Marcos
Antonio da Silva Filho: A disputa pelo significado
A cena
política contemporânea parece presa a um paradoxo. Nunca tivemos tantos dados,
gráficos, estudos, checagens e diagnósticos sofisticados circulando
publicamente e, ainda assim, setores progressistas seguem acumulando derrotas
estratégicas importantes.
A
extrema direita avança em corações e mente, com vitórias eleitorais
acachapantes, ocupa imaginários, reorganiza afetos e impõe sua agenda, pauta o
debate enquanto parte significativa da esquerda permanece aprisionada a uma
imagem liberal da política e da modernidade europeia, baseada no convencimento
racional e na imagem segundo a qual o melhor argumento, sustentado por
evidências empíricas, melhores razões e boa-fé racional, acabaria prevalecendo.
O
problema é que a disputa política contemporânea não ocorre no plano dos
argumentos, dos fatos e dos dados. Ela ocorre, sobretudo, no plano das normas
que organizam o próprio significado dos fatos, ou seja, no plano da gramática
que articula o significado e os critérios pelos quais avaliamos fatos.
Essa
percepção torna-se particularmente visível quando observamos o crescimento do
trumpismo, do bolsonarismo, da extrema direita na europa e em paíse vizinhos
como na Argentina, Chile ou Paraguai e do colapso progressivo do direito
internacional liberal, especialmente no papel da ONU frente a tantos massacres,
especialmente na Palestina. Há uma tendência recorrente em setores
progressistas de interpretar esses fenômenos como efeitos de ignorância,
manipulação, mau-caratismo de alguns indivíduos ou desinformação.
Essa
leitura é confortável, mas insuficiente. Existe uma parcela expressiva da base
da extrema direita que se reconhece positivamente em discursos de força,
autoridade, hierarquia, conflito e supremacia. Em muitos casos, trata-se de uma
moral guerreira rudimentar, mas politicamente eficaz, que recupera elementos da
crítica de Friedrich Nietzsche à moral dos fracos, agora traduzidos em
linguagem reacionária. Isso não significa aderir a Nietzsche politicamente, mas
reconhecer que reduzir o fenômeno ao erro epistêmico ou cognitivo impede
compreender sua força afetiva e normativa, ou, em uma palavra, gramatical.
A
extrema direita não disputa crenças empíricas ou dados científicos. Ela disputa
critérios que organizam normativamente reconhecimento, autoridade, valores e
pertencimento. Em outras palavras, disputa a gramática. Duvidar que a terra é
redonda, não é duvidar de um fato, é desafiar a gramática da ciência, da
evidência, do ocidente, da negociação, da simetria, do convencimento pelo
melhor argumento.
Robert
Fogelin, em seu clássico texto sobre desacordos profundos (1985), mostrou que
certos conflitos não se organizam em torno de conclusões distintas sobre os
mesmos dados, mas em torno de desacordos sobre o que conta como evidência,
argumento legítimo, valor relevante, ou mesmo, o que conta como fato. Nesses
casos, mais dados não resolvem o impasse, porque os próprios critérios de
avaliação estão em disputa.
A
divergência não é apenas factual. Ela é gramatical, entre imagens de mundo
distintas que organizam os critérios e valores pelos quais avaliamos fatos
básicos de nosso cotidiano. Depois que uma gramática está consolidada, os
procedimentos estão acordados, os critérios estão claros, a determinação de
verdade (ou falsidade) é algo sem importância filosófica maior. Mas se a
própria gramática articula o significado de procedimentos e o seu valor estiver
em dúvida, ou sob ataque, como determinar a verdade?
Essa
intuição já estava presente em Ludwig Wittgenstein, especialmente em Sobre
a certeza (1969). Ludwig Wittgenstein mostrou que nossas práticas
cotidianas repousam sobre certezas fulcrais, isto é, crenças implícitas que não
funcionam como hipóteses empíricas comuns, mas como dobradiças normativas,
eixos conceituais que estruturam o sentido de nossas práticas mais básicas e
cotidianas.
Essas
certezas não são e não precisam ser continuamente verificadas. Elas são
herdadas socialmente quando somos inseridos nos jogos de linguagem mais
cotidianos e organizam o que conta como prova, autoridade, racionalidade,
evidência, obviedade e absurdo. Certezas fulcrais são o ponto de apoio tácito
de onde partimos para avaliar fatos e todo o resto (XAVIER e SILVA, 2023). É o
eixo implícito herdado que articula tudo que é explícito (ou explicitável).
É
precisamente aqui que a disputa política contemporânea precisa ser recolocada.
A esquerda frequentemente insiste em disputar fatos quando o conflito político
ocorre em torno das regras que organizam o significado dos fatos e os critérios
pelos quais os avaliamos. A esquerda liberal insiste em apresentar evidências
empíricas para sujeitos que operam a partir de gramáticas normativas distintas.
