'Estão
traindo o país': Cepeda acusa De la Espriella de entregar segurança da Colômbia
aos EUA
Iván
Cepeda, ex-candidato à presidência da Colômbia, acusou nesta sexta-feira
(17/07) o presidente eleito,
Abelardo de la Espriella, de traição e de entregar o controle da segurança do
país aos Estados Unidos, mesmo sem ter assumido o cargo, o que só ocorrerá em 7
de agosto.
“Desde
o início, ele começou a ameaçar seriamente nossa soberania nacional (…) O Sr.
De la Espriella e seu círculo político estão traindo nosso país, estão traindo
nossa soberania e estão entregando o controle de nossa segurança nacional ao
governo dos EUA”, disse Cepeda em um breve comunicado à imprensa.
A este
respeito, ele indicou que os primeiros eventos que confirmam essa acusação já
são visíveis, como a perseguição de opositores políticos com interferência dos
EUA. Nesse sentido, mencionou o caso de Franklin Humberto Coral Garrido,
conhecido como Beto Coral, cuja prisão nos EUA teria sido ordenada
“pessoalmente” por “razões políticas” pelo Secretário de Estado norte-americano
Marco Rubio.
“Não
tenho dúvidas de que esta decisão arbitrária foi tomada a mando do Sr. De la
Espriella, que, pelo contrário, demonstrou total cumplicidade nas violações dos
direitos humanos contra nossos companheiros migrantes”, disse Cepeda. Coral foi
preso após participar de um protesto em Miami contra De la Espriella e já foi
deportado para a Colômbia.
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Doutrina americana
Cepeda
acredita que essa perseguição política inicial “é o prelúdio do que a nova
Doutrina de Segurança Global dos EUA anuncia”. Ele alertou que “essa nova
doutrina busca perseguir a esquerda política e social na América Latina e no
mundo”.
Ele
também denunciou que “esta é uma estratégia que, sob o pretexto de uma suposta
luta contra o terrorismo por parte da esquerda política, visa a violações
massivas dos direitos humanos, crimes contra a humanidade e a destruição da
democracia, criminalizando migrantes, reprimindo brutalmente todas as formas de
protesto social e revivendo antigas práticas de terrorismo de Estado que já
testemunhamos na América Latina durante as décadas de 1970 e 1980”.
Além
disso, Cepeda mencionou que o vice-presidente eleito, juntamente com De la Espriella, José Manuel
Restrepo e a delegação que atualmente visita Washington, se comprometeram a
“ser o aliado mais forte que os EUA têm na região” para “promover essa chamada
política de segurança”.
Além
disso, no contexto dessa mesma visita, porta-vozes do governo dos EUA
anunciaram que “bases operacionais com presença militar americana para ações em
áreas rurais” poderiam ser criadas na Colômbia, o que, segundo Cepeda, “é
perfeitamente previsível que termine em graves violações dos direitos humanos
contra a população civil”.
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“Desobediência civil”
“De la
Espriella pode tomar posse como presidente da República, mas esse ato formal
não lhe conferirá legitimidade política e ética como presidente da República”,
afirmou.
Nesse
contexto, ele reiterou, em resposta às queixas que havia feito e como já havia
anunciado anteriormente, que o único caminho possível de oposição é a
“desobediência civil”, entendida como “uma ação pública, pacífica, não violenta
e consciente, destinada a defender os princípios constitucionais e os direitos
fundamentais dos colombianos”.
Cepeda
anunciou nesta conferência de imprensa que não comparecerá à
cerimônia de posse de De la Espriella.
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Por US$ 5 bilhões do FMI, Rodrigo Paz aprofunda ajuste e
abre Bolívia ao capital estrangeiro
Para
impor estas medidas de ajuste o Governo de Rodrigo Paz busca conter,
tanto por via burocrática como com repressão seletiva, uma nova explosão
de mobilizações populares contra o
ajuste, apoiando-se no estado de exceção. Nesse sentido, com o Decreto Supremo
(D.S.) 5654, o Governo ataca de forma direta as contribuições sindicais que
sustentam o funcionamento dessas organizações e inclusive arremete contra os
fundos próprios das e dos trabalhadores na educação como é a Mutualidade do
Magistério Nacional (MUMANAL).
