terça-feira, 9 de maio de 2023

Enfermeira que teve nome usado em cartão de vacina da esposa de Mauro Cid nega envolvimento em fraude

A enfermeira Dzirrê de Almeida Gonçalves, coordenadora de uma unidade de saúde de Cabeceiras, no Entorno do Distrito Federal, foi uma das profissionais que teve o nome colocado no cartão de vacina fraudado de Gabriela Santiago Cid, esposa de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro. Além de negar ter envolvimento na fraude que o médico Farley Vinícius de Alcântara é suspeito, Dzirrê contou estar abalada com toda a situação envolvendo seu nome.

"Trabalho há quase cinco anos na administração do PSF e isso nunca aconteceu. Tenho uma ética profissional, nunca vou fazer uma coisa dessa. Não tenho nada a ver com isso, meu nome foi usado", afirmou a coordenadora.

Dzirrê conta que, atualmente, trabalha na coordenação da chamada 'Unidade Básica de Saúde 3' na cidade. No entanto, em 2021, época em que aconteceram as fraudes, atuava no posto de saúde em que ocorriam as vacinações da Covid-19. Já o médico, na ocasião, segundo a prefeitura, atuava como clínico geral do hospital municipal da cidade.

Farley é sobrinho do sargento do Exército Luís Marcos dos Reis, ex-integrante da equipe de Mauro Cid, que foi preso na quarta-feira (3), durante a operação deflagrada pela Polícia Federal. O g1 não conseguiu localizar a defesa do médico para um posicionamento até a última atualização desta reportagem.

"Selecionaram uma unidade de saúde para fazer as vacinas de Covid e era a que eu trabalhava. Eu sempre fui enfermeira coordenadora, não aplico vacinas", pontuou.

A enfermeira coordenadora conta, inclusive, que como ela e o médico trabalhavam em locais distintos, não tinham contato no dia a dia. No entanto, ela explica ter conhecido ele profissionalmente e já ter atuado com ele em dois plantões que ela realizou no hospital municipal. Segundo ela, na época, não suspeitou de nada quanto a conduta de Farley.

"Fiz uns dois plantões com ele e conheci ele nesses plantões, mas ele era um ótimo profissional e muito reservado, era totalmente fora de suspeitas", descreveu Dzirrê.

De acordo com o prefeito da cidade, Everton Francisco, conhecido como Tuta, alguns profissionais de saúde serão ouvidos no procedimento administrativo que foi aberto na prefeitura para investigar o caso e saber se realmente houve a fraude por parte do médico e, se sim, descobrir se ele teve ajuda para cometer o crime. Entre esses profissionais a serem ouvidos estão Dzirrê e a outra enfermeira que teve o nome citado no cartão de vacina de Gabriela Cid.

"Acredito que ele tenha pego o cartão de vacina de uma pessoa que realmente vacinou aqui na cidade, que realmente possa ter vacinado com a gente e ele tenha transcrevido isso para outro cartão, mas não sei o que passou na cabeça", deduziu a coordenadora.

Ao g1, ela contou esperar que, com as investigações realizadas, os fatos sejam esclarecidos.

"Quando a gente vê nosso nome em uma situação dessas, ficamos muito abaladas. Quero que [com a investigação] se esclareça tudo. Quero a verdade. Se ele teve ajuda de alguém daqui, queremos que apareça quem foi", disse Dzirrê.

Carteira de vacinação da esposa do Coronel Cid preenchido com duas doses de vacinas contra a Covid — Foto: Reprodução

•        Fraude em cartão de vacina

De acordo com a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a operação deflagrada pela Polícia Federal (PF), para a prática da suposta fraude, Farley foi acionado por seu tio, Luís Marcos dos Reis, ex-integrante da equipe de Mauro Cid, que também é alvo da investigação da Polícia Federal. O médico foi acionado enquanto ainda prestava serviços para a prefeitura de Cabeceiras, em 2021.

