Moisés
Mendes: Três saídas para Bolsonaro - fugir, fugir ou fugir
Bolsonaro
não pode ter consumido, no final de 2022, toda a coragem que juntou para fugir
para os Estados Unidos antes do 8 de janeiro. Deve ter coragem armazenada para
fugir de novo. Bolsonaro vai precisar dessa coragem.
Que
deixe de negar que está sem saída e se dedique ao plano de fuga, no melhor
momento, que pode ser agora, antes da condenação inevitável. Abaixo, uma lista
de cinco motivos encadeados para que fuja.
1.
Bolsonaro não aguenta 580 dias de cadeia. Por que 580? Porque esse foi o tempo
do encarceramento de Lula. Bolsonaro, que será condenado a quase 40 anos, não
poderá ficar alguns meses preso, ou todo o sistema de Justiça seria
desmoralizado. O chefe do golpe não pode pegar menos cadeia do que o presidente
perseguido pelo lavajatismo. Como é frágil física e emocionalmente, não
suportaria meio ano preso. O cenário hoje é desolador em todas as frentes
(recursos no TSE, luta pela anistia, pressão sobre o Supremo). Faltam forças
para uma saída política e inexiste a chance de escapar via Justiça. E todos
sabem que a cadeia acabaria com Bolsonaro em algumas semanas.
2.
Trump pode até mandar recados de apoio, mas não tem interesse em se dedicar à
tentativa de sabotagem da Justiça brasileira. Suas preocupações são outras,
estão em Gaza, na Ucrânia, na Europa e na China. Trump vai recomendar a
Bolsonaro que passe um tempo nos Estados Unidos ao lado do filho. Montariam um
QG no Texas, mas não tão precário como aquele de Orlando na primeira fuga, e de
lá passariam a enviar ameaças a Alexandre de Moraes, para que as bases se
mantenham ativas. Bolsonaro tem mais de R$ 20 milhões nos bancos, arrecadados
com PIX, e poderia ter uma vida de luxo no Texas. Trump mandaria um assessor do
terceiro time visitá-lo de vez em quando, como protocolo e para saber se ainda
fala alguma coisa com fundamento e tem alguma utilidade.
3.
Tarcísio de Freitas já foi assimilado pela velha direita como a melhor opção do
bolsonarismo moderado. Tem a bênção de Globo, Folha e Estadão, que podem
estabelecer apenas uma condição: que vá rompendo seus vínculos com a família,
mesmo que mantenha, por necessidade, conexões com algumas das raízes e ideias
básicas do bolsonarismo. Bolsonaro sabe que, se for preso, não será mais nada
na estrutura da direita, porque a direita tem, além de Tarcísio, se esse se
assustar e não concorrer em 2026, pelo menos mais meia dúzia de herdeiros
prontos para enfrentar Lula. Bolsonaro será sucedido e devorado pelas criaturas
criadas ou apoiadas por ele e pelos militares.
4. A
aposta na eleição de uma turma forte para o Senado, em 2026, para cercar o
Supremo, pode ser a única estratégia política capaz de fortalecê-lo, se tiver
sucesso. Mas é arriscado ficar dependendo de uma situação que só começaria a
ter efeito daqui a dois anos. Teria utilidade quando, num provável cenário mais
favorável bem mais adiante, estivesse preparando o retorno ao Brasil, com o STF
já fragilizado. Bolsonaro também deve atentar para as reviravoltas da política
ao redor e saber que pode perder aliados do fascismo no poder na América
Latina. Milei, que perde apoio popular a cada mês, é visto pelos próprios
aliados liberais como vigarista. Dependendo das eleições no Equador e no Chile,
a direita terá sua força política, pelo voto, esvaziada este ano.
5. E
esse é o item com o pior prognóstico, feito inclusive por parceiros. Bolsonaro
preso valerá tanto quanto um Magno Malta solto. Na cadeia, e sem perspectiva de
libertação no curto prazo, será uma gambiarra que já cumpriu sua função e não
terá mais nenhuma serventia. Bolsonaro gostaria de ser um Lula da extrema
direita, capaz de enfrentar a prisão e voltar com força para reaglutinar civis
e militares que estiveram com ele no poder e mais a delinquência em geral, da
Faria Lima aos grileiros da Amazônia e milicianos no Rio. Mas sabe que não tem
a força de Lula. Bolsonaro pode até reunir uma multidão na Paulista, na próxima
aglomeração, mas não escapará do que o espera. Seu território foi tomado pelos
que, mesmo em cima do trio elétrico e ao seu lado, já começaram a traí-lo.
