Thiago
Ferreira dos S. Freitas: O sujeito neoalienado
Apesar
do nome, não se trata de uma ruptura brusca com o pensamento de Karl Marx. O
uso do termo “neo”, aqui, diz respeito a um recorte histórico e a uma
disposição psicológica específica. Minha intenção com este ensaio é aprofundar
elementos do pensamento de Marx, deixando seu diagnóstico do capitalismo
alienante atualizado. Pois estamos vivendo no que chamo de tempos de
neoalienação, que se caracteriza principalmente pela ascensão das mídias
digitais e mecanismos mais sofisticados e sutis do que aqueles na época de Marx
e Engels, os quais culminam nesse estado subjetivo.
O
edifício marxista está sólido e bem fundamentado, mas é necessário construir
andares no subsolo para compreendermos melhor nosso século. Os novos tempos
pedem uma atualização desse conceito, o que implica, de certa forma, negar
Karl. O que, deixando claro, não significa afirmar que o autor estava errado,
mas tão somente que suas ideias devem ser repensadas à luz dos fenômenos
contemporâneos e suas especificidades.
Mas
faço isso adotando a negação hegeliana. Ou seja, estou dizendo que Marx, embora
essencial, não abarca e explica de forma suficiente como o tornar-se estranho a
si se dá em nossos dias. Porém, ao mesmo tempo, seu pensamento é conservado e
elevado a um outro patamar. Assim como ele fez com Hegel, diga-se de passagem.
O que é
conservado aqui, notem, é a noção do quanto uma estrutura socioeconômica pode
ser alienante.
A
alienação na filosofia moderna é um conceito que tomou forma com Hegel. Marx
leu Hegel. Marx gostou do que leu, mas Hegel era idealista – um idealista bem
abstrato, aliás. Karl, por sua vez, se tornou materialista até os ossos.
Antes
de prosseguirmos, vale a pena esclarecer: o que são materialismo e idealismo?
Idealismo, dizendo em termos gerais e simplificados, é a postura filosófica que
afirma que a realidade ou nosso conhecimento dela é essencialmente fundamentado
nas ideias, no espírito ou na mente. A corrente materialista, por sua vez,
parte da premissa de que a matéria é a única realidade fundamental e que a
consciência, ideias, história e fenômenos sociais são explicados a partir de
condições materiais e não o contrário.
O
idealismo hegeliano adquire algumas peculiaridades ao afirmar que o real é
racional e o racional é real. Ou seja, a história, a natureza, a sociedade e
tudo o que é real fazem parte do desenvolvimento e manifestação da razão, e tal
desenvolvimento ocorre em uma lógica de afirmação, contradição e superação
desse embate. Pense em termos de tese, antítese e síntese, embora Hegel não os
tenha usado em sua obra.
O
materialismo marxista ou materialismo histórico-dialético proposto por Marx e
Engels, porém, analisa a história com base nas relações de produção e luta de
classes com interesses antagônicos, como pobres e ricos, burguesia e
proletariado. Chegando até mesmo ao ponto de afirmar, no seu Manifesto
Comunista, que “A história de todas as sociedades até hoje existentes é a
história das lutas de classes”. Nessa perspectiva, as condições econômicas e
materiais determinam a estrutura sociopolítica da sociedade. Em contraposição
ao idealismo, o materialismo marxista afirma que a história se desenrola por
meio da luta de classes e condições concretas, não por ideias abstratas e
etéreas.
Marx e
Engels formulam sua concepção materialista revirando o edifício idealista
hegeliano. Nas palavras de Marx, em O capital, “A dialética de Hegel está de
cabeça para baixo. É preciso virá-la para descobrir o núcleo racional dentro da
casca mística”. Ambos tiveram de inverter tal construção e colocá-la sobre seus
pés.
O
trabalhador, após tantas horas fazendo atividades mecânicas e repetitivas em
condições insalubres, acabava alienado, sendo rebaixado à condição de
mercadoria. Nessa lógica, não é o trabalhador quem tem a mercadoria ou o
produto. É o produto que tem o trabalhador.