Na ocasião, o médico teria conseguido um cartão de vacinação da Secretaria de Saúde do município de Cabeceiras, que estaria preenchido com duas doses de vacina contra a Covid-19, com o nome de Gabriela Cid.

Segundo apurado pela Polícia Federal durante a investigação, mensagens de WhatsApp mostram que os dados da vacina que constam nesse cartão com o nome de Gabriela, como data, lote, fabricante e aplicador, foram retirados por Farley de um cartão de vacinação de uma enfermeira que teria sido vacinada na cidade de Cabeceiras.

Ainda de acordo com a Polícia Federal, no dia 22 de novembro de 2021, às 19h11, foi feito o envio de um documento entre o tio de Farley, Luis Marcos dos Reis e Mauro Cid. A PF aponta que o arquivo consistia na digitalização de um "cartão de vacinação" do Sistema Único de Saúde da Secretaria de Estado de Saúde do Governo de Goiás.

O cartão de vacinação, em nome de Gabriela Santiago Ribeiro Cid, registra que a mulher teria recebido uma dose de vacina no dia 17 de agosto de 2021, do lote FF2591, e outra no dia 9 de novembro de 2021, do lote TG3529. Ambas as doses seriam produzidas pelo laboratório Biotech. No campo de observações do cartão de vacina, é possível ver a assinatura e o carimbo de Farley.

Médico Farley Vinícius de Alcântara, que trabalhou em Cabeceiras, em Goiás — Foto: Reprodução/Redes Sociais

Ainda de acordo com a polícia, além de entregar o cartão falso, retirado do comprovante de vacinação de uma enfermeira que teria sido imunizada em Cabeceiras, Farley também entregou outro cartão em branco. Isso, porque o grupo não teria conseguido cadastrar o cartão anterior no sistema do Rio de Janeiro.

“Tirei foto do cartão da enfermagem lá. Pq não deu certo?”, diz o médico em mensagem ao tio.

A suspeita, segundo a Polícia Federal, é que Mauro Cid, Gabriela Cid, Luis Marcos e Farley tenham "se unido" para a prática do crime de falsidade ideológica.

O g1 não conseguiu localizar as defesas de Gabriela Santiago Ribeiro Cid, Mauro Cesar Barbosa Cid e Luís Marcos dos Reis para um posicionamento até a última atualização desta reportagem.

 

       Prefeito de Cabeceiras diz que vai apurar conduta de médico que teria fraudado cartão de vacina de mulher de ex-ajudante de Bolsonaro

 

Alvo de uma operação da Polícia Federal que apura um suposto esquema de fraude em dados de vacinação envolvendo ajudantes do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o médico Farley Vinícius de Alcântara é suspeito de ter fraudado o cartão de vacina de Gabriela Santiago Ribeiro Cid, esposa de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro. O prefeito de Cabeceiras Everton Francisco de Matos, disse ao g1 que vai abrir um processo administrativo para apurar a conduta do médico, que atuou na saúde municipal nos anos de 2020 e 2021.

"A equipe jurídica está abrindo um processo administrativo contra o profissional para apurar a situação e saber de que forma foi extraído esse cartão de vacina", disse o prefeito.

O g1 não conseguiu localizar a defesa do médico para um posicionamento até a última atualização desta reportagem. Segundo o prefeito, Farley havia trabalhado por credenciamento no município em 2018 e depois retornou como plantonista, clínico geral do hospital municipal da cidade. A prefeitura afirma que o médico prestou serviços ao município até o mês de dezembro de 2021.

De acordo com informações apuradas com a Polícia Federal, Farley foi acionado por seu tio, Luís Marcos dos Reis, ex-integrante da equipe de Mauro Cid, que também é alvo da investigação da Polícia Federal. Na ocasião, o médico teria conseguido um cartão de vacinação da Secretaria de Saúde do município de Cabeceiras, carimbado e assinado por ele, em nome de Gabriela Cid.