O
pacote de medidas econômicas não é um
simples ajuste administrativo, mas sim peças-chave do projeto de ajuste
estrutural. Há duas semanas, mediante a Resolução Ministerial 245/26 do
ministério de Economia e Finanças Públicas, estabeleceu-se um tipo de câmbio
flutuante da moeda nacional frente ao dólar estadunidense.
A
desvalorização inicial tomou como ponto de partida o tipo de câmbio oficial de
6,96 Bs por dólar, e estabeleceu um novo tipo oficial fixado em 9,73 Bs; na
quarta-feira, 15 de julho, o tipo oficial estava fixado em 10,70 Bs. Não se
trata de “sincerar” com o tipo de câmbio referencial ou paralelo que desde
meados da gestão do anterior presidente, Luis Arce
Catacora, já era uma realidade objetiva na rua. Mas de cumprir com a
política prioritária que o FMI estabeleceu para a Bolívia em seu último informe
(Consulta do Artigo IV, 2025).
O
impacto da desvalorização não é igual para todos. Enquanto milhões de famílias
vivem os impactos diretos da inflação da UFV (índice de referência calculado
sobre o aumento dos preços ao consumidor), da “atualização” dos preços de
serviços básicos indexados ao dólar ou à UFV, dos créditos bancários indexados,
dos produtos importados, entre outros, sobe o custo da vida, enquanto lucram os
grandes exportadores e banqueiros, que agora de forma legal obtêm 49% mais em
moeda nacional por cada dólar exportado.
Em
janeiro, a direção da COB traiu a luta contra o gasolinaço e o DS 5503 e deu
sua aprovação ao DS 5516, que manteve o essencial da quitação parcial de
subvenção estatal aos combustíveis, estabelecendo ainda as fórmulas e o
cronograma de atualização dos preços.
O DS
5652 modifica o regulamento vigente para estender o período transitório de
estabilização de preços a um total de 12 meses (até janeiro de 2027). Ao acabar
este prazo, finalizará a aplicação do Fator de Ajuste (fixado em 10,4003) que
neutraliza o tipo de câmbio, voltando a determinar-se os preços na base do tipo
de câmbio oficial (flutuante) do Banco Central e dos preços internacionais de
referência.
Desde
que assumiram o governo Paz e Lara puseram o peso da crise no ombro das
famílias trabalhadoras: o salário mínimo nacional baixou de 395 USD (4225 Bs) a
308 USD (3295 Bs), ou seja, perdeu 20% de seu poder aquisitivo.
Já em
janeiro com o D.S. 5516 o preço da gasolina especial passou de 3,79 Bs o litro
até 6,96 Bs, na gasolina premium passou de 7,22 Bs o litro para 11 Bs, e o
custo por litro de diesel passou de 3,72 Bs a 9,80 Bs. Isso sem mencionar o
impacto econômico do dano ao parque automotor pela gasolina lixo, e os dias de
espera em longas filas para poder comprar combustível.
Neste
cenário, os fatos objetivos da desvalorização superam muitas vezes os dados
oficiais do Instituto Nacional de Estatística (INE) em junho de 2026, que
tentam suavizar a situação relatando uma inflação acumulada de apenas 5,85%
desde o início da gestão governamental em novembro passado.
A
realidade nas ruas é muito mais severa; o próprio INE relata um aumento de 8,9%
em alimentos básicos e de 27,5% no transporte; no entanto, mesmo estes dados
são insuficientes para refletir o impacto real da crise, já que não contemplam
plenamente a distorção de preços provocada pelo encarecimento dos combustíveis
nem o impacto do tipo de câmbio real sobre a importação de peças de reposição.
