segunda-feira, 20 de julho de 2026

Delírio! Flávio Bolsonaro diz que vai subir rampa do Planalto com golpistas do 8 de janeiro caso seja eleito

O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou neste sábado (18) que, caso seja eleito em 2026, pretende subir a rampa do Palácio do Planalto acompanhado de pessoas que participaram dos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. A declaração foi feita durante o encontro estadual do PL no Espírito Santo, em Vitória.

Em seu discurso, Flávio voltou a defender a concessão de anistia aos condenados pelos ataques às sedes dos Três Poderes e fez uma projeção para uma eventual posse presidencial em 2027. “Alguns inocentes, tem alguns aqui, serão anistiados e vocês vão subir a essa rampa junto comigo”, declarou o senador.

Na sequência, o parlamentar reforçou sua expectativa eleitoral ao afirmar: “Vai ter Bolsonaro subindo a rampa do Palácio do Planalto em 2027.”

A declaração faz referência à cerimônia de posse presidencial. Em 1º de janeiro de 2023, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva rompeu o protocolo tradicional ao subir a rampa do Palácio do Planalto acompanhado de representantes de diferentes segmentos da sociedade brasileira, simbolizando a diversidade da população.

<><> Flávio critica Alexandre de Moraes

Durante o evento em Vitória, Flávio Bolsonaro também direcionou críticas ao ministro Alexandre de Moraes, relator das ações relacionadas aos ataques de 8 de janeiro.

O senador comentou a decisão que restringiu seu contato com o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. A medida foi tomada após Flávio divulgar nas redes sociais uma carta atribuída ao pai, na qual o ex-presidente reiterava apoio político ao filho.

Depois da publicação do documento, Moraes proibiu Flávio de visitar Jair Bolsonaro por 90 dias. Em decisão divulgada na sexta-feira (17), o ministro manteve restrições às visitas, autorizando, durante 30 dias, apenas a entrada de médicos, fisioterapeutas e advogados.

Ao comentar a decisão judicial, Flávio afirmou que não pretende mudar sua postura. “Eu não vou abaixar a cabeça e nem me intimidar, vai me dar mais força porque aqui tem sangue de Bolsonaro nessa porra. Não vou abaixar a cabeça para tirano nenhum”, declarou o senador durante o encontro do PL no Espírito Santo.

•        Restrições a Bolsonaro complicam reta final da campanha de Flávio

A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de proibir encontros com finalidade político-eleitoral entre o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados até o fim das eleições provocou preocupação entre integrantes da pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Nos bastidores, a avaliação é que a medida pode afetar a coordenação política do partido justamente na fase decisiva de preparação para as convenções.

Segundo informações publicadas pelo jornal O Globo, interlocutores de Flávio afirmam que Bolsonaro desempenhava papel central na resolução de impasses internos, na condução de negociações e na definição de estratégias para a campanha presidencial. Com as novas restrições impostas pelo STF, aliados acreditam que o PL precisará reorganizar a forma de conduzir essas articulações.

Embora parte dos acordos estaduais já tenha sido encaminhada, lideranças do partido avaliam que o período imediatamente anterior às convenções concentra as decisões mais delicadas sobre candidaturas, alianças e formação dos palanques. Das 27 unidades da Federação, ainda existem pendências em dez estados. De acordo com aliados, Bolsonaro permanecia como principal referência para a definição desses impasses, e sua impossibilidade de participar de reuniões políticas altera a dinâmica da campanha.

<><> Aval do ex-presidente era aguardado para decisões finais

Reservadamente, integrantes da campanha afirmam que diversas decisões ainda dependiam do aval do ex-presidente antes de serem oficializadas. A expectativa era de que Bolsonaro acompanhasse a etapa final das negociações antes das convenções partidárias, cuja reunião nacional está marcada para o próximo dia 25.

A manifestação pública da campanha ocorreu por meio do coordenador da pré-campanha de Flávio Bolsonaro, o senador Rogério Marinho (PL-RN). Em nota divulgada neste sábado, ele classificou a decisão de Alexandre de Moraes como “extravagante, inusitada e sem precedentes” e afirmou que o ministro estaria transformando “medidas judiciais em instrumentos de silenciamento político” ao restringir o contato de Bolsonaro com familiares e limitar sua comunicação com a sociedade.

Na sexta-feira, Moraes manteve a prisão domiciliar humanitária de Bolsonaro, mas endureceu as medidas cautelares após concluir que o ex-presidente descumpriu determinações judiciais ao elaborar uma carta de apoio à pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. O documento foi posteriormente lido pelo senador durante um evento político.

<><> Restrições atingem visitas e manifestações políticas

Na nova decisão, Alexandre de Moraes suspendeu por 30 dias as visitas sociais ao ex-presidente, preservando apenas atendimentos médicos, sessões de fisioterapia e encontros com advogados.

