TariFlávio:
o “nem-nemismo” da imprensa é covardia e falta de ler Sartre
O
“nem-nemismo” pode matar a imprensa e o jornalismo brasileiros de inanição
intelectual. O único lugar em que tudo fica certo se dois e dois são cinco,
convenham, é a gloriosa música de Caetano. Mas também ali se trata de uma
ironia amarga: “Tudo em volta está deserto/ tudo certo/ tudo certo como dois e
dois são cinco”.
O que é
o “nem-nemismo”? É o “nem-nem” como categoria de pensamento ou exclusivismo
moral. Trata-se da prática viciosa de, diante de um dilema ético, político ou
existencial, ser incapaz de escolher o mal menor, se não está dada a solução
ótima. Mentalidades finalistas, escatológicas — e elas sempre lidam, em algum
momento, com o pensamento mágico —, tendem a considerar moralmente superior a
escolha do deserto.
Apelo a
livros, como de costume. Os que se interessarem pesquisem e, se puderem, leiam
a trilogia “Os Caminhos da Liberdade”, de Sartre, formado por “A Idade da
Razão” (1945), “Sursis” (1947) e “Com a Morte na Alma“(1949). Ali estão os
dilemas da guerra. A escolha de Sartre, então, e das personagens estava com o
engajamento antinazista, mas não sob a condução do Partido Comunista e da União
Soviética. Numa trajetória estranha e incomum, ele se filiou ao PC Francês
quando outros estavam caindo fora, em 1952. Mas isso é conversa para outra
hora.
Voltemos
à espetacular trilogia. Engajar-se, ali, supunha um “não” inegociável ao
horror, ainda que sem se submeter a um ente de razão que se queria a saída
inelutável no contexto de Guerra Fria que viria depois: o PC. Eu mesmo admiro
muito mais o Sartre pré-1952.
Voltemos
ao tempo presente e aos indivíduos presentes. Afirmar que Flávio Bolsonaro
ofereceu a Donald Trump e a Marco Rubio a soberania do Brasil não é opinião de
colunista. Trata-se de fato. Isso está explicitado, em detalhes, do documento
de 84 páginas que ele enviou ao governo dos EUA. Está posto com todas as letras
na carta pessoal a Rubio, recebendo uma resposta desmoralizante: iria, sim,
tributar o Brasil e ponto. O secretário de Estado dos EUA ainda se mostrou
grato ao senador por lhe ter oferecido a equipe de transição de governo caso
eleito presidente do Brasil, o que é crime tipificado no Artigo 359 I do Código
Penal.
Todas
as justificativas supostamente técnicas dos EUA para aplicar tarifas contra o
Brasil são falsas. O pré-candidato do PL, na audiência do Escritório de
Representação Comercial, não questionou nenhuma. Argumentando de quatro — não
corre o risco de fazê-lo sobre dois pés para não ter uma crise de “labirintite
moral” —, limitou-se a pedir que Trump esperasse o resultado da eleição porque,
agora, Lula poderia se beneficiar com o discurso da soberania. Até porque fosse ele, Flávio, o eleito, todos
os pleitos dos EUA seriam atendidos, como deixou claro no tal documento. É
asqueroso. E Rubio acrescentou violência política ao tarifaço ao atacar Lula.
Trata-se da ação mais agressiva dos EUA contra o Brasil desde 1964.
IMPRENSA
E “NEM-NEMISMO”
Eis que
começa o “nem-nemismo” na imprensa. Todos teriam um pouco de razão: tanto quem
defende a soberania como quem se alinha com o entreguismo. “Oh, não podemos
correr o risco de parecer petistas…” Não pareçam, ora! Apenas opinem com os pés
no chão. Se isso coincidir com posições petistas, melhor cantarolar “Help”, dos
Beatles, do que dar trela a malucos e larápios sob o pretexto da pluralidade. A
causa não precisa se confundir com o partido.
Não,
queridos “nem-nemistas”! O governo não cometeu erro nenhum na negociação com os
EUA. Apenas se negou a ser um quintal do neocolonialismo anticapitalista de
Trump. Até agora, em matéria de tarifas, Lula foi impecável. E espero que não
ceda à tentação da “reciprocidade”, que pode implicar tiro no pé.
Na
imprensa, cada um faça o que achar melhor. Felizmente, não somos os EUA, e a
liberdade de expressão por aqui é plena, sem retaliações. Sugiro firmemente que
se saiba distinguir o certo do errado, o nacional do antinacional, a soberania
do entreguismo… “Ah, achei esse papo
maniqueísta…” Não seja burro. Procure saber o que queria Trump e por que Lula,
acertadamente, não cedeu.
