sábado, 6 de junho de 2026

Produtora de Dark Horse pagou R$ 50 mil à mulher de Silas Malafaia

A empresária Karina Ferreira da Gama, sócia do deputado federal Mário Frias (PL-SP) e produtora do filme Dark Horse, recebeu R$ 2,5 milhões da Prefeitura de São Paulo para realizar um evento literário gospel de três dias que incluiu a contratação de lideranças evangélicas e personalidades conservadoras para palestras remuneradas com recursos públicos.

As informações foram divulgadas pelo Diário do Centro do Mundo (DCM), que revelou detalhes dos contratos firmados para o evento realizado entre os dias 27 e 30 de setembro de 2018, no auditório Elis Regina, localizado no complexo do Anhembi, na zona norte da capital paulista. Entre os nomes contratados está Elizete Malafaia, esposa do pastor Silas Malafaia, que recebeu R$ 50 mil para ministrar uma palestra de uma hora sobre “Empoderamento Feminino e Família”.

O contrato para a realização do evento foi assinado em 14 de agosto de 2018. A responsável pela autorização do projeto em nome da Prefeitura foi Juliana Velho, então chefe de gabinete da Secretaria Municipal de Cultura. Atualmente, ela ocupa o cargo de chefe de gabinete da Secretaria Estadual da Educação de São Paulo, no governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos). Segundo o DCM, o evento registrou público abaixo do esperado e teve posteriormente suas contas rejeitadas por órgãos de fiscalização e controle.

<><> Mulher de Silas Malafaia recebeu R$ 50 mil

De acordo com a documentação apresentada pela produtora, Elizete Malafaia foi contratada para abordar temas relacionados à família e ao empoderamento feminino. Na justificativa oficial da contratação, Karina da Gama destacou que a palestrante é “psicóloga, bacharel em teologia, terapeuta de família, conferencista e coordenadora do Grupo de Terapeutas Cristãos. Ela é autora de diversos livros e mensagens em DVD com temas voltados para a mulher no contexto pessoal, profissional, familiar e espiritual”.

O valor pago à esposa de Silas Malafaia foi de R$ 50 mil por uma apresentação de aproximadamente uma hora. A contratação integra uma lista de palestrantes ligados ao segmento evangélico e ao campo político conservador que participaram da programação financiada com recursos municipais.

Além de Elizete, outros nomes conhecidos do público evangélico também foram contemplados com cachês elevados para palestras de curta duração durante o evento.

<><> Ana Paula Valadão e Sonia Hernandes também participaram

A cantora e pastora Ana Paula Valadão, irmã do pastor André Valadão, recebeu R$ 50 mil para uma palestra sobre desenvolvimento pessoal. Na documentação oficial, sua contratação foi justificada pela produtora com a seguinte descrição: “Ana Pàula é Escritora, cantora, compositora, arranjadora de música cristã contemporânea e apresentadora brasileira. Citada pela Forbes como uma das 100 pessoas mais influentes do Brasil”.

Outra participante foi a bispa Sonia Hernandes, fundadora da Igreja Renascer em Cristo, que também recebeu R$ 50 mil para falar sobre “empoderamento feminino e família”. Segundo a justificativa apresentada por Karina da Gama, “Sônia Hernandes é empresária, escritora, apresentadora de televisão, compositora e primeira Bispa do Brasil.”

A presença de Sonia Hernandes chamou atenção também por sua proximidade com lideranças políticas do campo conservador. Seu marido, o bispo Estevam Hernandes, chegou a defender publicamente o nome de Tarcísio de Freitas para a Presidência da República. Em declaração à Folha de S.Paulo, afirmou: “Acho que ele seria o candidato ideal para este momento do Brasil”.

<><> Coach ligado a Ricardo Nunes e Vitor Belfort receberam recursos

Entre os contratados também estava o coach Paulo Vieira, que recebeu R$ 50 mil para uma palestra intitulada “Poder da Ação e da Auto-Responsabilidade”. Vieira ganhou projeção nacional por sua atuação no mercado de desenvolvimento pessoal e, durante a campanha municipal de 2024, atuou como consultor informal do prefeito Ricardo Nunes (MDB).

Segundo o DCM, Paulo Vieira foi denunciado pelo Ministério Público em 2023 sob acusação de demitir uma funcionária que não declarou voto em Jair Bolsonaro e por supostas declarações feitas a funcionários de sua empresa envolvendo posicionamentos políticos e religiosos.

Outro nome incluído na programação foi o ex-lutador Vitor Belfort, que recebeu R$ 30 mil para uma palestra intitulada “Lições de Garra, Fé e Sucesso”. Belfort se tornou conhecido nos últimos anos por manifestações públicas de apoio a Jair Bolsonaro e por sua atuação como influenciador digital.

