As
propostas de De la Espriella para a Colômbia, e como elas se comparam com as da
direita tradicional
Há
coisas de Abelardo de la Espriella — candidato vencedor das eleições de
domingo (21/06) na Colômbia segundo a contagem preliminar dos votos — que parecem
novas, mas são antigas. E há outras que, até mesmo para um país historicamente
governado pela direita, são inéditas. Querer retirar a Colômbia do sistema
internacional de organizações multilaterais ou buscar legalizar o porte de
armas, por exemplo, são algumas das propostas que o distanciam da direita
liberal que governou o país por décadas.
De la Espriella, um advogado
criminalista de 47 anos, herda dessa direita tradicional elementos como a defesa
ferrenha da propriedade privada, o ceticismo em relação ao envolvimento do
Estado na economia e a base eleitoral — localizada sobretudo nas áreas
abastadas e urbanas da Colômbia andina. Mas tão relevante quanto isso é o que o
também membro e doador do Partido Republicano, nos EUA, identifica na nova
direita inspirada por Donald Trump: a busca por segurança a qualquer custo, a
desconfiança em relação a fronteiras abertas e o desprezo pelo mundo globalizado
e liberal, representado por direitos como inclusão, aborto e casamento
homossexual.
Não é
por acaso que, como o americano, o colombiano proponha "uma nova
ordem" para seu país. Ninguém, talvez nem mesmo De la Espriella, imagina como será seu governo, não apenas porque
ele, pragmático e imprevisível, costuma mudar suas opiniões em função de suas
necessidades, mas também porque terá na oposição uma esquerda organizada no
Congresso e nas ruas.
A
Colômbia parece já ter vivido episódios como este, mas a partir de 7 de agosto
entrará em terreno desconhecido. Afinal, o que representa Abelardo "o
Tigre" De La Espriella — e como ele se compara às direitas que governaram
o país até a chegada de Gustavo Petro, o primeiro presidente de esquerda?
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Mais 'iliberal' do que direitista
De la
Espriella é chamado com frequência de político de extrema direita, mas ele
gosta de dizer que é independente e representa a "coerência extrema".
Isso porque seu grande inimigo, segundo ele, é — como no caso de Javier Milei,
presidente da Argentina — "a casta", o "establishment
tradicional", apesar de ele próprio ter se destacado como advogado de
personagens polêmicos e midiáticos.
O
principal traço de seu perfil ideológico é a ênfase na Segurança: ele propõe
construir megaprisões, fortalecer as Forças Armadas e acabar com as negociações
de paz com grupos armados. Nesse sentido, ele se assemelha a Álvaro Uribe,
presidente entre 2002 e 2010, mas com o componente visual que as novas direitas
— por exemplo, Nayib Bukele, em El Salvador — introduziram: De la Espriella se
apresenta em seus comícios com colete à prova de balas e um vidro blindado ao
seu redor.
Em
termos econômicos, ele adota uma linha semelhante à da direita tradicional,
ainda que mais radical — ou ao menos mais vocal: redução do Estado, impostos
baixos e apoio ao empresariado. Depois, há o aspecto cultural — aquele que as
novas direitas fortaleceram em sua cruzada contra o wokismo, o
feminismo e o liberalismo, e que as direitas tradicionais também compartilham,
mas não consideravam prioritário, em parte por seu caráter mais liberal.
De la
Espriella, criador de um produto alinhado aos tempos das redes sociais e da
inteligência artificial, declara-se contrário ao aborto, à eutanásia e à adoção
homoparental. Na campanha, chegou a se gabar de seu órgão reprodutor, atacar
jornalistas mulheres e desqualificar um candidato homossexual. Mais do que de
direita, De la Espriella pode ser qualificado como iliberal. E isso é, de fato,
o que mais o distancia das direitas tradicionais colombianas.
