terça-feira, 23 de junho de 2026

Como Bolsonaro, Paulo Guedes e Campos Neto transformaram fintechs em paraísos de lavagem de dinheiro para o CV e PCC

Sob a batuta de Jair Bolsonaro (PL), o Brasil não apenas abriu as portas para a explosão das fintechs. Escancarou o cofre. Sob Paulo Guedes no comando do “super” Ministério da Economia, e Roberto Campos Neto no “autônomo” Banco Central, o país viveu uma combinação explosiva de desregulamentação financeira, “inovação” sem fiscalização equivalente e enfraquecimento dos mecanismos clássicos de inteligência contra lavagem de dinheiro.

O resultado veio à tona nas operações da Polícia Federal e do Ministério Público: fintechs transformadas em corredores paralelos para bilhões movimentados por facções como PCC e Comando Vermelho. E com o envolvimento do núcleo duro do ex-governo Jair Bolsonaro, que agora buscar retomar as rédeas com o filho “01”, Flávio Bolsonaro.

A engrenagem começou a ganhar musculatura ainda em 2018, no golpista governo de Michel Temer (MDB), quando o Conselho Monetário Nacional aprovou a Resolução 4.656, que criou as figuras da Sociedade de Crédito Direto (SCD) e da Sociedade de Empréstimo entre Pessoas (SEP), abrindo caminho para a expansão agressiva das fintechs de crédito. O texto autorizava operações financeiras por plataformas eletrônicas e aplicativos, inaugurando o ciclo de “uberização” do sistema bancário.

Foi no governo Bolsonaro, porém, que o modelo virou política de Estado. E que figuras até então tidas como párias no sistema financeiro, como Daniel Vorcaro, se fortaleceram e ganharam de Campos Neto o aval para abertura de instituições como o Banco Master.

<><> Mantra de Guedes e lavagem de dinheiro

Paulo Guedes transformou a “desburocratização” financeira em mantra ideológico. Roberto Campos Neto, no Banco Central, acelerou o Open Banking, o Banking as a Service (BaaS) e a multiplicação de instituições de pagamento que passaram a operar como bancos sem carregar o mesmo peso regulatório dos bancos tradicionais.

O discurso era o da modernização. A prática abriu brechas gigantescas para lavagem de dinheiro.

As investigações mais recentes da PF mostram exatamente isso: fintechs usadas como estruturas financeiras paralelas pelo PCC para ocultação patrimonial, pulverização de transações, movimentações em massa e lavagem de recursos do tráfico. Em uma das operações, investigadores apontaram circulação de cerca de R$ 26 bilhões em estruturas financeiras ligadas ao crime organizado.

O coração desse sistema estava justamente no modelo defendido pelo Banco Central de Campos Neto: empresas financeiras leves, terceirizadas, muitas vezes operando via BaaS, conectadas ao sistema bancário sem a mesma robustez e regulamentação.

O BC só correu atrás do prejuízo anos depois, já no governo Lula e sob gestão de Gabriel Galípolo, quando o escândalo já estava instalado. Em 2025, o órgão precisou endurecer regras contra as chamadas “contas-bolsão” — mecanismo usado para agrupar operações de múltiplos clientes sob uma única estrutura formal, dificultando a identificação dos verdadeiros titulares dos recursos. O modelo havia se tornado terreno fértil para ocultação financeira.

<><> Moro e o fator Coaf em meio às 'rachadinhas'

Mas talvez o episódio mais revelador tenha ocorrido em 2019, quando Bolsonaro, Paulo Guedes e Sergio Moro atuaram diretamente sobre o Coaf, o órgão responsável por inteligência financeira e rastreamento de operações suspeitas. O contexto era explosivo.

Relatórios do Coaf haviam identificado movimentações atípicas de Fabrício Queiroz, operador do esquema das rachadinhas no gabinete de Flávio Bolsonaro. As investigações apontavam depósitos fracionados, saques em espécie e circulação incompatível com a renda declarada. O Ministério Público sustentou que o esquema financiou imóveis e negócios do senador.

Foi nesse ambiente que Bolsonaro editou a MP 893/2019, transferindo o Coaf do Ministério da Economia para o Banco Central e rebatizando o órgão como Unidade de Inteligência Financeira (UIF). A medida teve apoio explícito de Paulo Guedes e articulação do governo.

Oficialmente, o discurso era “tirar o Coaf do jogo político”. Na prática, o movimento ocorreu exatamente quando os relatórios financeiros do órgão atingiam o núcleo do clã Bolsonaro.