<><> Contas do evento foram rejeitadas

A contratação do evento ocorreu por meio de recursos da Prefeitura de São Paulo destinados à realização de um encontro literário voltado ao público evangélico. A lista de palestrantes incluiu lideranças religiosas, escritores, comunicadores e personalidades alinhadas ao conservadorismo político.

Conforme relatado pelo Diário do Centro do Mundo, documentos públicos da administração municipal detalham os valores pagos aos participantes e as justificativas apresentadas para cada contratação. O portal também informou que o evento registrou baixa participação em diversas atividades.

Posteriormente, as contas do projeto foram rejeitadas pelas autoridades responsáveis pela fiscalização e controle dos recursos públicos municipais, segundo a reportagem.

•        Dark Horse: tentáculos da produtora do filme de Bolsonaro chega a 51 governos estaduais e municipais

empresária Karina Ferreira da Gama, produtora de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro, aparece em uma rede de contratos públicos maior do que a já mapeada nas últimas semanas. Documentos entregues pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB), ONG presidida por ela, listam convênios e repasses com ao menos 51 governos no país, entre prefeituras, estados e o Distrito Federal.

O levantamento foi publicado por Vinicius Segalla, no Diário do Centro do Mundo, e acrescenta uma nova camada ao caso que a Revista Fórum vem acompanhando: a sobreposição entre a Go Up Entertainment, produtora do longa bolsonarista, o ICB, contratos da gestão Ricardo Nunes, emendas de parlamentares do PL e investigações abertas na Polícia Civil e no Supremo Tribunal Federal.

Nos últimos dias, a Fórum publicou que Karina é o elo entre a produtora de Dark Horse e contratos milionários com a Prefeitura de São Paulo. Também reportou que o ICB recebeu recursos de emendas de Mário Frias, produtor-executivo do filme, além de ter firmado contrato de R$ 108 milhões com a gestão Nunes para operar pontos do programa Wi-Fi Livre SP.

<><> Karina Ferreira da Gama e a expansão da rede pública

Segundo a documentação citada pelo DCM, o ICB apresentou à Prefeitura de São Paulo uma lista de contratos, convênios ou repasses vinculados a 49 municípios, além do governo paulista e do Distrito Federal. Os projetos vão de robótica educacional e instalação de antenas de Wi-Fi a eventos literários evangélicos, capacitação de professores e ações de automobilismo social.

A informação muda a escala do caso. A rede que já aparecia conectada ao contrato do Wi-Fi Livre, às emendas parlamentares e ao filme de Bolsonaro não se limitava à capital paulista. A própria entidade apresentou um histórico de atuação espalhado por diferentes administrações públicas.

<><> Contrato de R$ 108 milhões está sob investigação

O principal contrato em apuração foi assinado em 20 de junho de 2024 pela Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia de São Paulo. O acordo previa a implantação e operação de 5 mil pontos de Wi-Fi público em comunidades da capital, ao custo de R$ 108 milhões.

A execução do programa virou alvo da Operação Wi-Fi Livre SP, da Polícia Civil, que apura suspeitas de fraude contratual, desvio de recursos e lavagem de dinheiro. A Go Up, produtora do filme de Bolsonaro, também entrou no radar da investigação por sua ligação com Karina e com o ICB.

A Fórum publicou ainda que a ONG ligada ao filme emitiu R$ 1,2 milhão em notas fiscais para empresas do mesmo entorno, o que reforçou suspeitas sobre a circulação de dinheiro dentro da própria rede associada à produtora.

<><> Emendas de Mário Frias chegaram ao STF

Outra frente envolve emendas parlamentares. A Fórum reportou que Mário Frias destinou recursos ao entorno da produtora de Dark Horse. O deputado nega irregularidades e afirma que os repasses financiaram projetos públicos sem relação com o longa.

O caso entrou no radar do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, que pediu informações sobre emendas do PL destinadas a entidades vinculadas ao grupo de Karina Ferreira da Gama. A Fórum também acompanhou a intimação de Frias, Bia Kicis e Professor Alcides Polon no âmbito da apuração sobre os repasses.

<><> TCU e dados do Wi-Fi ampliam pressão sobre o caso

A rede já havia recebido alerta anterior de órgãos de controle. A Fórum publicou que o TCU apontou o ICB como possível organização de fachada antes do avanço do contrato com a gestão Nunes.

