segunda-feira, 20 de julho de 2026

'Estão traindo o país': Cepeda acusa De la Espriella de entregar segurança da Colômbia aos EUA

Iván Cepeda, ex-candidato à presidência da Colômbia, acusou nesta sexta-feira (17/07) o presidente eleito, Abelardo de la Espriella, de traição e de entregar o controle da segurança do país aos Estados Unidos, mesmo sem ter assumido o cargo, o que só ocorrerá em 7 de agosto.

“Desde o início, ele começou a ameaçar seriamente nossa soberania nacional (…) O Sr. De la Espriella e seu círculo político estão traindo nosso país, estão traindo nossa soberania e estão entregando o controle de nossa segurança nacional ao governo dos EUA”, disse Cepeda em um breve comunicado à imprensa.

A este respeito, ele indicou que os primeiros eventos que confirmam essa acusação já são visíveis, como a perseguição de opositores políticos com interferência dos EUA. Nesse sentido, mencionou o caso de Franklin Humberto Coral Garrido, conhecido como Beto Coral, cuja prisão nos EUA teria sido ordenada “pessoalmente” por “razões políticas” pelo Secretário de Estado norte-americano Marco Rubio.

“Não tenho dúvidas de que esta decisão arbitrária foi tomada a mando do Sr. De la Espriella, que, pelo contrário, demonstrou total cumplicidade nas violações dos direitos humanos contra nossos companheiros migrantes”, disse Cepeda. Coral foi preso após participar de um protesto em Miami contra De la Espriella e já foi deportado para a Colômbia.

<><> Doutrina americana

Cepeda acredita que essa perseguição política inicial “é o prelúdio do que a nova Doutrina de Segurança Global dos EUA anuncia”. Ele alertou que “essa nova doutrina busca perseguir a esquerda política e social na América Latina e no mundo”.

Ele também denunciou que “esta é uma estratégia que, sob o pretexto de uma suposta luta contra o terrorismo por parte da esquerda política, visa a violações massivas dos direitos humanos, crimes contra a humanidade e a destruição da democracia, criminalizando migrantes, reprimindo brutalmente todas as formas de protesto social e revivendo antigas práticas de terrorismo de Estado que já testemunhamos na América Latina durante as décadas de 1970 e 1980”.

Além disso, Cepeda mencionou que o vice-presidente eleito, juntamente com De la Espriella, José Manuel Restrepo e a delegação que atualmente visita Washington, se comprometeram a “ser o aliado mais forte que os EUA têm na região” para “promover essa chamada política de segurança”.

Além disso, no contexto dessa mesma visita, porta-vozes do governo dos EUA anunciaram que “bases operacionais com presença militar americana para ações em áreas rurais” poderiam ser criadas na Colômbia, o que, segundo Cepeda, “é perfeitamente previsível que termine em graves violações dos direitos humanos contra a população civil”.

<><> “Desobediência civil”

“De la Espriella pode tomar posse como presidente da República, mas esse ato formal não lhe conferirá legitimidade política e ética como presidente da República”, afirmou.

Nesse contexto, ele reiterou, em resposta às queixas que havia feito e como já havia anunciado anteriormente, que o único caminho possível de oposição é a “desobediência civil”, entendida como “uma ação pública, pacífica, não violenta e consciente, destinada a defender os princípios constitucionais e os direitos fundamentais dos colombianos”.

Cepeda anunciou nesta conferência de imprensa que não comparecerá à cerimônia de posse de De la Espriella.

¨      Por US$ 5 bilhões do FMI, Rodrigo Paz aprofunda ajuste e abre Bolívia ao capital estrangeiro

Para impor estas medidas de ajuste o Governo de Rodrigo Paz busca conter, tanto por via burocrática como com repressão seletiva, uma nova explosão de mobilizações populares contra o ajuste, apoiando-se no estado de exceção. Nesse sentido, com o Decreto Supremo (D.S.) 5654, o Governo ataca de forma direta as contribuições sindicais que sustentam o funcionamento dessas organizações e inclusive arremete contra os fundos próprios das e dos trabalhadores na educação como é a Mutualidade do Magistério Nacional (MUMANAL).

O pacote de medidas econômicas não é um simples ajuste administrativo, mas sim peças-chave do projeto de ajuste estrutural. Há duas semanas, mediante a Resolução Ministerial 245/26 do ministério de Economia e Finanças Públicas, estabeleceu-se um tipo de câmbio flutuante da moeda nacional frente ao dólar estadunidense.

A desvalorização inicial tomou como ponto de partida o tipo de câmbio oficial de 6,96 Bs por dólar, e estabeleceu um novo tipo oficial fixado em 9,73 Bs; na quarta-feira, 15 de julho, o tipo oficial estava fixado em 10,70 Bs. Não se trata de “sincerar” com o tipo de câmbio referencial ou paralelo que desde meados da gestão do anterior presidente, Luis Arce Catacora, já era uma realidade objetiva na rua. Mas de cumprir com a política prioritária que o FMI estabeleceu para a Bolívia em seu último informe (Consulta do Artigo IV, 2025).