Age como se estivéssemos em uma ágora iluminista simétrica, quando jamais houve
simetria de poder, acesso, recursos ou reconhecimento.
Isso
não significa abandonar a verdade ou aderir ao relativismo. A mentira corrói
vínculos sociais e destrói condições mínimas de confiança coletiva. O problema
é outro. O problema é imaginar que a política possa ser reduzida à pedagogia
racional (e moral) de indivíduos isolados. Política é também estratégia,
organização, correlação de forças, disputa institucional, ocupação de espaços e
reorganização das condições normativas que estruturam os nossos jogos de
linguagem, a nossa gramática. O que vamos fazer com as regras implícitas dos
nossos jogos?
O jogo
da racialização existe muito antes de mim, não depende do meu gosto ou de meus
desejos, mesmo que eu não queira jogar, o jogo vai continuar operativo, sendo
jogado através de mim, por mim, contra mim. Como tomar as regras do jogo? Se
César for o senhor da gramática, como tomar do César a sua gramática?
É nesse
contexto que proponho compreender a política contemporânea a partir do conceito
de soberania gramatical (Silva, 2026). Por soberania gramatical entendo a
capacidade coletiva de explicitar, disputar, sustentar e transformar as regras
que organizam o significado de nossas práticas regradas: se um assenhoramento
crítico das regras de nossos jogos de linguagem.
Não se
trata de decidir arbitrariamente o significado de palavras, mas de disputar as
inferências materiais que organizam os conceitos de nossos jogos de linguagem,
e os critérios que articulam reconhecimento, autoridade, legitimidade e
pertencimento em nossas práticas cotidianas. Em outras palavras, soberania
gramatical designa autodeterminação normativa de nossos jogos de linguagem, ou
seja, uma política de disputa pela gramática.
Inspirada
em ferramentas conceituais de Wittgenstein (1969) e Robert Brandom (1994,
2000), essa perspectiva neopragmatista parte da ideia de que linguagem não é
apenas representação do mundo, mas prática normativa. O significado de nossos
conceitos mais básicos não é uma essência escondida nas coisas nem uma entidade
mental privada. Significado é uso socialmente organizado por inferências
materiais, autorizações e proibições (Silva, 2026).
Quando
dizemos “democracia”, “violência”, “terrorismo”, “família”, “liberdade” ou
“civilização”, não estamos designando coisas no mundo para descrever fatos.
Estamos ativando redes inferenciais historicamente sedimentadas que organizam
modos de agir, sentir, justificar, incluir, excluir e punir.
Isso se
torna particularmente evidente em certos conflitos contemporâneos, como no
debate recente sobre a privatização dos rios do Pará. O que estava em disputa
ali não era apenas uma decisão técnica sobre economia e gestão hídrica, mas um
choque normativo entre formas de vida: se disputava a própria gramática através
da qual o rio deve ser compreendido. Para uma gramática colonial e
extrativista, o rio aparece como recurso, infraestrutura, uma mercadoria ou
ativo econômico. Para populações ribeirinhas, indígenas e comunidades
tradicionais, o rio é território vivido, memória, ancestralidade, sustento e
forma de existência. Temos aqui um conflito entre gramáticas, e não apenas
econômico ou social.
Não se
trata de relativismo. Trata-se de reconhecer que jogos de linguagem emergem de
formas de vida situadas, organizadas por necessidades materiais, valores,
afetos e práticas específicas (Silva, Xavier, Andrade, 2026). A extrema direita
compreendeu algo decisivo que parte da esquerda ainda resiste em admitir: jogos
de linguagem possuem fulcros. Jogos de linguagem não são rizomas. Nossas
práticas cotidianas possuem eixos normativos que organizam grande quantidade de
inferências matérias, critérios, normas e estabilizam historicamente práticas
coletivas inteiras.
Esses
fulcros possuem alta densidade inferencial e enorme inércia normativa. Uma vez
estabilizados, tornam-se normativa e psicologicamente protegidos. Questioná-los
produz desconforto, ressentimento e reações violentas. Não porque sejam
logicamente irrefutáveis, ou necessidades metafísicas, mas porque articulam e
fixam o significado de coisas muito básicas, como identidades, pertencimentos e
formas de vida inteiras. A cisgeneridade, por exemplo, opera muitas vezes como
certeza fulcral de muitos jogos de linguagem. A branquitude também. O
individualismo liberal igualmente. O mesmo vale para certas concepções de
racionalidade, propriedade, progresso e civilização herdadas do colonialismo
europeu.
Esses
fulcros ou eixos normativos de nossas práticas regradas cotidianas não são
derrotados simplesmente por demonstrações empíricas, ou pela apresentação de
mais dados e mais gráficos. Eles precisam ser desafiados e deslocados por
pressão coletiva, reorganização institucional, transformação material e disputa
de gramáticas. É aqui que entra aquilo que tenho chamado de alavancagem
gramatical (SILVA, 2026b; SILVA, 2026c).
