Adilson
Roberto Gonçalves: O jeito Bolsonaro de trair a Pátria
Ingerência
de um país estrangeiro em eleições nacionais. Esse é o resultado imediato do
“Tariflávio”. Por muito menos, em 1947, o registro do Partido
Comunista do Brasil foi cassado, mesmo tendo feito uma bancada de deputados
federais nas eleições anteriores, levando a agremiação a atuar na
clandestinidade pelas quatro décadas seguintes. Um dos argumentos era que o
então secretário do Partidão, Luís Carlos Prestes, declarou que defenderia a
União Soviética, caso houvesse uma guerra contra aquele país.
Havendo
aceitação das medidas tomadas por uma nação estrangeira contra o Brasil, ou
melhor, provocação prévia por parte de um pré-candidato para que novas tarifas
acontecessem, a primeira atitude seria investigar até que ponto ele – sim,
falamos de Flávio Bolsonaro – segredou informações para o governo estrangeiro,
configurando crime de traição. Traição covarde, pois, na sequência, ao ver a
péssima repercussão de seus atos, o senador fez postagens dizendo que está
clamando para que o governo norte-americano não taxe o Brasil. É isso que a
Faria Lima quer para governar o país.
O que
parecia ser mais um diversionismo para tirar a atenção das relações espúrias de
Bolsonaro com Daniel Vorcaro por ocasião do filme “Dark Horse”, a foto no
“antroval” (Antro Oval) da Casa Branca, tornou-se um enrosco para o criminoso
primogênito. A imprensa hegemônica ainda digere os acontecimentos para ver o
que criará de sobrefato para esconder mais uma inconsequência de seu
queridinho.
Na
Revista Piauí, por outro lado, questões profundas envolvendo o dito filme e
suas externalidades têm sido muito exploradas. De qualquer forma, ainda na
edição de maio deste ano, era difícil prever que as questões cinematográficas
da seção “esquina”, de Pedro Tavares (“Pátria, família e pipoca”), com dois
filmes sobre Jair Bolsonaro, conversariam com Daniel Vorcaro e seu plano master
de falcatruas e corrupção. O texto até foi impresso perto daquele de Allan de
Abreu (“Nas asas do calote”), citando o banqueiro, mas por pura coincidência.
Os memes em relação ao filme queimado ou pangaré manco “Dark Horse” já abundam
na internet para retratar mais uma tragédia de Bolsonaros em ação. A repórter
Ana Clara Costa destrinchou como se dá “a simbiose” entre criminosos e
investidores na Faria Lima, cuja interface é, novamente, Daniel Vorcaro.
Comprova-se a máxima de que a riqueza quem produz é o trabalhador, mas é o
colarinho-branco quem faz dinheiro. E o nome de Flávio Bolsonaro aparece ali,
na reportagem de Ana Clara Costa, como fiador da indicação do presidente da
Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Juntando filme e fama, se a película tem
estofo para ser “horse”, não se sabe, mas que é “dark”, quanto a isso não há
dúvidas.
As
traições e outros crimes continuam, pois a mais recente revelação do Intercept
Brasil mostra a existência de um pacote de recursos (propina?) por parte de
Vorcaro, em que os valores para o filme estão ou estariam inclusos.
¨
Traição dos Bolsonaro promove uma semana difícil. Por
Reimont Otoni
Escrever
um artigo sobre o que vivemos nos últimos dias é como mexer em uma colcha de
retalhos, com diferentes pedaços, mas todos conectados, todos parte de uma
única peça.
Tem o
tarifaço, os ataques ao Pix, a traição e as mentiras lançadas por Flavio
Bolsonaro e a extrema-direita, as novas revelações sobre o esquema Vorcaro e o
Banco Master... enfim, é um mosaico. Vamos por partes.
Flávio
foi aos Estados Unidos em meio a uma torrente de vazamentos sobre as suas
ligações mais do que suspeitas com Daniel Vorcaro e sua gangue. Foi tentar um
respiro, buscar algum amparo do “chefe supremo” para reduzir os danos
eleitorais. Levou na mala um pedido de socorro e toda a sorte de fanfarronices
e mentiras que acumula, com destaque para as falsas acusações contra o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que vinha construindo importantes acordos
com os Estados Unidos.