Outra frente foi aberta após reportagem do Intercept Brasil apontar possível uso de dados do Wi-Fi Livre para disparos em massa. A Fórum reportou que Sâmia Bomfim pediu investigação sobre o caso, o que levou o escândalo também ao debate sobre proteção de dados pessoais.

•        Como Mário Frias drenou dinheiro de emendas para a produtora de Dark Horse

Operação Wi-Fi, deflagrada pela Polícia Civil, colocou sob investigação uma rede de relações que envolve o deputado federal Mario Frias (PL), a empresária Karina Gama, a produtora do filme Dark Horse e um contrato milionário firmado pela Prefeitura de São Paulo para a instalação de internet gratuita em comunidades da capital.

As apurações buscam esclarecer se recursos públicos destinados ao programa de conectividade foram desviados para financiar a produção do longa-metragem sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Os investigados negam irregularidades.

<><> O que é o contrato investigado

O centro da investigação é um contrato firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização presidida por Karina Gama.

A entidade foi contratada para implantar milhares de pontos de Wi-Fi gratuito em áreas públicas da cidade. Inicialmente avaliado em R$ 108 milhões, o acordo foi posteriormente ampliado para cerca de R$ 143 milhões.

Segundo a Polícia Civil e o Ministério Público, há indícios de direcionamento no chamamento público, ausência de capacidade técnica da entidade para executar o projeto, pagamentos por serviços supostamente não realizados e possível sobrepreço nos valores contratados.

<><> Quem é Karina Gama

Karina Gama é presidente do Instituto Conhecer Brasil e sócia da produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro.

A empresária também é apontada como aliada política de Mario Frias. Os dois se aproximaram quando o parlamentar ocupava a Secretaria Especial de Cultura do governo Bolsonaro.

Nos últimos anos, Karina passou a administrar contratos de valores elevados com a Prefeitura de São Paulo e ampliou suas atividades empresariais, ao mesmo tempo em que consolidou sua parceria com Frias.

<><> Qual é a relação de Mario Frias com o caso

Além de ter atuado como um dos articuladores da produção de Dark Horse, Mario Frias destinou R$ 2 milhões em emendas parlamentares ao Instituto Conhecer Brasil.

As conexões, porém, não se limitam à ONG.

Documentos da Câmara dos Deputados mostram que o gabinete de Frias contratou empresas ligadas ao círculo empresarial de Karina Gama para prestar serviços de CRM político, ferramenta utilizada para gerenciamento de relacionamento com eleitores e atividades parlamentares.

Entre setembro de 2024 e abril de 2026, a Complexsys Soluções Integradas recebeu aproximadamente R$ 154 mil da cota parlamentar do deputado.

Antes disso, entre abril de 2023 e agosto de 2024, a mesma atividade era desempenhada pela GTrend, empresa de Wemerson Marinho da Gama, ex-marido de Karina, que recebeu cerca de R$ 115 mil do gabinete.

<><> O que chamou a atenção dos investigadores

A troca de fornecedores ocorreu logo após o fim do relacionamento entre Karina e Wemerson.

Além disso, documentos analisados pela reportagem mostram que as notas fiscais emitidas pela GTrend e pela Complexsys apresentavam descrições praticamente idênticas dos serviços prestados ao gabinete de Mario Frias, apesar de terem sido emitidas por empresas diferentes.

Wemerson afirmou que acreditava ter sido contratado justamente por sua ligação familiar com Karina Gama e disse ter atuado de boa-fé durante a prestação dos serviços.

<><> Por que a Complexsys está sendo investigada

A Complexsys aparece em dois núcleos distintos da investigação.

Além de prestar serviços ao gabinete de Mario Frias, a empresa foi subcontratada pelo Instituto Conhecer Brasil para executar parte do contrato de Wi-Fi firmado com a Prefeitura de São Paulo.

Segundo a Polícia Civil, as subcontratações feitas pelo ICB somam cerca de R$ 98 milhões.

Os investigadores suspeitam que parte dessas empresas possa ter sido utilizada para pulverizar recursos públicos, dificultando o rastreamento do dinheiro.

A Complexsys pertence ao empresário André Feldman, que aparece em registros fotográficos ao lado de Karina Gama nas redes sociais.

<><> O caso da nota fiscal de R$ 2 milhões

Um dos pontos mais delicados da investigação envolve uma nota fiscal de R$ 2 milhões emitida pela Complexsys em novembro de 2025.

O documento se referia a supostos serviços de verificação e reparo técnico de equipamentos utilizados no programa de Wi-Fi.

Contudo, consulta aos sistemas oficiais da Prefeitura de São Paulo apontou que a nota foi cancelada no mesmo dia em que foi emitida.