No documento, constava que Gabriela teria sido vacinada com duas doses do laboratório Biotech, nos dias 17 de agosto e 19 de novembro de 2021, nas unidades básicas de saúde de Cabeceiras. No entanto, apurações feitas por meio de autorização judicial descobriram que Gabriela não possui vacinas administradas na cidade de Cabeceiras.

O g1 não conseguiu localizar as defesas de Gabriela Santiago Ribeiro Cid, Mauro Cesar Barbosa Cid e Luís Marcos dos Reis para um posicionamento até a última atualização desta reportagem.

•        Possível fraude em cartão de vacina

O prefeito de Cabeceiras, Everton Francisco, também conhecido como Tuta, lamentou a situação e a atitude do médico, caso comprovada a fraude.

"Você confia e entrega a sociedade nas mãos de um profissional que assume o plantão na unidade hospitalar e ele utiliza de seu poder para requerer ou extrair algum cartão, um documento de cunho do município", disse Tuta.

De acordo com o prefeito, o médico atuava em um local diferente e distante de onde aconteciam as vacinações. Ele explicou que a imunização ocorria em unidades de saúde, de segunda a sexta-feira, até as 17h, e não no hospital municipal.

Já o médico, segundo o prefeito, trabalhava como médico plantonista no hospital municipal, atuando aos finais de semana e feriados, sem vínculo com as unidades básicas de saúde. No entanto, o prefeito detalha que, no local em que o médico trabalhava, havia uma sala com cartões timbrados e em branco para preenchimento em caso de necessidade de algum paciente, em casos emergenciais.

"Lá tem uma sala onde ficam os cartões de vacina caso venha a precisar de fazer qualquer emergência, esse cartão você tem como preencher lá na hora, para qualquer tipo de atendimento emergencial. Provavelmente foi extraído desse pacote que está lá timbrado. Acreditamos que se aconteceu mesmo esse preenchimento do cartão, foi extraído pelo profissional ou por alguém a pedido dele", detalhou.

Segundo o prefeito, o nome dos aliados de Bolsonaro não constam no sistema de vacinação do município.

"Precisamos ter acesso ao cartão e ao número do lote da vacina para saber se teve a fraude e quem são os envolvidos. Se foi só o médico, se teve envolvimento de outro funcionário da área", disse o prefeito.

•        Quem é o médico suspeito de fraude?

O médico Farley Vinícius Alencar de Alcântara é alvo da Polícia Federal na operação que apura um suposto esquema de fraude em dados de vacinação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e pessoas próximas a ele. O médico é suspeito de ter usado dados de vacinação de uma enfermeira para fraudar cartão de vacina de Gabriela Santiago Ribeiro Cid, esposa de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro (entenda abaixo como aconteceu a fraude).

O g1 não conseguiu localizar a defesa do médico para um posicionamento até a última atualização desta reportagem. Farley é sobrinho do sargento do Exército Luís Marcos dos Reis, ex-integrante da equipe de Mauro Cid, que foi preso na quarta-feira (3), durante a operação deflagrada pela Polícia Federal.

Em suas redes sociais, Farley conta que se formou pela faculdade de Medicina de Juiz de Fora, em Minas Gerais. Segundo o prefeito de Cabeceiras, Farley havia trabalhado por credenciamento no município em 2018 e depois retornou como plantonista, clínico geral do hospital municipal da cidade. A prefeitura afirma que o médico prestou serviços ao município até o mês de dezembro de 2021.

Além do município de Cabeceiras, o médico também prestou serviços à prefeitura de Goiânia por um ano. A edição do dia 15 de agosto de 2018 do Diário Oficial do Município detalha que, no dia 1º deste mesmo mês, o médico havia iniciado um contrato de médico de urgência e emergência com o valor de R$ 84 mil. Segundo o documento, o contrato seria válido até agosto de 2019.

Ao g1, a prefeitura da capital informou que, após o vencimento do contrato, que constituído via credenciamento, foi encerrado o vínculo com a Secretaria Municipal de Saúde.

