segunda-feira, 20 de julho de 2026

Seu pai ou avô vive reclamando de frio? Entenda por que os idosos sentem mais frio que os jovens

Se você convive com uma pessoa idosa, provavelmente já ouviu a reclamação de que está frio enquanto todo mundo na casa parece confortável. A diferença na percepção da temperatura não é exagero nem "mania da idade". Ela tem explicação científica. Segundo o geriatra Bruno Vial, da Said Rio, o envelhecimento provoca mudanças naturais no organismo que reduzem a capacidade do corpo de conservar calor e dificultam a adaptação às baixas temperaturas.

Entre essas alterações estão a perda de massa muscular e de gordura corporal — importantes para manter o calor —, além da redução da circulação sanguínea nas extremidades. Como consequência, o corpo perde calor mais rapidamente e demora mais para recuperar a temperatura ideal. "Com o envelhecimento, há uma desaceleração do metabolismo e uma menor eficiência dos mecanismos de termorregulação. Isso faz com que o idoso demore mais para perceber e reagir às mudanças de temperatura, ficando mais vulnerável ao frio", explica o médico.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera as pessoas idosas um dos grupos mais vulneráveis às complicações provocadas pelas baixas temperaturas. Entre os principais riscos estão infecções respiratórias, agravamento de doenças cardiovasculares e aumento das internações durante o inverno.

Além das mudanças naturais do envelhecimento, outros fatores também podem aumentar a sensação de frio. O uso de alguns medicamentos, a redução da atividade física e doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, podem comprometer a circulação e alterar a sensibilidade do organismo. Outro ponto de atenção, segundo o especialista, é que muitos idosos demoram mais para perceber a queda da temperatura, o que pode atrasar medidas de proteção.

<><> Como proteger os idosos no frio

Especialistas recomendam alguns cuidados simples para reduzir os riscos durante o inverno:

•        manter os ambientes aquecidos;

•        usar roupas em camadas;

•        manter uma boa hidratação;

•        adotar uma alimentação equilibrada;

•        evitar banhos muito quentes, que podem provocar queda de pressão;

•        manter uma rotina de movimentação leve para estimular a circulação.

Segundo o geriatra, familiares e cuidadores têm papel importante na prevenção de complicações, principalmente entre idosos com doenças crônicas ou mobilidade reduzida. "O acompanhamento e os cuidados diários ajudam a reduzir os riscos e contribuem para que o idoso atravesse o inverno com mais segurança e qualidade de vida", afirma.

•        O que o inverno tem a ver com a queda de cabelo? Entenda essa relação

Com a chegada do inverno, aumentam os casos de influenza, Covid-19 e outras infecções respiratórias. Além dos sintomas gripais típicos, essas doenças podem causar efeitos no organismo meses após a cura. Entre eles, uma queda mais intensa de cabelo.

“A relação entre inverno e queda capilar não é tão simples. Alguns estudos sugerem que pode haver uma variação sazonal do ciclo capilar, com maior proporção de fios entrando na fase de queda em determinados períodos do ano”, relata a dermatologista e tricologista Bárbara Miguel, do Einstein Hospital Israelita.

Diversos fatores biológicos e ambientais atuam em conjunto para que isso ocorra — a queda da temperatura, por si só, não faz o cabelo cair. Durante e após uma infecção, o organismo pode entrar em estado inflamatório intenso, capaz de desregular o ciclo natural dos folículos capilares. Como consequência, muitos fios interrompem precocemente sua fase de crescimento e passam para a fase de queda, em um quadro conhecido como eflúvio telógeno, uma das causas mais comuns de perda temporária de cabelo.

“É como se o organismo sinalizasse aos fios que seu crescimento não é a prioridade naquele momento de muito estresse metabólico”, explica a dermatologista Natalia Cymrot, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia Regional São Paulo (SBD-SP). A Covid-19, por exemplo, é uma das infecções com potencial de causar intensa inflamação no organismo. “Outras infecções sistêmicas que causam inflamação também cursam frequentemente com eflúvio telógeno, como influenza ou infecções bacterianas”, diz.

Um dos aspectos que mais confundem é o intervalo entre a infecção e o início da queda dos fios. Na maioria dos casos, o problema não aparece durante a doença, mas algum tempo depois. “A queda geralmente começa três meses após a infecção, período correspondente ao tempo necessário para os folículos completarem a transição para a fase de queda. Por ocorrer meses após a recuperação da doença, muitos pacientes não fazem imediatamente essa associação”, explica Bárbara Miguel.

Muitas vezes, é apenas durante a consulta médica que o evento desencadeante é identificado. Em infecções mais graves, a queda pode surgir um pouco mais cedo. Ainda assim, o mais comum é que o paciente perceba a perda de fios entre dois e quatro meses depois da doença.

<><> Problema temporário

Embora a situação costume causar preocupação em quem está com queda de cabelo, o eflúvio telógeno é, na maior parte das vezes, transitório. A queda costuma durar entre três e seis meses e a recuperação ocorre gradualmente. “Na maioria dos casos, o mais importante é aguardar a normalização do ciclo capilar. O eflúvio telógeno pós-infeccioso costuma ser autolimitado”, afirma a médica do Einstein.

O tratamento foca em identificar e corrigir fatores que possam prolongar ou agravar o quadro, como deficiência de ferro, alterações nutricionais, distúrbios hormonais ou outras doenças associadas. A recuperação do volume dos cabelos, no entanto, costuma ser mais demorada, porque os fios precisam voltar a crescer, o que pode levar até um ano.

Procure avaliação especializada se a queda persistir por muitos meses, quando houver redução progressiva do volume, afinamento dos fios, surgimento de falhas localizadas ou sinais inflamatórios no couro cabeludo.

Nesses casos, outras causas podem estar envolvidas, como alopecia androgenética, alopecia areata, alterações hormonais ou deficiências nutricionais. “Nem toda queda de cabelo é um eflúvio telógeno. O diagnóstico correto permite diferenciar uma queda transitória de condições que exigem tratamento específico e acompanhamento a longo prazo”, conclui Bárbara Miguel.

 

Fonte: Correio 24 horas 

 

Nenhum comentário: