PCC
e CV terroristas: medida de Rubio e Trump pode atingir Eduardo, Flávio
Bolsonaro e Dark Horse; entenda
Alardeada
por Flávio Bolsonaro (PL-RJ)) como conquista de sua diplomacia paralela após
encontro com Donald Trump na Casa Branca, a classificação de Comando Vermelho
(CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como “Organizações Terroristas
Estrangeiras”, oficializada nesta sexta-feira (5) em decreto assinado pelo
Secretário de Estado Marco Rubio, pode atingir o próprio clã, especialmente
Eduardo Bolsonaro (PL-SP) que vive no Texas e é produtor-executivo do filme
Dark Horse, uma narrativa da ultradireita sobre Jair Bolsonaro (PL) que teria
sido financiada em 90% por Daniel Vorcaro, do banco Master.
A
publicação assinada por Rubio no Federal Register – o “Diário Oficial” dos EUA
– possibilita a investigação e bloqueios de recursos de supostos membros do PCC
e CV que “possam ter presença constitucional nos Estados Unidos” sem a
necessidade de “fornecer notificação prévia a qualquer pessoa sujeita a esta
determinação”.
Na
prática, a determinação autoriza que qualquer ativo, conta bancária ou
patrimônio do PCC e do CV que esteja nos EUA ou passe pelo sistema financeiro
americano pode ser congelado. Além disso, cidadãos e empresas americanas ficam
proibidos de realizar transações com essas organizações.
Investigações
da Polícia Federal (PF) aprofundadas após as operações Poço de Lobato, contra
Ricardo Magro e o Refit, e Compliance Zero, que investiga a organização
criminosa de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, avançam sobre o grupo
político, que une políticos bolsonaristas e do centrão. Segundo a PF, o grupo
dava guarida e atuava como lobby do “andar de cima” do crime organizado,
responsável por lavar dinheiro e fornecer fuzis ao Comando Vermelho e ao
Primeiro Comando da Capital, lucrando nas duas pontas do esquema.
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Elo com PCC
Em
ambas as frentes de investigação, a PF já detectou interlocutores diretos e
supostos esquemas de lavagem de dinheiro ligados diretamente ao clã Bolsonaro.
Neste
mês, em meio à revelação do áudio que mostra “irmandade” de Flávio Bolsonaro
(PL) cobrando Vorcaro pelos 24 milhões de dólares prometidos pelo banqueiro ao
clã, a PF descobriu que a Entre Investimentos, empresa que intermediou repasses
do banqueiro teria enviado cerca de R$ 139 milhões a empresas investigadas por
suspeitas de lavagem de dinheiro para o PCC.
Segundo
a PF, a intermediadora das doações de Vorcaro ao filme de Bolsonaro, faz parte
do grupo Entrepay, de Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como “Mineiro”,
que foi liquidada em março deste ano pelo Banco Central.
A Entre
Investimentos teria recebido R$ 139,2 milhões via Sefer Investimentos, que foi
um dos alvos da segunda fase da Compliance Zero, em janeiro deste ano, por
relações com Vorcaro.
Outros
R$ 20 milhões teriam sido alocados pelo fundo Gold Style, administrado pela
Reag, do pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcardo que também está preso.
De
acordo com investigadores, o fundo da Reag teria recebido R$ 1 bilhão de
empresas apontadas como parte do esquema de lavagem de dinheiro do PCC no
mercado financeiro.
A Entre
Investimentos e Participações foi responsável por enviar ao menos 10,6 milhões
de dólares (R$ 61 milhões) ao fundo Havengate, administrado por Paulo Calixto e
Altieris Santana, da Calixsan, que seriam os operadores de Eduardo Bolsonaro
nos EUA. Calixto é advogado de Eduardo e Santana foi indicado pelo “03” de
Bolsonaro como uma espécie de porta-voz, autorizado a fazer reuniões
presenciais para tratar do dinheiro supostamente para o filme.
ntes de
Marco Rubio anunciar a classificação de CV e PCC como organizações terroristas,
comemorada com um “grande dia” por Flávio Bolsonaro, Cláudio Castro abriu mão
da candidatura ao Senado após ser alvo de duas operações da PF em 11 dias: a
primeira sobre o caso Refit, de Ricardo Magro, no dia 15 de maio, e a segunda
sobre o escândalo do Banco Master, do “irmão” Daniel Vorcaro, no dia 26 do
mesmo mês.
As duas
operações revelam que a PF interligou as duas investigações, que atingem o
“andar de cima” do crime organizado e atinge frontalmente o grupo político que
engloba políticos do Centrão e da ultradireita, que atuam desde 2019 sob o
comando do clã Bolsonaro.
Nesta
teia criminosa que une o grupo político às facções e passa pela Faria Lima, a
PF descobriu a interlocução direta entre Gutemberg Fonseca, indicado por Flávio
Bolsonaro (PL-RJ) para a secretaria de Defesa do Consumidor no ex-governo
Cláudio Castro, no Rio de Janeiro, e o traficante Gabriel Dias de Oliveira, o
“Índio do Lixão”, chefe do Comando Vermelho, que seria o responsável pela
receptação de armamentos, como fuzis, comprados pela agora “organização
terrorista”.