Tenha certeza, Bolsonaro. Eles desejam que você deixe de atrapalhar e fuja.
¨ Deputados do PT pedem
à PGR a adoção de medidas cautelares contra Bolsonaro
Os
deputados federais Lindbergh Farias (PT-RJ) e Rogério Correia (PT-MG)
apresentaram um Pedido de Providências à Procuradoria-Geral da República (PGR),
solicitando a adoção de medidas cautelares contra Jair Bolsonaro. A iniciativa
ocorre no contexto das investigações sobre a suposta tentativa de golpe de
Estado após as eleições de 2022.
A
representação pede que Bolsonaro seja proibido de deixar Brasília sem
autorização judicial, além da imposição de tornozeleira eletrônica e da
restrição de circulação em áreas próximas a embaixadas.
Os
parlamentares argumentam que as medidas são necessárias diante da gravidade das
acusações e do risco de o ex-mandatário tentar fugir do país.
“Por
diversas vezes Jair Bolsonaro incentivou publicamente a fuga de condenados
pelos crimes cometidos no dia 08 de janeiro de 2023, bem como a
permanência clandestina no exterior, em especial na Argentina, como tentativa
de evitar a aplicação da lei e decisões judiciais proferidas pelo Supremo
Tribunal Federal”, diz o documento enviado à PGR.
O
ex-mandatário e outras 33 pessoas foram denunciados pela PGR por suposta
tentativa de golpe de Estado. Entre os crimes imputados a Bolsonaro estão:
liderança de organização criminosa, tentativa de abolição violenta do Estado
Democrático de Direito, golpe de Estado, dano contra o patrimônio da União e
deterioração de patrimônio tombado.
¨ "Bolsonaro faz
sua primeira sinalização de sucessão", diz pesquisador
Em
entrevista ao programa Boa Noite 247, o professor e pesquisador João Cezar de
Castro Rocha apontou que a manifestação bolsonarista realizada em Copacabana
revelou um movimento inédito dentro da extrema direita brasileira: pela
primeira vez, Jair Bolsonaro sinalizou publicamente a possibilidade de não
disputar as eleições de 2026 e indicou um nome para sua sucessão.
"Pela
primeira vez, Bolsonaro, em público, fez uma espécie de passagem simbólica de
bastão", destacou Castro Rocha. Durante o evento, o ex-presidente afirmou:
"Se eu não estiver mais aqui, temos o Tarcísio, que está fazendo um
excelente governo em São Paulo". Para o professor, essa fala é altamente
simbólica, pois representa a primeira vez que Bolsonaro sugere abertamente um
nome fora de seu núcleo familiar para assumir sua base política. "Ele não
indicou Eduardo Bolsonaro, nem Flávio Bolsonaro. Ele escolheu um nome do
sistema", ressaltou.
<><>
O perfil de Tarcísio e a aposta da elite econômica
A possível
transferência de apoio a Tarcísio de Freitas, segundo Castro Rocha, indica um
realinhamento estratégico dentro da extrema direita. O governador de São Paulo
tem um perfil técnico, distante do estilo incendiário de Bolsonaro. "O
discurso do Tarcísio, em nenhuma circunstância, empolga multidão alguma",
afirmou o especialista. No entanto, essa característica pode ser uma vantagem
dentro dos setores mais conservadores da elite brasileira, que buscam um
candidato confiável para enfrentar Lula em 2026 e preservar os interesses do
mercado financeiro.
O
professor comparou o fenômeno à trajetória política de Jânio Quadros e Castelo
Branco. "O Jair Messias Bolsonaro é uma espécie de Jânio Quadros para os
militares, alguém que teve votos, mas revelou-se um desastre. O Tarcísio de
Freitas é o Castelo Branco, alguém que vem de dentro do sistema",
analisou.
<><>
O enfraquecimento do bolsonarismo e a transição de poder
A
manifestação bolsonarista em Copacabana foi marcada por um esvaziamento
inédito, tanto em número de participantes quanto na energia do evento. "Se
no 7 de setembro de 2021 Bolsonaro dissesse 'vamos tomar o poder', haveria
milhares de pessoas dispostas a pegar em armas. Ontem, o que eu vi foi algo
absolutamente morno", observou Castro Rocha.
Ele
destacou que os discursos foram extremamente breves e que houve um esforço dos
organizadores para evitar a dispersão do público. "Se eu saí bronzeado da
manifestação, Bolsonaro saiu queimado", ironizou. Para ele, esse declínio
de mobilização indica um esgotamento do bolsonarismo como movimento autônomo,
que tende a ser absorvido por uma nova configuração política.