Ao
mesmo tempo, o custo desta crise se distribui de
maneira desigual devido a políticas que favorecem o grande empresariado, tais
como a aprovação do “alívio tributário” e a eliminação de impostos-chave, como
o Imposto sobre Transações Financeiras (ITF) e o imposto sobre os jogos.
Enquanto
a maioria da população enfrenta a perda de seu poder aquisitivo, o setor
exportador registra um crescimento extraordinário: entre janeiro e maio deste
ano, o valor de suas exportações aumentou 63% em comparação com o ano passado,
alcançando os 5.490 milhões de dólares.
O
pacote econômico decretado nas últimas semanas não resolve os problemas de
fundo, por um lado os grandes empresários e banqueiros continuam enviando
capitais para paraísos fiscais, e por outro lado o Estado continua necessitando
de dólares para poder comprar combustível. Sem o monopólio estatal sobre o
comércio exterior, sob controle operário coletivo, um punhado de grandes
empresas continuarão levando os dólares para o Panamá ou as Ilhas Caimã.
Paz e
seu ministro da Economia, Espinoza, buscam salvar a situação usando parte da
mesma receita que Arce aplicou, mais dívida externa. Mas, diferentemente de
Arce, cujos créditos se encontravam “bloqueados” pelos blocos parlamentares de
direita e do evismo, Paz tem o caminho livre com um amplo consenso neoliberal
no parlamento a favor de mais dívidas externas.
Ainda
faltam medidas-chave que o Fundo Monetário “sugere” ao governo boliviano em
troca dos 5 mil milhões de dólares que o ministro Espinoza vem anunciando:
devem avançar para um modelo “fast-track” para facilitar investimentos
estrangeiros em setores estratégicos da economia e devem reduzir ao mínimo a
presença de empresas estatais.
O plano
econômico do governo está traçado, é cada vez mais urgente avançar na
auto-organização, não só para resistir ao ajuste como para construir uma
alternativa em que a crise seja paga pelos empresários.
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Cuba amplia incentivos aos pagamentos digitais e
flexibiliza uso de dinheiro em espécie
Em mais
uma medida para modernizar o sistema financeiro do país, o Banco Central de
Cuba anunciou um novo pacote de medidas para ampliar o uso de pagamentos
digitais no país. Além disso, a instituição flexibilizou as restrições ao uso
de dinheiro em espécie nas transações entre empresas e demais agentes
econômicos.
As
mudanças buscam facilitar o acesso da população
à compra de bens e serviços, além de tornar mais eficiente a circulação de dinheiro
em um cenário de elevada demanda por cédulas, superior à capacidade de
atendimento do sistema bancário cubano.
Uma das
principais alterações suspende regras em vigor desde 2023 que limitavam os
pagamentos em dinheiro entre agentes econômicos a 5 mil pesos cubanos
(R$ 1 mil). A partir de agora, o volume de recursos em espécie autorizado será
definido individualmente entre cada banco e seu cliente.
Ao
mesmo tempo, o governo pretende acelerar a digitalização das
operações financeiras.
A partir de 1º de agosto, os bancos iniciarão a implantação gradual do crédito
instantâneo para pagamentos realizados por meio da plataforma Pago en
Línea. Como incentivo ao sistema, a comissão cobrada dos estabelecimentos
comerciais por transações na plataforma será reduzida de 1,5% para 0,8%.
O Banco
Central ressaltou que, apesar da flexibilização do uso de dinheiro em espécie,
a estratégia do governo continua voltada à expansão dos meios digitais de
pagamento.
As
medidas integram o pacote de 176 reformas econômicas anunciado em junho pelo
primeiro-ministro Manuel Marrero Cruz. O programa prevê a modernização do
sistema financeiro cubano, a criação de um mercado digital de moedas, a
legalização de casas de câmbio privadas e a redução gradual de mecanismos de
controle centralizado da economia, mantendo o modelo socialista do país.
