terça-feira, 9 de maio de 2023

Infecção por covid acelera progressão da demência, indica estudo

Desde a primeira onda de covid-19, os neurologistas notaram que a doença era capaz de causar síndromes neurológicas agudas de longo prazo e sequelas neuropsiquiátricas. Apesar disso, até então o entendimento sobre o impacto do coronavírus na cognição humana permanece obscuro Por isso, os neurologistas se referem a uma "névoa cerebral".

Um grupo de pesquisadores investigou os efeitos da covid-19 no comprometimento cognitivo em 14 pacientes com demência preexistente que sofreram maior deterioração cognitiva após o coronavírus. No total, foram quatro indivíduos com doença de Alzheimer, cinco com demência vascular, três com demência da doença de Parkinson, e dois com a variante comportamental da demência frontotemporal.

"Especulamos que deve ter havido algum efeito nocivo da covid em pacientes com demência preexistente, extrapolando nossa compreensão do impacto cognitivo dessa infecção viral em pacientes sem demência", explicam os pesquisadores Souvik Dubey, MD e DM do Departamento de Neuromedicina do Bangur Institute of Neurosciences (BIN), localizado em Calcutá, na Índia, e Julián Benito-León, MD e Ph.D. do Departamento de Neurologia da Universidade Hospital 12 de Octubre, em Madri, na Espanha.

Segundo eles, a avaliação de deficiências cognitivas em pacientes com demência preexistente é difícil devido a vários fatores de confusão e vieses.

·         Danos progressivos

A dupla descobriu que todos os subtipos de demência, independentemente dos tipos anteriores da doença nos pacientes, comportavam-se como demência progressiva após a covid. Além disso, os cientistas perceberam que a linha de demarcação entre os diferentes aspectos da enfermidade ficava mais difícil após a covid-19.

Os pesquisadores também descobriram que as características de um determinado tipo de demência mudaram após o contágio com o vírus. Além disso, as demências degenerativas e vasculares começaram a se comportar como mista, tanto clínica quanto radiologicamente. Um curso de deterioração rápida e agressiva foi observado em pacientes com início insidioso, demência lentamente progressiva e que era previamente estável cognitivamente.

Os achados do estudo sugerem que os cérebros previamente comprometidos têm pouca defesa para resistir a um novo insulto. Ou seja, um "segundo golpe" como uma infecção promove uma resposta imune desregulada e inflamação.

·         Névoa cerebral?

De acordo com o Dr. Dubey e seus co- investigadores, "Névoa cerebral" é uma terminologia ambígua. Além disso, sem atribuição específica ao espectro de sequelas cognitivas pós-covid. "Com base na progressão de déficits cognitivos e na associação com alterações na intensidade da substância branca, propomos um novo termo: 'FADE-IN MEMORY'. Ou seja, Fadiga, diminuição da fluência, déficit de atenção, depressão, disfunção executiva, velocidade de processamento de informações reduzida e comprometimento da memória subcortical."

·         Outras questões associadas à descoberta

A pesquisadora Mahua Jana Dubey, MD do Departamento de Psiquiatria do Berhampur Mental Hospital, em Berhampur, na Índia, lembra que os déficits cognitivos, quando acompanhados de depressão e/ou apatia e fadiga em pacientes com ou sem demência preexistente, exigem uma avaliação meticulosa. Isso porque eles impõem estresse e sobrecarga aos cuidadores. "Esta é uma das questões mais importantes, mas muitas vezes esquecidas, que podem ter o potencial de dificultar o tratamento."

"Como o envelhecimento da população e a demência estão aumentando globalmente, acreditamos que o reconhecimento de padrões de déficits cognitivos associados à covid-19 é urgentemente necessário para distinguir entre as deficiências cognitivas associadas ao coronavírus e outros tipos de demência", concluiu o Dr. Souvik Dubey.

 

Fonte: Souvik Dubey et al, The Effects of SARS-CoV-2 Infection on the Cognitive Functioning of Patients with Pre-Existing Dementia, Journal of Alzheimer's Disease Reports (2023)/Saúde em Dia

 

 

Fritz-Kola: o refrigerante alemão criado por dois jovens ignorados por todos (e que agora compete com Coca e Pepsi)

Quando Mirco Wiegert e Lorenz Hampl eram estudantes, eles decidiram criar sua própria fábrica de refrigerante, mas havia um grande problema: eles não tinham ideia de como fazer a bebida.

Com a confiança que só os jovens têm, eles começaram a pesquisar sobre como tornar seu sonho realidade. "Procuramos no Google as receitas de refrigerante e seus ingredientes", diz Mirco, que tinha 28 anos na época.

Infelizmente, a internet não foi muito útil. Por isso, os dois amigos — que se conheciam desde a infância em Hamburgo, no norte da Alemanha — bolaram um plano B.

Começaram a ligar para cervejarias em todo o país para ver se alguém poderia ajuda-los a desenvolver uma receita de cola e depois engarrafar a bebida para eles.

Mas, com todos os fabricantes ocupados, eles receberam "centenas" de negativas. Muitos ficaram perplexos, sem entender por que dois rapazes estavam perguntando se eles podiam fazer um refrigerante.

No entanto, um disse sim. "Finalmente encontramos uma pequena cervejaria no oeste da Alemanha", diz Mirco. "O mestre cervejeiro nos disse: 'Vamos, rapazes, me visitem e faremos alguma coisa.'"

Era 2003, e, alguns meses depois, Mirco e Lorenz tinham as primeiras 170 caixas de Fritz-Kola, com cerca de 4.080 garrafas prontas para serem vendidas.