Além
disso, o sujeito tornava-se estranho a si mesmo! Não sendo capaz de se
reconhecer no trabalho que produzia, deixava de lado sua capacidade crítica e
se tornava apenas mais uma engrenagem dentre tantas outras. Consequência da
própria estrutura do sistema de produção capitalista, que fazia com que as
relações sociais se transformassem em relações entre coisas e não pessoas.
O
presente texto propõe uma torção da alienação marxista, cujo núcleo teórico
aparece com força nos Manuscritos Econômico-Filosóficos. Embora essa noção
tenha perdido a centralidade em obras mais maduras de Marx, como em O capital,
é dela que parto para formular o neoalienado.
Onde
podemos encontrar esse tal sujeito? Ora, a alienação em nosso tempo não
desapareceu. Ela ficou mais sofisticada, sutil e, portanto, pior. Mas é
necessário fazer os devidos recortes, pois essa neoalienação se dá de formas
diferentes entre as classes sociais. O sujeito neoalienado que é encontrado nas
classes mais altas, por exemplo, pode ser ilustrado pelo engravatado de
escritório. Engravatado esse que, dia após dia, preso numa lógica de
performance e produtividade às custas de sua saúde e, ao mesmo tempo, imerso no
consumismo exacerbado, julga estar imune a tal estado.
Pensa
que, por ter um belo diploma debaixo do braço, trabalhar em uma grande empresa
e “bater as metas”, tem sucesso – sucesso esse que seria prova de sua
incapacidade de se alienar. Afinal, tal fenômeno só atinge os “fracassados” de
baixa renda, certo? Curiosamente, na lógica aqui proposta, é quase o contrário.
Essa neoalienação encontra-se mais expressiva e intensa nas classes médias para
cima, não para baixo. Nesse caso, pode-se chamar de neo-alienação-alta para
explicitar os elementos que distinguem a forma como esse estado subjetivo
ocorre nas classes altas e baixas. Nas classes mais ricas e financeiramente
estáveis, pode-se dizer que a cultura da meritocracia e da produtividade
impera.
Mas
qual é, exatamente, a diferença do conceito marxista clássico? Na alienação
marxista, ou clássica, de tanto repetir movimentos mecânicos em condições de
trabalho desumanas, o trabalhador não conseguia se reconhecer no que produzia.
Não era necessário criatividade ou tampouco pensamento, bastava repetir e
repetir. A forma como a estrutura capitalista organizava a sociedade impedia
isso.
No
entanto, no conceito que proponho, o sujeito se aliena não por não ser capaz de
se reconhecer no seu trabalho, mas justamente por tentar tanto se reconhecer
nele e almejar ser produtivo o tempo todo, consequência da absorção e
reprodução do discurso neoliberal. O crachá da empresa se confunde com o RG.
O ser
humano passa a ser ser-de-e-para-produção, afastando-se cada vez mais de
questões existenciais e primordiais sobre a própria identidade. René Descartes
considerou o próprio pensar como prova de sua existência e disse a célebre
sentença: “Penso, logo existo”. Atualmente, a lógica no nosso sistema vigente
pode ser colocada como “produzo, logo existo”. Ou seria o inverso?
Karl
Marx pensava a alienação como consequência da estrutura socioeconômica vigente,
na qual o trabalhador não consegue se reconhecer no que produz após uma longa e
exaustiva jornada de trabalho mecânica e repetitiva. Não consegue, pois o modo
como o capitalismo se dá impede isso. O que produz vira algo que independe dele
e suas relações sociais se dão entre coisas, não entre pessoas. Ele próprio,
nessa dinâmica, é algo, não alguém.
De
minha parte, penso esse estado subjetivo em termos de tentativa de
identificação em excesso com o trabalho e com o que se produz. Chamo isso de
“hiperidentificação”. Que nada tem a ver com aquele indivíduo que simplesmente
gosta muito de seu trabalho, mas com aquele que não consegue desvincular sua
identidade e personalidade desse trabalho.