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Entre sanções e apagões
No
final de junho, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio,
anunciou novas sanções contra cinco entidades estatais cubanas, incluindo
empresas ligadas ao conglomerado militar Gaesa. Além disso, a Suprema Corte dos
EUA abriu caminho para que empresas do país, como a ExxonMobil, possam
processar Cuba por propriedades nacionalizadas após a revolução.
Especialistas
já apontaram à Sputnik
Brasil que
essas reformas podem ser vistas como uma forma de o governo cubano
"agradar" e sensibilizar a Casa Branca a repensar as sanções ao país,
em especial o bloqueio ao petróleo.
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Venezuela utiliza US$ 346 milhões em recursos do FMI para
recuperação após terremotos
A
Venezuela utilizou US$ 346 milhões (R$1.766 bilhão) de seus próprios recursos
junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para ajudar na recuperação após os
terremotos devastadores do fim de junho que atingiram o país, informou nesta
sexta-feira (17) a presidente interina, Delcy Rodríguez.
"Após
o devastador terremoto duplo que atingiu nosso país, a Venezuela recebeu
inicialmente do Fundo Monetário Internacional US$ 346 milhões de seus próprios
recursos, que serão destinados à recuperação e à reconstrução após a
tragédia", escreveu a vice-presidente em seu canal no Telegram.
Ela
afirmou que o montante permitirá ampliar o apoio às famílias afetadas,
incluindo moradia, reconstrução de infraestrutura, restabelecimento de serviços
públicos essenciais e outras necessidades decorrentes dos danos causados pelos tremores.
Logo
após os terremotos, Rodríguez informou que o governo venezuelano pretendia
criar um fundo de reconstrução com
recursos provenientes do FMI.
Venezuela avançou recentemente na normalização
de suas relações com organismos financeiros internacionais após anos
de isolamento, o que pode abrir caminho para o acesso a recursos e à reestruturação
econômica do país.
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Após Venezuela, EUA acreditaram no seu poder e atacaram
Irã, mas foi um erro, acredita especialista
A
administração do presidente norte-americano, Donald Trump, não terá mais
vitórias fáceis na sua política externa, e os fracassos nas aventuras da
Groenlândia e do Irã confirmam isso, avalia o professor estadunidense Hal
Brands em artigo publicado em uma agência de notícias norte-americana.
Em seu
artigo publicado pela Bloomberg,
Brands lembrou que, quando os EUA lançaram uma guerra contra o Irã no final de
fevereiro, ele prometeu uma vitória rápida e impressionante. No entanto, o
conflito até agora não foi concluído.
Segundo
ele, a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro "intoxicou"
a administração da Casa Branca, e ele, acreditando no poder ilimitado dos
Estados Unidos, primeiro declarou suas reivindicações à Groenlândia e depois atacou
a República Islâmica do Irã.
Tendo
encontrado a resistência resoluta e unida dos países europeus, os
EUA tiveram que abandonar sua ideia de anexar a Groenlândia aos Estados
Unidos. No entanto, depois disso, ele atacou o Irã, sem entender o que estava fazendo
e sem ter um plano de ação claro.
"O
resultado foi o caos no Oriente Médio, que expôs as limitações da
superioridade militar dos EUA e pode enfraquecer o poder norte-americano
no mundo por um tempo", afirmou Brands.
Na
avaliação dele, os principais acontecimentos geopolíticos de 2026 fizeram a
América de Trump parecer "imprudente, fraca e
predatória". Se a administração presidencial não mudar sua política
externa em um mundo cheio de desafios persistentes, enfrentará problemas e
decepções ainda maiores, concluiu o professor.
Nesta
terça-feira (15), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que as forças
norte-americanas continuarão a bombardear o Irã ao longo desta
semana e ameaçou ampliar significativamente os ataques na próxima ação. A
promessa do republicano é atingir usinas de energia e pontes caso Teerã se
recuse a negociar.
Fonte:
Opera Mundi/Diálogos do Sul Global/Sputnik Brasil

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