Carta
aos evangélicos: PT reforça respeito à liberdade de culto e proíbe uso
eleitoral da fé
O PT
divulgou uma carta ao público evangélico durante o 4º Encontro Nacional de Evangélicos do partido em Brasília,
nesta segunda-feira (8). O documento reforça
que a fé não deve ser usada para fins eleitorais, destacando o compromisso
do partido com o respeito à dimensão espiritual, comunitária e ética das
crenças religiosas.
O
partido ressaltou que a representação política da religião não é
homogênea, criticando a ideia de que evangélicos formam um bloco único.
O
encontro contou com a presença da primeira-dama Janja da Silva, do presidente
do PT, Edinho Silva, da senadora Eliziane Gama (PT-MA), da deputada federal
Benedita da Silva (PT-RJ), da vereadora Aava Santiago (PSB) e da deputada
federal Marina Silva (Rede-SP), entre outros. A carta também mencionou leis
sancionadas por Lula que garantem liberdade de culto e o reconhecimento da
música gospel como patrimônio nacional.
No
texto, o PT destacou políticas sociais e estratégicas que farão parte da agenda
eleitoral, incluindo: saúde integral da mulher, desenvolvimento local a
partir das terras raras, agricultura familiar, acesso ao primeiro emprego para
jovens, inclusão de pessoas com deficiência e garantia de direitos para a
população negra no sistema de justiça. Temas controversos, como aborto, não
foram abordados.
A
iniciativa integra a estratégia do partido de atrair o eleitorado
religioso de forma ética e transparente, diante de desafios históricos da
campanha de Lula com esse público, que tende a se inclinar para candidatos
conservadores.
Entre
as ações previstas para 2026 estão a ampliação de uma rede de influenciadores
digitais evangélicos, o diálogo com igrejas de médio porte e a formação de uma
frente ampla envolvendo pastores e fiéis, inclusive fora do PT.
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Leia a carta na íntegra:
“Este
é o tipo de jejum que desejo: Soltem os que foram presos injustamente, aliviem
as cargas de seus empregados. Libertem os oprimidos, removam as correntes que
prendem as pessoas. Repartam seu alimento com os famintos, ofereçam abrigo aos
que não têm casa. Deem roupas aos que precisam, não se escondam dos que carecem
de ajuda.
Isaías
58:6-7
Graça
e paz!
Nós,
evangélicas e evangélicos de todos os Estados e do Distrito Federal, reunidos
em Brasília no IV Encontro Nacional de Evangélicos do Partido dos
Trabalhadores, nos dirigimos ao povo brasileiro movidos pela fé, pela esperança
e pelo compromisso com a construção de um Brasil mais justo, democrático,
solidário e fraterno.
Reconhecemos
que os evangélicos brasileiros são diversos, pensam de formas diferentes e
exercem sua cidadania com liberdade de consciência. Refutando a imagem de que
formamos um bloco político único, este encontro não pretende falar em nome de
todas as denominações, mas expressar a reflexão de um segmento que, a partir de
sua fé, defende a democracia, a justiça social e o bem comum. Por isso,
rejeitamos toda tentativa de transformar a religião em instrumento de
manipulação política, e denunciamos aqueles que usam do Evangelho como negócio.
A
religião pura e imaculada para com Deus e Pai é esta: Visitar os órfãos e as
viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo. (Tiago 1:27)
Somos
parte da vida cotidiana do nosso país. Estamos presentes nas periferias, nos
campos, nas cidades, nas escolas, universidades, locais de trabalho, movimentos
sociais e igrejas espalhadas por todo o Brasil. Compartilhamos as mesmas
alegrias, preocupações e esperanças do povo brasileiro. E, por isso, defendemos
a ampliação e aprofundamento de políticas públicas que tem feito diferença na
vida do povo brasileiro, como o Bolsa Família, o Minha Casa Minha Vida, o
Brasil Sorridente, as Cozinhas Solidárias, a Nova Indústria Brasil, o Pé de
Meia, o Gás do Povo, a Farmácia Popular, o Agora Tem Especialistas, o Sistema
Único de Saúde (SUS), a Reforma do Imposto de Renda – isentando quem ganha até
R$5 mil -, a Política Nacional de Cuidados, o Pacto de Enfrentamento ao
Feminicídio, entre muitas outras medidas.
Entendemos
que a fé cristã nos chama à oração e ao compromisso concreto com a vida, a
justiça, a reconciliação, a paz e o cuidado da criação. A defesa da democracia,
da justiça social, da Reforma Agrária; o enfrentamento à fome, a valorização do
trabalho, a proteção dos mais vulneráveis fazem parte da mensagem de Jesus e da
melhor tradição evangélica. Defendemos o fim da escala 6×1, o que representa
qualidade de vida para os trabalhadores e trabalhadoras, além da defesa de um
maior tempo de convivência familiar, essencial para a saúde mental e a
organização do lar.
