Flávio
Bolsonaro: “Estancar Michelle”? Chamem-se Lacan e Santa Lee ou a Polícia?
Não sei
se o melhor é evocar o espírito de Lacan — procurem depois os que eventualmente
não souberem quem é — ou chamar a Polícia. Deixo para a o escrutínio de
Michelle Bolsonaro. Não deve ser do tipo que nutre grande apreço pela
psicanálise. Então restaria a alternativa…
Na
entrevista que concedeu ao Flow na quarta, Flávio afirmou a Igor 3K que sua
relação hoje com a madrasta é nenhuma — não parece que as dissensões entre
ambos sejam mero jogo de cena, embora ninguém ali seja “progressista”, claro! —
e recorreu a um verbo no mínimo, para dizer pouco, “raro” quando se trata de
pessoas de quem se diverge: “Ainda mais ela [Michelle] sendo a esposa do meu
pai, que eu sempre respeitei… Que, se não fosse, certamente, acho que não teria
chegado nesse ponto. A gente teria estancado antes…”
Eu
invoquei, obviamente, com o verbo “estancar’. O que quer dizer “estancar uma
pessoa”? Adoro dicionários, eu os coleciono, até os mais esquisitos. Mas aqui
fico no Houaiss, que se acessa nas redes. Estancar? Como assim? “Fazer parar,
deter, esgotar, secar, exaurir, pôr fim, extinguir”?
É a
hipótese policial. E, nesse caso, note-se: ela só não teria dançado porque é da
família.
Ainda
não se teria atingido por ali o grau, vamos dizer, de profissionalismo com que
Michael Corleone (Al Pacino, brilhante!), em “O Poderoso Chefão II”, manda matar (“cancelar o CPF”, falam os
milicianos da Zona Oeste do Rio) o irmão Fredo (John Cazale) porque este era
meio abobado e poderia fragilizar a “famiglia”. Michael depois experimenta os
próprios métodos na Parte III…
A
PSICANÁLISE DE SANTA RITA LEE
Mas me
ocorreu hoje, enquanto estava no ar, uma outra hipótese, que não fica bem para
Flávio. Vou sacanear os meus amigos lacanianos. Estivesse eu numa sessão dessa
vertente da psicanálise e tivesse percebido a coisa com a rapidez com que pode
ter acontecido, e a dita cuja não duraria mais do que dois minutos, mas com
preço cheio: pode não ter sido uma ameaça, mas outra manifestação de misoginia
— e aí inconsciente mesmo.
“Estancar”???
É verbo que também se emprega para designar contenção do sangue. Que “lapsus
linguae” espetacular o de Flávio! O ódio à mulher nesse universo é tal que já
virou uma linguagem do inconsciente. É preciso conter, e cantou Santa Rita Lee,
o “bicho esquisito” que “todo mês sangra”.
Tomara
que seja um caso de chamar Lacan e Rita, não a Polícia. Michelle estaria ao
menos mais segura. Ainda que não acredite na psicanálise e na Santa Lee.
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“Estancar” Michelle; entenda a gíria
O
senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ)
afirmou que a crise envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro poderia
ter sido “estancada”, caso ela não fosse casada com seu pai, o ex-presidente
Jair Bolsonaro. A declaração foi feita durante entrevista concedida ao Flow
Podcast na última quarta-feira (15).
A
expressão “estancar” é usada entre a facções do Rio de Janeiro para executar
alguém por ordem do tribunal do tráfico. A gíria usada por Flávio caiu como uma
bomba nas redes sociais.
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O contexto
Ao
comentar o episódio, Flávio disse que optou por não assistir aos vídeos
publicados por Michelle para evitar ser influenciado pelo conteúdo.
“Não
assisti ao vídeo dela, sinceramente. Vi o teor e preferi nem assistir para não
me influenciar. Ninguém esperava isso, não tem lógica, não tem jogo político”,
afirmou.
Na
sequência, o senador declarou que a relação familiar pesou na forma como
conduziu o conflito.
