Postura
correta existe mesmo? O que a ciência descobriu e ninguém te contou
"Sente
direito". "Endireite as costas". "Pare de ficar
curvado". "Esse celular vai acabar com a sua coluna".
Provavelmente
você já ouviu alguma dessas frases. Talvez até tenha repetido algumas delas
para filhos, familiares ou pacientes.
Por
anos, acreditava que determinadas posturas poderiam ser as grandes responsáveis
por dores na coluna e na região cervical. Costumava-se orientar pacientes a
corrigirem constantemente sua posição ao sentar, prestar mais atenção ao
alinhamento corporal e até relacionar o uso frequente do celular ao
aparecimento de dores no pescoço.
Mas a
ciência evolui. Atualmente, as pesquisas mostram que a relação entre postura e
dor é muito mais complexa do que imaginávamos. Durante décadas, acreditou-se
que existia uma postura ideal e que qualquer desvio desse padrão
inevitavelmente levaria à dor. A lógica parecia simples:
se o
corpo estivesse “desalinhado”, determinadas estruturas sofreriam mais
sobrecarga e, consequentemente, surgiriam os sintomas.
O
problema é que a realidade não é tão linear e hoje sabemos que pessoas com
posturas consideradas excelentes podem apresentar dores importantes. Ao mesmo
tempo, muitas pessoas que não seguem os padrões clássicos de alinhamento vivem
sem qualquer desconforto. Isso não significa que a postura seja irrelevante.
Significa apenas que ela é apenas um dos muitos fatores envolvidos na
experiência dolorosa.
O
exemplo do celular ilustra bem essa mudança de perspectiva. É verdade que
permanecer muito tempo olhando para baixo aumenta a carga mecânica sobre
algumas estruturas do pescoço. No entanto, os estudos não mostram uma relação
tão direta quanto se acreditava entre a posição da cabeça e o desenvolvimento
de dor cervical. Se a postura fosse a principal causa, praticamente todas as
pessoas que utilizam celular por várias horas ao dia apresentariam dor. Mas não
é isso que observamos na prática. Algumas desenvolvem sintomas, outras não.
Isso
acontece porque a dor não depende apenas da posição em que estamos. Ela é
influenciada por uma combinação de fatores que inclui qualidade do sono, níveis
de estresse, capacidade física, histórico prévio de dor, tempo de exposição às
cargas e até aspectos emocionais e comportamentais.
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A melhor postura é a próxima postura
Talvez,
então, a pergunta não seja qual é a postura correta. Talvez a pergunta seja:
por quanto tempo você permanece na mesma postura?
O corpo
humano foi feito para se movimentar. Fomos projetados para caminhar, girar,
alcançar objetos, mudar de posição, sentar, levantar e explorar diferentes
movimentos ao longo do dia. Quando permanecemos muito tempo na mesma posição,
mesmo que ela seja considerada perfeita, alguns tecidos podem se tornar mais
sensíveis e desconfortáveis.
Isso
vale para quem passa horas sentado, mas vale também para quem permanece muito
tempo em pé ou mesmo para quem tenta sustentar uma postura excessivamente
rígida durante todo o dia. Por isso, uma frase bastante utilizada atualmente
resume bem esse conceito: a melhor postura é a próxima postura.
Um dos
conceitos mais interessantes que a ciência trouxe nos últimos anos é o da
adaptabilidade. Em vez de buscar uma posição perfeita, talvez o objetivo deva
ser desenvolver um corpo capaz de tolerar diferentes posições e demandas. Um
corpo forte, que se movimenta regularmente, que varia suas posturas ao longo do
dia e que mantém boa capacidade funcional, tende a lidar melhor com as
exigências da vida cotidiana.
Isso
significa fazer pausas durante o trabalho, levantar periodicamente da cadeira,
caminhar por alguns minutos, mudar de posição ao longo do dia e manter uma
rotina regular de exercícios físicos. O foco passa a ser a construção de
capacidade física e de movimento e não apenas a busca obsessiva por
alinhamento.
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Um corpo que transita entre várias posturas
A
ciência da dor avançou enormemente nas últimas décadas. Hoje sabemos que a dor
é uma experiência complexa, produzida pelo sistema nervoso a partir de
múltiplas informações. Aspectos físicos, emocionais, sociais e comportamentais
interagem constantemente. Por isso, tentar explicar toda dor nas costas, no
pescoço ou nos ombros apenas pela postura costuma ser uma simplificação
excessiva.
O corpo
humano é muito mais complexo e muito mais adaptável do que acreditávamos.
Postura
importa, mas provavelmente não da forma como aprendemos durante muitos anos.
Não existe uma única postura perfeita capaz de prevenir todas as dores ou
proteger completamente a coluna. O que a ciência vem mostrando é que nosso
corpo tolera uma grande variedade de posições e que o movimento costuma ser
mais importante do que a busca pela perfeição.
Mais do
que sentar reto o tempo todo, vale a pena investir em algo muito mais poderoso:
movimentar-se, variar posições, construir força, confiança e capacidade de
adaptação. Porque um corpo saudável não é aquele que permanece imóvel na
postura perfeita. É aquele que consegue se mover com liberdade entre muitas
delas.