O impacto da desvalorização não é igual para todos. Enquanto milhões de famílias vivem os impactos diretos da inflação da UFV (índice de referência calculado sobre o aumento dos preços ao consumidor), da “atualização” dos preços de serviços básicos indexados ao dólar ou à UFV, dos créditos bancários indexados, dos produtos importados, entre outros, sobe o custo da vida, enquanto lucram os grandes exportadores e banqueiros, que agora de forma legal obtêm 49% mais em moeda nacional por cada dólar exportado.

Em janeiro, a direção da COB traiu a luta contra o gasolinaço e o DS 5503 e deu sua aprovação ao DS 5516, que manteve o essencial da quitação parcial de subvenção estatal aos combustíveis, estabelecendo ainda as fórmulas e o cronograma de atualização dos preços.

O DS 5652 modifica o regulamento vigente para estender o período transitório de estabilização de preços a um total de 12 meses (até janeiro de 2027). Ao acabar este prazo, finalizará a aplicação do Fator de Ajuste (fixado em 10,4003) que neutraliza o tipo de câmbio, voltando a determinar-se os preços na base do tipo de câmbio oficial (flutuante) do Banco Central e dos preços internacionais de referência.

Desde que assumiram o governo Paz e Lara puseram o peso da crise no ombro das famílias trabalhadoras: o salário mínimo nacional baixou de 395 USD (4225 Bs) a 308 USD (3295 Bs), ou seja, perdeu 20% de seu poder aquisitivo.

Já em janeiro com o D.S. 5516 o preço da gasolina especial passou de 3,79 Bs o litro até 6,96 Bs, na gasolina premium passou de 7,22 Bs o litro para 11 Bs, e o custo por litro de diesel passou de 3,72 Bs a 9,80 Bs. Isso sem mencionar o impacto econômico do dano ao parque automotor pela gasolina lixo, e os dias de espera em longas filas para poder comprar combustível.

Neste cenário, os fatos objetivos da desvalorização superam muitas vezes os dados oficiais do Instituto Nacional de Estatística (INE) em junho de 2026, que tentam suavizar a situação relatando uma inflação acumulada de apenas 5,85% desde o início da gestão governamental em novembro passado.

A realidade nas ruas é muito mais severa; o próprio INE relata um aumento de 8,9% em alimentos básicos e de 27,5% no transporte; no entanto, mesmo estes dados são insuficientes para refletir o impacto real da crise, já que não contemplam plenamente a distorção de preços provocada pelo encarecimento dos combustíveis nem o impacto do tipo de câmbio real sobre a importação de peças de reposição.

Ao mesmo tempo, o custo desta crise se distribui de maneira desigual devido a políticas que favorecem o grande empresariado, tais como a aprovação do “alívio tributário” e a eliminação de impostos-chave, como o Imposto sobre Transações Financeiras (ITF) e o imposto sobre os jogos.

Enquanto a maioria da população enfrenta a perda de seu poder aquisitivo, o setor exportador registra um crescimento extraordinário: entre janeiro e maio deste ano, o valor de suas exportações aumentou 63% em comparação com o ano passado, alcançando os 5.490 milhões de dólares.

O pacote econômico decretado nas últimas semanas não resolve os problemas de fundo, por um lado os grandes empresários e banqueiros continuam enviando capitais para paraísos fiscais, e por outro lado o Estado continua necessitando de dólares para poder comprar combustível. Sem o monopólio estatal sobre o comércio exterior, sob controle operário coletivo, um punhado de grandes empresas continuarão levando os dólares para o Panamá ou as Ilhas Caimã.

Paz e seu ministro da Economia, Espinoza, buscam salvar a situação usando parte da mesma receita que Arce aplicou, mais dívida externa. Mas, diferentemente de Arce, cujos créditos se encontravam “bloqueados” pelos blocos parlamentares de direita e do evismo, Paz tem o caminho livre com um amplo consenso neoliberal no parlamento a favor de mais dívidas externas.

Ainda faltam medidas-chave que o Fundo Monetário “sugere” ao governo boliviano em troca dos 5 mil milhões de dólares que o ministro Espinoza vem anunciando: devem avançar para um modelo “fast-track” para facilitar investimentos estrangeiros em setores estratégicos da economia e devem reduzir ao mínimo a presença de empresas estatais.

O plano econômico do governo está traçado, é cada vez mais urgente avançar na auto-organização, não só para resistir ao ajuste como para construir uma alternativa em que a crise seja paga pelos empresários.

¨      Cuba amplia incentivos aos pagamentos digitais e flexibiliza uso de dinheiro em espécie

Em mais uma medida para modernizar o sistema financeiro do país, o Banco Central de Cuba anunciou um novo pacote de medidas para ampliar o uso de pagamentos digitais no país. Além disso, a instituição flexibilizou as restrições ao uso de dinheiro em espécie nas transações entre empresas e demais agentes econômicos.

As mudanças buscam facilitar o acesso da população à compra de bens e serviços, além de tornar mais eficiente a circulação de dinheiro em um cenário de elevada demanda por cédulas, superior à capacidade de atendimento do sistema bancário cubano.