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Mais uribista que Uribe
O
historiador Germán Mejía Pavony publicou no ano passado Entre a
Liberdade e a Ordem, um livro que conta a história da direita na Colômbia. Para
ele, ser de direita na Colômbia perdeu o sentido com a criação da Frente
Nacional, um acordo vigente entre 1958 e 1974 pelo qual os partidos Liberal e
Conservador se revezaram no poder para conter a violência. Na prática, isso
representou a consolidação de uma centro-direita liberal e tecnocrática como
fundamento do Estado. "Com a Frente Nacional, a política se desideologizou
e ser de direita ou esquerda deixou de fazer sentido. Hoje a direita voltou. É
uma palavra antiga que se tornou nova pela conjuntura política", afirma. "A
versão atual é muito mais desavergonhada em seu ataque às instituições. Seus
líderes se elegem por meio do voto, dizem aceitar a Constituição, mas a moldam
à sua imagem e semelhança para esvaziar a divisão de poderes", diz, em
referência a Bukele.
Na
década de 1920, existiu na Colômbia um movimento denominado "Los
Leopardos", que, em meio ao auge do fascismo italiano, defendeu a defesa
implacável da religião, da família nuclear e de posições homofóbicas. Pelo seu
caráter iliberal, esse é o único antecedente que Mejía encontra para o perfil
de De la Espriella.
O
especialista sustenta que a chegada de Petro ao poder, em 2022 — a primeira de
um esquerdista "puro" —, ampliou o espectro de movimentos com espaço
no sistema político e "reativou a direita como conceito".
Mas a
ascensão de De la Espriella também tem a ver com uma certa cooptação do
uribismo — o movimento de direita mais importante da história recente— pelo
sistema político tradicional, diz Yann Basset, cientista político da
Universidade do Rosario: "O uribismo se aburguesou, tornou-se o partido
das classes altas, enquanto De la Espriella mobiliza setores populares com um
discurso de meritocracia e dos 'nunca'". De la Espriella diz representar
"os que nunca roubamos um centavo do dinheiro público, os que nunca
vivemos do Estado, os que nunca pedimos nada de graça". E com isso também
busca se distanciar de uma direita tradicional que controlou o que na Colômbia
chamam de "o establishment". "Essa nova direita recupera o
discurso do trabalho duro que o Centro Democrático (o partido de Uribe) perdeu
ao se tornar um partido de herdeiros políticos", diz Basset. "Sou o
Uribe de 2002 (de sua primeira vitória), mais litorâneo e mais bacana",
diz De la Espriella. "Represento a verdadeira doutrina uribista (…) mais
moderna e atualizada", afirma.
Mais
uribista que Uribe, e adaptado aos tempos do algoritmo, de Donald Trump e da
crise da ordem liberal.
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Quem é Abelardo de la Espriella, candidato inspirado em
Bukele e Milei
O
advogado "outsider" da direita Abelardo de la Espriella superou o
filósofo esquerdista Iván Cepeda por menos de 1%
dos votos em resultados preliminares do segundo turno da eleição presidencial
da Colômbia no domingo (21/06). Em seu pronunciamento à imprensa ainda no
domingo, Cepeda disse que pediria a recontagem dos votos em 33 mil seções
eleitorais. O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, disse que é preciso
aguardar os resultados finais, que são os da contagem oficial e levarão dias
para serem conhecidos. Abelardo de la Espriella, conhecido como
"El Tigre", já havia sido o candidato mais votado no primeiro turno
das eleições presidenciais da Colômbia, quando obteve mais
de 10 milhões de votos.
Nascido
em Bogotá em 1978, o advogado e empresário abalou o cenário político da
Colômbia. Adversários o classificam como representante da extrema direita,
enquanto aliados afirmam que ele encarna uma "extrema coerência". Ele
prometeu em sua campanha agir com "mão de ferro" contra o crime, o
narcotráfico, a corrupção e o que chama de ilegalidade, temas que considera os
principais problemas da Colômbia. Segundo sua campanha, o político recebe
ameaças de morte frequentes, situação relatada também por outros políticos
colombianos. Por isso, ele costuma aparecer em eventos públicos acompanhado de
ao menos 35 seguranças, além de forte aparato policial.