“Não
tem muita lógica… Ainda mais ela sendo a esposa do meu pai, que eu sempre
respeitei. Porque, se não fosse, certamente, eu acho que não teria chegado
nesse ponto, a gente teria estancado antes.”
Durante
a entrevista, Flávio também revelou que não mantém mais qualquer relação com
Michelle Bolsonaro e reiterou que evitou assistir às manifestações públicas da
ex-primeira-dama para, segundo ele, “não se contaminar”.
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Entenda a crise
O
desentendimento entre os dois veio a público após Michelle Bolsonaro divulgar
vídeos em que acusa Flávio de tê-la desrespeitado e humilhado durante uma
ligação telefônica. O conflito teria sido motivado por divergências em torno de
articulações políticas e da divisão de palanques do Partido Liberal (PL) no
Ceará.
• Rovai: Flávio Bolsonaro diz que Michelle
não é “fiel” ao pai
á
palavras que escapam.
E há
palavras que são escolhidas justamente porque permitem transmitir mais de uma
mensagem ao mesmo tempo. Flávio Bolsonaro disse que Michelle não está sendo
“fiel” ao líder do projeto político da família, ou seja, ao seu pai, Jair
Bolsonaro.
Ele
poderia ter dito que Michelle não está sendo leal.
Poderia
ter afirmado que ela não está sendo correta com Bolsonaro. Que estaria agindo
de forma independente. Que não estaria seguindo uma orientação política. Ou até
que estaria contrariando o líder do grupo.
Mas
Flávio escolheu a palavra “fiel”. O que existe é uma insinuação construída pela
escolha de uma palavra que, no universo da quinta série bolsonarista, possui um
duplo sentido evidente.
E
Flávio não é bobo nesse jogo.
Não se
trata apenas de grosseria. É um método político.
Mas a
frase também revela algo maior.
A
disputa dentro do bolsonarismo está ficando cada vez mais explícita.
Michelle
já não parece disposta a ocupar apenas o papel de esposa obediente, chamada
para discursar quando interessa ao projeto familiar e mandada de volta para
casa quando demonstra vontade própria.
Ela
possui capital político, interlocução com setores importantes da direita e
capacidade de mobilização. E isso, evidentemente, incomoda os filhos de
Bolsonaro.
É por
isso que a escolha da palavra “fiel” ganha tanta força.
Ela
serve como advertência política e, ao mesmo tempo, como agressão pessoal.
O
bolsonarismo age assim com jornalistas, adversárias e até mesmo com mulheres
que fazem parte de seu próprio campo político.
Quando
surge uma reportagem incômoda (como a foto de Flávio com o “Sicário” de Daniel
Vorcaro”), em vez de responder aos fatos, seus aspones atacam quem publicou a
informação. Questionam a jornalista, mobilizam influenciadores e acionam sua
tropa de choque digital.
A
misoginia não é um acidente dentro desse movimento. Ela é parte de sua
linguagem e de sua forma de fazer política. Agora, o mesmo método parece estar
sendo utilizado dentro da própria família.
A
grande questão é saber como Michelle reagirá.
Porque
a fala de Flávio não foi apenas um comentário sobre lealdade política. Foi uma
tentativa de marcar território na disputa pelo controle do espólio eleitoral de
Jair Bolsonaro.
• Aliados sugerem que Flávio peça ajuda de
Milei contra tarifaço. Por Igor Gadelha
Aliados
de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sugeriram ao senador que peça ajuda ao presidente
da Argentina, Javier Milei, para tentar reverter o tarifaço de 25% sobre
produtos brasileiros, anunciado pelos Estados Unidos.
A
leitura desse grupo de bolsonaristas é que, por ser o principal chefe de Estado
da direita na América do Sul, Milei teria condições de interceder pelo Brasil
perante o presidente Donald Trump.
Na
avaliação desses aliados de Flávio, Milei poderia usar seu prestígio político
para tentar convencer Trump a recuar do tarifaço, sob o argumento de que a
medida pode prejudicar a eleição do primogênito de Jair Bolsonaro.