Além disso, determinou que, até o encerramento das eleições, Bolsonaro está proibido de receber visitas com finalidade político-eleitoral e de divulgar manifestos políticos, inclusive por intermédio de terceiros.

Na avaliação de aliados, as restrições dificultam a atuação política direta do ex-presidente justamente no período considerado mais sensível para a definição das estratégias eleitorais do partido.

<><> Michelle ganha espaço na interlocução com Bolsonaro

Além dos impactos sobre a organização da campanha, interlocutores de Flávio avaliam que a decisão também tende a ampliar a influência da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro na interlocução com o ex-presidente.

Segundo esses aliados, Michelle deverá concentrar uma parcela ainda maior do contato cotidiano com Bolsonaro, já que os filhos também passaram a enfrentar limitações para visitá-lo. Em razão da carta de apoio à pré-candidatura presidencial, Flávio Bolsonaro está impedido de se reunir com o pai pelos próximos 90 dias. Carlos Bolsonaro e Jair Renan poderão retomar as visitas após o período de 30 dias correspondente à suspensão das visitas sociais.

O primeiro reflexo dessa nova dinâmica ocorreu neste sábado. Michelle deixou de participar de um evento promovido pela vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), em Ceilândia, para permanecer ao lado do marido. Sua presença havia sido confirmada antes da decisão que endureceu as restrições impostas pelo ministro Alexandre de Moraes.

<><> Tensão familiar coincide com mudanças na campanha

O fortalecimento do papel de Michelle ocorre em um momento de desgaste na relação entre ela e Flávio Bolsonaro. Nas últimas semanas, a troca pública de declarações aprofundou a tensão entre madrasta e enteado.

Michelle publicou vídeos afirmando ter sido “humilhada” por Flávio Bolsonaro. Em resposta, o senador declarou publicamente que não mantém mais relação com a ex-primeira-dama.

Na avaliação de interlocutores da campanha ouvidos por O Globo, a nova configuração imposta pelas restrições judiciais altera não apenas a forma de condução das articulações políticas do PL às vésperas das convenções, mas também reforça o papel de Michelle Bolsonaro como principal elo entre o ex-presidente e seu entorno político.

•        Zema promete venda da Petrobras e do Banco do Brasil caso seja eleito

O pré-candidato do Novo à Presidência da República, Romeu Zema, afirmou neste sábado (18) que, caso seja eleito, pretende privatizar a Petrobras e o Banco do Brasil, destinando os recursos obtidos com a venda das estatais para investimentos em infraestrutura em todo o país. A declaração foi feita durante o 10º Encontro Nacional do partido, realizado em São Paulo.

Ao apresentar o que classificou como a terceira missão de um eventual governo, Zema afirmou que a privatização das empresas públicas seria um dos pilares de sua estratégia econômica.

“Vamos começar privatizando a Petrobras e o Banco do Brasil. E não é para pagar as contas de Brasília, mas para construir o futuro do Brasil. Esse dinheiro vai virar estradas, ferrovias, hidrovias, portos pelo país inteiro. Hoje o Brasil produz como um gigante, mas ainda transporta a sua riqueza como um país atrasado”, declarou.

Segundo o governador de Minas Gerais, a proposta faz parte de um plano voltado para “virar a chave do crescimento e da prosperidade”. De acordo com Zema, seu objetivo seria reduzir os gastos públicos, diminuir a dívida do país e criar condições para a redução das taxas de juros como forma de impulsionar a economia.

<><> Declarações sobre cotas e educação

Zema também direcionou críticas às políticas de cotas e ao que chamou de “doutrinação progressista nas escolas”. Em sua fala, afirmou:

“O Brasil não aguenta mais 4 anos de políticas de cotas que enxergam primeiro a cor da pele e só depois a cor das pessoas. De doutrinação progressista nas escolas. De um governo que reduz a nossa família cristã a uma caricatura do atraso e da ignorância.”

<><> Propostas para segurança pública

Na área da segurança pública, o pré-candidato apresentou um conjunto de medidas voltadas ao combate ao crime organizado. Entre elas, defendeu que facções criminosas passem a ser classificadas como organizações terroristas.

Além disso, afirmou que pretende utilizar as Forças Armadas em ações para retomada de territórios dominados por organizações criminosas e estabelecer pena mínima de 25 anos para crimes praticados por integrantes dessas facções.

<><> Ataques ao STF

Zema também voltou a fazer críticas a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), citando nominalmente Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes.

Durante o evento, afirmou que pretende trabalhar para formar maioria no Senado com o objetivo de aprovar um processo de impeachment contra Alexandre de Moraes.

O pré-candidato ainda defendeu mudanças na estrutura do Judiciário, entre elas o fim das decisões monocráticas no STF, a extinção do foro privilegiado e a proibição de que parentes de ministros atuem como advogados perante os tribunais em que esses magistrados exercem suas funções.