Flavio
teve três encontros em terras norte-americanas: com o presidente Donald Trump,
mais protocolar, e com o vice-presidente J.D. Vance e com o secretário de
Defesa Marco Rubio, os dois últimos fortes lideranças da extrema-direita
mundial e, aparentemente, mais decisivos nas graves decisões que vieram na
sequência, com aval dos traidores da nossa pátria.
De
pronto, Marco Rubio anunciou a classificação de duas facções criminosas
brasileiras como terroristas internacionais, o que, por si só, causa imensos
prejuízos econômicos, financeiros e sociais ao país. Mas Flávio Bolsonaro e a
extrema- direita não se importam com isso. E, a quem alertou sobre os riscos
para o Brasil, chamaram de “defensores de bandidos”, como se o país fosse
criminoso. Não foi surpresa, o foragido Eduardo já disse publicamente que, se o
Brasil virasse terra arrasada, melhor pra ele, que se sentiria vingado.
Na
sequência, houve a ameaça do primeiro e do segundo tarifaços. Os Estados
Unidos, usando informações ultrapassadas, taxaram diversos produtos
brasileiros. Curiosamente, as medidas parecem não ter lógica, critérios.
Alegaram dados de desmatamento da época de Bolsonaro, mas deixaram a madeira de
fora da taxação. Acusaram o país de trabalho forçado na pecuária, mas
livraram a carne bovina de nova tarifa. A explicação é simples: a política
comercial estadunidense, que até parece à deriva, obedece única e exclusivamente
aos interesses norte-americanos e eles precisam das nossas madeira e
carne.
Mas há
brasileiros que aplaudem e incentivam, achando que tirarão proveitos eleitorais
disso, embora, em público, tentem convencer que são contra (a carta de Flávio
Bolsonaro ao presidente Trump é de uma subserviência vergonhosa e, na
despedida, reproduz um pequeno verso de uma famosa canção patriótica
norte-americana, “God Bless America”, colocando o Brasil depois dos EUA; diz o
trecho da carta do senador do PL, traduzido: “Que Deus abençoe os Estados
Unidos, e que Deus abençoe o Brasil”)
Ele
nada escreveu sobre as ameaças ao PIX, mesmo sabendo que, nas razões
apresentadas pelo governo de Trump para o tarifaço, há 20 menções ao nosso
sistema de pagamentos, talvez o verdadeiro alvo deles.
Com a
pronta e firme reação do nosso governo e da população levou Flavio a sair atrás
do prejuízo e tentar, mais de 24 horas depois, uma afoita manifestação.
Repetindo um gesto de Lula e de todos nós, ele compareceu a um ato exibindo um
cartaz com os dizeres “o PIX é do Brasil e do Bolsonaro”. Mentiu.
A
criação do PIX deve-se ao corpo técnico do Banco Central, sob a presidência de
Ilan Goldfajn. Com base em estudos iniciados em 2016, o BC criou, em 2018, o
grupo de trabalho oficial que desenvolveria o sistema, sob o comando do
economista Carlos Eduardo Brandt. No final de 2020, o PPIX foi lançado, mas sob
desconfiança inicial, inclusive de Jair Bolsonaro.
Naquele
ano, em uma daquelas tenebrosas “entrevistas” no cercadinho que construiu no
Palácio da Alvorada, o ex-presidente e atual presidiário revelou que
desconhecia o PIX: “Não tomei conhecimento, vou conversar esta semana com o
Campos Neto (já o novo presidente do Banco Central)”, confessou.
Dois
anos depois, Jair continuava a desprezar o PIX, que depois viria a usar e
abusar para transacionar milhões em família. Mas, em abril de 2022, ele ainda
não tinha aderido ao novo sistema de pagamentos. “Mais de 100 milhões tem Pix
no Brasil. Eu não tenho. Tô afim de fazer um aí. Cai dinheiro na conta da gente
de graça? Se pedir, o pessoal bota? Vou fazer meu Pix aí”, disse em uma live
transmitida nas redes sociais.
Essa é
a verdade que a extrema-direita distorce, na tentativa de tirar proveito da
situação.
