segunda-feira, 20 de julho de 2026

TariFlávio: o “nem-nemismo” da imprensa é covardia e falta de ler Sartre

O “nem-nemismo” pode matar a imprensa e o jornalismo brasileiros de inanição intelectual. O único lugar em que tudo fica certo se dois e dois são cinco, convenham, é a gloriosa música de Caetano. Mas também ali se trata de uma ironia amarga: “Tudo em volta está deserto/ tudo certo/ tudo certo como dois e dois são cinco”.

O que é o “nem-nemismo”? É o “nem-nem” como categoria de pensamento ou exclusivismo moral. Trata-se da prática viciosa de, diante de um dilema ético, político ou existencial, ser incapaz de escolher o mal menor, se não está dada a solução ótima. Mentalidades finalistas, escatológicas — e elas sempre lidam, em algum momento, com o pensamento mágico —, tendem a considerar moralmente superior a escolha do deserto.

Apelo a livros, como de costume. Os que se interessarem pesquisem e, se puderem, leiam a trilogia “Os Caminhos da Liberdade”, de Sartre, formado por “A Idade da Razão” (1945), “Sursis” (1947) e “Com a Morte na Alma“(1949). Ali estão os dilemas da guerra. A escolha de Sartre, então, e das personagens estava com o engajamento antinazista, mas não sob a condução do Partido Comunista e da União Soviética. Numa trajetória estranha e incomum, ele se filiou ao PC Francês quando outros estavam caindo fora, em 1952. Mas isso é conversa para outra hora.

Voltemos à espetacular trilogia. Engajar-se, ali, supunha um “não” inegociável ao horror, ainda que sem se submeter a um ente de razão que se queria a saída inelutável no contexto de Guerra Fria que viria depois: o PC. Eu mesmo admiro muito mais o Sartre pré-1952.

Voltemos ao tempo presente e aos indivíduos presentes. Afirmar que Flávio Bolsonaro ofereceu a Donald Trump e a Marco Rubio a soberania do Brasil não é opinião de colunista. Trata-se de fato. Isso está explicitado, em detalhes, do documento de 84 páginas que ele enviou ao governo dos EUA. Está posto com todas as letras na carta pessoal a Rubio, recebendo uma resposta desmoralizante: iria, sim, tributar o Brasil e ponto. O secretário de Estado dos EUA ainda se mostrou grato ao senador por lhe ter oferecido a equipe de transição de governo caso eleito presidente do Brasil, o que é crime tipificado no Artigo 359 I do Código Penal.

Todas as justificativas supostamente técnicas dos EUA para aplicar tarifas contra o Brasil são falsas. O pré-candidato do PL, na audiência do Escritório de Representação Comercial, não questionou nenhuma. Argumentando de quatro — não corre o risco de fazê-lo sobre dois pés para não ter uma crise de “labirintite moral” —, limitou-se a pedir que Trump esperasse o resultado da eleição porque, agora, Lula poderia se beneficiar com o discurso da soberania.  Até porque fosse ele, Flávio, o eleito, todos os pleitos dos EUA seriam atendidos, como deixou claro no tal documento. É asqueroso. E Rubio acrescentou violência política ao tarifaço ao atacar Lula. Trata-se da ação mais agressiva dos EUA contra o Brasil desde 1964.

IMPRENSA E “NEM-NEMISMO”

Eis que começa o “nem-nemismo” na imprensa. Todos teriam um pouco de razão: tanto quem defende a soberania como quem se alinha com o entreguismo. “Oh, não podemos correr o risco de parecer petistas…” Não pareçam, ora! Apenas opinem com os pés no chão. Se isso coincidir com posições petistas, melhor cantarolar “Help”, dos Beatles, do que dar trela a malucos e larápios sob o pretexto da pluralidade. A causa não precisa se confundir com o partido.

Não, queridos “nem-nemistas”! O governo não cometeu erro nenhum na negociação com os EUA. Apenas se negou a ser um quintal do neocolonialismo anticapitalista de Trump. Até agora, em matéria de tarifas, Lula foi impecável. E espero que não ceda à tentação da “reciprocidade”, que pode implicar tiro no pé.

Na imprensa, cada um faça o que achar melhor. Felizmente, não somos os EUA, e a liberdade de expressão por aqui é plena, sem retaliações. Sugiro firmemente que se saiba distinguir o certo do errado, o nacional do antinacional, a soberania do entreguismo…  “Ah, achei esse papo maniqueísta…” Não seja burro. Procure saber o que queria Trump e por que Lula, acertadamente, não cedeu.