•        Zema honra seu reacionarismo ao desprezar patrimônio histórico mineiro. Por Paulo Henrique Arantes

Romeu Zema, cujo potencial eleitoral para a Presidência da República alcança a estupenda marca de 3%, consagra-se como modelito acabado do reacionário disfarçado de empreendedor, aquele que vê o Estado como inimigo da iniciativa privada, chama higienismo de meritocracia e, como provado agora, despreza qualquer coisa que lembre arte, história ou cultura.

Parte do acervo do Palácio das Mangabeiras escafedeu-se, não se conhece o paradeiro, como noticiado. Há uma investigação da Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa de Minas Gerais em curso, pois sumiram obras de arte, móveis, pratarias, louças, equipamentos e livros que integravam a antiga residência oficial dos governadores mineiros. O governo de Minas Gerais diz que nada desapareceu, que está tudo catalogado, que muita coisa foi transferida para outros órgãos públicos. Parlamentares contestam a versão. O Tribunal de Contas do Estado investiga.

O que Romeu Zema, governador até outro dia, disse sobre o caso? Para o cínico neoliberal, qualquer perda com “móveis velhos” seria compensada pela economia decorrente do fato de ele não ter residido, enquanto governador, na residência oficial.

A visão argentária sobre valores culturais é uma das marcas dessa gente.

Peças que integram palácios oficiais possuem valor histórico, artístico e memorial intangível, que não pode ser monetizado ou reduzido à noção de utilidade comercial ou “velharia”, sabem os civilizados. Mas posturas como a de Zema são comuns entre os políticos de direita no Brasil e no mundo.

A desativação de palácios históricos e a dispersão de seus acervos costumam ser promovidas sob a bandeira do “combate a privilégios e mordomias” por governantes de direita. Embora o corte de gastos públicos seja uma política em certa medida legítima, nada justifica a descaracterização de monumentos e a perda do controle rastreável sobre a memória coletiva de um Estado.

Os representantes da elite do atraso, enraizados no Poder, não hesitam em destruir patrimônios culturais. Recorde-se o que fez João Doria quando aboletado no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista: a madeira de lei centenária de seu mobiliário foi simplesmente laqueada de preto – um horror. Paredes, portas, lambris e tetos de salões importantes – como a Sala dos Pratos e o Salão dos Despachos – foram totalmente cobertos com tintas preta e cinza.

A aplicação direta de tinta escura escondeu a textura natural e os entalhes de móveis antigos e adornos históricos. Até mesmo brasões do Estado de São Paulo foram pintados. A tradicional mesa de reuniões principal – onde este jornalista cobriu nos anos 80 e 90 inúmeros eventos oficiais e entrevistas do governador – foi substituída por um tampo preto. Carpetes escuros foram instalados sobre os pisos originais. Além disso, diversas peças históricas foram removidas dos ambientes.

O atentado à história paulista custou cerca de R$ 2 milhões aos cofres públicos.

Nem se fale do que Jair Bolsonaro foi capaz de realizar contra a cultura nacional. A pura e simples extinção do Ministério da Cultura é emblemática, e junto com ela vieram inúmeras demonstrações de desapreço pela história e pela arte. Vale lembrar que, num evento público, o capitão declarou ter “ripado” – demitido – a direção do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) após o órgão paralisar a construção de uma unidade da rede Havan, lojão cafona daquele “véio” bolsonarista, que se erguia sobre vestígios arqueológicos.

Sob Bolsonaro, o Conselho Consultivo do Iphan ficou quase dois anos sem realizar reuniões. Essa estagnação paralisou dezenas de processos de proteção ao patrimônio histórico em todo o país. Houve cortes contínuos de recursos destinados à manutenção, ao restauro e à fiscalização de acervos. A redução orçamentária do Instituto foi da ordem de 70%.

Zema, Doria, Bolsonaro e outros cumpriram à risca a cartilha da direita global, dos neoliberais idólatras de Margaret Thatcher. O que a Dama de Ferro fez no Reino Unido foi devastador para a cultura. Ela extinguiu o órgão público que cuidava dos reparos prediais dos museus (Property Services Agency) e repassou essa obrigação para as próprias instituições sem lhes dar os recursos necessários. Jornais da época relatavam tetos com goteiras, salas fechadas por falta de segurança, infiltrações ameaçando acervos e uma severa perda de funcionários técnicos essenciais para a conservação das peças.

Ao editar o National Heritage Act, 1983, o governo Thatcher retirou monumentos e castelos históricos do controle direto dos ministérios e criou a English Heritage, cujo objetivo real era “cortar o cordão umbilical do orçamento público”. Os monumentos físicos passaram a ser geridos sob uma lógica de “marketing territorial”, transformados estritamente em atrações turísticas que precisavam vender souvenirs, ingressos caros e eventos corporativos para não fecharem as portas.

 

Fonte: Brasil 247

 

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