Flávio
Bolsonaro & família: as perguntas que a Agencia Pública já respondeu e você
precisa saber
Flávio
Bolsonaro (PL-RJ) chegou à disputa pela Presidência da República carregando um
sobrenome que dispensa apresentações, e uma série de controvérsias que vão
muito além dos seus discursos de campanha. O filho 01 de Jair Bolsonaro tenta
transformar a herança política do pai em votos, enquanto episódios que marcaram
a trajetória política de sua família voltam ao centro do debate eleitoral na
disputa do segundo turno das eleições de 2026.
Mas
você sabe o que realmente aconteceu? Qual é a relação de Flávio com o banqueiro
Daniel Vorcaro? O senador defendeu um policial acusado de matar uma menina de
cinco anos? Seu pai, Jair Bolsonaro, sabia do plano para assassinar Lula?
Reunimos o que você precisa saber sobre o candidato, o que é fato e o que é
mentira, para te ajudar a esclarecer dúvidas antes de ir às urnas no domingo,
25 de outubro.
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1. Jair Bolsonaro mandou matar Lula? O que era o plano Punhal Verde Amarelo?
O plano
Punhal Verde e Amarelo previa o assassinato das três autoridades antes da posse
de Lula, em janeiro de 2023. Sua execução envolveria militares das Forças
Especiais do Exército, conhecidos como kid pretos, treinados para operações de
alto risco.
O plano
foi descoberto durante as investigações sobre a tentativa de golpe de Estado
após as eleições de 2022, e detalhado em reportagem da Pública de abril de
2025. Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), o documento foi
elaborado pelo general da reserva Mário Fernandes, ex-integrante do governo
Bolsonaro.
De
acordo com a denúncia da PGR, Fernandes apresentou o plano a Jair Bolsonaro. As
investigações da Polícia Federal também identificaram reuniões clandestinas,
compra de celulares para comunicação entre os envolvidos e operações de
monitoramento a Alexandre de Moraes.
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2. Flávio Bolsonaro mentiu sobre sua relação com Daniel Vorcaro? O banqueiro
financiou o filme sobre Jair Bolsonaro?
Sim,
quando o assunto é o Caso Master, Flávio Bolsonaro mentiu uma sequência de
vezes. O financiamento de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro orçada em
R$ 134 milhões, foi apontado como foco de desgaste para a candidatura
presidencial de Flávio Bolsonaro. Áudios e mensagens revelados pelo The
Intercept Brasil contradizem declarações do senador, que havia negado manter
contato com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
Em uma
das mensagens, Flávio cobrou pagamentos atrasados para a produção. Após a
divulgação das conversas, confirmou a negociação, mas mudou de versão e afirmou
que se tratava de financiamento privado para uma obra privada, sem oferecimento
de vantagens em troca.
Em
áudio enviado a Vorcaro, Flávio demonstrou preocupação com os pagamentos e com
a repercussão da produção: “Todo efeito positivo que a gente tem certeza que
vai vir com esse filme pode ter o efeito elevado a menos um aí, cara”. Segundo
informações apresentadas na coluna de Marina Amaral, a produtora Karina
Ferreira Gomes afirmou que Vorcaro teria financiado mais de 90% da obra.
O texto
também aponta que organizações ligadas à produtora receberam R$ 4,6 milhões em
emendas parlamentares de deputados do PL e discute os questionamentos
apresentados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre possível abuso de poder
econômico e financiamento político irregular. Essas suspeitas dependem de
apuração e decisão das autoridades competentes.
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3. A família Bolsonaro é antivacina? O que aconteceu durante a pandemia?
O país
terminou o governo Bolsonaro, em 31 de dezembro de 2022, com 693.853 mortes
registradas pela doença. Mas as consequências da atuação do governo durante a
crise sanitária foram além das declarações públicas do presidente, que
incluíram o não interesse em compra antecipada dos imunizantes e o desestímulo
à população de tomá-los sob risco de “virar jacaré”, como foi popularizado um
de seus deboches sobre o assunto.
