Jamil Chade: Com empate entre Flávio e Lula, faz Milei disseminar mentira de fraude no Brasil
O presidente da Argentina, Javier Milei, foi às redes sociais para atacar de forma gratuita o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ventilar a teoria, sem qualquer prova, de que haveria uma operação para fraudar a eleição no Brasil.
A mensagem ocorre num momento em que diversas pesquisas de opinião apontam para uma recuperação de Lula entre os eleitores e um empate técnico entre os dois candidatos.
Em suas contas nas plataformas digitais, o argentino criticou as ações tomadas pelo governo brasileiro, em especial a redução da jornada de trabalho. Mas o tom que Milei usou foi interpretado como parte de uma ação para abalar a credibilidade do processo eleitoral no Brasil.
“Espero que seu último truque de campanha suja não inclua roubar a eleição…esquerda ladrão”, disse Milei, na plataforma X.
A tese da fraude já havia sido usada por Fernando Cerimedo, estrategista argentino e que trabalhou em diversas campanhas da extrema direita latino-americana. Em 2022, foi ele que disseminou a ideia de que Jair Bolsonaro teria sido alvo de um roubo na eleição brasileira. Cerimedo está preso na Bolívia, por tentativa de matar sua ex-companheira. Mas ela assegura que a equipe do argentino continua operando.
Entre membros da sociedade civil e observadores políticos, uma das preocupações sobre a eleição se refere à recusa de que alguns governos reconheçam uma eventual vitória de Luiz Inácio Lula da Silva. Não por acaso, uma operação de lobby com dezenas de governos pelo mundo ocorreu nos últimos meses. O objetivo é o de garantir que o processo brasileiro seja chancelado e que, ao mesmo tempo, governos de extrema direita fiquem expostos por sua atitude de rejeitar Lula como presidente.
Numa sinalização que também deixou observadores da sociedade civil preocupados, o governo de Donald Trump não se comprometeu na semana passada em reconhecer os resultados eleitorais no Brasil.
Há duas semanas, congressistas norte-americanos enviaram uma carta ao Departamento de Estado, cobrando um posicionamento por parte de Marco Rubio sobre a eleição no país. A principal preocupação do grupo liderado pelo senador Bernie Sanders era de que o voto no Brasil fosse alvo de uma operação de desestabilização por parte dos EUA. No documento, Sanders e outros pressionavam o governo Trump sobre qual seria a reação da Casa Branca diante da situação brasileira.
A carta foi seguida por outras duas manifestações por parte deputados e senadores dos EUA, também pressionando Rubio a dar respostas sobre o posicionamento americano no processo democrático no país.
Mas na resposta, enviada nesta quinta-feira, o governo Trump não deu qualquer garantia de que irá reconhecer o resultado das urnas.
Num texto lacônico, o Departamento de Estado afirmou:
“Os EUA apoiam o direito do povo brasileiro a um processo eleitoral livre e justo. Continuaremos a dialogar com o povo brasileiro, o setor privado e o governo eleito para promover a segurança, o comércio recíproco, os investimentos e a prosperidade em ambos os países”.
A resposta não foi sequer assinada por Rubio. Coube a Katherine Bowles, sub-secretária para Assuntos Legislativos do Departamento de Estado, enviar o texto.
A carta acendeu um alerta. Nos últimos meses, a sociedade civil brasileira tem percorrido gabinetes de democratas nos EUA, alertando sobre o risco de que Trump não reconheça o resultado da eleição.
A ação da oposição é considerada como estratégica para observadores brasileiros. A pressão dos parlamentares pode gerar constrangimentos para uma eventual ação desestabilizadora por parte de Trump. A esperança do Brasil é de que essa movimentação ainda sirva como um contraponto dentro do próprio EUA, caso o presidente americano opte por não reconhecer uma vitória de Lula.
O qualificativo de “livre e justo” por parte do Departamento de Estado para se referir à eleição no Brasil também chama a atenção. Uma parte da sociedade civil questiona quem, nos EUA, designaria que a eleição foi “livre e justa”. A suspeita é de que esses termos possam ser usados, eventualmente, para justificar uma decisão por parte de Trump de dizer que esses critérios não teriam sido atendidos.
• Milei reproduz mentiras sobre urnas e tenta interferir no processo eleitoral brasileiro, diz Itamaraty. Por Filipe Matoso
O Ministério das Relações Exteriores afirmou nesta terça-feira (20) que recentes declarações do presidente da Argentina, Javier Milei, contra as eleições do Brasil configuram “nova e inaceitável tentativa de ingerência externa no processo democrático brasileiro”.
A nota é uma reação a uma postagem de Milei nas redes sociais, em que o argentino comenta um trecho de uma entrevista de Lula e diz esperar que “a última artimanha suja da campanha” do petista “não envolva roubar a eleição”.