Com sua
traição ao país, Flávio tentou, por todos os meios e a qualquer preço, desviar
a atenção do seu envolvimento cada vez mais evidente na maior fraude financeira
do Brasil, o caso do Banco Master. Uma fraude que prejudicou milhões de
correntistas e teve inequívoco aporte de dinheiro público, com danos a
aposentados e pensionistas de vários estados e municípios parceiros do
bolsonarismo, como foi o caso do Rio de Janeiro.
A
cortina de fumaça que lançou não conseguiu e nem conseguirá esconder as provas
consistentes que saem a cada dia dos celulares apreendidos, principalmente dos
aparelhos de Vorcaro. Já é mais do que hora do ministro André Mendonça, do STF,
determinar a quebra dos sigilos bancário e telefônico da família Bolsonaro. Já
é hora da Polícia Federal bater na porta do Senador.
¨
Zarattini repudia "traição da família Bolsonaro ao
Brasil"
O
deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP) afirmou que o deputado cassado
Eduardo Bolsonaro (PL-SP) deixou explícita a posição da família Bolsonaro
contra o Pix ao sugerir, em vídeo, a troca do sistema brasileiro pelo Zelle,
plataforma de pagamentos dos Estados Unidos.
Em
postagem divulgada na rede social X, o petista classificou os Bolsonaros como
"inimigos do Pix" e disse que a defesa do Zelle reforça, segundo ele,
a "traição da família Bolsonaro ao Brasil". O parlamentar também
destacou que o Pix ganhou reconhecimento internacional como inovação
brasileira, enquanto o bolsonarismo, em sua avaliação, demonstra disposição
para entregar até esse avanço tecnológico.
"Bolsonaros
inimigos do Pix. Para quem ainda tinha dúvidas sobre a traição da família
Bolsonaro ao Brasil, Eduardo Bolsonaro resolveu deixar explícito. Ele sugeriu
em vídeo trocar o Pix pelo Zelle, sistema de pagamentos dos Estados Unidos.
Enquanto o mundo reconhece o Pix como uma inovação brasileira, o bolsonarismo
parece disposto a entregar até isso para agradar interesses estrangeiros",
escreveu Zarattini.
A
crítica do deputado coloca o Pix no centro de uma disputa política sobre
soberania digital, tecnologia nacional e interesses econômicos externos. Ao
citar o Zelle, Zarattini contrapôs o sistema brasileiro de pagamentos
instantâneos a uma ferramenta usada nos Estados Unidos.
Na
avaliação expressa pelo parlamentar, a sugestão atribuída a Eduardo Bolsonaro
representa mais do que uma preferência por outro meio de pagamento. Zarattini
enquadrou a fala como gesto político contra uma solução desenvolvida no Brasil
e reconhecida fora do país.
A
postagem também reforça o debate sobre o papel do Pix como símbolo de inovação
brasileira. Para Zarattini, a defesa de um sistema estrangeiro em substituição
ao modelo nacional expõe o alinhamento do bolsonarismo com interesses dos EUA.
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Ataque de Trump e dos irmãos Bolsonaro ao Pix facilitará
a vitória de Lula. Por Leonardo Attuch
Há
poucos temas capazes de unir praticamente todos os brasileiros. O Pix é um
deles.
Num
país polarizado e marcado por profundas divisões políticas, ideológicas e
sociais, o sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central
tornou-se uma unanimidade nacional. O trabalhador que recebe seu salário, o
pequeno comerciante da periferia, o empreendedor, o profissional liberal, o
estudante, o aposentado e até os grandes empresários utilizam diariamente uma
ferramenta que revolucionou a circulação de dinheiro no Brasil.
O
motivo é simples: o Pix funciona.
E
funciona porque nasceu para servir à população, não aos interesses dos
intermediários financeiros. Pela primeira vez na história brasileira, milhões
de pessoas passaram a ter acesso a um sistema de pagamentos gratuito,
instantâneo, disponível 24 horas por dia e sem as tarifas que enriqueceram
durante décadas bancos e operadoras de cartões.
O Pix
democratizou o dinheiro.