Sergio Moro, então ministro da Justiça, acabou engolido pela disputa. O governo retirou do comando do órgão Roberto Leonel, nome ligado a Moro, substituindo a estrutura sob argumento de “autonomia”.

O episódio marcou uma inflexão profunda no sistema de inteligência financeira brasileiro.

<><> A brecha para PCC e CV

Enquanto o governo desmontava barreiras de fiscalização e vendia a ideia de um sistema financeiro “leve”, fintechs proliferavam numa velocidade muito superior à capacidade de supervisão do Estado.

O Pix aparece nesse cenário apenas como peça complementar — importante para acelerar circulação instantânea de recursos, mas longe de ser o núcleo do problema. O verdadeiro ponto crítico estava antes: na arquitetura regulatória frouxa criada para fintechs, instituições de pagamento e estruturas de Banking as a Service.

A retórica liberal de Guedes e Campos Neto produziu um sistema financeiro hiperfragmentado, com milhares de operadores, intermediários e empresas tecnológicas funcionando nas bordas da fiscalização tradicional.

E foi exatamente nessas bordas que PCC e CV encontraram espaço para operar.

Hoje, quando PF e Ministério Público descrevem fintechs como “bancos paralelos do crime organizado”, o que emerge não é apenas uma falha regulatória. É o retrato de um projeto político que tratou supervisão financeira como obstáculo ideológico e transformou o combate à lavagem de dinheiro em dano colateral da financeirização ultraliberal do bolsonarismo.

<><> ‘Strike’ contra ‘bets’ e crime organizado

Por sinal, na sexta-feira, a equipe que Haddad deixou no Ministério da Fazenda deu um tiro certeiro que fez um “strike” nas “bets” que operam ilegalmente no país e facilitam a evasão de divisas do Brasil e a lavagem de dinheiro do crime organizado.

Vale lembrar que a jogatina das “bets”, a maioria registrada em paraísos fiscais, foi autorizada no final do governo Temer (2018), mas o governo Bolsonaro atravessou quatro anos sem regulamentar o setor, facilitando toda sorte de crimes.

Coube a Haddad impor normas, desde o final de 2023, e exigir capital mínimo e registro na Receita Federal. Os que não se ajustaram estão caindo na rede, com a asfixia financeira ao crime organizado, que envolve ainda os devedores contumazes, radicados nos EUA, como o ex-dono da Refit, Ricardo Magro, um gordo sonegador.

É mais eficaz abafar a movimentação financeira que se alimenta duplamente do tráfico de drogas e do contrabando de armas do território americano para as quadrilhas brasileiras, do que declarar como “organizações terroristas” o PCC e o Comando Vermelho (que, embora espalhem terror onde atuam, assim como o Terceiro Comando Puro, não se comparam aos congêneres internacionais) e expor o cidadão de bem e trabalhador às balas perdidas do fogo cruzado entre os bandos e as polícias.

•        Bolsonaristas estão receosos com lançamento de Dark Horse

Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) defendem a realização de uma pesquisa qualitativa para avaliar o impacto eleitoral da estreia no Brasil do filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Segundo a coluna de Lauro Jardim, em O Globo, a preocupação de integrantes do entorno do parlamentar é que o lançamento da produção antes das eleições reacenda desgastes provocados pelas revelações envolvendo a parceria entre Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que teria participado do financiamento do longa.

A avaliação entre esses aliados é que a repercussão do filme pode influenciar a disputa eleitoral, motivo pelo qual defendem uma análise mais aprofundada sobre o momento mais adequado para sua estreia no país.

Já o ex-deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro, que está nos Estados Unidos, tem demonstrado uma visão diferente. De acordo com a publicação, ele considera que a exibição da produção pode beneficiar eleitoralmente o irmão.

“Dark Horse” foi exibido ao público pela primeira vez na semana passada, em Las Vegas, nos Estados Unidos. Até o momento, não há definição sobre a data de lançamento do filme no Brasil.

•        Diretor de Dark Horse confirma que filme é eleitoreiro: espero que ajude levar “Flávio Bolsonaro ao poder”

Cyrus Nowrasteh, diretor de Dark Horse, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro, tratou o filme como instrumento eleitoral para impulsionar Flávio Bolsonaro à Presidência durante a première do longa em Las Vegas, nos Estados Unidos. Segundo a Agência O Globo, o cineasta afirmou que espera que a obra ajude a levar o senador “ao poder como o próximo presidente do Brasil”.