Como a
Fórum revelou, a fusão das duas investigações mostra que o grupo Refit usava as
offshores de Delaware para como bunkers para ocultação de bens que, segundo a
Receita Federal, pertencem de fato ao empresário Ricardo Magro.
De
acordo com a PF, além da aquisição de imóveis, o esquema de lavagem de dinheiro
do grupo incluía o tráfico de armas pesadas dos EUA, como AK-47 e AR-10, que
eram enviadas em contêineres.
As
armas eram entregues a “empresários”, como Josias João do Nascimento, agente
aposentado da PF, classificado como “Senhor das Armas”, ligado ao brasileiro
Frederik Barbieri, condenado por tráfico internacional de armas nos EUA.
Outro
receptor seria o CAC Eduardo Bazzana, preso em maio de 2025. Na casa dele, em
Americana, interior paulista, foram apreendidas mais de 200 armas e 40 mil
munições.
O
empresário mantinha interlocução com Luiz Carlos Bandeira Rodrigues, o “Zeus”,
do Comando Vermelho, que atuava na Muzema, área antes controlada por milicianos
ligados ao clã Bolsonaro. A Muzema foi onde Fabrício Queiroz se abrigou após o
escândalo das rachadinhas.
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Blindagem
No
combate ao PCC há mais de 10 anos, promotor do Ministério Público de São Paulo
Lincoln Gakyia afirmou que a decisão anunciada por Marco Rubio, de classificar
PCC e CV como organizações terroristas, um dia após encontro com Flávio
Bolsonaro, dificulta a cooperação entre Brasil e EUA no combate ao crime
organizado.
“Passando
a ser um assunto de defesa, quem vai tratar disso é a CIA e são os militares.
Não é mais um assunto que seria tratado internamente pelo FBI e pela DEA, como
a gente vem tratando aqui há muito tempo. Isso vai causar um problema, porque
essas informações estando sob a guarda da CIA, elas passam a ser secretas ou
confidenciais. Aí a gente não tem acesso a esse nível de documento”, disse, em
entrevista ao Jornal Nacional.
Na
mesma linha, o ex-secretário nacional de Segurança Mário Sarrubo afirma que a
medida é “muito ruim para o combate ao crime organizado e, em especial, para
algo que o País tem feito muito bem, que é a cooperação internacional, que é o
diálogo entre as forças policiais brasileiras e americanas, mas também o
diálogo com outras forças dos países vizinhos aqui da América do Sul, da
América Latina como um todo”.
Ao
Estadão, Sarrubo diz que “a decisão americana deteriora o sistema de
cooperação, porque nós deixaremos de tratar a respeito de facções com DEA e com
FBI e passaremos a ter que lidar com a CIA, que não conversa com ninguém”.
Na
prática, com a medida, a cooperação e a troca de informações passará por
instituições subordinadas à Casa Branca, comandada atualmente por Donald Trump,
aliado do clã Bolsonaro que deseja um governo submisso no Brasil para avançar
sobre o “quintal” na América Latina, especialmente sobre as reservas de
petróleo e terras raras.
No
documento entregue ao presidente dos EUA, antes da reunião com Rubio, Flávio
Bolsonaro teria prometido justamente que, se eleito, cumprirá a risco a agenda
de interesses de Trump no Brasil, privatizando a Petrobrás e cedendo a
exploração das terras raras às mineradoras transnacionais que atuam a partir de
Wall Street.
Em
troca, ao que tudo indica, Flávio Bolsonaro obteve a blindagem nas
investigações do “andar de cima” do crime organizada durante as eleições para
tentar levar os aliados no CV e PCC ao Palácio do Planalto em 2027.
• Rota do dinheiro de Vorcaro até os EUA
vira alvo de pedido de investigação
Deputados
brasileiros encaminharam a parlamentares democratas dos Estados Unidos um
pedido formal de investigação sobre a possível utilização de estruturas
financeiras, contratuais, societárias e bancárias em território norte-americano
para lavagem de dinheiro, ocultação de ativos, dissimulação da origem de
valores, financiamento político irregular e obstrução de investigações.
O
documento mira possíveis conexões entre o caso Banco Master, o banqueiro Daniel
Vorcaro, estruturas financeiras relacionadas à Reag, fundos sob suspeita de
ligação com lavagem de dinheiro associada ao Primeiro Comando da Capital (PCC)
e agentes políticos brasileiros ligados à família Bolsonaro.
O
pedido é assinado pelos deputados Pedro Uczai (PT-SC), líder do PT na Câmara;
Jandira Feghali (PCdoB-RJ), líder do PCdoB; Pedro Campos (PSB-PE), vice-líder
do governo; e André Janones (Rede-MG).
