Cuba
volta a produzir 16 remédios contra câncer apesar do bloqueio dos EUA
Em
abril, a companhia farmacêutica BioCubaFarma anunciou a ampliação da capacidade
da fábrica de citostáticos da Empresa Laboratórios Farmacêuticos AICA. Conforme
a mensagem, o acontecimento constitui “um passo estratégico para garantir esses
medicamentos”, contemplados pelo Programa Integral para o Controle do Câncer
(PICC).
“O
recrudescimento do bloqueio, sem dúvida, impacta os prazos de cumprimento, mas
estamos trabalhando para poder reiniciar essas produções e entregar esses
medicamentos ao sistema de saúde. Este é nosso compromisso”, asseguraram na
empresa.
Menos
de dois meses depois, a promessa começou a se concretizar. Em 7 de junho, a
AICA retomou a produção de citostáticos a fim de garantir o acesso a
tratamentos oncológicos em Cuba. É “uma notícia que ratifica a vontade do
Estado cubano de priorizar a vida e a saúde de seu povo”, enfatiza o jornal
Granma.
O
próprio mandatário cubano qualificou essa conquista como “fruto de um
investimento” que amplia capacidades, ao mesmo tempo que garante soberania
sanitária e esperança para o povo.
Em que
consiste o PICC?
O PICC
é a principal política pública de Cuba para prevenir, diagnosticar, tratar e
controlar o câncer. Surgiu a partir da reorganização do sistema oncológico
iniciada em 2006 com a criação da Unidade Nacional para o Controle do Câncer,
que em 2010 passou a ser a Seção Independente de Controle do Câncer (SICC).
A SICC
é a estrutura do Ministério da Saúde Pública de Cuba encarregada de dirigir e
coordenar a execução do PICC. Supervisiona a implementação das políticas
oncológicas e articula o trabalho das instituições envolvidas na prevenção,
diagnóstico, tratamento, pesquisa e cuidados paliativos.
O PICC
estabelece o que deve fazer o sistema de saúde para combater o câncer, enquanto
a SICC se encarrega de colocar essas políticas em prática.
A
implementação do PICC é realizada por meio da Estratégia Nacional para o
Controle do Câncer (ENCC), que coordena as ações de prevenção, diagnóstico,
tratamento, reabilitação e cuidados paliativos.
Os
benefícios da ENCC
O
objetivo principal da estratégia é contribuir para o desenvolvimento de
capacidades em instituições e pessoas para melhorar a gestão do controle do
câncer, mas também:
• Em nível político: fortalece a
coordenação institucional e o trabalho intersetorial.
• Em nível econômico: otimiza o uso de
recursos e melhora a eficiência do sistema de saúde.
• Em nível social: promove a prevenção, a
participação comunitária e uma melhor qualidade de vida da população.
Cuba
retoma a produção de citostáticos sob “severas limitações”
Entre
os maiores desafios para o sistema sanitário cubano figuram as restrições
derivadas do bloqueio estadunidense, que afetam a atenção a pacientes com
câncer na ilha ao dificultar o acesso a medicamentos para o tratamento
oncológico e aos insumos necessários para sua produção local.
A
reativação, em Cuba, da produção de 16 citostáticos demonstra a vontade do
governo de continuar trabalhando pelo bem-estar e pela saúde do povo, destacou
o ministro das Relações Exteriores do país caribenho, Bruno Rodríguez.
“Ela
ocorre em meio a severas limitações econômicas, provocadas pelo recrudescimento
extremo do bloqueio e por um cerco energético sem precedentes. Cada fármaco
produzido nesta planta representa soberania, esperança e o compromisso com o
direito à saúde de todos os cubanos”, escreveu em sua conta no X (ex-Twitter).
“A
saúde deve ser protegida a qualquer custo”
O
diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom
Ghebreyesus, classificou como preocupante a situação em Cuba e advertiu que as
dificuldades energéticas estão afetando a prestação de serviços de saúde na
ilha.
“A
saúde deve ser protegida a qualquer custo e nunca ficar à mercê da geopolítica,
dos bloqueios energéticos e dos cortes no fornecimento de energia elétrica”,
escreveu em sua conta no X (ex-Twitter).
“Há
crianças morrendo” sem medicamentos
O
endurecimento do bloqueio estadunidense afeta serviços essenciais como a
oncologia e a saúde materna, além de contribuir para o aumento da mortalidade
infantil, alertou o alto comissário da Organização das Nações Unidas (ONU) para
os Direitos Humanos, Volker Türk.
“Há
crianças morrendo porque os médicos não têm acesso a material médico e
medicamentos essenciais. Isso é inaceitável”, enfatizou.
A
cooperação perdura diante de qualquer desafio
Apesar
das limitações derivadas do bloqueio estadunidense, Cuba não interrompe sua
luta contra o câncer. Pelo contrário, amplia a cooperação internacional com a
assinatura de um memorando com a Rússia para o desenvolvimento conjunto de
vacinas contra a doença, entre os anúncios mais recentes.
A
biotecnologia e a indústria farmacêutica estão entre as áreas-chave da
cooperação bilateral entre os dois países, apontou o vice-primeiro-ministro
russo, Dmitri Chernishenko, no âmbito do recém-realizado Fórum Econômico
Internacional de São Petersburgo.
“Nossa
parceria está destinada a se tornar um exemplo de uma nova arquitetura para a
cooperação econômica internacional em um mundo multipolar”, afirmou.
Fonte:
Diálogos do Sul Global

Nenhum comentário:
Postar um comentário