Bancos
alemães guardam bilhões de euros em contas esquecidas
Enquanto
a Alemanha tenta fazer grandes cortes orçamentários para ajustar suas contas,
bilhões de euros permanecem silenciosamente parados em bancos e outras
instituições financeiras, sem uso e fora do radar, nas chamadas contas
esquecidas.
Um
relatório de 2021 do Ministério da Educação e Pesquisa do país estimou que até
4,2 bilhões de euros (R$ 24,6 bilhões) estariam nessas contas. Outras
estimativas de centros de pesquisa são muito mais altas, chegando a 9 bilhões
de euros (R$ 52 bilhões). Os bancos não divulgam números próprios.
A
título de comparação, o Banco Central estima que existem R$ 10,27 bilhões
esquecidos em instituições financeiras no Brasil. À medida que as pessoas
envelhecem, mantêm várias contas ou morrem, parentes e herdeiros têm
dificuldade para identificar esses recursos.
O banco
digital, sem papelada nem extratos impressos, dificulta ainda mais esse
processo, porque, para muitos clientes, as informações bancárias ficam
esquecidas em contas de e-mail ou em computadores antigos. Ativos financeiros
não tradicionais, como criptomoedas ou NFTs, são ainda mais difíceis de
rastrear.
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O que é uma conta abandonada?
Limitando-se
aos ativos financeiros tradicionais, contas abandonadas, esquecidas ou
dormentes são depósitos bancários ou valores mobiliários, como ações e títulos,
que permanecem intocados por um período de tempo.
Na
Alemanha, não há uma definição oficial de contas abandonadas, e elas podem
permanecer inativas por anos.
Essa
falta de um marco legal deixou a questão a cargo dos próprios bancos, mas a
maioria deles leva em consideração os seguintes pontos: se o titular da conta
morreu e não é possível encontrar herdeiros, se não há contato do cliente há
anos ou se correspondências postais retornam e outros dados de contato estão
desatualizados.
Isso
também dá aos bancos margem de manobra sobre quanto investir na busca por
titulares ou herdeiros. Um grande obstáculo são as rigorosas regras de proteção
de dados do país.
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Como encontrar contas abandonadas na Alemanha?
Na
Alemanha, contas dormentes não se tornam propriedade dos bancos nem são
transferidas ao governo. Os bancos devem manter essas contas indefinidamente, e
a titularidade – seja do dono original ou de seus herdeiros – nunca prescreve.
O
governo alemão só pode reivindicar uma conta se for declarado herdeiro segundo
a lei de sucessões do país, e não com base em regras de bens não reclamados.
"A
principal medida necessária é um registro central de contas dormentes que possa
ser usado para verificar se alguém manteve contas em algum lugar", afirma
Beatrice Eisenschmidt, membro do conselho da VDEE, uma associação com sede em
Berlim que representa profissionais especializados em localizar herdeiros.
Hoje,
as consultas precisam ser enviadas a várias associações bancárias, um processo
que consome tempo e dinheiro. Para os herdeiros, geralmente é um tiro no
escuro, sem saber sequer se existem ativos.
"Por
esse motivo, muitos herdeiros optam por não levar adiante essas
consultas", disse Eisenschmidt à DW.
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Tentativas de criar um registro nacional
Há
quase uma década, Norbert Walter-Borjans, então secretário das Finanças do
estado alemão da Renânia do Norte-Vestfália, estimou que cerca de 2 bilhões de
euros estavam mantidos em contas dormentes em toda a Alemanha.
Ele
defendeu a criação de um registro nacional de ativos dormentes, e várias
tentativas foram feitas desde então.
O atual
governo federal, liderado pelo chanceler federal alemão, Friedrich Merz,
apresentou um projeto de lei para criar um registro central digital, de acesso
público, no qual herdeiros possam buscar informações – similar ao modelo
brasileiro. Mas, até agora, nenhuma nova regulamentação foi aprovada.
Uma
pesquisa recente encomendada pela instituição de caridade Aldeias Infantis SOS
mostrou que 86% das pessoas gostariam de ver ativos bancários esquecidos
destinados a um fundo para projetos sociais após um período razoável de tempo,
enquanto apenas 8% acham que o dinheiro deveria ir para o governo e 2%
acreditam que os bancos deveriam ficar com ele.
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Brasil e outros países usam modelos diferentes
No
Brasil, por exemplo, as regras são diferentes. O Banco Central já disponibiliza
o Sistema de Valores a Receber (SVR), que permite a qualquer usuário consultar
recursos esquecidos em qualquer banco.
Além
disso, metade dos valores esquecidos disponíveis foram agora transferidos ao
Fundo de Garantia de Operações (FGO) para serem usados como garantia para
renegociação de dívidas no programa de combate à inadimplência Desenrola . As
contas ainda podem ser recuperadas.
No
Reino Unido, contas dormentes são transferidas para um fundo de recuperação, e
não para o governo, geralmente após 15 anos. O fundo tem como objetivo apoiar
projetos sociais e ambientais. O dinheiro, porém, pode ser recuperado
indefinidamente.
A
Irlanda tem um prazo semelhante, mas lá o dinheiro é transferido para o
Tesouro, que também o utiliza em projetos sociais. As instituições são
obrigadas a publicar um aviso em dois jornais nacionais antes que a
transferência ocorra. Ainda assim, não há limite de tempo para a recuperação
das contas, com juros.
Nos
Estados Unidos, contas abandonadas são reguladas por leis estaduais. Na maioria
dos casos, uma conta é considerada dormente após 3 a 5 anos de inatividade.
Depois disso, o banco deve tentar entrar em contato com o titular.
Se
ninguém for encontrado, o estado – geralmente o do último endereço conhecido do
titular – assume a custódia da conta. Ela passa então a ser mantida em um órgão
de bens não reclamados, alguns dos quais publicam avisos públicos. Na maioria
dos casos, os proprietários podem recuperar os bens indefinidamente.
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França e Suíça estipulam prazo
Na
França, os bancos devem tentar entrar em contato com os titulares, mas, após 10
anos de inatividade, contas e apólices de seguro de vida são transferidas para
uma instituição financeira pública, a CDC.
O
governo oferece um banco de dados pesquisável, mas não procura ativamente os
titulares das contas. Os recursos tornam-se propriedade do Estado francês 20
anos depois e não podem mais ser recuperados.
A
Suíça, conhecida por suas regras bancárias específicas, seguiu um caminho
semelhante, embora mais longo.
No país
alpino, espera-se que os bancos preservem os ativos e continuem administrando
contas dormentes no melhor interesse dos clientes. Para ajudar os titulares, o
país dispõe de um banco de dados centralizado para essas contas.
Após 60
anos sem contato, informações sobre as contas são publicadas, e os herdeiros
têm um ano para reivindicá-las. Depois disso, os direitos prescrevem e a conta
é liquidada e transferida ao governo, incluindo o conteúdo de cofres.
Fonte:
DW Brasil

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