Do Pix às terras raras, passando pela “abertura do mercado” ao monopólio norte-americano, os espertos nos exigiam tudo, muito especialmente a honra, que Flávio ofereceu de saída em duas cartas e em dois pronunciamentos feitos nos próprios EUA. Prometeu, inclusive, se eleito, alinhar-se contra a China, nosso principal parceiro comercial.  Decretar um empate de “nens” entre Lula e Flávio ofende mais do que o bom senso. Fere também a decência. Não é crime ser indecente, claro…

No que respeita à disputa eleitoral, esse papo de “nem-nem”, como revelam os números, não cola. “Ah, precisamos acabar com a polarização…” Santo Deus! Essa palavra é o “fentanil” da análise politica no Brasil: vicia e corrói o cérebro. Informação história: quem criou a expressão “candidato nem-nem”, em tom irônico, fui eu, a partir de um texto do semiólogo francês Roland Barthes. E não é que alguns acabaram achando que era uma boa ideia ser um “nem-nem não polarizado”? Que coisa!

ENCERRO

Não! Lula e Flávio não são polos igualmente legítimos de uma contenda. Como cabe a um chefe de Estado zelar pelos interesses do seu país, a única opção moral é a soberania. Ainda que prodigalizasse um monte de equívocos, o mal maior seria o entreguismo, que nunca é apenas um equívoco. Trata-se sempre de uma relação de troca. É chegada a hora da idade da razão. Ou só resta o deserto.

<><> TariFlávio: a conexão Trump-Bolsonaro que custa bilhões ao Brasil. Por Ricardo Noblat

Países não têm amigos, mas interesses. E quando interesses de uns e de outros entram em choque, eles tentam negociar ou então vão à guerra. Pode ser por meio de aplicações de tarifas mútuas, que levem o lado mais fraco a ceder, embora ele nem sempre ceda. Pode ser também por meio de armas, o que produz mortes.

No momento, os Estados Unidos combatem nos dois terrenos: o comercial, via imposição de tarifas a quase todos os países do mundo sem poupar sequer seus aliados históricos, e o sanguinolento, haja vista o que se passa no Oriente Médio, onde o Irã continua debaixo de fogo letal e reage atacando bases militares norte-americanas.

As relações diplomáticas entre o Brasil e os Estados Unidos têm mais de 202 anos. Elas começaram em 26 de maio de 1824, quando os Estados Unidos reconheceram oficialmente a independência do Brasil, proclamada dois anos antes por Dom Pedro I. O Brasil e os Estados Unidos nunca guerrearam entre si.

De lado a lado, barreiras comerciais e disputas tarifárias ocorrem continuamente por meio de centenas de processos individuais de antidumping, subsídios e medidas de salvaguarda. No entanto, a imposição de pacotes generalizados de sobretaxas (os chamados “tarifaços”) só se deu em ocasiões muito marcantes.

Há cerca de 40 anos, durante o governo de Ronald Reagan, os Estados Unidos aplicaram uma tarifa de 100% sobre diversos eletrônicos e produtos manufaturados brasileiros como retaliação à chamada “Lei de Informática”, que restringia a entrada em nosso mercado de computadores americanos. Pressionado, o Brasil recuou.

Sob a administração de Donald Trump, em agosto do ano passado, os Estados Unidos aplicaram uma taxação de 50% sobre mais de 3,8 mil itens brasileiros, incluindo café, calçados e tecidos. Parte dessa cobrança sobre itens agrícolas foi revogada temporariamente em novembro daquele ano por decisão da Suprema Corte americana.

Ontem, o governo americano oficializou uma sobretaxa de 25% baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. A medida atinge produtos como açúcar de cana, etanol, gasolina e máquinas pesadas. Ficaram de fora da lista grandes motores da pauta brasileira de exportação, como suco de laranja, carne bovina, café e aviões.

Vida que segue — ou que seguiria —, se por trás do novo tarifaço não estivesse o desejo indisfarçável de Trump de influir nos resultados das eleições brasileiras de outubro próximo para beneficiar a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Somente este ano, Flávio foi seis vezes aos Estados Unidos para suplicar ajuda a Trump.

Quando do tarifaço de 2025, Trump escreveu uma carta a Lula ordenando que o Supremo Tribunal Federal (STF) suspendesse “imediatamente” o julgamento dos golpistas do 8 de janeiro, entre eles Jair Bolsonaro. Se não bastasse, proibiu a entrada nos Estados Unidos de ministros do STF e do governo federal.

