segunda-feira, 20 de julho de 2026

Irã lança forte alerta aos Estados Unidos e ameaça partir para uma “ofensiva total”

O Irã lançou um novo e contundente alerta aos Estados Unidos nesta sexta-feira (17), ao afirmar que poderá entrar em uma “fase ofensiva total” caso os ataques norte-americanos contra o país continuem por mais dois ou três dias. A advertência foi feita por Mohsen Rezai, assessor militar da liderança iraniana e ex-comandante do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica.

Segundo reportagem da RT, Rezai afirmou que, diante da continuidade das operações militares dos Estados Unidos, Teerã poderá abandonar a estratégia de respostas proporcionais e ampliar significativamente o alcance de suas ações.

“Em uma ofensiva em larga escala, o Irã deixará de se limitar a retaliar, e nenhuma fronteira política estará a salvo dos ataques iranianos”, declarou Rezai em comunicado citado pela emissora estatal iraniana IRIB.

A ameaça ocorre em meio a uma nova escalada militar entre os dois países, marcada por ataques dos Estados Unidos contra alvos iranianos, represálias de Teerã contra instalações norte-americanas e pela retomada do bloqueio naval de portos do Irã pelo Comando Central dos Estados Unidos.

<><> Irã promete onda de mísseis e drones

Rezai advertiu diretamente as forças norte-americanas presentes no Oriente Médio e afirmou que elas deverão se preparar para enfrentar uma ofensiva de grandes proporções.

De acordo com o assessor iraniano, os Estados Unidos “deveriam esperar uma onda de mísseis e drones iranianos” caso Washington mantenha suas operações militares pelos próximos dias.

A declaração sinaliza uma possível mudança na postura militar de Teerã. Em vez de limitar suas ações a respostas pontuais contra alvos relacionados aos ataques norte-americanos, o Irã poderia expandir a ofensiva para bases, embarcações e outras instalações dos Estados Unidos na região.

As autoridades iranianas afirmam que suas ações são uma resposta às agressões e às violações de compromissos anteriormente assumidos por Washington. O governo norte-americano, por sua vez, apresenta seus ataques como medidas destinadas a reduzir a capacidade iraniana de ameaçar a navegação comercial no Golfo e no Estreito de Ormuz.

<><> Estreito de Ormuz está no centro da escalada

Rezai também destacou que o Irã não aceitará uma intervenção norte-americana no Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do mundo para o transporte de petróleo e gás.

Teerã “não aceitará” que Washington “intervenha no Estreito de Ormuz”, afirmou o assessor, que descreveu a passagem como uma “artéria vital de energia para o mundo”.

O alerta ocorre depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que seu país estaria assumindo o controle da rota marítima e atuaria como uma espécie de garantidor da passagem de embarcações. O governo iraniano rejeita qualquer tentativa de Washington de controlar ou administrar o estreito.

A Guarda Revolucionária iraniana havia anunciado o fechamento do Estreito de Ormuz “até segunda ordem”, afirmando que a passagem permaneceria bloqueada até o fim da intervenção dos Estados Unidos na região.

<><> Teerã rejeita intervenção norte-americana

Para as autoridades iranianas, a segurança do Estreito de Ormuz deve ser administrada pelos países da região, sem interferência de potências externas.

A Marinha da Guarda Revolucionária já havia afirmado que países estrangeiros não têm qualquer papel legítimo na gestão da passagem e advertido que tentativas dos Estados Unidos de criar rotas próprias ou escoltar navios poderiam comprometer os acordos de segurança regionais.

Autoridades de Teerã também sustentam que qualquer operação militar estrangeira na área terá consequências. O vice-ministro iraniano das Relações Exteriores para assuntos jurídicos e internacionais, Kazem Gharibabadi, afirmou anteriormente que o Estreito de Ormuz “não é um palco para demonstrações militares de potências extrarregionais”.

A disputa pelo controle da rota tornou-se um dos principais focos da confrontação entre Irã e Estados Unidos. Além de sua importância militar, o estreito tem enorme relevância para o abastecimento energético internacional e para a estabilidade dos preços do petróleo.

<><> Estados Unidos retomam bloqueio de portos iranianos

O Comando Central dos Estados Unidos anunciou a retomada do bloqueio ao tráfego marítimo com destino ou origem nos portos e áreas costeiras iranianas. A medida entrou novamente em vigor em 14 de julho, por determinação de Trump.

Segundo o Centcom, o bloqueio é aplicado contra embarcações que navegam para portos iranianos ou partem deles, enquanto os Estados Unidos dizem manter livre o trânsito de navios que não violem as restrições impostas a Teerã.

A operação havia sido implementada originalmente em abril. Em maio, as forças norte-americanas anunciaram ter desviado mais de 100 embarcações, desabilitado quatro navios e permitido a passagem de embarcações com ajuda humanitária.

Para o Irã, contudo, o bloqueio constitui uma agressão e uma violação de sua soberania. Mohsen Rezai já havia advertido anteriormente que Teerã poderia romper militarmente o cerco naval caso as negociações com Washington fracassassem.