A declaração foi dada após a primeira exibição pública do filme, realizada na segunda-feira, 15 de junho, durante o Fraud Fighter Summit, evento da direita trumpista no Ahern Hotel, em Las Vegas. A página oficial do encontro confirma a première de Dark Horse em 15 de junho e lista Eduardo Bolsonaro entre os convidados.

“Esperamos que este filme seja visto no Brasil e receba o apoio dos brasileiros. Eles reconhecerão a sua própria história, a sua história recente, e levarão Flávio Bolsonaro ao poder como o próximo presidente do Brasil”, disse Nowrasteh, segundo a Agência O Globo.

<><> Cyrus Nowrasteh expõe o motor eleitoral de Dark Horse

A fala de Cyrus Nowrasteh rasga a embalagem cultural usada pelo bolsonarismo para vender Dark Horse. O longa reconta a campanha presidencial de Jair Bolsonaro em 2018, explora o atentado a faca em Juiz de Fora, em Minas Gerais, e transforma a trajetória do ex-presidente em peça épica para alimentar a sucessão familiar em 2026.

No mesmo painel, Eduardo Bolsonaro classificou Dark Horse como parte de uma “guerra cultural” contra adversários políticos. Segundo a reportagem, o deputado licenciado afirmou que o filme seria “um pesadelo para a esquerda” e comparou seu potencial de influência cultural ao de Exterminador do Futuro 2.

A estética é transparente: mártir, herói perseguido, inimigo interno, destino providencial e herdeiro político. A declaração do diretor apenas verbaliza a engrenagem central da produção: converter cinema, culto à personalidade e ressentimento político em campanha presidencial para Flávio Bolsonaro.

<><> Dark Horse já virou caso eleitoral no TSE

A fala de Nowrasteh reforça o argumento que levou Dark Horse ao centro da disputa eleitoral antes mesmo da estreia comercial no Brasil. A Fórum mostrou que Nunes Marques assumiu nova ação contra Flávio Bolsonaro e negou pedido para impedir a exibição de Dark Horse como peça de propaganda eleitoral antecipada.

Na prática, o filme deixou de ser apenas uma cinebiografia sobre Jair Bolsonaro e passou a ser discutido como ativo de campanha. O próprio diretor, agora, fornece a frase que faltava ao enredo político: a expectativa de que a obra ajude a colocar Flávio Bolsonaro no poder.

Antes disso, a Fórum já havia mostrado que o PT acionou o TSE para barrar Dark Horse após a revelação de financiamento pelo Banco Master negociado por Flávio Bolsonaro. O pedido apontava suspeita de uso eleitoral da obra em favor do senador e pré-candidato do PL à Presidência.

<><> Filme de Bolsonaro carrega rastro de dinheiro e suspeita

A dimensão eleitoral de Dark Horse não aparece isolada. A produção entrou na mira da Polícia Federal por causa da relação entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, apontado como financiador do filme em meio a investigações sobre fraudes bilionárias no sistema financeiro.

A Fórum revelou que a quebra de sigilo do fundo ligado a Dark Horse depende de aval do governo Trump. A apuração envolve remessas internacionais e suspeitas sobre o destino de recursos usados para bancar a produção e estruturas associadas à família Bolsonaro nos Estados Unidos.

Também foi revelado que a produtora Go UP Entertainment não comprovou gasto de R$ 75 milhões no filme. O valor havia sido usado publicamente para defender a dimensão da obra, mas a documentação apresentada não sustentou a cifra.

<><> Dark Horse empurra Flávio Bolsonaro como herdeiro do clã

Com a fala do diretor, Dark Horse se consolida como peça de transição simbólica dentro do bolsonarismo. Jair Bolsonaro aparece como mito fundador, Eduardo Bolsonaro como operador internacional da narrativa e Flávio Bolsonaro como beneficiário eleitoral direto do produto.

A opção pelo inglês, a première em um evento da direita dos Estados Unidos, a presença de Eduardo Bolsonaro no painel e a fala de Nowrasteh sobre levar Flávio “ao poder” compõem a mesma arquitetura política. O filme vende ao exterior uma versão heroica de Jair Bolsonaro e devolve ao Brasil uma candidatura embalada como continuação inevitável do pai.

O problema é que a frase do diretor desmonta a defesa de neutralidade cultural. Ao dizer que espera ver Flávio Bolsonaro como “o próximo presidente do Brasil”, Nowrasteh colocou Dark Horse no lugar que seus críticos já apontavam: não como filme sobre o passado, mas como máquina narrativa para disputar o futuro eleitoral do país.

 

Fonte: Fórum/JB

 

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