Sem
trajetória política anterior, ele se apresenta como um "outsider"
(alguém de fora da política tradicional), empresário bem-sucedido e
independente. Ele diz admirar os governos de Nayib Bukele, em El Salvador,
Javier Milei, na Argentina, e Donald Trump, nos Estados Unidos. De la Espriella
afirma que não pretende governar "com os de sempre", expressão usada
na Colômbia para se referir à elite política que esteve no poder até a chegada
de Gustavo Petro à presidência, em 2022. Com o seu movimento, Defensores da
Pátria, ele buscou atrair eleitores descontentes que atribuem à classe política
tradicional muitos dos problemas do país.
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Empresário precoce
O
senador Enrique Gómez Martínez é um dos principais articuladores da campanha de
De la Espriella. Integrante do Movimento Salvação Nacional, partido que se
aliou ao candidato, ele ajudou o partido a conquistar quatro cadeiras no
Congresso nas eleições legislativas realizadas em março. Segundo Gómez
Martínez, por trás da imagem de homem duro e provocador cultivada por De la
Espriella, existe alguém "jovial, paciente, pontual, enérgico e que dorme
pouco". Gómez Martínez afirma que essas características já apareciam
quando o hoje político começava a se destacar no mundo dos negócios, muito
antes de ganhar projeção nacional como advogado de figuras controversas, entre
elas Álex Saab, apontado como operador financeiro do ex-presidente venezuelano
Nicolás Maduro, capturado por forças militares americanas e levado para os EUA,
onde responde a acusações criminais.
O
jornalista colombiano Gerardo Reyes passou a investigar De la Espriella
enquanto escrevia uma biografia sobre Saab. "O biógrafo de De la
Espriella, o jornalista Ángel Becassino, tenta retratá-lo como uma criança
prodígio. Ele decorava os discursos de Luis Carlos Galán, que era admirado por
seu pai, e os recitava em cima de um banquinho", conta Reyes.
Galán
foi candidato à Presidência e acabou assassinado em 1989 por matadores ligados
ao narcotráfico com a participação de agentes do Estado. Anos depois, De la
Espriella assumiria a defesa de Alberto Santofimio Botero, ex-ministro da
Justiça condenado em 2007 por envolvimento no assassinato de Galán.
Ao
relembrar a infância do candidato, Reyes conta que ele chegou a vender
mantimentos em um bairro de Montería, cidade do norte da Colômbia onde foi
criado.
Mais
tarde, se formou em direito na Universidade Sergio Arboleda, em Bogotá. "Ele
também fazia negócios naquela época. Vendia roupas, uísque e esmeraldas nos
EUA", afirma Reyes.
Hoje,
De la Espriella diz controlar dezenas de empresas espalhadas por diferentes
áreas, como mercado imobiliário, comércio de alimentos, bebidas, vestuário,
pecuária e o escritório De la Espriella Lawyers. Segundo Reyes, a campanha foi
financiada com recursos dessas empresas e por meio de empréstimos.
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O advogado midiático
Além de
Saab, de quem afirma ter se afastado em 2021, De la Espriella trabalhou em
casos envolvendo artistas, vítimas de violência e desastres ambientais, além de
pessoas associadas ao paramilitarismo. Esse último ponto gerou críticas de
partes da opinião pública, embora a sua equipe sustente que isso faz parte do
trabalho de qualquer advogado criminalista e do direito de todo acusado à
defesa. "Ele se aproxima do universo paramilitar por meio de um
antropólogo de Montería que ensinava geopolítica, boas maneiras e história a
Carlos Castaño, líder das Autodefesas Unidas da Colômbia", afirma Reyes.
De la
Espriella também atuou na defesa de David Murcia Guzmán, fundador da empresa
DMG, que sofreu intervenção estatal após um escândalo envolvendo captação
ilegal de dinheiro. Além desses casos, o advogado representou comunidades
afetadas pelos impactos ambientais da mina de níquel Cerro Matoso, vítimas de
violência de gênero e a ex-congressista de esquerda Piedad Córdoba, acusada na
época de enriquecimento ilícito.