Reduziu
custos, ampliou a inclusão financeira, facilitou a vida dos pequenos negócios e
aumentou a eficiência da economia nacional. Em poucos anos, tornou-se uma das
maiores inovações financeiras do planeta e um exemplo estudado por diversos
países.
É
justamente por isso que ele incomoda.
O
governo de Donald Trump decidiu transformar o Pix em alvo político e econômico.
O motivo não é difícil de compreender. O sucesso do sistema brasileiro ameaça
interesses bilionários de gigantes internacionais dos meios de pagamento, como
Visa e Mastercard, assim como outras empresas acostumadas a cobrar taxas
elevadas de comerciantes e consumidores em todo o mundo.
Quando
uma pessoa faz um Pix, que pode ser feito de forma recorrente, ela não paga
anuidade. Não paga mensalidade. Não paga tarifa. Não paga comissão.
Esse
modelo representa uma ruptura com uma indústria global construída justamente
sobre a cobrança dessas taxas.
O que
está em jogo, portanto, não é apenas um sistema de pagamentos. É uma disputa
entre dois modelos. De um lado, um instrumento público, eficiente e gratuito.
Do outro, interesses privados internacionais que lucram com cada transação
realizada.
Por
isso são tão preocupantes as ameaças vindas dos Estados Unidos. Fala-se em
monitoramento externo, restrições e mecanismos de pressão que poderiam
comprometer o funcionamento de um sistema que pertence exclusivamente ao
Brasil.
Nenhum
país soberano deveria aceitar esse tipo de interferência.
Mas o
aspecto mais grave dessa história talvez seja outro.
É a
existência de brasileiros dispostos a colaborar com essa ofensiva.
A
família Bolsonaro construiu ao longo dos últimos anos uma relação de
alinhamento político quase automático com Donald Trump. Agora, quando o
presidente norte-americano escolhe atacar um dos maiores patrimônios
tecnológicos e financeiros já criados pelo Brasil, os brasileiros observam
atentamente de que lado cada liderança política pretende ficar. Os irmãos
Bolsonaro estão com Trump. O presidente Lula está ao lado de todos os
brasileiros, mesmo daqueles que, por preconceito ou desinformação, ainda não votam
nele.
A
população pode divergir sobre impostos, sobre política econômica, sobre
costumes ou sobre qualquer outro tema. Mas dificilmente aceitará ataques a uma
ferramenta que se tornou parte do cotidiano nacional.
O Pix
não pertence à esquerda.
O Pix
não pertence à direita.
O Pix
não pertence ao governo.
O Pix
pertence ao povo brasileiro.
E é
justamente por isso que qualquer tentativa de enfraquecê-lo tende a produzir
uma reação política poderosa.
Donald
Trump talvez não compreenda a dimensão simbólica que o Pix adquiriu no Brasil.
Os irmãos Bolsonaro aparentemente também não.
Ao
transformar o sistema em alvo, acabam oferecendo ao presidente Lula uma
bandeira que dialoga com toda a sociedade brasileira: a defesa da soberania
nacional, da inovação tecnológica e dos interesses concretos da população.
Não
existe campanha eleitoral mais eficaz do que aquela que consegue conectar uma
ideia abstrata — a soberania — com um benefício concreto vivido diariamente por
milhões de pessoas.
O Pix é
exatamente isso.
Todos
usam. Todos conhecem. Todos aprovam.
Por
essa razão, o ataque ao Pix pode acabar produzindo um efeito político oposto ao
desejado por seus adversários. Em vez de enfraquecer o governo brasileiro,
tende a reforçar o sentimento nacional de defesa de uma conquista coletiva.
A
eleição de 2026 já se aproxima. Muitos outros temas surgirão até lá. Mas alguns
símbolos permanecem.
O Pix
já se tornou um deles.
E quem
decidir atacá-lo corre o risco de descobrir que está enfrentando não um
governo, não um partido, mas a esmagadora maioria dos brasileiros.
O Pix é
nosso.
E
continuará sendo porque os brasileiros, agora, tendem a repudiar ainda mais a
traição nacional representada pelos irmãos Bolsonaro e seus aliados. Em 2026, é
fundamental reeleger o presidente Lula para que o Brasil siga sendo um país
soberano – e assim será.
Fonte:
Brasl 247

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