Do Pix
às terras raras, passando pela “abertura do mercado” ao monopólio
norte-americano, os espertos nos exigiam tudo, muito especialmente a honra, que
Flávio ofereceu de saída em duas cartas e em dois pronunciamentos feitos nos
próprios EUA. Prometeu, inclusive, se eleito, alinhar-se contra a China, nosso
principal parceiro comercial. Decretar
um empate de “nens” entre Lula e Flávio ofende mais do que o bom senso. Fere
também a decência. Não é crime ser indecente, claro…
No que
respeita à disputa eleitoral, esse papo de “nem-nem”, como revelam os números,
não cola. “Ah, precisamos acabar com a polarização…” Santo Deus! Essa palavra é
o “fentanil” da análise politica no Brasil: vicia e corrói o cérebro.
Informação história: quem criou a expressão “candidato nem-nem”, em tom
irônico, fui eu, a partir de um texto do semiólogo francês Roland Barthes. E
não é que alguns acabaram achando que era uma boa ideia ser um “nem-nem não
polarizado”? Que coisa!
ENCERRO
Não!
Lula e Flávio não são polos igualmente legítimos de uma contenda. Como cabe a
um chefe de Estado zelar pelos interesses do seu país, a única opção moral é a
soberania. Ainda que prodigalizasse um monte de equívocos, o mal maior seria o
entreguismo, que nunca é apenas um equívoco. Trata-se sempre de uma relação de
troca. É chegada a hora da idade da razão. Ou só resta o deserto.
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TariFlávio: a conexão Trump-Bolsonaro que custa bilhões ao Brasil. Por Ricardo
Noblat
Países
não têm amigos, mas interesses. E quando interesses de uns e de outros entram
em choque, eles tentam negociar ou então vão à guerra. Pode ser por meio de
aplicações de tarifas mútuas, que levem o lado mais fraco a ceder, embora ele
nem sempre ceda. Pode ser também por meio de armas, o que produz mortes.
No
momento, os Estados Unidos combatem nos dois terrenos: o comercial, via
imposição de tarifas a quase todos os países do mundo sem poupar sequer seus
aliados históricos, e o sanguinolento, haja vista o que se passa no Oriente
Médio, onde o Irã continua debaixo de fogo letal e reage atacando bases
militares norte-americanas.
As
relações diplomáticas entre o Brasil e os Estados Unidos têm mais de 202 anos.
Elas começaram em 26 de maio de 1824, quando os Estados Unidos reconheceram
oficialmente a independência do Brasil, proclamada dois anos antes por Dom
Pedro I. O Brasil e os Estados Unidos nunca guerrearam entre si.
De lado
a lado, barreiras comerciais e disputas tarifárias ocorrem continuamente por
meio de centenas de processos individuais de antidumping, subsídios e medidas
de salvaguarda. No entanto, a imposição de pacotes generalizados de sobretaxas
(os chamados “tarifaços”) só se deu em ocasiões muito marcantes.
Há
cerca de 40 anos, durante o governo de Ronald Reagan, os Estados Unidos
aplicaram uma tarifa de 100% sobre diversos eletrônicos e produtos
manufaturados brasileiros como retaliação à chamada “Lei de Informática”, que
restringia a entrada em nosso mercado de computadores americanos. Pressionado,
o Brasil recuou.
Sob a
administração de Donald Trump, em agosto do ano passado, os Estados Unidos
aplicaram uma taxação de 50% sobre mais de 3,8 mil itens brasileiros, incluindo
café, calçados e tecidos. Parte dessa cobrança sobre itens agrícolas foi
revogada temporariamente em novembro daquele ano por decisão da Suprema Corte
americana.
Ontem,
o governo americano oficializou uma sobretaxa de 25% baseada na Seção 301 da
Lei de Comércio de 1974. A medida atinge produtos como açúcar de cana, etanol,
gasolina e máquinas pesadas. Ficaram de fora da lista grandes motores da pauta
brasileira de exportação, como suco de laranja, carne bovina, café e aviões.
Vida
que segue — ou que seguiria —, se por trás do novo tarifaço não estivesse o
desejo indisfarçável de Trump de influir nos resultados das eleições
brasileiras de outubro próximo para beneficiar a candidatura de Flávio
Bolsonaro à Presidência da República. Somente este ano, Flávio foi seis vezes
aos Estados Unidos para suplicar ajuda a Trump.
Quando
do tarifaço de 2025, Trump escreveu uma carta a Lula ordenando que o Supremo
Tribunal Federal (STF) suspendesse “imediatamente” o julgamento dos golpistas
do 8 de janeiro, entre eles Jair Bolsonaro. Se não bastasse, proibiu a entrada
nos Estados Unidos de ministros do STF e do governo federal.
