como ativo de campanha. O próprio diretor, agora,
fornece a frase que faltava ao enredo político: a expectativa de que a obra
ajude a colocar Flávio Bolsonaro no poder.
Antes
disso, a Fórum já havia mostrado que o PT acionou o TSE para barrar Dark Horse
após a revelação de financiamento pelo Banco Master negociado por Flávio
Bolsonaro. O pedido apontava suspeita de uso eleitoral da obra em favor do
senador e pré-candidato do PL à Presidência.
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Filme de Bolsonaro carrega rastro de dinheiro e suspeita
A
dimensão eleitoral de Dark Horse não aparece isolada. A produção entrou na mira
da Polícia Federal por causa da relação entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro
Daniel Vorcaro, do Banco Master, apontado como financiador do filme em meio a
investigações sobre fraudes bilionárias no sistema financeiro.
A Fórum
revelou que a quebra de sigilo do fundo ligado a Dark Horse depende de aval do
governo Trump. A apuração envolve remessas internacionais e suspeitas sobre o
destino de recursos usados para bancar a produção e estruturas associadas à
família Bolsonaro nos Estados Unidos.
Também
foi revelado que a produtora Go UP Entertainment não comprovou gasto de R$ 75
milhões no filme. O valor havia sido usado publicamente para defender a
dimensão da obra, mas a documentação apresentada não sustentou a cifra.
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Dark Horse empurra Flávio Bolsonaro como herdeiro do clã
Com a
fala do diretor, Dark Horse se consolida como peça de transição simbólica
dentro do bolsonarismo. Jair Bolsonaro aparece como mito fundador, Eduardo
Bolsonaro como operador internacional da narrativa e Flávio Bolsonaro como
beneficiário eleitoral direto do produto.
A opção
pelo inglês, a première em um evento da direita dos Estados Unidos, a presença
de Eduardo Bolsonaro no painel e a fala de Nowrasteh sobre levar Flávio “ao
poder” compõem a mesma arquitetura política. O filme vende ao exterior uma
versão heroica de Jair Bolsonaro e devolve ao Brasil uma candidatura embalada
como continuação inevitável do pai.
O
problema é que a frase do diretor desmonta a defesa de neutralidade cultural.
Ao dizer que espera ver Flávio Bolsonaro como “o próximo presidente do Brasil”,
Nowrasteh colocou Dark Horse no lugar que seus críticos já apontavam: não como
filme sobre o passado, mas como máquina narrativa para disputar o futuro
eleitoral do país.
Fonte:
Fórum/JB

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