Para
bolsonaristas, o timing da Copa do Mundo poderia facilitar o contato de Milei
com Trump. A Argentina disputará a final do torneio contra a Espanha no domingo
(19/7), o que colocará o país no centro
das atenções.
A
avaliação dessa ala do bolsonarismo é que Flávio precisa reagir de todas as
formas possíveis para tentar reverter o tarifaço e, dessa forma, diminuir o
estrago político que a medida trouxe para o senador.
Pesquisa
Quaest divulgada na quinta-feira (16/7) mostrou que a maioria dos brasileiros
atribui a Flávio a responsabilidade pelas novas tarifas impostas pelos Estados
Unidos ao Brasil.
Questionados
sobre quem teria motivado o tarifaço, 51% disseram concordar com a versão do
presidente Lula de que Flávio seria o culpado. Outros 30% afirmaram concordar
com o senador, que culpa o petista.
Por
ora, contudo, Flávio não deu qualquer sinalização a aliados de que pretende
seguir a sugestão de recorrer a Milei. Integrantes da campanha do senador
afirmam que essa não seria uma operação tão fácil.
• Racha na extrema direita leva Michelle
Bolsonaro a se proteger da própria base
crise
política entre Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ganhou
uma dimensão que vai além da disputa familiar e do tabuleiro eleitoral. A
equipe responsável pela segurança da ex-primeira-dama reforçou o esquema de
proteção a ela diante do aumento do risco de hostilidades físicas, possível
repercussão do agravamento dos ataques virtuais que se intensificaram com o
rompimento público entre os dois.
Segundo
pessoas envolvidas no planejamento da segurança ouvidas pelo jornal O Globo, a
decisão de reformular os protocolos foi tomada após meses de monitoramento da
escalada de ofensas nas redes sociais. Entre as medidas adotadas estão o
aumento do efetivo de proteção, a revisão dos protocolos operacionais e das
estratégias utilizadas em deslocamentos e eventos públicos.
A
avaliação da equipe é que os ataques contra Michelle deixaram de ser episódios
isolados para tomarem forma de uma campanha recorrente, alimentada por perfis
dedicados a concentrar publicações ofensivas. O principal temor é o chamado
“efeito copycat”, quando a repetição sistemática de agressões acaba estimulando
novas manifestações semelhantes, inclusive fora do ambiente virtual.
O
histórico recente de violência política no Brasil, segundo os interlocutores,
obriga que qualquer aumento de hostilidade seja tratado de forma preventiva,
mesmo na ausência de ameaça concreta e específica.
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Entrevista de Flávio Bolsonaro
Dentro
desse contexto que a entrevista concedida por Flávio Bolsonaro nesta semana
acendeu um alerta entre os responsáveis pela segurança.
Ao
comentar as rusgas com Michelle, o senador usou uma palavra que repercutiu nas
redes sociais. “Não assisti ao vídeo dela, sinceramente. Vi o teor e preferi
nem assistir para não me influenciar. Ninguém esperava isso, não tem lógica,
não tem jogo político”, afirmou. “Não tem muita lógica… Ainda mais ela sendo a
esposa do meu pai, que eu sempre respeitei. Porque, se não fosse, certamente,
eu acho que não teria chegado nesse ponto, a gente teria estancado antes.”
A
avaliação é que expressões como “estancar”, independentemente da intenção de
quem as usa, podem ser apropriadas por pessoas radicalizadas e funcionar como
gatilho para novos episódios de violência.
O
rompimento entre Michelle e Flávio se aprofundou após a divulgação do vídeo em
que a ex-primeira-dama afirmou ter sido maltratada e humilhada pelo enteado.
Ali, descreveu o episódio em que ela e o senador divergiram sobre aliança com
chapa de Ciro Gomes na eleição do Ceará.