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A bandeira da segurança
De la
Espriella anunciou sua intenção de disputar a presidência em julho de 2025, um
mês depois de o pré-candidato Miguel Uribe Turbay ter sido baleado
em público, em Bogotá.
Naquele momento, o empresário já havia construído uma presença prolífica nas
redes sociais. "Ele entendeu muito antes da campanha o momento digital do
país. Com muitos vídeos e diferentes contas, conseguiu gerar debate antes mesmo
de lançar a candidatura", analisa a estrategista política Catalina Suárez
em entrevista à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC. Um dos temas
centrais dessa conversa foi a segurança. Após quatro anos do governo Petro e de
sua contestada política de "paz total", a Colômbia viu grupos armados
ampliarem a presença tanto em número quanto em território.
Além da
tragédia envolvendo Uribe Turbay, que morreu dois meses após o atentado, o país
também enfrenta uma crise de segurança ligada ao narcotráfico e a outras
economias ilícitas. Embora vários analistas apontem que a deterioração da
segurança não seja consequência apenas da política de "paz total", a
mensagem defendida por De la Espriella, de que ela é em grande parte
responsável pela situação, encontra eco entre parte do eleitorado. "Ele
vai acabar com toda a criminalidade. Dá para perceber que é quem vai tirar este
país do buraco", disse à reportagem uma apoiadora de classe trabalhadora,
que preferiu não se identificar. "Ninguém levantou a bandeira da segurança
como De la Espriella. O apelido de El Tigre virou um símbolo para os
descontentes. Com o colete, o púlpito blindado e seu esquema de segurança, ele
transmite a ideia de que não se intimida. Com esse tema, criou uma forte
polarização", afirma Suárez.
De la
Espriella promete desmontar a política de paz de Petro e é um crítico
contundente da Jurisdição Especial para a Paz (JEP), órgão de justiça
transicional e reparadora criado no âmbito do acordo de paz firmado entre o
governo e a guerrilha das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), em
2016. Ele já chamou a esquerda de "inimigos da república".
Assim
como Bukele, em El Salvador, De la Espriella afirma que pretende construir
megapresídios, além de planejar "eliminar" narcotraficantes,
dissidências guerrilheiras e outros grupos armados. Anunciou ainda que quer
pulverizar plantações de coca, bombardear acampamentos
"narcoterroristas" e derrubar qualquer avião ou embarcação carregando
drogas que deixe a Colômbia. Segundo ele, para isso pedirá apoio aos EUA, à
Europa e a Israel.
De la
Espriella combina a imagem de homem forte com a defesa da família tradicional e
do cristianismo, após ter se convertido à fé religiosa depois da perda de um
ente querido, há seis anos. Sua esposa, Ana Lucía Pineda, formada em
administração e gestão de empresas, costuma acompanhá-lo em atos públicos. O
casal tem quatro filhos. De la Espriella também promete melhorar o sistema de
saúde, agir com rigor contra a corrupção e estimular o crescimento econômico
por meio da exploração de petróleo, gás e mineração, além de defender redução
de impostos, ajustes fiscais e cortes severos nos gastos do Estado. Para isso,
afirmou que usará "a motosserra", assim como Milei na Argentina.
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Discurso transgressor (e controverso)
De la
Espriella afirma rejeitar o politicamente correto. Isso se encaixa, de certa
forma, no discurso transgressor com que se apresenta ao eleitorado. "Com
essa foto ganhei vários votos bem bacanas do eleitorado feminino", disse
De la Espriella em entrevista ao canal de streaming Piso8, no início de maio. Em
seguida, pediu aos entrevistadores, entre eles uma mulher, que dessem zoom na
imagem, após comentários feitos durante o programa sobre as partes íntimas do
candidato e um suposto implante de silicone.