Inspirado
em um modelo expressivista, inferencialista e neopragmatista periférico,
propomos pensar a política como intervenção estratégica sobre fulcros
normativos (SILVA, XAVIER, ANDRADE, 2026). Uma alavanca só produz deslocamento
porque encontra um ponto de apoio adequado. O mesmo ocorre na política. Uma
estrutura muito maior que nós pode ser deslocada com a força coletiva correta,
no ponto fulcral correto, com a alavanca correta. Existem conceitos, imagens e
práticas capazes de produzir fissuras em gramáticas aparentemente estáveis.
Chamo esse processo de epifania gramatical (Silva, 2026).
Uma
epifania gramatical pode ser provocada. Ativistas encontram fulcros em nossas
formas de vida e os desafiam. A epifania de encontrar novos caminhos numa
gramática antiga, ocorre quando um jogo de linguagem que parecia natural,
necessário e inevitável passa a ser percebido como histórico, contingente e,
por tanto, transformável. A epifania, como a percepção de novas possibilidades,
pode surgir de múltiplas formas.
Quando
alguém percebe um novo caminho dentro do caminho cotidiano que sempre
percorreu. Quando sujeitos historicamente isolados passam a se reconhecer como
parte de um grupo ou de uma classe. Quando o velho caminho de vergonha se
transforma em orgulho (orgulho gay, orgulho trans, orgulho negro etc.). Quando
o impossível começa a parecer possível. Quando aquilo que se apresentava como
universal revela-se apenas uma perspectiva entre outras, como a branquitude.
Ativistas,
artistas, filósofos e movimentos populares frequentemente operam exatamente
nesse nível. Produzem epifanias gramaticais, rachaduras no campo do possível.
Expandem o espaço lógico de uma comunidade. Desafiam gramáticas naturalizadas.
Mostram que podemos tomar a gramática do César. É isso que explica o profundo
desconforto gerado por movimentos antirracistas, transfeministas, indígenas ou
quilombolas. Eles não ameaçam apenas opiniões individuais. Eles pressionam os
fulcros normativos que organizam gramáticas inteiras.
Nesse
ponto, torna-se fundamental distinguir perspectivas.
Jogos
de linguagem assim como nichos ecológicos possuem perspectivas, afinal o meio
em que estamos proporciona oportunidades de ação diferentes de acordo com
nossas histórias, e nossas perspectivas. O predador e a presa não habitam o
mesmo mundo normativo, ainda que ocupem o mesmo espaço físico. Assim como o
opressor e o oprimido. Uma pedra no caminho oferece um bom exemplo para
compreender essa dinâmica. Ela é um fenômeno objetivo. Mas ela não possui um
único significado universal inscrito nela mesma. Dependendo do nicho ecológico
e da perspectiva situada no jogo de linguagem, uma pedra pode funcionar como
abrigo, como obstáculo, como arma, como ferramenta, como ameaça ou como
refúgio.
Malcolm
X compreendeu isso de maneira radical. Seu rompimento com o integracionismo
liberal não era simples radicalização retórica. Era percepção de assimetria
estrutural de perspectivas antagonicas em jogos de linguagem e práticas
injustas. Malcolm recusava a ideia de que negros deveriam implorar
reconhecimento ao opressor. Sua crítica ao “Uncle Tom” apontava precisamente
para o sujeito que internaliza a gramática dominante e passa a protegê-la mesmo
quando ela organiza sua própria subordinação.
Uncle
Tom é um vassalo gramatical trabalhando para que a gramática de opressão seja
aceita e reproduzida. A questão para Malcolm X não era apenas direitos civis.
Era autodeterminação. Era disputa de poder. Era recusa do assimilacionismo. Era
soberania gramatical (Silva, 2026c).
Essa
discussão se aproxima profundamente da leitura de Clóvis Moura sobre o Quilombo
dos Palmares (2022). Na interpretação de Moura, Palmares não foi mero refúgio
defensivo nem tentativa de integração gradual à ordem colonial. Palmares
constituiu uma ruptura política organizada contra a gramática colonial e
moderna da escravidão. Ali se instituíram formas próprias de autoridade,
pertencimento, economia, proteção e reconhecimento.
Tratava-se
de uma contra-gramática. Palmares desafiava elementos centrais da gramática
colonial e moderna, como o individualismo, a submissão racial, a separação
rígida entre corpo e razão, entre teoria e prática, a inferiorização da
ancestralidade africana e a destruição dos vínculos comunitários. No lugar
disso, afirmava território, corpo vivido, coletividade, memória,
interdependência, integração com a natureza, ancestralidade, autodefesa e auto
determinação.
