quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Escritório de Flávio faturou R$ 14 milhões enquanto ele exercia cargo de senador

A empresa foi constituída em 16 de abril de 2021 e tem Flávio Bolsonaro como único titular. A administração está sob responsabilidade de Letícia Caetano dos Reis, irmã do contador Alexandre Caetano dos Reis, preso em dezembro de 2025 sob suspeita de envolvimento em fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

O escritório funciona no endereço residencial do senador, uma mansão localizada no Lago Sul, em Brasília. Segundo as informações levantadas pelo UOL, a empresa não possui outros funcionários.

<><> Investigação da Polícia Federal

As movimentações financeiras do escritório passaram a ser alvo de apuração da Polícia Federal. Um novo inquérito foi aberto na semana anterior à publicação da reportagem, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A investigação foi motivada por indícios de um possível compartilhamento de contas bancárias entre Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz, amigo do senador. Ambos negam a existência dessa relação financeira.

As notas fiscais analisadas pelo UOL indicam que os pagamentos pelos serviços jurídicos foram direcionados a contas do escritório no Santander e no Banco de Brasília (BRB). Uma das contas do Santander mencionadas nos documentos é a mesma que, segundo a Polícia Federal, teria Flávio e Willer Tomaz como titulares. A suspeita de conexão financeira levou a PF a solicitar a abertura de uma nova investigação envolvendo o senador.

Flávio já é alvo de outra apuração relacionada ao financiamento do filme Dark Horse.

O exercício de atividades profissionais paralelas ao mandato parlamentar é permitido, desde que respeitadas as restrições legais. No caso da advocacia, senadores não podem integrar a Mesa Diretora do Senado e estão impedidos de atuar em causas que envolvam órgãos públicos, empresas estatais e autarquias, conforme as regras aplicáveis à atividade profissional de parlamentares.

•        Inquérito sobre suspeita de lavagem de Flávio também investiga Cláudio Castro e Ramagem

O inquérito da Polícia Federal sobre suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz e o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) também apura se houve irregularidades nas condutas do ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) e do ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ).

A investigação tem como foco principal transações ligadas a Willer, amigo de Flávio e também investigado no inquérito que trata de fraudes relacionadas ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

Ela é um desdobramento de uma apuração sobre o setor de bets e trata de movimentações suspeitas relacionadas ao advogado. Com o surgimento do nome de Flávio, o caso foi enviado ao STF (Supremo Tribunal Federal), e o ministro Alexandre de Moraes foi sorteado como relator.

Castro governou o Rio de Janeiro entre maio de 2021 e março de 2026. Willer é dono da Rede Loto, primeira bet a conseguir uma licença de operação no país ainda em maio de 2023, emitida pelo governo fluminense.

No pedido de abertura de investigação encaminhado ao Supremo, a PF indica possíveis irregularidades em uma licitação de 2022 da Loterj (Loteria do Estado do Rio de Janeiro) vencida pela Pixs Cobrança, atual RioPag. A PF afirma ter encontrado nos arquivos do advogado mensagens e registros de viagens que indicam proximidade pessoal entre ele e o ex-governador.

A disputa ocorreu sob uma Loterj comandada por Hazenclever Lopes, nomeado pelo então governador. A investigação diz que Willer seria o dono de fato da empresa.

Hazenclever, apontam os investigadores, tinha vínculos profissionais e proximidade com Willer anterior à sua nomeação ao cargo.

Na licitação, a empresa ligada a Willer ofereceu repassar 20% da remuneração à Loterj, enquanto sua única concorrente oferecia 26%. A rival foi desclassificada porque escreveu o percentual com duas casas decimais, e não três, como exigia o edital. A apuração diz que, sem concorrência, a Pixs negociou diretamente com a autarquia e elevou a oferta para 26,455%.