<><> Trump ameaça ampliar ataques

Donald Trump afirmou que os ataques norte-americanos continuarão até que as capacidades militares iranianas sejam degradadas. O presidente dos Estados Unidos também ameaçou expandir as operações para usinas elétricas, pontes e instalações do setor energético caso Teerã não aceite negociar.

Segundo a RT, Trump declarou que os Estados Unidos poderiam atingir infraestrutura civil estratégica do Irã se o governo iraniano não cedesse às exigências de Washington.

O Centcom informou ter realizado diversas ondas de ataques contra sistemas de defesa aérea, radares costeiros, depósitos de mísseis e drones, instalações de comando, embarcações e estruturas logísticas iranianas.

Em uma das operações, as forças norte-americanas disseram ter atingido mais de 80 alvos. Em outra, aproximadamente 90 instalações militares iranianas teriam sido bombardeadas ao longo da costa do país.

<><> Teerã acusa Washington de romper compromissos

O governo iraniano afirma que os Estados Unidos violaram um memorando de entendimento firmado entre os dois países, com mediação do Paquistão, e que as atuais ações militares norte-americanas representam uma quebra dos compromissos assumidos.

Autoridades iranianas sustentam que o acordo atribuiu ao Irã a responsabilidade pela administração e pela eventual reabertura do Estreito de Ormuz. Teerã acusa Washington de tentar alterar unilateralmente esses entendimentos e impor uma nova configuração para a navegação na região.

Rezai já havia alertado que qualquer violação do memorando teria como resposta uma ação “rápida e implacável” do Irã.

A nova advertência indica que a liderança iraniana considera esgotado o espaço para respostas limitadas e poderá adotar uma postura militar mais agressiva caso os bombardeios prossigam.

<><> Guarda Revolucionária ameaça interromper exportações

Em meio à escalada, a Guarda Revolucionária advertiu que “nem uma única gota de petróleo ou gás” será exportada da região enquanto continuarem as ações militares dos Estados Unidos.

A ameaça eleva o risco de uma crise energética internacional, uma vez que o Estreito de Ormuz é passagem estratégica para embarcações que transportam petróleo e gás produzidos por vários países do Golfo.

Teerã tenta demonstrar que possui capacidade para transformar qualquer ofensiva contra seu território em um problema econômico e geopolítico de alcance mundial.

O Irã também afirma já ter executado diversas fases de operações de represália contra bases e instalações dos Estados Unidos na região, utilizando principalmente mísseis e drones.

<><> Risco de guerra regional aumenta

A declaração de Mohsen Rezai amplia o temor de que o atual confronto deixe de ser uma troca limitada de ataques e evolua para uma guerra regional de grandes proporções.

A afirmação de que “nenhuma fronteira política” estará protegida sugere que uma ofensiva total poderia atingir instalações norte-americanas localizadas em diferentes países do Oriente Médio, aumentando o risco de envolvimento direto de outras nações.

Ao mesmo tempo, a ameaça de interromper as exportações de energia pelo Estreito de Ormuz coloca sob pressão governos que dependem da estabilidade da rota para garantir o abastecimento de petróleo e gás.

Com Washington prometendo manter os bombardeios e Teerã ameaçando responder com uma ofensiva de larga escala, a crise entra em uma etapa ainda mais perigosa, com consequências potenciais para a segurança regional, a navegação internacional e toda a economia mundial.

¨      Resposta do Irã deixa mortos e aumenta escalada com EUA após rompimento do cessar-fogo

Dois militares americanos morreram e um está desaparecido após o Irã atacar a Jordânia na sexta-feira (17/7) com mísseis balísticos e drones, anunciaram autoridades militares dos EUA. Irã e Jordânia estão geograficamente frente a frente, separados pelo Golfo Pérsico, e o território jordaniano abriga uma base americana.

No sábado à noite, os Estados Unidos lançaram uma nova rodada de ataques aéreos contra o Irã, por ordem do presidente Donald Trump, informou o Comando Central dos EUA (Centcom).

Autoridades militares americanas não divulgaram a identidade dos mortos, nem forneceram detalhes sobre as circunstâncias do incidente ou em que parte da Jordânia ocorreu este ataque.

Segundo a mídia estatal iraniana, a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) afirmou ter destruído pelo menos dois aviões de combate americanos na madrugada de sábado na base de Al-Azraq, na Jordânia. As forças armadas da Jordânia já tinham anunciado a interceptação de 10 mísseis iranianos disparados contra seu espaço aéreo durante a noite de sexta.

Os ataques americanos de sábado, na oitava noite consecutiva de ofensivas, foram "concebidos para reduzir ainda mais a capacidade do Irã de ameaçar a navegação comercial no Estreito de Ormuz", afirmou o comunicado.

Os bombardeios têm como objetivo "punir rapidamente as forças da Guarda Revolucionária Islâmica que lançaram ataques contra militares americanos na Jordânia na noite passada", prosseguiu a nota, sem fornecer mais detalhes.

O número total de mortos dos EUA no conflito subiu para 16, após um piloto da Marinha dos EUA que estava desaparecido desde o início deste mês ser dado como morto.