Uma das principais alterações suspende regras em vigor desde 2023 que limitavam os pagamentos em dinheiro entre agentes econômicos a 5 mil pesos cubanos (R$ 1 mil). A partir de agora, o volume de recursos em espécie autorizado será definido individualmente entre cada banco e seu cliente.

Ao mesmo tempo, o governo pretende acelerar a digitalização das operações financeiras. A partir de 1º de agosto, os bancos iniciarão a implantação gradual do crédito instantâneo para pagamentos realizados por meio da plataforma Pago en Línea. Como incentivo ao sistema, a comissão cobrada dos estabelecimentos comerciais por transações na plataforma será reduzida de 1,5% para 0,8%.

O Banco Central ressaltou que, apesar da flexibilização do uso de dinheiro em espécie, a estratégia do governo continua voltada à expansão dos meios digitais de pagamento.

As medidas integram o pacote de 176 reformas econômicas anunciado em junho pelo primeiro-ministro Manuel Marrero Cruz. O programa prevê a modernização do sistema financeiro cubano, a criação de um mercado digital de moedas, a legalização de casas de câmbio privadas e a redução gradual de mecanismos de controle centralizado da economia, mantendo o modelo socialista do país.

<><> Entre sanções e apagões

No final de junho, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, anunciou novas sanções contra cinco entidades estatais cubanas, incluindo empresas ligadas ao conglomerado militar Gaesa. Além disso, a Suprema Corte dos EUA abriu caminho para que empresas do país, como a ExxonMobil, possam processar Cuba por propriedades nacionalizadas após a revolução.

Especialistas já apontaram à Sputnik Brasil que essas reformas podem ser vistas como uma forma de o governo cubano "agradar" e sensibilizar a Casa Branca a repensar as sanções ao país, em especial o bloqueio ao petróleo.

¨      Venezuela utiliza US$ 346 milhões em recursos do FMI para recuperação após terremotos

A Venezuela utilizou US$ 346 milhões (R$1.766 bilhão) de seus próprios recursos junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para ajudar na recuperação após os terremotos devastadores do fim de junho que atingiram o país, informou nesta sexta-feira (17) a presidente interina, Delcy Rodríguez.

"Após o devastador terremoto duplo que atingiu nosso país, a Venezuela recebeu inicialmente do Fundo Monetário Internacional US$ 346 milhões de seus próprios recursos, que serão destinados à recuperação e à reconstrução após a tragédia", escreveu a vice-presidente em seu canal no Telegram.

Ela afirmou que o montante permitirá ampliar o apoio às famílias afetadas, incluindo moradia, reconstrução de infraestrutura, restabelecimento de serviços públicos essenciais e outras necessidades decorrentes dos danos causados pelos tremores.

Logo após os terremotos, Rodríguez informou que o governo venezuelano pretendia criar um fundo de reconstrução com recursos provenientes do FMI.

 Venezuela avançou recentemente na normalização de suas relações com organismos financeiros internacionais após anos de isolamento, o que pode abrir caminho para o acesso a recursos e à reestruturação econômica do país.

¨      Após Venezuela, EUA acreditaram no seu poder e atacaram Irã, mas foi um erro, acredita especialista

A administração do presidente norte-americano, Donald Trump, não terá mais vitórias fáceis na sua política externa, e os fracassos nas aventuras da Groenlândia e do Irã confirmam isso, avalia o professor estadunidense Hal Brands em artigo publicado em uma agência de notícias norte-americana.

Em seu artigo publicado pela Bloomberg, Brands lembrou que, quando os EUA lançaram uma guerra contra o Irã no final de fevereiro, ele prometeu uma vitória rápida e impressionante. No entanto, o conflito até agora não foi concluído.

Segundo ele, a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro "intoxicou" a administração da Casa Branca, e ele, acreditando no poder ilimitado dos Estados Unidos, primeiro declarou suas reivindicações à Groenlândia e depois atacou a República Islâmica do Irã.

Tendo encontrado a resistência resoluta e unida dos países europeus, os EUA tiveram que abandonar sua ideia de anexar a Groenlândia aos Estados Unidos. No entanto, depois disso, ele atacou o Irã, sem entender o que estava fazendo e sem ter um plano de ação claro.

"O resultado foi o caos no Oriente Médio, que expôs as limitações da superioridade militar dos EUA e pode enfraquecer o poder norte-americano no mundo por um tempo", afirmou Brands.

Na avaliação dele, os principais acontecimentos geopolíticos de 2026 fizeram a América de Trump parecer "imprudente, fraca e predatória". Se a administração presidencial não mudar sua política externa em um mundo cheio de desafios persistentes, enfrentará problemas e decepções ainda maiores, concluiu o professor.

Nesta terça-feira (15), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que as forças norte-americanas continuarão a bombardear o Irã ao longo desta semana e ameaçou ampliar significativamente os ataques na próxima ação. A promessa do republicano é atingir usinas de energia e pontes caso Teerã se recuse a negociar.

 

Fonte: Opera Mundi/Diálogos do Sul Global/Sputnik Brasil

 

 

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