A essa altura, não há mais como descolar a imagem dos Bolsonaro dos tarifaços de Trump. O de agora atinge diretamente US$ 7,4 bilhões em mercadorias (cerca de 18% de tudo o que o Brasil vende para os Estados Unidos), gerando uma perda potencial de até US$ 11 bilhões (cerca de R$ 52 bilhões) nas exportações brasileiras.

Em vídeo postado nas redes sociais, Flávio culpou Lula pelo tarifaço e não se opôs a ele para não desagradar a Trump. Pelo contrário: reproduziu parte da fala de Marco Rubio, secretário de Estado dos Estados Unidos, que disse:

— Lula não negociou de boa-fé. Suas políticas econômicas são ruins para os americanos e ruins para os brasileiros. Ele colocou seu ego à frente de um acordo, e essas tarifas são o preço por isso.

<><> Se fossem americanos, Flávio e Eduardo pegariam prisão por traição

No programa do Noblat, a análise sobre o comportamento de Flávio e Eduardo Bolsonaro diante do novo tarifaço de 25% imposto por Donald Trump contra os produtos brasileiros nos faz lembrar daquilo que não deveria ser considerado normal nem tratado de forma leviana: a dupla de herdeiros deveria estar respondendo por crime de traição ao país.

Ao destrinchar a Constituição dos Estados Unidos – especificamente o Artigo Terceiro, Seção 3 -, o jornalista Bob Fernandes apontou que, se os irmãos Bolsonaro fossem cidadãos norte-americanos, o ato de viajar ao exterior para negociar politicamente o adiamento de sanções e, no dia da efetivação das taxas, usar as redes sociais para defender os argumentos de uma potência estrangeira contra o próprio país seria enquadrado formalmente como alta traição. A punição prevista pela lei americana? Prisão perpétua ou pena de morte.

A coluna resgatou a memória recente para provar que o “TariFlávio” e seu clã sempre jogaram contra os interesses nacionais. Foi em completa conexão com os Bolsonaros que Trump, no ano passado, chantageou abertamente o Brasil em um manifesto nas redes exortando o encerramento dos processos contra os golpistas do 8 de janeiro, aplicando logo em seguida um tarifaço de 50% — que depois acabou derrubado pela própria justiça americana por falta de cabimento técnico.

Enquanto a bancada bolsonarista se mantém em um silêncio covarde e ensurdecedor diante do prejuízo bilionário que a indústria nacional sofrerá a partir da próxima semana, parte da grande imprensa insiste no vício do “dois-ladismo”, tentando colocar na mesma balança o esforço legítimo do governo Lula — que realizou mais de 30 reuniões bilaterais para tentar proteger o PIB brasileiro — e o oportunismo rasteiro de um pré-candidato que preferiu se fantasiar de ventríloquo da Casa Branca.

•        Lindbergh: “A família Bolsonaro quer transformar o Brasil numa colônia dos Estados Unidos”

A defesa da soberania nacional deverá ocupar um espaço central na disputa presidencial de 2026. Essa é a avaliação do deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), que afirmou, em entrevista ao Bom Dia 247, que a política externa defendida pela família Bolsonaro representa um projeto de subordinação dos interesses brasileiros aos Estados Unidos.

Segundo o parlamentar, o governo de Donald Trump adotou uma estratégia para ampliar sua influência sobre a América Latina e passou a tratar a região como área prioritária de interesses estratégicos. Para Lindbergh, esse movimento encontra apoio direto no bolsonarismo.

“Os Estados Unidos querem tratar a América Latina como colônia. E a família Bolsonaro se apresenta como gestora desta colônia.”

O deputado afirmou que documentos divulgados pela administração norte-americana retomam conceitos históricos da Doutrina Monroe, formulada em 1823, segundo a qual os Estados Unidos reivindicam influência predominante sobre o continente americano.

Na avaliação de Lindbergh, essa orientação se traduz em tentativas de ampliar o controle político e econômico sobre países da região, especialmente aqueles que possuem recursos naturais estratégicos.

“A primeira vez na história do Brasil que nós temos um grupo claramente anti nacional, que defende os interesses norte-americanos acima dos interesses brasileiros.”

Segundo o parlamentar, essa postura representa uma ruptura em relação à tradição da direita brasileira. Ele argumenta que setores conservadores do passado mantinham posições nacionalistas, enquanto o bolsonarismo assumiria uma defesa explícita dos interesses de Washington.

Entre os exemplos citados, Lindbergh mencionou propostas relacionadas às terras raras brasileiras, à Petrobras e a ativos considerados estratégicos para o desenvolvimento nacional.