Em seu perfil do Instagram, Farley ainda informa que fez sua residência médica em oftalmologia no Hospital de Base, no Distrito Federal, e diz ser especialista em catarata, a doença doença capaz de deixar a visão embaçada e ofuscada, “caracterizada pela opacidade lenta e gradativa do cristalino”.

De acordo com o Conselho Federal de Medicina (CFM), o médico possui inscrição para atuar nos estados de Goiás, Rio de Janeiro, Mato Grosso e Distrito Federal. No entanto, no sistema do CFM a situação dele só aparece como regular nos dois primeiros estados. Em nota, até a tarde de quarta-feira (3), o Cremego afirmou que não havia sido notificado por "qualquer ação da Polícia Federal envolvendo investigações contra o médico". Além disso, disse que, "todas as denúncias relacionadas à conduta ética de médicos recebidas pelo Cremego ou das quais tomamos conhecimento são apuradas e tramitam em total sigilo".

Fraude em cartão de vacina

De acordo com a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a operação deflagrada pela Polícia Federal (PF), para a prática da suposta fraude, Farley foi acionado por seu tio, Luís Marcos dos Reis, ex-integrante da equipe de Mauro Cid, que também é alvo da investigação da Polícia Federal. O médico foi acionado enquanto ainda prestava serviços para a prefeitura de Cabeceiras, em 2021.

Na ocasião, o médico teria conseguido um cartão de vacinação da Secretaria de Saúde do município de Cabeceiras, que estaria preenchido com duas doses de vacina contra a Covid-19, com o nome de Gabriela Cid.

Segundo apurado pela Polícia Federal durante a investigação, mensagens de WhatsApp mostram que os dados da vacina que constam nesse cartão com o nome de Gabriela, como data, lote, fabricante e aplicador, foram retirados por Farley de um cartão de vacinação de uma enfermeira que teria sido vacinada na cidade de Cabeceiras.

Carteira de vacinação da esposa do Coronel Cid preenchido com duas doses de vacinas contra a Covid — Foto: Reprodução

Ainda de acordo com a Polícia Federal, no dia 22 de novembro de 2021, às 19h11, foi feito o envio de um documento entre o tio de Farley, Luis Marcos dos Reis e Mauro Cid. A PF aponta que o arquivo consistia na digitalização de um "cartão de vacinação" do Sistema Único de Saúde da Secretaria de Estado de Saúde do Governo de Goiás.

O cartão de vacinação, em nome de Gabriela Santiago Ribeiro Cid, registra que a mulher teria recebido uma dose de vacina no dia 17 de agosto de 2021, do lote FF2591, e outra no dia 9 de novembro de 2021, do lote TG3529. Ambas as doses seriam produzidas pelo laboratório Biotech. No campo de observações do cartão de vacina, é possível ver a assinatura e o carimbo de Farley.

Ainda de acordo com a polícia, além de entregar o cartão falso, retirado do comprovante de vacinação de uma enfermeira que teria sido imunizada em Cabeceiras, Farley também entregou outro cartão em branco. Isso, porque o grupo não teria conseguido cadastrar o cartão anterior no sistema do Rio de Janeiro.

“Tirei foto do cartão da enfermagem lá. Pq não deu certo?”, diz o médico em mensagem ao tio.

A suspeita, segundo a Polícia Federal, é que Mauro Cid, Gabriela Cid, Luis Marcos e Farley tenham "se unido" para a prática do crime de falsidade ideológica.

O g1 não conseguiu localizar as defesas de Gabriela Santiago Ribeiro Cid, Mauro Cesar Barbosa Cid e Luís Marcos dos Reis para um posicionamento até a última atualização desta reportagem.

Após o cumprimento de mandados por parte da Polícia Federal, o prefeito de cabeceiras disse que vai abrir um processo administrativo para apurar a conduta do médico.

"A equipe jurídica está abrindo um processo administrativo contra o profissional para apurar a situação e saber de que forma foi extraído esse cartão de vacina", disse o prefeito.

 

Fonte: g1

 

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