Procurado, Willer Tomaz disse em nota que “não teve acesso ao inquérito e só tomou conhecimento dele pela imprensa. A defesa já requereu acesso aos autos e prestará todos os esclarecimentos às autoridades”. Ele diz que sua relação com Flávio é de amizade entre famílias, e que isso não é crime.

“Todas as empresas e participações do advogado são lícitas, identificadas em registros públicos e informadas em sua declaração de imposto de renda. Não há sócios ocultos, contas não declaradas nem patrimônio escondido”, afirma a nota.

“Causa estranheza que peças sigilosas, desconhecidas da própria defesa, sejam divulgadas de forma seletiva a seis dias do segundo turno. A defesa confia que a investigação, conduzida com acesso aos autos e contraditório, demonstrará a regularidade de todas as operações.”

Ele diz ainda que “conforme o que já veio a público, a própria Polícia Federal não identificou ordem ou intervenção direta na desclassificação da concorrente na licitação da Loterj, exclusão que decorreu do descumprimento de exigências formais do edital”.

Procurada, a campanha de Flávio Bolsonaro ainda não se manifestou. Anteriormente, disse que a relação do senador com Willer é exclusivamente de amizade.

A assessoria de Cláudio Castro diz que ele e Willer Tomaz se conhecem desde 2020 e mantêm uma relação de amizade. Segundo ele, o advogado atuou em alguns processos de sua defesa, sem cobrança de honorários, em razão da relação pessoal.

Afirma ainda que eles fizeram algumas viagens juntos e que, nos destinos, cada um arcava com suas despesas e de seus familiares.

“Castro afirma que não tinha conhecimento de qualquer vínculo de Willer com a Pixs/Riopag à época da contratação pela Loterj, nem da relação profissional ou pessoal entre o advogado e Hazenclever Lopes. Também desconhecia eventual custeio de viagens do então presidente da autarquia”, diz a nota.

“Hazenclever foi uma indicação política do PL para a presidência da Loterj. A autarquia possui gestão própria, e Castro não participou da licitação, da contratação da Pixs/Riopag nem de qualquer tratativa envolvendo Willer e a empresa”, acrescentou.

Em relação a Ramagem, a Polícia Federal faz menção, no pedido de abertura de investigação, a um pagamento de R$ 270 mil, dividido em três parcelas de R$ 90 mil, cujo beneficiário final seria o ex-deputado, que comandou a Abin (Agência Brasileira de Inteligência) na gestão Jair Bolsonaro (PL).

Ramagem foi cassado do mandato de deputado em dezembro passado, após ser condenado pelo Supremo a 16 anos e um mês de prisão por participar de tentativa de golpe de Estado. Ele está nos Estados Unidos desde setembro passado.

As transferências a Ramagem não eram diretas a ele e tinham como favorecido formal a empresa Torre Comunicação Estratégica. A PF afirma, porém, que investiga esses repasses como relacionados ao ex-deputado.

Procurada, a Torre afirma em nota que “prestou serviço de assessoria de imprensa para o escritório de Willer Tomaz e Eugênio de Aragão”.

“O escritório nos pediu para fazer planejamento estratégico, monitoramento e média training para um cliente do escritório, Alexandre Ramagem, na época pré-candidato a prefeito do Rio de Janeiro, por um período de três meses. Assim, o valor mencionado pela reportagem se refere a serviços prestados ao cliente do escritório, a pedido do escritório, com nota fiscal emitida regularmente. Foram três pagamentos no valor de R$ 90 mil.”

A reportagem procurou a defesa de Ramagem e Hazenclever Lopes, mas não obteve retorno até a publicação deste texto.

A investigação teve origem em movimentações relacionadas ao setor de apostas. Na sexta (16), a Folha mostrou que uma empresa do setor, de propriedade de Willer Tomaz, havia pagado voos de Flávio para a Europa em 2025.

A apuração revelou que a empresa atuou como intermediária na compra das passagens aéreas e teria sido utilizada para custear viagens de caráter pessoal, envolvendo tanto os núcleos familiares de Willer quanto os de Flávio.