A essa
altura, não há mais como descolar a imagem dos Bolsonaro dos tarifaços de
Trump. O de agora atinge diretamente US$ 7,4 bilhões em mercadorias (cerca de
18% de tudo o que o Brasil vende para os Estados Unidos), gerando uma perda
potencial de até US$ 11 bilhões (cerca de R$ 52 bilhões) nas exportações
brasileiras.
Em
vídeo postado nas redes sociais, Flávio culpou Lula pelo tarifaço e não se opôs
a ele para não desagradar a Trump. Pelo contrário: reproduziu parte da fala de
Marco Rubio, secretário de Estado dos Estados Unidos, que disse:
— Lula
não negociou de boa-fé. Suas políticas econômicas são ruins para os americanos
e ruins para os brasileiros. Ele colocou seu ego à frente de um acordo, e essas
tarifas são o preço por isso.
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Se fossem americanos, Flávio e Eduardo pegariam prisão por traição
No
programa do Noblat, a análise sobre o comportamento de Flávio e Eduardo
Bolsonaro diante do novo tarifaço de 25% imposto por Donald Trump contra os
produtos brasileiros nos faz lembrar daquilo que não deveria ser considerado
normal nem tratado de forma leviana: a dupla de herdeiros deveria estar
respondendo por crime de traição ao país.
Ao
destrinchar a Constituição dos Estados Unidos – especificamente o Artigo
Terceiro, Seção 3 -, o jornalista Bob Fernandes apontou que, se os irmãos
Bolsonaro fossem cidadãos norte-americanos, o ato de viajar ao exterior para
negociar politicamente o adiamento de sanções e, no dia da efetivação das
taxas, usar as redes sociais para defender os argumentos de uma potência
estrangeira contra o próprio país seria enquadrado formalmente como alta
traição. A punição prevista pela lei americana? Prisão perpétua ou pena de
morte.
A
coluna resgatou a memória recente para provar que o “TariFlávio” e seu clã
sempre jogaram contra os interesses nacionais. Foi em completa conexão com os
Bolsonaros que Trump, no ano passado, chantageou abertamente o Brasil em um
manifesto nas redes exortando o encerramento dos processos contra os golpistas
do 8 de janeiro, aplicando logo em seguida um tarifaço de 50% — que depois
acabou derrubado pela própria justiça americana por falta de cabimento técnico.
Enquanto
a bancada bolsonarista se mantém em um silêncio covarde e ensurdecedor diante
do prejuízo bilionário que a indústria nacional sofrerá a partir da próxima
semana, parte da grande imprensa insiste no vício do “dois-ladismo”, tentando
colocar na mesma balança o esforço legítimo do governo Lula — que realizou mais
de 30 reuniões bilaterais para tentar proteger o PIB brasileiro — e o
oportunismo rasteiro de um pré-candidato que preferiu se fantasiar de
ventríloquo da Casa Branca.
• Lindbergh: “A família Bolsonaro quer
transformar o Brasil numa colônia dos Estados Unidos”
A
defesa da soberania nacional deverá ocupar um espaço central na disputa
presidencial de 2026. Essa é a avaliação do deputado federal Lindbergh Farias
(PT-RJ), que afirmou, em entrevista ao Bom Dia 247, que a política externa
defendida pela família Bolsonaro representa um projeto de subordinação dos
interesses brasileiros aos Estados Unidos.
Segundo
o parlamentar, o governo de Donald Trump adotou uma estratégia para ampliar sua
influência sobre a América Latina e passou a tratar a região como área
prioritária de interesses estratégicos. Para Lindbergh, esse movimento encontra
apoio direto no bolsonarismo.
“Os
Estados Unidos querem tratar a América Latina como colônia. E a família
Bolsonaro se apresenta como gestora desta colônia.”
O
deputado afirmou que documentos divulgados pela administração norte-americana
retomam conceitos históricos da Doutrina Monroe, formulada em 1823, segundo a
qual os Estados Unidos reivindicam influência predominante sobre o continente
americano.
Na
avaliação de Lindbergh, essa orientação se traduz em tentativas de ampliar o
controle político e econômico sobre países da região, especialmente aqueles que
possuem recursos naturais estratégicos.
“A
primeira vez na história do Brasil que nós temos um grupo claramente anti
nacional, que defende os interesses norte-americanos acima dos interesses
brasileiros.”
Segundo
o parlamentar, essa postura representa uma ruptura em relação à tradição da
direita brasileira. Ele argumenta que setores conservadores do passado
mantinham posições nacionalistas, enquanto o bolsonarismo assumiria uma defesa
explícita dos interesses de Washington.
Entre
os exemplos citados, Lindbergh mencionou propostas relacionadas às terras raras
brasileiras, à Petrobras e a ativos considerados estratégicos para o
desenvolvimento nacional.