Reportagem
da Agência Pública acompanhou as investigações sobre a condução da pandemia e
os resultados da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, instalada no
Senado em 2021. O relatório final da comissão apontou possíveis crimes
atribuídos a Bolsonaro e a outros integrantes de sua administração, entre eles
epidemia com resultado morte, charlatanismo, incitação ao crime e prevaricação.
A CPI
pediu o indiciamento de 78 pessoas, incluindo o ex-presidente, e apontou
possíveis crimes contra a humanidade.
Uma
investigação de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) também
identificou uma atuação sistemática do governo federal na disseminação de
medidas contrárias ao enfrentamento da pandemia, como noticiou a Pública. Para
a pesquisadora Deisy Ventura, da Faculdade de Saúde Pública da USP, houve uma
estratégia coordenada que contribuiu para a propagação da doença.
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4. Flávio Bolsonaro defendeu um policial acusado de matar uma criança de cinco
anos?
Sim, e
a Pública lembrou dessa história a partir do relato de quem ainda espera por
justiça: a mãe de Ana Clara, uma menina de cinco anos morta após ser atingida
por um disparo em fevereiro de 2021, em Niterói (RJ).
Ana
Clara brincava com o irmão de dois anos na porta de casa quando foi atingida.
Sua mãe, Cristiane Gomes da Silva, contou à Pública que ouviu disparos e correu
até a filha. Segundo ela, o policial inicialmente não prestou socorro.
O
policial militar Bruno Dias Delaroli tornou-se réu pela morte da criança. Em
2024, quando já exercia o mandato de senador, Flávio Bolsonaro atuou como
advogado em sua defesa. A história foi descoberta pelo ICL Notícias.
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5. Flávio Bolsonaro queria retirar o título de padroeira do Brasil de Nossa
Senhora Aparecida?
Flávio
disse querer que o Brasil fosse declarado “de Jesus Cristo”, o que é diferente
de retirar o título de padroeira de Nossa Senhora Aparecida, mas foi o
suficiente para gerar uma onda de temor católico, devido aos frequentes acenos
da família Bolsonaro ao movimento evangélico.
A
acusação de que Flávio Bolsonaro apoiava a retirada do título de padroeira do
Brasil de Nossa Senhora Aparecida ganhou força antes do 1º turno. A
controvérsia surgiu a partir de um projeto de lei apresentado pelo ex-deputado
Professor Victório Galli (PP-MT), pastor evangélico, que pretendia substituir a
expressão “padroeira do Brasil” por “padroeira dos católicos apostólicos
romanos”. A proposta foi arquivada em 2008, conforme mostrou o Pública.
A
discussão ganhou grandes proporções nas redes sociais, com mais de 1,3 milhão
de publicações e 12,4 milhões de interações entre 23 e 27 de setembro, segundo
levantamento do Instituto Democracia em Xeque (IDX), divulgado em análise da
Pública.
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6. Flávio Bolsonaro é contra ou a favor do fim da escala 6×1?
O
candidato se declarou contra a redução da escala 6×1 ao longo da maior parte da
discussão sobre o assunto, defendido pelo governo federal, mas mudou de posição
oficial às vésperas do segundo turno das eleições de 2026. No entanto, nos
bastidores, prometeu a empresários e apoiadores revisar a decisão e estabelecer
regras de transição menos radicais do que as estabelecidas atualmente no
Congresso Nacional.
Flávio
era contrário à redução da jornada de trabalho sem diminuição salarial, por
considerar que a medida prejudicaria a economia. No entanto, na votação
realizada em 14 de outubro, o texto foi aprovado pelo Senado e Flávio votou a
favor à distância, enquanto participava de um ato de campanha em Porto Alegre,
no Rio Grande do Sul.
A
Pública revelou que, enquanto o Senado discutia o fim da escala 6×1, aliados de
Flávio se reuniam no gabinete de Rogério Marinho (PL-RN), coordenador de sua
campanha, para discutir estratégias eleitorais. A apuração mostra que o grupo
buscava evitar que o governo Lula capitalizasse politicamente a aprovação da
proposta. Apesar do voto favorável, Flávio sinalizou aos empresários que, caso
eleito, poderia adotar medidas compensatórias para reduzir os impactos das
jornadas sobre as empresas.
Fonte:
Por Duda Sousa, em Agência Pública

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