• Saiba os benefícios do alongamento e
como praticar do jeito certo
O
alongamento faz parte do vocabulário de quem frequenta academias e estúdios de
pilates, mas também pode — e deve — ser incorporado ao dia a dia de pessoas que
não têm rotina de treinos. Trata-se de uma prática simples e acessível que pode
ser aprendida em aulas específicas, em modalidades como ioga, ou mesmo em
orientações rápidas de profissionais da saúde.
Embora
pareça apenas “esticar o corpo”, o alongamento tem impacto direto na
flexibilidade, na postura, na circulação e até na prevenção de dores
musculares. Os exercícios, que podem ser feitos de forma estática ou dinâmica,
duram em média de 15 a 30 segundos por grupo muscular, e podem ser adaptados
conforme a idade, a condição física e o objetivo de cada pessoa.
Ainda
assim, permanecem muitas dúvidas: é melhor alongar antes ou depois do treino?
Quem não se exercita também precisa se alongar? E qual a diferença prática
entre o alongamento estático e o dinâmico? Para esclarecer essas e outras
questões, especialistas ouvidos pela Agência Einstein explicam os reais
benefícios da prática e os cuidados para incorporá-la de forma segura e eficaz
à rotina.
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1. Quais são os benefícios do alongamento?
Um dos
principais focos desse tipo de exercício é a melhora da flexibilidade, ou seja,
a capacidade de realizar movimentos com grandes amplitudes. Isso está
diretamente ligado à autonomia funcional, inclusive na velhice, ao bem-estar e
à saúde das articulações. Mas, os ganhos que ele oferece vão além: ainda
melhora a circulação, o relaxamento, a percepção corporal, diminui rigidez
muscular e a previne dores.
“Também
podemos citar a contribuição para a postura e para a realização de movimentos
mais eficientes no dia a dia e nos treinos”, acrescenta o médico do esporte e
fisiatra Fabrício Buzatto, do Hospital Universitário da Universidade Federal do
Espírito Santo.
Vale
ressaltar que não é uma prática obrigatória para todos. “Mas, ela tem um
impacto positivo, especialmente quando bem planejada”, complementa o
profissional de educação física Everton Crivoi do Carmo, responsável pela
preparação física no Espaço Einstein Esporte e Reabilitação, do Einstein
Hospital Israelita.
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2. Devem ser feitos antes ou depois do treino de força? Ou o ideal é uma aula
separada?
Segundo
o especialista do Espaço Einstein, a ciência já tem uma boa resposta para essa
questão. “Antes do treino de força, os alongamentos estáticos de longa duração
e intensos não são recomendados. Se forem usados, devem ser curtos e dinâmicos,
funcionando como uma estratégia de aquecimento e preparo da musculatura”,
explica.
Após o
treino os movimentos não reduzem a dor muscular tardia, a famosa dor do dia
seguinte, nem evitam lesões, mas podem proporcionar relaxamento e estimular a
circulação. Já as aulas exclusivas de alongamento ou modalidades que trabalham
esse aspecto, como ioga ou pilates, são boas opções para quem tem pouca
flexibilidade ou sente muita rigidez.
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3. O que é alongamento dinâmico? Quando ele é indicado?
Diferente
do alongamento estático, em que o corpo permanece em uma posição fixa para
esticar determinado músculo — geralmente indicado para momentos fora do treino
—, o alongamento dinâmico envolve movimentos controlados e repetitivos. Esse
tipo de prática aumenta o fluxo sanguíneo, eleva a temperatura e a oxigenação
muscular, além de melhorar a mobilidade, preparando o corpo para a atividade
física e reduzindo o risco de lesões.
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4. Mesmo quem não faz atividades físicas constante pode se beneficiar com o
alongamento?
Sim.
Mesmo quem não tem o hábito de se exercitar pode perceber ganhos na qualidade
de vida, como melhora na circulação, maior facilidade para realizar movimentos
do dia a dia — abaixar-se ou alcançar objetos no alto, por exemplo — e aumento
de força em pessoas sedentárias. “A prática ainda proporciona benefícios para
quem passa muito tempo sentado ou em pé, pois ajuda a reduzir tensões
musculares e previne dores lombares e cervicais”, diz Buzatto.
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5. É normal o alongamento provocar dores intensas?
Não.
Durante o alongamento, é comum sentir apenas uma leve tensão nos músculos,
nunca dor intensa ou desconforto exagerado. Sentir dor é um sinal de que o
corpo pode estar sendo forçado além dos limites, o que pode causar lesões. É
importante respeitar o próprio ritmo e a amplitude de movimento de cada pessoa.
Além disso, o alongamento não substitui o fortalecimento muscular: os dois se
complementam, já que um músculo saudável precisa ser, ao mesmo tempo, forte e
flexível. Incorporar exercícios de força ajuda a proteger articulações,
melhorar a postura e potencializar os benefícios do alongamento.
Fonte:
CNN Brasil

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