Reconhecemos
também o papel das igrejas, das organizações comunitárias e das iniciativas de
solidariedade que atuam diariamente nos territórios, periferias, campos e
comunidades de todo o Brasil. São ações que promovem acolhimento, cuidado,
esperança e fortalecimento dos vínculos sociais.
Nossa
fé nos ensina que não podemos ser indiferentes ao sofrimento humano. Seguir
Jesus Cristo significa cuidar da vida, promover a justiça, praticar a
solidariedade e defender a dignidade de todas as pessoas.
Acreditamos
que desenvolvimento econômico e justiça social devem caminhar juntos. Também
entendemos que o desenvolvimento do Brasil precisa estar comprometido com a
proteção do meio ambiente, o cuidado com a criação e a preservação das águas,
das florestas e da biodiversidade. Cuidar da Casa Comum é cuidar do presente e
das futuras gerações.
Bem-aventurados
os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus. (Mateus 5:9)
Reconhecemos
que a violência é uma das maiores preocupações do povo brasileiro. Defendemos
políticas de segurança pública capazes de enfrentar o crime organizado,
proteger as famílias, apoiar as vítimas da violência, fortalecer as
instituições de segurança pública e promover uma cultura de paz, sempre com
respeito à vida, aos direitos humanos e à dignidade da pessoa humana.
Defendemos
de forma especial o enfrentamento de toda violência contra as mulheres e a
promoção de relações baseadas no respeito, na igualdade e na dignidade.
Defendemos
uma sociedade que proteja crianças, mulheres, idosos, pessoas com deficiência,
povos indígenas, comunidades tradicionais e todos os grupos historicamente
vulneráveis ou excluídos. Acreditamos que uma nação mais justa é aquela que
cuida especialmente daqueles que mais precisam de proteção e oportunidades e se
opões a toda forma de discriminação, intolerância e racismo.
Defendemos
a democracia e a soberania nacional como valores fundamentais da vida
brasileira. A democracia garante direitos, protege liberdades, assegura a
participação popular e permite a convivência respeitosa entre diferentes
opiniões, crenças e visões de mundo. A soberania fortalece a capacidade do povo
brasileiro de decidir seu próprio destino, proteger seus recursos estratégicos
e construir um projeto de desenvolvimento comprometido com a justiça social e o
bem comum. Defendemos igualmente a liberdade religiosa, princípio essencial
para que todas as pessoas possam viver sua fé ou suas convicções com dignidade,
respeito e liberdade.
Por
isso, deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo, porque
somos membros uns dos outros. (Efésios 4:25)
Manifestamos
preocupação com a disseminação de notícias falsas, discursos de ódio e
tentativas de manipulação da fé para fins políticos ou econômicos. O Evangelho
nos chama à verdade, à honestidade e à responsabilidade. A religião não deve
ser utilizada para dividir o povo brasileiro, mas para promover esperança,
solidariedade e compromisso com o bem comum.
Nossa
comunicação se fundamenta no respeito, no amor ao próximo e no compromisso com
a verdade. Em nossas Igrejas, nossos irmãos e irmãs, precisam ter um amplo
acesso às informações para que, como os cristãos de Bereia, possam examinar e
verificar onde está a verdade. Como evangélicos afirmamos o nosso compromisso
em compartilhar essas informações, utilizando as redes sociais de forma
responsável, educativa e em diálogo com as particularidades denominacionais,
geracionais e regionais.
Os
governos do PT atuaram sempre de forma respeitosa e laica, defendendo o
respeito a diversidade e a liberdade religiosa. Foi com o presidente Lula que
foram sancionadas leis que garantem o direito de livre culto e a criação de
igrejas. Ele também assinou decretos para o reconhecimento da música gospel
como cultura e patrimônio nacional, além de instituir o Dia Nacional da Música
Gospel, o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa e o Dia Nacional da
Marcha para Jesus. Os governos do PT nunca se opuseram às igrejas, sempre
tiveram uma postura de respeito e de reconhecimento da importância e do papel
da Igreja Evangélica.
Bendito
seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que, segundo a sua grande
misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de
Jesus Cristo dentre os mortos (1 Pedro 1:3)
Como
evangélicas e evangélicos comprometidos com esses valores, reconhecemos os
avanços alcançados pelo Brasil na reconstrução de políticas públicas, na
geração de empregos, na redução da fome, na valorização da educação e da saúde
e na ampliação das oportunidades para a população. Ao mesmo tempo, sabemos que
ainda há muito a fazer para garantir plenamente os direitos sociais e elevar a
qualidade de vida do povo brasileiro.
Como
participantes de um encontro que refletiu sobre os desafios do Brasil e das
eleições de 2026, entendemos que a participação política responsável faz parte
do exercício da cidadania e do compromisso democrático. Por isso, estimulamos a
presença ativa das evangélicas e dos evangélicos nos debates públicos, na
formulação de propostas e na construção dos caminhos que definirão o futuro do
país.