Para o Itamaraty, a postura de Milei é antidemocrática e incompatível com o comportamento esperado de um líder de país vizinho e amigo.
“A decisão sobre o futuro do Brasil cabe exclusivamente ao povo brasileiro, que se manifestará livremente nas urnas, e sem qualquer tipo de ingerência externa, no domingo, dia 25”, pontua o comunicado do Itamaraty.
Segundo a pasta, o sistema brasileiro de voto eletrônico é comprovadamente seguro, nunca registrou irregularidades e teve a sua lisura confirmada por observadores internacionais de diversas partes do mundo logo no primeiro turno das eleições.
As novas críticas de Milei ocorrem a poucos dias do segundo turno das eleições brasileiras e são mais um atrito diplomático entre os países.
Direitista, o presidente da Argentina é apoiador de Flávio Bolsonaro, candidato do PL ao Palácio do Planalto.
A crise diplomática entre Brasil e Argentina foi motivada pelo rebaixamento das relações bilaterais determinado pelo governo brasileiro, em resposta aos frequentes ataques verbais do presidente Javier Milei ao presidente Lula.
Como sinal de forte descontentamento, o embaixador brasileiro na Argentina foi chamado para consultas em Brasília, medida que o Itamaraty manteve até que cessem as ofensas consideradas inéditas e grosseiras.
Do lado argentino, após divergências iniciais sobre a condução institucional do atrito, o chanceler Pablo Quirno manifestou publicamente a expectativa de que a transformação ideológica regional também alcance o Brasil. Desde então, não houve avanços ou iniciativas de reaproximação entre os dois países.
• Governo Lula chama atitude de Milei de ‘ingerência inaceitável’ e ‘desequilibrada’. Por Jamil Chade
O governo brasileiro respondeu às ofensas proferidas nesta terça-feira pelo presidente da Argentina, Javier Milei.
“As ofensas de hoje do Presidente da República Argentina ao Brasil, desta vez dirigidas ao Poder Judiciário e ao sistema de voto eletrônico, constituem nova e inaceitável tentativa de ingerência externa no processo democrático brasileiro”, afirmou o Itamaraty, em uma nota.
“O Presidente da República Argentina reitera mentiras difundidas por aqueles que perderam as eleições e protagonizaram o golpe militar fracassado, há quatro anos. Essa antidemocrática manifestação é inaceitável, desequilibrada, e não condiz com a postura que deve ter o chefe de Estado de um país amigo”, alertou.
No texto, o governo insiste que “o sistema brasileiro de voto eletrônico é comprovadamente seguro, nunca registrou irregularidades e observadores eleitorais do mundo inteiro já ratificaram essa realidade no primeiro turno das eleições”.
“A decisão sobre o futuro do Brasil cabe exclusivamente ao povo brasileiro, que se manifestará livremente nas urnas, e sem qualquer tipo de ingerência externa, no domingo, dia 25”, completou a nota.
Mais cedo, Milei foi às redes sociais para atacar de forma gratuita o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ventilar a teoria de que haveria uma operação para fraudar a eleição no Brasil.
A mensagem ocorre num momento em que diversas pesquisas de opinião apontam para uma recuperação de Lula entre os eleitores e um empate técnico entre os dois candidatos.
Em suas contas nas plataformas digitais, o argentino criticou as ações tomadas pelo governo brasileiro, em especial a redução da jornada de trabalho. Mas o tom que Milei usou foi interpretado como parte de uma ação para abalar a credibilidade do processo eleitoral no Brasil.
“Espero que seu último truque de campanha suja não inclua roubar a eleição…esquerda ladrão”, disse Milei, na plataforma X.
A tese da fraude já havia sido usada por Fernando Cerimedo, estrategista argentino e que trabalhou em diversas campanhas da extrema direita latino-americana. Em 2022, foi ele que disseminou a ideia de que Jair Bolsonaro teria sido alvo de um roubo na eleição brasileira. Cerimedo está preso na Bolívia, por tentativa de matar sua ex-companheira. Mas ela assegura que a equipe do argentino continua operando.
Entre membros da sociedade civil e observadores políticos, uma das preocupações sobre a eleição se refere à recusa de que alguns governos reconheçam uma eventual vitória de Luiz Inácio Lula da Silva. Não por acaso, uma operação de lobby com dezenas de governos pelo mundo ocorreu nos últimos meses. O objetivo é o de garantir que o processo brasileiro seja chancelado e que, ao mesmo tempo, governos de extrema direita fiquem expostos por sua atitude de rejeitar Lula como presidente.
Numa sinalização que também deixou observadores da sociedade civil preocupados, o governo de Donald Trump não se comprometeu na semana passada em reconhecer os resultados eleitorais no Brasil.
Fonte: ICL Notícias/GloboNews

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