Apesar do cancelamento, o documento foi incluído pelo Instituto Conhecer Brasil na prestação de contas apresentada ao município meses depois.

A polícia tenta esclarecer por que uma nota sem validade fiscal teria sido utilizada para justificar despesas do contrato.

<><> Como o filme “Dark Horse” entra na investigação?

A principal suspeita da Polícia Civil é que parte dos recursos movimentados pelo Instituto Conhecer Brasil e por empresas subcontratadas tenha sido utilizada para financiar a produção do filme sobre Jair Bolsonaro.

No pedido de quebra de sigilo bancário de Karina Gama, os investigadores citam indícios de possível confusão patrimonial entre a ONG, empresas privadas e a produtora responsável pelo longa.

A hipótese é que recursos públicos destinados ao programa de internet gratuita possam ter sido desviados por meio de contratos e transferências entre empresas ligadas ao mesmo grupo.

<><> O que dizem os envolvidos

Karina Gama não comentou publicamente as acusações.

Mario Frias saiu em defesa da empresária e afirmou confiar integralmente nela. Segundo o deputado, Karina está sendo alvo de uso político da investigação e todas as operações financeiras poderão ser esclarecidas.

A Complexsys declarou que atua apenas como prestadora de serviços do Instituto Conhecer Brasil e afirmou colaborar com as autoridades.

Já a Prefeitura de São Paulo sustenta que o programa funciona regularmente e afirma ter fornecido toda a documentação solicitada pela Polícia Civil.

O prefeito Ricardo Nunes (MDB) também nega irregularidades, contesta as suspeitas de superfaturamento e afirma que a contratação seguiu critérios técnicos e legais.

Enquanto isso, a Polícia Civil e o Ministério Público seguem analisando contratos, transferências bancárias, notas fiscais e documentos apreendidos para determinar se houve desvio de recursos públicos e eventual financiamento indireto da produção cinematográfica por meio do contrato de Wi-Fi.

<><> Nota da gestão Nunes

“A Prefeitura de São Paulo informa que colabora com investigações em andamento e segue à disposição das autoridades, tendo já prestado informações. Todo o material requisitado na manhã desta segunda-feira já havia sido disponibilizado às autoridades e são, desde sempre, de acesso público, por meio da prestação de contas do município. A administração ressalta que o programa funciona normalmente na cidade e pode ser acompanhado em tempo real no link https://wifilivrecomunidades.org/sp.

Por volta das 9h desta segunda-feira, dos 3,2 mil pontos contratados pela prefeitura, apenas 52 estavam off-line e passavam por manutenção. Não houve pagamento por parte da administração para 5 mil pontos. O aditivo em questão é exclusivamente para manutenção dos 3,2 mil pontos já instalados nas comunidades periféricas da cidade.

A prefeitura reforça que toda a prestação de contas, com documentos, notas fiscais, contratos e outras informações, está no sistema SEI, que é público. O processo passou também por acompanhamento do Tribunal de Contas do Município (TCM). A Prefeitura repudia veementemente ilações de desvios de recursos públicos, uma vez que o contrato do Instituto Conhecer Brasil seguiu rigorosamente os princípios da legalidade, transparência e economicidade.

Vale lembrar que o chamamento público, aberto por 30 dias para qualquer entidade interessada, ocorreu em 2024, quando não havia sequer produção do filme mencionado, e o processo cumpriu todas as exigências legais. Para 2026, o custo estimado na parceria com o instituto corresponde a R$ 1.280,80 por ponto/mês, significativamente menor do que as propostas recebidas em 2022, de R$ 2.026,26 por ponto/mês e R$ 5.092,14 por ponto/mês.”

<><> Nota do MP

O MP investiga os contratos da ONG em duas frentes: na Promotoria Patrimonial e também na Criminal.

Em nota, a Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social da Capital, informou que “há um inquérito civil em andamento para apurar eventuais irregularidades no Termo de Colaboração n. 01/SMIT/2024, firmado entre a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia e Instituto Conhecer Brasil, cujo objeto consiste na implantação, operação e manutenção de 5.000 pontos de acesso à rede de wi-fi pública em comunidades do município, pelo prazo de 12 meses”.

A promotoria diz ainda que há “notícia de: A) suposto direcionamento do chamamento público anterior; B) ausência de justificativa técnica ou econômica para o ajuste com organização da sociedade civil; C) celebração de três aditamentos contratuais em sequência, com intervalos de pouquíssimos dias entre a sua solicitação e a efetiva formalização; e D) repasses financeiros originalmente previstos para fases posteriores do ajuste e referentes a serviços ainda não implantados”.

 

Fonte: Brasil 247/Fórum

 

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