Nesse
primeiro momento salientamos os seguintes tópicos para o plano de governo:
–
Ampliação das políticas públicas voltadas a saúde integral da mulher,
enfrentamento à violência e que tenha como foco em seu cuidado e acolhimento em
relação à sua saúde física e mental.
– A
questão das terras raras precisa ter como norte o desenvolvimento local e
regional, a partir dos conhecimentos e estratégias existentes nas
Universidades, Institutos e no território, visando o desenvolvimento social e a
nossa soberania nacional.
– Em
relação ao campo, defende-se o fortalecimento de políticas voltadas à
agricultura familiar, como a política de Reforma Agrária, o PAA e o Plano
Safra. Também salientamos a necessidade de ampliação dos quintais produtivos,
com prioridade para as camponesas. Além de políticas voltadas para a irrigação
de pequenas propriedades e fortalecimento da educação no campo, com creches e
escolas de educação de tempo integral na zona rural.
–
Criação de políticas voltadas para a juventude, com foco no primeiro emprego.
–
Fortalecimento das políticas para pessoas com deficiência, com foco em ações de
cuidado integral e de geração de renda.
–
Garantia do acesso da população negra ao sistema de justiça.
Ao
avaliarmos os desafios que permanecem e os avanços já conquistados, entendemos
que o Brasil precisa continuar avançando. A redução das desigualdades, a
valorização do trabalho, o fortalecimento dos serviços públicos, a proteção
ambiental, a promoção da cultura de paz e a ampliação das oportunidades para o
povo brasileiro exigem continuidade, compromisso democrático e participação
popular.
Acreditamos
que a esperança não é apenas um sentimento individual. A esperança popular se
constrói coletivamente quando o povo participa da vida pública, amplia
direitos, fortalece a democracia e trabalha para que ninguém seja deixado para
trás.
Inspirados
por esses valores, reafirmamos nosso compromisso com a construção de um Brasil
mais justo, solidário e inclusivo. A partir de uma avaliação cidadã,
democrática e programática dos desafios do país, dos avanços alcançados e das
tarefas ainda necessárias para garantir direitos, reduzir desigualdades e
ampliar oportunidades, manifestamos nosso apoio à continuidade do projeto
democrático e popular liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Este
compromisso não nasce do uso eleitoral da fé, pois compartilhamos do
entendimento do próprio presidente de que não se deve “tirar proveito político
de uma coisa sagrada”.
À
medida que nos aproximamos das eleições de 2026, convidamos as igrejas,
lideranças religiosas, movimentos populares, organizações da sociedade civil e
toda a população brasileira a participar do debate público com liberdade,
responsabilidade, respeito e esperança.
Seguimos
acreditando em um Brasil onde a fé caminhe ao lado da justiça, a política
esteja a serviço da vida, a democracia seja fortalecida, a soberania nacional
seja respeitada, a criação seja cuidada, a verdade prevaleça sobre a mentira e
a esperança seja mais forte do que o medo.
Que
Deus abençoe o povo brasileiro, fortaleça nossa democracia, nossa soberania,
inspire nossas orações e ações em favor do próximo e nos conduza pelos caminhos
da fé, da justiça, da paz, da esperança e do bem comum.
Brasília,
08 de junho de 2026.
IV
Encontro Nacional de Evangélicos do Partido dos Trabalhadores”
¨
Janja responde ataque de Silas Malafaia e deixa pastor
sem reação
Durante discurso no 4º Encontro
Nacional de Evangélicos do PT, a primeira-dama Janja
da Silva respondeu ao ataque que recebeu do pastor Silas Malafaia em
agosto de 2025. Na ocasião, Malafaia debochou dos
encontros de Janja com mulheres evangélicas, as quais classificou como
“insignificantes”.
Janja
afirmou que nenhuma mulher é insignificante e que, mesmo que os encontros
tivessem reunido poucas mulheres evangélicas, o que importa é a abertura de
diálogo.
“Ele
teve a cara de pau de ir em uma rede social e falar que eu estava conversando
com mulheres insignificantes. Insignificante é ele, porque toda mulher, para
mim, é importante”, disse Janja.
Em
2025, Janja realizou encontros com mulheres da Igreja Coletivação, na Ceilândia
(DF).
“Não
importa se eu fiz uma reunião com duas, com três, com duzentas, com mil. O que
importa é que eu conversei, o que importa é que eu ouvi elas […] eu queria
ouvir elas, queria entender qual era a dificuldade de nos aproximarmos
efetivamente. E eu percebi que não tem dificuldade, porque é isso mesmo. As
dificuldades que as mulheres nos seus territórios sentem são as mesmas de uma
mulher progressista e de uma mulher de direita. Não existe essa separação.”
Sempre
presente e histriônico nas redes sociais, até o fechamento desta matéria, Silas
Malafaia ainda não havia se manifestado sobre a declaração de Janja.
Fonte: Fórum

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