Por
isso, proponho compreender Palmares como paradigma de aquilombamento normativo,
em diálogo também com Beatriz Nascimento (2021). Aquilombar-se não significa
isolamento romântico nem pureza identitária de um grupo minorizado. Significa
construção coletiva de espaços soberanos capazes de sustentar normativa e
materialmente formas de vida próprias diante da violência gramatical colonial.
(Santana e Silva, 2025; Praxedes Silva, 2025). Toda colonização é também a
captura e predação de uma gramática, de uma forma de vida.
O
colonialismo não impôs apenas ocupação territorial e exploração econômica.
Impôs critérios alheios de ação, de sentido e de inteligibilidade. Determinou
quem era racional, humano, civilizado ou digno. A soberania gramatical emerge
justamente como recusa sistematica e coletiva dessa predação da gramática
(Silva, 2026b; 2026c). A soberania gramatical ou a autodeterminação normativa
de um grupo minorizado exige autoproteção, autodefesa, autogoverno, disciplina
coletiva e organização estratégica.
Não se
trata de essencialismo. Nem de separatismo absoluto. Trata-se de reconhecer
assimetrias reais de poder, de acesso, de recursos. Uma comunidade
constantemente submetida à violência gramatical não pode depender
exclusivamente da benevolência do opressor para existir.
Não vai
implorar pela sua liberdade, vai ter que conquistá-la também através da
autodeterminaçao de sua própria gramatica, ou seja, pela soberania coletiva de
determinar os critérios e normas pelos quais vão jogar os seus próprios jogos.
Isso exige abandonar certas ilusões liberais profundamente arraigadas. A
principal delas é a fantasia da neutralidade e simetria. Não existe espaço
público neutro. Toda gramática estabiliza perspectivas específicas. O chamado
universal frequentemente funciona apenas como perspectiva dominante
invisibilizada.
Esse
colonialismo gramatical não opera por coerção explícita. Opera por desejo. Faz
a vítima desejar reconhecimento do próprio sistema que a inferioriza. Esse é
talvez um dos aspectos mais sofisticados da dominação contemporânea. Extrair
valor não apenas explorando corpos, mas capturando desejos, dominando a
gramática do desejo. Fazer a vítima desejar os produtos do opressor. Desejar
integrar-se à gramática que a subordina.
Nesse
sentido, a esquerda frequentemente se desmobiliza ao imaginar que inclusão
simbólica em instituições existentes já constitui vitória suficiente. Mas
integração não é soberania. Representação sem reorganização normativa dos jogos
de linguagem frequentemente apenas administra a subordinação.
A
disputa política contemporânea exige algo mais profundo. Exige capacidade de
construir instituições, vínculos, formas de proteção e contra-gramáticas
capazes de sustentar formas de vida no desafio da gramática dominante. Isso não
significa abandonar alianças amplas nem recusar toda negociação. Significa
reconhecer que não existe negociação simétrica quando uma das partes organiza
sua prática a partir da negação da humanidade da outra.
A
extrema direita compreende perfeitamente a dimensão estratégica da política.
Ela disputa corações, mentes, afetos, símbolos, imaginários e pertencimentos.
Ou seja, ela disputa a gramática há muito tempo. Constrói redes e eixos. Ocupa
espaços. Protege e alavanca suas certezas fulcrais. E parte importante da
esquerda continua reagindo apenas no plano moral e epistêmico, denunciando a
ignorância de alguns grupos ou da imoralidade de alguns indivíduos.
Continua
apostando que mais dados e mais fatos bastarão para iluminar a alma de alguns.
Não bastarão. É necessário compreender que política envolve a organização
normativa de formas de vida. Envolve sustentação coletiva. Envolve disputa
sobre o que conta como razão, valor e humanidade. A linguagem, nesse contexto,
não é espelho. Também não é apenas lâmpada. Ela é alavanca. Com o fulcro
adequado, pequenas forças organizadas podem mover estruturas muito maiores.
Essa
talvez seja a principal lição política do presente. Quem não disputa gramáticas
continuará apenas reagindo às gramáticas do adversário. E quem não constrói
soberania gramatical permanecerá vulnerável à captura e predação normativa
organizada por poderes externos. Não há transformação política profunda sem
disputa pela gramática e reorganização normativa e material das certezas
fulcrais de nossos jogos de linguagem, como o jogo da racialização ou da
generificação, ou da subordinação de uma classe por outra, por exemplo.
A luta
contemporânea é também uma luta pelo significado. Mas, mais profundamente, é
uma luta pelas regras e normas que articulam o significado de tudo aquilo que
somos capazes de imaginar, reconhecer e viver, ou seja, é uma luta gramatical
também. Não reconhecer isto significa continuar perdendo.
Fonte:
A Terra é Redonda

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