Hoje, a marca é um nome conhecido na Alemanha. Tanto que no ano passado se tornou a segunda maior vendedora de garrafa de cola de vidro de 330 ml nas lojas alemãs, atrás apenas da Coca-Cola.

Números do instituto Nielsen mostram que a Fritz-Kola vendeu 71 milhões de garrafas de vidro desse tamanho em 2019, em comparação com 74 milhões da Coca-Cola e apenas 337 mil da Pepsi.

É verdade que a Coca-Cola e a Pepsi venderam muito mais unidades em outros formatos, como garrafas plásticas de vários tamanhos e latas, mas ainda assim é uma grande conquista para uma empresa que foi lançada há apenas 17 anos como um projeto de estudantes.

·         Como a marca foi criada

No início do projeto, Mirco e Lorenz decidiram adaptar suas próprias fotos para usar como logotipos. Mirco garante que foi a opção mais barata e que não colocaram seus rostos ali por vaidade.

Com apenas US$ 8,3 mil para abrir seu negócio, ele diz que teria sido muito mais caro comprar os direitos de uma imagem ou contratar um design gráfico personalizado. "Pagamos cerca de US$ 100 para deixar nossos rostos bonitos", diz Mirco, de 44 anos.

"Pedimos ao nosso vizinho que usasse o Photoshop para criá-la, pagamos cerca de US$ 80 para registrar a marca e criamos nossa própria fonte, a Fritz-Kola."

Os amigos também escolheram uma etiqueta em preto e branco porque imprimir em cores era mais caro.

Para chegar ao nome, eles escreveram 40 possibilidades em uma lista e perguntaram às pessoas na saída de um shopping. Fritz, um nome típico alemão, ganhou a votação.

·         Menos açúcar, mais cafeína

Na hora de criar o produto, eles queriam fazer um refrigerante com gosto diferente da Coca-Cola e da Pepsi, então usaram menos açúcar e adicionaram suco de limão.

Mas não foi só isso. Eles também decidiram adicionar muito mais cafeína.

"Quando você toma nossa cola, o sabor deve ser um pouco menos doce, mas com mais vigor, como uma dose de cafeína", diz Mirco.

A Fritz-Kola contém 25 mg de cafeína por 100 ml de refrigerante, de acordo com o site de notícias americano Ozy, que compara essa quantidade aos 10 mg da Coca-Cola e aos 32 mg usados pela Red Bull.

·         Estratégia de vendas

Para começar as vendas, eles decidiram focar nos bares independentes em vez de entrar em contato com supermercados e outros varejistas.

Assim, foram de pub em pub em Hamburgo para tentar vender o produto diretamente. Mirco admite que muitos bares simplesmente não estavam interessados em oferecer o produto no início.

"Muitas pessoas não conseguiam se imaginar bebendo ou experimentando outra cola que não a convencional da época", diz ele.

Para persuadir os bares a aceitar a proposta, eles disseram aos gerentes que, se não estivessem satisfeitos com as vendas, poderiam devolver as garrafas não vendidas com reembolso total.

"Trabalhamos quase 24 horas por dia, sete dias por semana, e nos divertimos muito", diz Mirco. "Tivemos sorte porque as pessoas gostaram da nossa marca de refrigerante. Eles ficavam curiosos, olhavam para esses dois alunos com um refrigerante estranho e diziam: 'Vamos experimentar'. E gostaram."

"Mas demoramos mais três anos para contratar os primeiros funcionários, para que parecesse mais como uma empresa. Até então, não tínhamos nem escritório", diz.

A essa altura, as vendas começaram a crescer graças ao boca-a-boca e ao uso de anúncios irreverentes, estratégia que continua até hoje.

Em 2017, seus comerciais criticaram os presidentes Donald Trump, Vladimir Putin e Recep Erdogan, mostrando pinturas dos três líderes ao lado das palavras "Mensch, wach auf!" ("Cara, acorde!", em tradução livre).

·         Segredo é autenticidade

Atualmente o produto é vendido em bares e lojas de toda a Europa. Depois da Alemanha, os principais mercados são Holanda, Polônia, Bélgica e Áustria.

A analista de refrigerantes Linda Lichtmess, da consultoria Euromonitor, diz que a Fritz-Cola é popular porque os clientes a consideram autêntica.

"Sua autenticidade vem de sua imagem, por ser de uma empresa fundada por estudantes que queriam oferecer um produto com melhor sabor e maior teor de cafeína do que a cola comum", afirma.

Hoje, a Fritz-Kola terceiriza a produção para cinco fábricas. Além do refrigerante normal, a empresa vende uma versão sem açúcar e uma variedade de sucos de frutas.

Embora a empresa não divulgue seus dados financeiros, a revista Forbes informou em 2018 que as vendas atingiram cerca de US$ 8,7 milhões em 2015.

·         'Adoro o que faço'

Mirco está no comando dos negócios com sede em Hamburgo desde 2016, quando Lorenz decidiu sair para desenvolver outros planos.

Nesse novo cenário, Mirco detém dois terços das ações. O restante está nas mãos de diversos investidores.

Lembrando do início da empresa, ele diz que ninguém acreditava neles. "Diziam: 'Você é estúpido! Você está competindo com as maiores marcas do mundo'. Mas para nós isso significou apenas mais diversão e desafio", explica.

"Hoje, sou responsável por 280 pessoas. Tenho várias aventuras na minha empresa, por isso não tenho de fazer mais nada. Adoro o que faço."

 

Fonte: BBC News Mundo

 

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