Segundo a PF, o senador tinha acesso operacional relevante como usuário master em uma conta bancária pertencente à empresa offshore Alcazar Holding, da qual o advogado é sócio. Em maio de 2025, foi solicitada a exclusão do acesso do parlamentar.

A investigação aponta relação de proximidade entre Willer e Flávio. Entre os registros localizados pela PF, constam referências a festas, encontros e reuniões envolvendo os dois.

•        Amigo de Flávio Bolsonaro, Willer Tomaz movimentou R$ 5 bilhões em bets

Uma nota técnica do Ministério da Fazenda mostra que o advogado Willer Tomaz, amigo do candidato Flávio Bolsonaro (PL), foi o maior apostador em bets de todo o Brasil no ano de 2025 e aponta que a empresa Blaze não cumpriu com suas obrigações de fiscalização e controle que a autorizavam a funcionar no país.

O documento da Secretaria de Prêmios e Apostas, revelado pelo UOL e ao qual a reportagem também teve acesso, afirma que Tomaz movimentou um total de R$ 5 bilhões em apostas no período e sacou mais de R$ 200 milhões -a maior parte desse montante foi transacionado dentro da própria plataforma, ou seja, valores ganhos, reapostados ou perdidos.

“[Ele], é por larga margem, a pessoa com maior volume somado de depósitos e saques em plataformas autorizadas no Brasil em 2025, totalizando cerca de R$ 350 milhões nessas operações -mais de 60% a mais que a pessoa que figura na segunda posição dessa lista”, diz a nota, de outubro deste ano.

A PF (Polícia Federal) investiga essas movimentações e suspeita que possam ser uma forma de ocultar a origem de recursos ilícitos.

Procurado, o advogado disse que o tema é “objeto de ação judicial em curso”, que “os recursos têm origem lícita, são compatíveis com seus rendimentos e constam de sua declaração à Receita Federal”, mas que as cifras apresentadas pela Fazenda “não correspondem à realidade”.

“Causa estranheza que um documento técnico de órgão federal, contendo dados protegidos por sigilo, chegue à imprensa justamente em período eleitoral”, completou.

Willer Tomaz é amigo de Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PL. Tanto Tomaz quanto o senador são investigados no mesmo inquérito por possível envolvimento com fraudes no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

Procurada, a campanha de Flávio disse à reportagem que o senador não é investigado no Supremo e que os autos que chegaram ao STF ainda não foram convertidos em inquérito, já que ainda não houve manifestação da PGR (Procuradoria-Geral da República) ou qualquer decisão judicial a respeito.

Como a Folha de S. Paulo mostrou, uma holding do ramo de apostas online de propriedade de Tomaz pagou voos entre Portugal e França em 2025 para Flávio. Na época, o candidato disse que sua relação com Willer é exclusivamente de amizade. “Associar essa afinidade pessoal a suposições de irregularidades é mera ilação, sem qualquer fundamento nos fatos”, afirmou.

O Ministério da Fazenda abriu um processo administrativo contra a Blaze para investigar violações relatadas por Tomaz, em ação pedindo reparação pelo dinheiro perdido em rodadas de blackjack e roleta online. A empresa está sujeita a multa de até R$ 2 bilhões.

Segundo os autos do processo, Tomaz fez 2.145 depósitos na plataforma, que somaram R$ 325,3 milhões, e recebeu de volta R$ 180,3 milhões em 2.733 saques, o que deixa um saldo negativo de R$ 145 milhões.

A Foggo Entertainment, detentora dos direitos da marca Blaze no Brasil, afirmou na época que não comenta processos judiciais em andamento. “A companhia reitera seu compromisso com a transparência, a ética e a estrita observância do arcabouço legal vigente no país.”

 

Fonte: Meio News.com/Folhapress/ICL Notícias

 

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