“Eles
querem entregar o Brasil, entregar terras raras, privatizar a Petrobras.”
Para o
deputado, esse debate deve ocupar posição central na campanha eleitoral, pois
envolve temas que ultrapassam a disputa partidária e dizem respeito ao modelo
de desenvolvimento do país.
Lindbergh
também relacionou essa discussão às recentes tensões comerciais envolvendo os
Estados Unidos. Segundo ele, medidas econômicas adotadas por Washington
reforçam a necessidade de o Brasil defender sua autonomia nas negociações
internacionais.
Na
avaliação do parlamentar, a defesa da soberania nacional precisa caminhar ao
lado da defesa dos direitos sociais. Por isso, ele afirma que temas como a PEC
pelo fim da escala 6×1 também deverão integrar o centro do debate eleitoral.
“O
nosso discurso tem que ser a defesa do Brasil e a defesa dos trabalhadores.”
Segundo
Lindbergh, enquanto o governo Lula aposta na ampliação da renda, na valorização
do salário mínimo e em políticas voltadas ao mercado interno, o projeto
representado pelo bolsonarismo defenderia mudanças nas relações de trabalho que
reduziriam a proteção aos trabalhadores.
O
deputado afirmou que propostas defendidas por lideranças da oposição, como
remuneração por hora trabalhada, podem comprometer direitos atualmente
assegurados pela legislação trabalhista.
Na sua
avaliação, a eleição presidencial deverá opor dois projetos distintos: um
baseado na preservação da soberania nacional e na ampliação de políticas
sociais; outro, segundo ele, marcado pela aproximação com interesses externos e
pela redução de direitos trabalhistas.
Ao
defender essa linha de campanha, Lindbergh afirmou que o governo deve
concentrar esforços em temas que dialogam diretamente com o cotidiano da
população e com a defesa dos interesses nacionais diante do cenário
internacional.
<>Burrice
de Paulo Figueiredo e dos irmãos Bolsonaro pariu o tariFlávio. Por Chico Alves
Eduardo
Bolsonaro e Paulo Figueiredo tinham um plano.
Com o
fracasso da tentativa de golpe de Estado e Jair preso, pretendiam dar uma
forcinha para eleger o filho zero um a presidente.
Para
isso, Paulo-neto-de-ditador resolveu usar a proximidade com Donald Trump, de
quem foi sócio em um desastroso empreendimento imobiliário no Brasil (causador
de prejuízo milionário para fundos de previdência).
A ideia
era mostrar que Flávio Bolsonaro é o preferido do ex-sócio e presidente dos
Estados Unidos para vencer a eleição brasileira deste ano. Ao mesmo tempo,
Paulo e Eduardo fizeram lobby para que o governo Trump mostrasse como detesta
Lula.
Achavam
que os brasileiros seriam tão sabujos quanto eles e se ajoelhariam aos pés do
Laranjão, fazendo suas vontades.
Flávio
Bolsonaro gostou do plano. Desde que foi escolhido pelo pai para concorrer com
Lula viajou várias vezes aos Estados Unidos para mostrar intimidade com o homem
da Casa Branca, suou para conseguir foto de fã ao lado dele, etc…
O
resultado veio agora: tarifaço.
Não
bastasse rachadinha, milícia, mansão comprada com dinheiro vivo, Vorcaro, briga
com a madrasta, foto com Sicário… Flávio agora tem também que lidar com o fato
de ser reconhecido no Brasil como o homem que pediu a Trump para impor o
tarifaço ao próprio país.
Na
última hora, pediu que a majoração de tarifas fosse adiada para depois da
eleição. Obviamente não conseguiu.
O
governo dos EUA oficializou o absurdo nesta quinta-feira (16).
Pesquisa
Quaest mostra que 51% dos brasileiros concordam com a opinião de Lula, de que o
zero um de Bolsonaro é o responsável pelas tarifas impostas por Trump. Somente
30% apoiam Flávio.
Enquanto
Lula fez o dever de casa na economia, criando o Desenrola, a isenção de Imposto
de Renda para quem ganha menos de R$ 5 mil, crédito para motoristas de
aplicativos e outras iniciativas eficazes, Flávio achou legal seguir o plano da
dupla caipira Paulo Figueiredo e Eduardo.
Por
enquanto não parece estar dando certo.
Na
última pesquisa para presidente, Lula aparece 8 pontos à frente do
presidenciável do PL no segundo turno. A boca do jacaré está abrindo.
Mas
volte a consultar seus mentores, Flávio.
Talvez
Paulo-neto-de-ditador e Eduardo tenham um novo plano.
Fonte:
Por Reinaldo Azevedo, no Metrópoles/Brasil 247/ICL Notícias

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