Essa
identificação, supostamente consciente e desejada, é um gozo que exige ser
compartilhado. Em certos casos, só é gozo ou gozo pleno se for compartilhado.
Se nos tempos dele a dinâmica e organização de produção capitalista
inviabilizava a identificação do trabalhador com sua produção, hoje a regra é
outra. Somos levados não apenas a tentar nos identificar com nosso trabalho,
mas julgar isso prazeroso, desejável e passível de compartilhar nas plataformas
digitais.
Tal
desejo de identificação, seja consciente ou não, é efeito da estrutura social
que molda a subjetividade do sujeito desejante. Embora seja fato que grande
parte dos nossos desejos, talvez todos eles, é lapidada pelo tecido social, há
uma sutileza aqui. Pois o indivíduo não apenas é moldado, mas é moldado para
não perceber que foi moldado. Pensa que seu desejo de ter o iPhone da última
geração é natural e necessário.
Convido
o leitor a pensar naquele seu colega que, a cada conquista ou promoção, não
pode deixar de fazer um post no LinkedIn. Não pode deixar de fazer seu
networking e expor sua conquista em busca de validação e reconhecimento. Não
basta apenas gozar, tem que mostrar que se está fazendo isso.
A
experiência vivida é insuficiente. Deve-se, além de experimentar o momento,
compartilhar nas redes. Mesmo que essa ânsia de postar diminua a qualidade e
intensidade do momento vivido. Isso é o imperativo do post. Em certos casos,
não se vive pelo prazer da própria experiência, mas para fazer o post desse
momento. Vive-se para postar ou se posta para viver? Talvez ambos?
Dadas
as regalias e fatores contemporâneos, como redes sociais, serviços de delivery,
Netflix etc., tendemos a nos julgar para-além-da-alienação. Afinal, temos todos
esses recursos prazerosos e sedutores, que são paliativos no fim das contas.
Tais meios paliativos têm a função não apenas de ser nosso meio de catarse, mas
de disseminar os discursos e narrativas que nos levam à hiperidentificação. Nos
sentimos tão bem e entretidos que a perspectiva de nossa subjetividade estar
desconexa com ela mesma, mal passa pela nossa cabeça.
Quando
isso ocorre, olhamos a hipótese com desprezo e desdém, pois nossas condições
materiais e sociais são prova de que estamos acima disso. Não apenas pela
enxurrada de prazeres rápidos, um amontoado de informações e estímulos que mal
conseguimos processar, mas justamente pela nossa imersão nesse cenário que
dificulta nosso pensamento crítico. Ademais, consumir todas essas informações,
dados e conteúdos não é equivalente a pensar criticamente. Sequer significa
necessariamente pensar.
Vivemos
na era das inteligências artificiais. Para que pensar se a inteligência
artificial faz isso por mim, melhor e mais rápido? De acordo com o pensamento
kantiano, para sairmos da menoridade intelectual, é necessário ousar pensar com
a própria cabeça. A menoridade intelectual ocorre não por falta de
entendimento, mas por falta de coragem de se servir do seu próprio pensamento
sem a tutela de terceiros. Nas palavras do filósofo, “Ouse te servir do teu
próprio entendimento” e “sapere aude”, que significa ouse conhecer, atreva-te a
saber.
No
século XXI, ao que parece, a máxima é ouse perguntar ao ChatGPT. Assim, fazemos
uma regressão à nossa menoridade intelectual. Será que sequer saímos dela?
Afinal, se chegamos ao ponto no qual temos que ter a chancela da inteligência
artificial para o envio de nossas mensagens, desde considerações intelectuais
até simples saudações, em que sentido somos muito diferentes de crianças que
necessitam perguntar aos pais o que dizer nessa ou naquela situação?