“Eles querem entregar o Brasil, entregar terras raras, privatizar a Petrobras.”

Para o deputado, esse debate deve ocupar posição central na campanha eleitoral, pois envolve temas que ultrapassam a disputa partidária e dizem respeito ao modelo de desenvolvimento do país.

Lindbergh também relacionou essa discussão às recentes tensões comerciais envolvendo os Estados Unidos. Segundo ele, medidas econômicas adotadas por Washington reforçam a necessidade de o Brasil defender sua autonomia nas negociações internacionais.

Na avaliação do parlamentar, a defesa da soberania nacional precisa caminhar ao lado da defesa dos direitos sociais. Por isso, ele afirma que temas como a PEC pelo fim da escala 6×1 também deverão integrar o centro do debate eleitoral.

“O nosso discurso tem que ser a defesa do Brasil e a defesa dos trabalhadores.”

Segundo Lindbergh, enquanto o governo Lula aposta na ampliação da renda, na valorização do salário mínimo e em políticas voltadas ao mercado interno, o projeto representado pelo bolsonarismo defenderia mudanças nas relações de trabalho que reduziriam a proteção aos trabalhadores.

O deputado afirmou que propostas defendidas por lideranças da oposição, como remuneração por hora trabalhada, podem comprometer direitos atualmente assegurados pela legislação trabalhista.

Na sua avaliação, a eleição presidencial deverá opor dois projetos distintos: um baseado na preservação da soberania nacional e na ampliação de políticas sociais; outro, segundo ele, marcado pela aproximação com interesses externos e pela redução de direitos trabalhistas.

Ao defender essa linha de campanha, Lindbergh afirmou que o governo deve concentrar esforços em temas que dialogam diretamente com o cotidiano da população e com a defesa dos interesses nacionais diante do cenário internacional.

<>Burrice de Paulo Figueiredo e dos irmãos Bolsonaro pariu o tariFlávio. Por Chico Alves

Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo tinham um plano.

Com o fracasso da tentativa de golpe de Estado e Jair preso, pretendiam dar uma forcinha para eleger o filho zero um a presidente.

Para isso, Paulo-neto-de-ditador resolveu usar a proximidade com Donald Trump, de quem foi sócio em um desastroso empreendimento imobiliário no Brasil (causador de prejuízo milionário para fundos de previdência).

A ideia era mostrar que Flávio Bolsonaro é o preferido do ex-sócio e presidente dos Estados Unidos para vencer a eleição brasileira deste ano. Ao mesmo tempo, Paulo e Eduardo fizeram lobby para que o governo Trump mostrasse como detesta Lula.

Achavam que os brasileiros seriam tão sabujos quanto eles e se ajoelhariam aos pés do Laranjão, fazendo suas vontades.

Flávio Bolsonaro gostou do plano. Desde que foi escolhido pelo pai para concorrer com Lula viajou várias vezes aos Estados Unidos para mostrar intimidade com o homem da Casa Branca, suou para conseguir foto de fã ao lado dele, etc…

O resultado veio agora: tarifaço.

Não bastasse rachadinha, milícia, mansão comprada com dinheiro vivo, Vorcaro, briga com a madrasta, foto com Sicário… Flávio agora tem também que lidar com o fato de ser reconhecido no Brasil como o homem que pediu a Trump para impor o tarifaço ao próprio país.

Na última hora, pediu que a majoração de tarifas fosse adiada para depois da eleição. Obviamente não conseguiu.

O governo dos EUA oficializou o absurdo nesta quinta-feira (16).

Pesquisa Quaest mostra que 51% dos brasileiros concordam com a opinião de Lula, de que o zero um de Bolsonaro é o responsável pelas tarifas impostas por Trump. Somente 30% apoiam Flávio.

Enquanto Lula fez o dever de casa na economia, criando o Desenrola, a isenção de Imposto de Renda para quem ganha menos de R$ 5 mil, crédito para motoristas de aplicativos e outras iniciativas eficazes, Flávio achou legal seguir o plano da dupla caipira Paulo Figueiredo e Eduardo.

Por enquanto não parece estar dando certo.

Na última pesquisa para presidente, Lula aparece 8 pontos à frente do presidenciável do PL no segundo turno. A boca do jacaré está abrindo.

Mas volte a consultar seus mentores, Flávio.

Talvez Paulo-neto-de-ditador e Eduardo tenham um novo plano.

 

Fonte: Por Reinaldo Azevedo, no Metrópoles/Brasil 247/ICL Notícias

 

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