No Irã ao menos 50 pessoas foram mortas e mais de 500 ficaram feridas em ataques dos EUA nas últimas três semanas, informou a mídia estatal iraniana, citando o Ministério da Saúde do país.

Em resposta ao anúncio das mortes, o Secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, escreveu no X: "Que Deus os proteja, heróis. Seu sacrifício apenas fortalece nossa determinação."

O Centcom informou que outros quatro militares americanos foram levados para hospitais na Jordânia para receberem atendimento, mas já tiveram alta.

As hostilidades entre os EUA e o Irã se intensificaram novamente na última semana, com os EUA reimpondo um bloqueio aos portos iranianos e Teerã atacando aliados dos EUA no Golfo, incluindo a Jordânia, e declarando o fechamento do Estreito de Ormuz.

Os Estados Unidos fazem a sétima noite consecutiva de ataques contra o Irã desde que o presidente Donald Trump declarou o fim do acordo de cessar-fogo.

Milhares de pessoas foram mortas em todo o Oriente Médio desde o início da guerra entre os EUA e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro, segundo dados oficiais.

Washington e Teerã chegaram a um acordo preliminar para pôr fim à guerra em junho, mas o acordo não durou muitas semanas.

No final da noite de sábado (18/7), no Irã, o líder supremo Mojtaba Khamenei afirmou em um comunicado que as "repetidas violações" do acordo por parte dos Estados Unidos "revelaram uma verdade fundamental: a assinatura do presidente americano não tem valor algum e é totalmente desprovida de credibilidade".

Khamenei não é visto em público desde o ataque que matou seu pai no início da guerra.

¨      Irã ataca base militar dos Estados Unidos no Bahrein e amplia risco de escalada no Oriente Médio

 O Oriente Médio voltou a viver um momento de forte tensão após o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) anunciar um novo ataque com drones contra a base aérea de Isa, no Bahrein, uma das principais instalações militares utilizadas pelos Estados Unidos na região. Segundo comunicado divulgado pela emissora estatal iraniana, a operação atingiu hangares de aeronaves militares, reservas de combustível e centros de comunicação.

A base de Isa desempenha papel estratégico nas operações aéreas e navais dos Estados Unidos no Golfo Pérsico. O anúncio do ataque representa mais um capítulo da crescente confrontação entre Teerã e Washington, em um momento de elevada instabilidade regional e de sucessivas ações militares envolvendo aliados de ambos os lados.

<><> Base estratégica dos EUA entra na mira iraniana

De acordo com o comunicado do IRGC, a operação foi realizada com drones e teve como alvo estruturas consideradas essenciais para o funcionamento da base militar. A Guarda Revolucionária afirmou que a missão foi executada com sucesso, reforçando sua capacidade de atingir ativos militares norte-americanos em diferentes pontos do Oriente Médio.

O uso intensivo de drones tornou-se uma das principais características da estratégia militar iraniana nos últimos anos. Teerã investiu pesadamente no desenvolvimento dessa tecnologia, considerada relativamente barata, de difícil interceptação em determinados cenários e capaz de ampliar seu poder de projeção sem recorrer diretamente a grandes operações convencionais.

Embora o comunicado iraniano não detalhe eventuais baixas ou o grau de destruição causado pelo ataque, a escolha da base aérea de Isa evidencia a intenção de atingir um dos principais centros de apoio logístico das forças dos Estados Unidos na região.

<><> Escalada amplia risco de confronto direto

O episódio aumenta significativamente o risco de uma nova escalada militar entre Irã e Estados Unidos. Ataques contra instalações militares norte-americanas costumam elevar o nível de alerta das forças dos EUA e podem desencadear respostas militares, ampliando ainda mais a instabilidade regional.

Além do impacto imediato sobre as operações militares, o novo ataque tende a dificultar qualquer esforço diplomático destinado à redução das tensões no Oriente Médio. O ambiente já vinha sendo marcado por sucessivos confrontos indiretos, envolvendo aliados regionais de ambos os países.

Especialistas em segurança internacional avaliam que o uso crescente de drones e mísseis de precisão vem alterando o equilíbrio estratégico da região, reduzindo as barreiras para operações de ataque e tornando mais difícil evitar ciclos de retaliação.

<><> Comunidade internacional acompanha evolução da crise

Governos da região e grandes potências acompanham com preocupação o agravamento da situação. Um confronto mais amplo entre Irã e Estados Unidos teria potencial para afetar não apenas a segurança regional, mas também o mercado internacional de energia e as principais rotas marítimas do Golfo.

Ao reivindicar oficialmente a operação, a Guarda Revolucionária também busca demonstrar capacidade de resistência diante da pressão militar exercida pelos Estados Unidos e reafirmar sua influência estratégica no Oriente Médio.

O novo episódio confirma que a disputa entre Washington e Teerã permanece um dos principais focos de instabilidade internacional, mantendo elevado o risco de novos confrontos militares e de uma escalada com consequências imprevisíveis para toda a região.

 

Fonte: Brasil 247/BBC News/Sputni Brasil

 

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