“Eles
me tratam como se eu fosse idiota, como se eu fosse alguém que chegou ontem,
mas eu não sou. Eu sei mais do que eles pensam”, disse. “Ele [Flávio] disse que
seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado
ontem e não entendia nada de política. Diante dessa humilhação, eu disse a ele
que estava tudo bem. Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era
insignificante. E então eu me recolhi. Fiquei na minha e assim permaneço”,
declarou.
Desde
então, o volume de ataques dirigidos a ela nas redes cresceu de forma
significativa. Michelle Bolsonaro não comentou as informações ao jornal O
Globo.
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Michelle estava em grupo de oração quando Bolsonaro deu carta a Flávio
Integrantes
do PL afirmam que Michelle Bolsonaro (PL) não foi avisada previamente sobre a
elaboração e divulgação da carta escrita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e lida pelo senador Flávio Bolsonaro
(PL-RJ) em transmissão ao vivo.
No dia
11 de julho, Flávio apresentou o manuscrito assinado pelo pai. No documento, o
ex-presidente defendeu a união da direita, indicou o filho como pré-candidato
ao Palácio do Planalto e o classificou como seu “porta-voz” na missão de
“resgatar o Brasil”.
Segundo
apurou a coluna, Michelle estava em um grupo de oração durante a elaboração da
carta e só teve acesso ao conteúdo após a transmissão.
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Questão judicial
O
ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, ampliou as
restrições impostas a Bolsonaro e proibiu visitas com finalidade
político-eleitoral até o fim das eleições gerais de 2026. A decisão foi
publicada na noite da sexta-feira (17/7).
Como
punição, o ministro suspendeu por 30 dias o direito de o ex-presidente receber
visitas, com exceção de advogados, médicos e fisioterapeutas. Já Flávio
continuará proibido de visitar o pai por 90 dias, o que o impede de vê-lo antes
das eleições de outubro.
Como
mostrou a coluna Grande Angular, do Metrópoles, Michelle relatou a aliados
preocupação com a divulgação da íntegra do manuscrito.
A
ex-primeira-dama avalia que a iniciativa pode aumentar o risco de uma nova
decisão judicial contra o ex-presidente.
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Bia Kicis e Celina Leão defendem candidatura de Michelle
Durante
o evento de lançamento da pré-candidatura de Celina Leão (PP) como candidata à
reeleição ao Governo do DF, realizado na manhã deste sábado (18/7), em
Brasília, a deputada federal Bia Kicis (PL) e Celina, voltaram a defender a
candidatura de Michelle Bolsonaro (PL) ao Senado Federal.
Celina
Leão afirmou que está “conversando” com a amiga, mas destacou que ainda não há
uma decisão definitiva por parte da ex-primeira-dama.
“Ela
tem esse trabalho pensado. Ela não pode desistir de ficar aqui. Eu sempre
trabalhei para que mulheres participem da política, por maior que seja o
desafio“, disse a governadora do DF.
Já a
deputada Bia Kicis disse que Michelle é pré-candidata ao Senado. “Nossa
primeira-dama Michelle Bolsonaro, pré-candidata também ao Senado, junto comigo,
nós estamos fechadas com a nossa leoa, Celina Leão”, declarou. Bia ainda
defendeu o nome de Flávio Bolsonaro (PL) para a Presidência da República.
“Elegendo Celina Leão para o governo [do DF], elegeremos Flávio Bolsonaro para
a Presidência”, disse.
A
senadora Damares Alves (Republicanos) também estava presente no evento, mas não
falou sobre a possível pré-candidatura de Michelle.
Após a
briga pública com o enteado Flávio Bolsonaro e a saída da presidência do PL
Mulher, surgiram dúvidas sobre futuro eleitoral da esposa do ex-presidente Jair
Bolsonaro. Mas, segundo revelou a coluna na última semana, Michelle indicou que
vai seguir em frente com o projeto inicial.
Segundo
fontes ouvidas pelo Metrópoles, o próprio Bolsonaro teria manifestado
anteriormente o desejo de que a mulher tenha um mandato nos próximos anos.
Fonte:
Por Reinaldo Azevedo, no Metrópoles/Fórum

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