Não
raras vezes, fazemos questão de adquirir a versão pró do ChatGPT ou outra
inteligência artificial. Afinal, quanto mais eficiente e afiada essa ferramenta
for, menos precisamos nos servir de nosso próprio entendimento. Alguém poderia
pensar que essa eficiência e potencial aumento de produtividade até justifica o
ato de delegar quase por completo nosso pensamento. O que é um erro. Seria a
morte do pensar. Pois o ato de pensar, em regra, é o que nos afasta da
barbárie. Embora o raciocínio humano possa ser igualmente usado não apenas
causar a barbárie, mas para potencializar ela. E em alguns casos justificar seu
uso e existência.
Nesse
cenário, para estimular a saída da menoridade intelectual proposta por Kant, o
presente artigo propõe a Dialética-GPT. Que, além de propor um modo de usar e
interagir específico com a inteligência artificial, remete aos nossos tempos
que são essencialmente digitais. Vide a nossa Economia 4.0, na qual a
tecnologia perpassa e domina nossas relações econômicas a nível global. Afinal,
no século XXI, o mundo virtual é tão real quanto o mundo material. Dito isso,
dialética é o processo de tensionar o pensamento e as ideias por meio do
processo de tese, antítese e síntese. Devemos pensar com a inteligência
artificial, não deixar que ela pense por nós. Que, via de regra, é o que
acontece.
Na
Dialética-GPT o usuário se serve da inteligência artificial como ferramenta
para refinar e aprimorar suas ideias e pensamento, usando a inteligência
artificial A para criticar o que ele diz, apresentar contrapontos e lhe
auxiliar a chegar a sínteses mais sofisticadas que suas afirmações iniciais.
Assim, não apenas nos servimos de nosso próprio entendimento sem a tutela de
terceiros, mas o aprimoramos ao submetê-lo ao processo dialético digitalmente.
Se nos tempos de Sócrates a dialética era exercida pelas ruas de Atenas, com
diferentes interlocutores de diferentes idades, no século XXI ela pode ser
feita sem sequer ter contato com outro ser humano.
Mas o
sujeito neoalienado não hesita em comprar a versão mais atualizada do chat.
Assim não precisa pensar. Ele goza em financiar a própria menoridade
intelectual.
Pagamos,
e pagamos com gosto para nos deixar dopados e anestesiados. Esse é o resultado
de milhões de anos de evolução de nossa espécie na Terra. Deveríamos nos
indagar seriamente se temos mesmo o direito de nos chamar sapiens.
Ficamos
assim, dopados, em especial nos ambientes virtuais, já que o algoritmo e sua
dinâmica fazem com que o pensamento do filósofo francês Guy Debord tenha ainda
mais peso, pois acabamos sentindo mais prazer e tendo maior contato com as
representações da realidade do que com a própria realidade. Realidade essa que
é cada vez mais mediada por representações e espetáculos. Realidade que nos
parece cinza, seca. Vazia.
Menosprezando
a demonização e pessimismo em relação à tecnologia, devemos adotar uma postura
crítica ao pensar nossa relação com ela. Que é ferramenta nossa e não o oposto.
Ou será que já se transformou em uma extensão de nós mesmos?
Além
disso, as redes sociais e plataformas digitais em geral são meios que propagam
uma noção que o psicanalista Lacan, também francês, chamou de Imperativo do
Gozo. Gozo, em Lacan, não é apenas prazer, mas (usando uma expressão dele) algo
que vai mais-além-do-princípio-do-prazer. Em francês, jouissance. É aquilo que
satisfaz, ao menos parcialmente, mas machuca, dói, excede.
Nessa
lógica, as mídias corroboram a mensagem de ter prazer o tempo todo, consumir o
tempo todo, gozar o tempo todo. Busque sempre mais e mais satisfação, mesmo
que, paradoxalmente, às custas do seu próprio bem-estar. Não se trata de um
ataque moralista ao hedonismo. Mas tão somente levantar as seguintes questões:
o que esse imperativo do gozo diz sobre nossa sociedade? Até que ponto essa
busca por mais prazer é funcional para nós como coletivo e indivíduo?
Mas
isso não é o bastante. Vá além. Faça um post. Como diria a filósofa Marilena
Chauí ao discorrer sobre a relação do indivíduo moderno com o mundo digital,
Posto, logo existo. Não basta apenas gozar no sentido lacaniano; é necessário
mostrar que se está fazendo isso e ter tantos likes e visualizações quanto
possível.