Sua
postura foi criticada como machista por adversários políticos e usuários das
redes sociais. "Se uma mulher se sentiu desconfortável, um cavalheiro tem
a obrigação moral de pedir desculpas (...) Tudo aconteceu em um contexto de
humor", justificou-se o advogado. Em outra entrevista, De la Espriella
pareceu imitar a voz do político Juan Daniel Oviedo, que é abertamente gay,
acrescentando que havia "coisas" nele "de que não gostava"
e que "não tinham solução". O comentário foi interpretado como
homofóbico por políticos e outras vozes da esfera pública. O advogado afirmou
que se tratava de uma piada tirada de contexto.
Como
"outsider" e "empresário de sucesso", como se define, De la
Espriella afirma ter independência em relação "aos de sempre" para
tomar as medidas de que o país precisa. Rodrigo Lara Restrepo, político e filho
do ministro da Justiça Rodrigo Lara Bonilla, assassinado durante o auge do
cartel de Medellín, declarou apoio público ao advogado justamente por esse
motivo. "O que me entusiasma é a sua independência e liberdade em relação
à política tradicional e à elite empresarial. Isso é algo único na história da
Colômbia", afirmou à BBC News Mundo.
Apesar
disso, nas últimas semanas o candidato recebeu apoio de ex-integrantes de
governos como os dos ex-presidentes Álvaro Uribe e Juan Manuel Santos. Seu
candidato a vice-presidente, José Manuel Restrepo, foi ministro da Fazenda e do
Comércio no governo do ex-presidente Iván Duque. Ele também pertence a uma
linhagem política que inclui Francisco de Paula Santander, um dos líderes da
independência colombiana. Já a família Char, poderoso clã político e econômico
de Barranquilla, anunciou no início de maio apoio ao candidato.
Cinco
analistas de diferentes universidades e centros de estudos ouvidos pela BBC
News Mundo consideram que esses apoios vêm justamente da classe política
tradicional que o candidato afirma rejeitar. Em resumo, avaliam, "é
difícil governar a Colômbia sem esse tipo de apoio e sem políticos experientes
no funcionamento do Estado".
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'Extrema coerência'
O
discurso de linha dura de De la Espriella, somado a seu estilo confrontador,
anti-elite e conservador, fez com que parte da imprensa, adversários políticos
e analistas o classificassem como "ultradireitista" e representante
da extrema direita. É um rótulo que a sua campanha ignora. "Nós driblamos
a categorização de extremo falando em extrema coerência", explica Gómez
Martínez, aliado do candidato. "Não acreditamos que isso seja uma questão
ideológica, mas de princípios e valores fundadores. Achamos que o povo
colombiano não está debatendo ideologias. Quem faz isso são as elites, porque
isso permite criar rótulos", acrescenta o senador recém-eleito, neto do
ex-presidente Laureano Gómez e sobrinho de Álvaro Gómez Hurtado, influente
político assassinado em 1995.
Os
princípios e valores fundadores mencionados por Gómez Martínez giram em torno
dos desafios do Estado colombiano nas áreas de segurança, produtividade,
Justiça, corrupção, educação e valores sociais. Questionado sobre quais seriam
esses valores, Gómez mencionou a "moral cristã, judaico-cristã, que é a
que constrói esta sociedade". Segundo pesquisas recentes do Departamento
Administrativo Nacional de Estatística, a população que se identifica como
católica representa cerca de 80% dos 52 milhões de colombianos. Outros grupos
cristãos somam aproximadamente 10%.
Patricia
Muñoz Yi, cientista política da Universidade Pontifícia Javeriana, afirma que
não vê De la Espriella como "tão ultradireitista", mas reconhece que
ele "tentou ser mais radical do que a direita representada pelo Centro
Democrático".
O
Centro Democrático é o partido fundado pelo ex-presidente Álvaro Uribe e que,
neste primeiro turno, foi representado pela senadora Paloma Valencia, que
terminou em terceiro lugar, fora do segundo turno e abaixo do desempenho
apontado pelas pesquisas. Laura Bonilla, analista política e subdiretora da
Fundação Pares, considera que o movimento do advogado representa uma
"direita populista".
Fonte:
BBC News Mundo

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