Novo
tratamento reduz em 60% o risco de retorno do câncer
O
câncer de bexiga continua entre os principais desafios da oncologia mundial.
Segundo estimativas internacionais, mais de 614 mil novos casos são
diagnosticados todos os anos, tornando a doença o nono tipo de câncer mais
comum no planeta.
Em
cerca de 30% dos pacientes, o tumor é identificado na forma músculo-invasiva,
considerada mais agressiva porque invade a camada muscular da bexiga e
apresenta maior risco de disseminação. Nesses casos, o tratamento
frequentemente exige a retirada cirúrgica do órgão.
Mesmo
após a cirurgia, aproximadamente metade dos pacientes pode apresentar
recorrência da doença, o que torna a busca por terapias mais eficazes uma
prioridade para especialistas.
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Resultados apresentados na ASCO 2026
Os
novos dados foram apresentados durante a ASCO 2026, um dos maiores encontros
mundiais da área de oncologia. A Pfizer Brasil destacou resultados de dois
estudos de fase 3:
• KEYNOTE-905/EV-303 - voltado para
pacientes com câncer de bexiga músculo-invasivo;
• EV-302/KEYNOTE-A39 - focado em pacientes
com câncer urotelial localmente avançado ou metastático.
Ambos
avaliaram a combinação de PADCEV com pembrolizumabe.
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Redução de 60% no risco de recorrência
O
estudo KEYNOTE-905/EV-303 incluiu pacientes que não podiam receber
quimioterapia com cisplatina ou optaram por não utilizá-la.
Nesse
grupo, a combinação de enfortumabe vedotina e pembrolizumabe foi administrada
antes da cirurgia (tratamento neoadjuvante) e continuada após o procedimento
(tratamento adjuvante).
Os
resultados mostraram redução de aproximadamente 60% no risco de recorrência,
progressão ou morte e redução de cerca de 50% no risco de morte quando
comparados à cirurgia isolada.
Após
dois anos, 74,7% dos pacientes tratados com a combinação permaneciam livres de
eventos relacionados à doença, enquanto no grupo submetido apenas à cirurgia
esse percentual foi de 39,4%.
O
estudo também registrou taxa de resposta patológica completa de 57%, contra
aproximadamente 9% no tratamento baseado somente na cirurgia.
Além da
eficácia, os pesquisadores relataram que o benefício foi alcançado sem impacto
clinicamente relevante na qualidade de vida dos participantes.
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Sobrevida mais que dobra na doença avançada
Já o
estudo EV-302/KEYNOTE-A39 avaliou 886 pacientes com carcinoma urotelial
localmente avançado ou metastático que ainda não haviam recebido tratamento
sistêmico.
Com
acompanhamento mediano de 42,8 meses, a combinação de enfortumabe vedotina com
pembrolizumabe apresentou sobrevida global mediana de 33,6 meses, enquanto os
pacientes tratados com quimioterapia baseada em platina tiveram 15,9 meses.
As
taxas estimadas de sobrevida em 42 meses foram de 44% no grupo da combinação e
24,6% no grupo da quimioterapia.
Os
dados também mostraram taxa de resposta objetiva de 67,5% com a combinação, em
comparação com 44,2% com quimioterapia, além de resposta completa em 30,4% dos
pacientes, contra 14,5% no tratamento padrão.
Entre
os pacientes que alcançaram resposta completa, a taxa estimada de sobrevida em
42 meses ultrapassou 83%, indicando uma resposta profunda e duradoura em parte
dos casos.
Especialista
destaca impacto dos resultados.
“Os
resultados apresentados nos estudos EV-303 e EV-302 reforçam o potencial da
combinação de enfortumabe vedotina com pembrolizumabe em diferentes etapas da
jornada do câncer urotelial, desde a doença músculo-invasiva até o cenário
localmente avançado ou metastático. São dados que ampliam a discussão
científica sobre novas possibilidades terapêuticas com potencial de impactar
desfechos relevantes para os pacientes”, afirma Adriana Ribeiro, diretora
médica da Pfizer Brasil.
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O que é o câncer urotelial?
O
câncer urotelial é o tipo mais comum de câncer de bexiga. Ele se desenvolve nas
células que revestem o interior do trato urinário e pode atingir a bexiga,
ureteres e parte da uretra.
Os
principais fatores de risco incluem tabagismo, exposição ocupacional a
substâncias químicas, idade avançada, histórico familiar e inflamações crônicas
da bexiga.
Sangue
na urina, dor ao urinar e aumento da frequência urinária estão entre os
sintomas mais comuns.
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Aprovação no Brasil
No
Brasil, a combinação de PADCEV com pembrolizumabe já possui aprovação da Anvisa
para pacientes adultos com câncer urotelial localmente avançado ou metastático.
O uso
perioperatório da combinação em pacientes com câncer de bexiga músculo-invasivo
inelegíveis à cisplatina também recebeu aprovação recente para essa população.
Fonte:
A Tarde

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