Suspeita
de rota financeira nos EUA
Segundo
o documento, a principal hipótese a ser investigada é se os Estados Unidos
foram utilizados como etapa de ocultação, dissimulação ou integração de valores
originados de possíveis crimes antecedentes apurados no Brasil.
A rota
sob suspeita envolve, em tese, pedido ou solicitação de valores por Flávio
Bolsonaro a Daniel Vorcaro; eventual circulação desses recursos por meio de
produtora ligada a projeto audiovisual de interesse político; possível uso de
escritório de advocacia, contratos, contas bancárias, fundos ou veículos
jurídicos nos Estados Unidos; e potencial benefício direto ou indireto a
Eduardo Bolsonaro, que tem atuado politicamente em território norte-americano.
Os
parlamentares afirmam que não atribuem responsabilidade penal conclusiva a
nenhuma pessoa, mas sustentam que há um conjunto de indícios, fatos públicos,
vínculos políticos e possíveis operações transnacionais que justificam a
abertura de procedimentos investigativos.
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Banco Master, Reag e fundos sob suspeita
O
pedido também solicita apuração sobre a possível origem dos recursos ligados ao
ecossistema Banco Master. Daniel Vorcaro, controlador da instituição, é
apontado no documento como personagem central de um dos maiores escândalos
financeiros recentes do país.
Os
parlamentares pedem que seja investigada eventual relação entre recursos do
Banco Master, fundos vinculados à Reag Investimentos e estruturas mencionadas
em investigações sobre lavagem de dinheiro atribuída ao PCC.
Segundo
o documento, caso valores oriundos desse ambiente financeiro tenham sido
deslocados para custear atividades políticas, jurídicas, comunicacionais ou de
lobby em favor de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, haveria indício de uma
cadeia transnacional de ocultação e integração de ativos potencialmente
ilícitos.
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Filme, contratos e lobby
Outro
ponto central do pedido é a suspeita de que contratos de produção audiovisual,
advocacia, consultoria, relações públicas, comunicação estratégica, lobby ou
investimento possam ter sido usados para justificar pagamentos sem substância
econômica real, com valores incompatíveis ou beneficiários finais ocultos.
O
documento pede que parlamentares norte-americanos ajudem a identificar contas
bancárias, empresas, fundos, veículos societários, escritórios de advocacia,
contratos e intermediários eventualmente utilizados para movimentar recursos
relacionados a Daniel Vorcaro, Banco Master, Reag, fundos ligados à Operação
Carbono Oculto, produtoras vinculadas ao projeto audiovisual mencionado, Flávio
Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro ou pessoas físicas e jurídicas associadas a eles.
Os
signatários também solicitam a preservação de documentos, comunicações,
registros bancários, fiscais, societários e contratuais, além da verificação de
relatórios de atividades suspeitas e eventual inconsistência entre serviços
declarados e valores pagos.
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Possível financiamento de atuação política no exterior
O
pedido também mira a atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Os
deputados afirmam que o ex-deputado tem desenvolvido articulações políticas em
território norte-americano contra autoridades brasileiras, instituições
nacionais e em favor de pressões externas sobre o Brasil.
Na
avaliação dos parlamentares, se essa estrutura tiver sido financiada por
recursos oriundos de fraude financeira, corrupção, solicitação indevida de
vantagem ou lavagem de dinheiro, a jurisdição norte-americana pode ter sido
usada como instrumento de ocultação e projeção internacional de valores
ilícitos.
O
documento também alerta para a possibilidade de que a classificação política de
facções brasileiras como organizações terroristas por autoridades estrangeiras,
quando estimulada por agentes políticos brasileiros envolvidos em controvérsias
financeiras, possa deslocar a cooperação penal tradicional para canais de
inteligência, segurança nacional e sigilo ampliado.
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Pedido de cooperação com autoridades brasileiras
Os
parlamentares brasileiros pedem que os democratas dos EUA adotem providências
para apurar os fatos e, se for o caso, promovam cooperação formal com a Polícia
Federal, o Ministério Público Federal, o Conselho de Controle de Atividades
Financeiras, o Banco Central, a Receita Federal e demais órgãos brasileiros
competentes.
O
documento afirma que parte relevante da possível cadeia de ocultação pode estar
situada nos Estados Unidos, incluindo registros bancários, contratos,
beneficiários finais, documentos societários, informações fiscais, relatórios
de atividades suspeitas, dados de fundos, invoices, contratos de prestação de
serviços, pagamentos a escritórios de advocacia, registros de lobby e
informações de compliance.
Ao
final, os deputados solicitam que o pedido seja recebido como comunicação
formal de fatos relevantes e como solicitação de providências investigativas no
âmbito das competências legais das autoridades norte-americanas.
Para os
signatários, a cooperação entre Brasil e Estados Unidos é essencial para
impedir a destruição de provas, a dissipação de ativos e o uso de território
norte-americano como refúgio operacional de recursos ilícitos.
Fonte:
Fórum

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