Na
contemporaneidade, essa parece a melhor forma de o sujeito validar e legitimar
sua existência. Mas, principalmente, a sensação de se encontrar para além da
alienação decorre da convicção de estarmos correndo em direção ao sucesso, que
é nada mais do que produzir, produzir e consumir loucamente. E vamos chegar lá.
Basta o mindset certo!
Nossa
elaboração nos leva a questionar: o que é um sujeito? O que significa ser
sujeito? O que o constitui?
A
princípio, pensei que, se a capacidade de pensar criticamente sobre a estrutura
socioeconômica que o cerca e molda fosse um requisito necessário para ser
sujeito, então o sujeito neoalienado é tudo, menos sujeito.
Mas
toda noção de sujeito é produzida pela sociedade em que esse indivíduo está
inserido. Nesse sentido, por mais alienado que seja, o sujeito neoalienado
ainda assim é um sujeito, mas é o tipo que não apenas é produzido pelo nosso
sistema socioeconômico atual, mas o ideal e conscientemente projetado para que
ele continue a funcionar.
Todo o
discurso neoliberal de produtividade e “trabalhe enquanto eles dormem”, “seja
sua melhor (e mais produtiva) versão”, propagado pelos nossos queridos coaches
motivacionais, pelo menos por boa parte deles, ajuda a manter essas engrenagens
excitadas pela perspectiva de continuar sendo engrenagens.
Eles,
os coaches, não são apenas sujeitos neoalienados, mas mecanismos que ajudam a
propagar e consolidar ainda mais os discursos que colocam as massas nesse mesmo
estado. Com a condição, é claro, que essas massas tenham cada vez mais dinheiro
para, parafraseando Tyler Durden: “…comprar coisas de que não precisamos, para
impressionar pessoas que não gostamos”.
Talvez
a melhor ilustração desse conceito seja o protagonista do filme Clube da luta.
Gostaria apenas que o leitor dedicasse alguns segundos para relacionar a ideia
central deste texto com o protagonista do filme. O qual não tem nome. Qualquer
um de nós poderia estar ali, em seu lugar, imerso nessa busca sem fim pela
felicidade de consumir. Ou, melhor, todos nós já estamos em sua situação e mal
percebemos.
O
sujeito do consumo não se dá conta de que ele mesmo é consumido. O indivíduo
que descrevo, sem se dar conta, acaba fazendo parte de uma “sociedade do
cansaço”, famoso termo cunhado pelo filósofo sul-coreano Byung-Chul Han.
Sociedade na qual o sujeito, contaminado pela lógica de produtividade e
positividade, passa a ser assombrado pela pressão interna de sempre estar feliz
e ser “bem-sucedido”. Nessa sociedade, que também é sociedade do desempenho, o
indivíduo mal consegue se reconhecer caso não esteja produzindo.
O ócio
é um insulto e não se deve perder tempo com isso. Afinal, tempo é dinheiro.
Exigindo cada vez mais e mais de si, convencido de que assim alcançará esse tal
sucesso. Na melhor das hipóteses, conseguirá um burnout e, seguindo o
“imperativo do post” religiosamente, fará questão de postar no LinkedIn.
Afinal, seu sofrimento é um selo de autenticação e prova do quanto ele é um
trabalhador-engrenagem-orgulhoso. Aparentemente, vestir a camisa da empresa e
agir como se fosse seu dono não é tão benéfico quanto parece. Quem diria que
dar seu sangue pela companhia custa mesmo seu sangue?
Atualmente,
não é necessário ter um agente externo o policiando, tal como Michel Foucault
detectou em sua época ao descrever a dinâmica das prisões em Vigiar e punir.
Esse indivíduo passa, ele mesmo, de bom grado, a ser tal agente. E chama isso
de mindset de sucesso, notem. O resultado desse mindset patológico? Neurose e
mal-estar em massa.
Fonte:
A Terra é Redonda

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