"O
bolsonarismo será cada vez mais incorporado à extrema direita evangélica e sua
teologia do domínio", explicou. Como prova desse processo, ele apontou que
o momento de maior entusiasmo do evento ocorreu quando o senador Magno Malta
puxou um louvor religioso, e não quando Bolsonaro discursou.
<><>
O plano da extrema direita para 2026: Congresso acima da Presidência
Castro
Rocha advertiu que o verdadeiro objetivo da extrema direita para 2026 não é
necessariamente a presidência, mas sim a conquista do Congresso. Ele citou um
momento crucial da manifestação, quando Bolsonaro declarou: "Eu peço a
vocês que no ano que vem me deem cinquenta por cento da Câmara e cinquenta por
cento do Senado, que eu mudo o nosso Brasil".
Para o
professor, essa fala revela a estratégia central da extrema direita, que busca
maioria no Legislativo para minar o Supremo Tribunal Federal. "O que ele
quer dizer com isso? Ele quer fazer impeachment de ministros do STF. Esse é o
modelo da extrema direita transnacional", analisou.
Ele
alertou que essa tática já foi aplicada em outros países, como a Hungria sob
Viktor Orbán e os Estados Unidos sob Donald Trump. "Eles chegam ao poder
por meio de eleições democráticas, mas, uma vez no comando, tentam corroer a
democracia por dentro." Para evitar esse cenário, o professor enfatizou
que a esquerda deve priorizar as eleições legislativas de 2026 com a mesma
intensidade dedicada à eleição presidencial.
<><>
Tarcísio e os desafios da sucessão bolsonarista
O
governador de São Paulo aparece como um nome-chave nesse novo arranjo político
da direita. "Tarcísio agrada tanto aos bolsonaristas, especialmente por
sua relação com a Polícia Militar, quanto ao mercado financeiro, devido às
privatizações", apontou Castro Rocha.
No
entanto, a transição de liderança não está garantida. O especialista ressaltou
que Tarcísio pode enfrentar resistência dentro da base bolsonarista mais
radical, que o enxerga como um político mais alinhado ao sistema do que aos
ideais do ex-presidente. "Ele precisará equilibrar sua fidelidade ao
bolsonarismo com a necessidade de ampliar sua aceitação fora desse
círculo", avaliou.
Além
disso, Castro Rocha destacou a blindagem midiática em torno do governador.
"Todos os escândalos que ocorrem no estado de São Paulo desaparecem",
disse, citando como exemplo o caso em que Tarcísio associou o PCC a Guilherme
Boulos sem apresentar provas, crime que poderia ter resultado em sua
inelegibilidade, mas que foi ignorado pelo TSE.
Por
fim, ele alertou para um nome que deve ganhar projeção nas eleições de 2026:
Nagib Buque. "O verdadeiro plano da extrema direita para 2026 é a
militarização completa da segurança pública, e Nagib Buque será uma figura
central nesse processo", previu.
A
análise de Castro Rocha sugere que, enquanto Bolsonaro perde força, a direita
tradicional e a extrema direita já estão em plena reorganização para os
próximos embates políticos no Brasil.
¨ Eduardo Bolsonaro tem
holding nos EUA registrada em endereço residencial
A Braz
Global Holding, registrada nos Estados Unidos em nome do deputado Eduardo
Bolsonaro (PL-SP), tem o endereço vinculado a uma residência na cidade de
Arlington, Texas. Conforme relatado pelo UOL, registros oficiais
do estado norte-americano apontam que a empresa possui apenas três sócios,
incluindo o filho do ex-mandatário Jair Bolsonaro (PL).
A
abertura da holding ocorreu em março de 2023, quando Jair Bolsonaro estava nos
EUA, após a derrota nas eleições de 2022. A localização do registro da empresa
coincide com o local de onde Eduardo tem feito transmissões ao vivo e publicado
fotos desde que deixou o Brasil.
Entre
os sócios da holding está André Porciuncula Esteves, que, nos registros da
empresa, aparece no mesmo endereço de Eduardo. Esteves, ex-policial militar da
Bahia, ocupou um cargo no governo Bolsonaro, chegando a atuar como secretário
de Fomento e Incentivo à Cultura.
O
terceiro sócio da empresa é Paulo Generoso, ligado ao grupo Liber Group Brasil,
do qual Esteves também faz parte. Generoso foi um dos fundadores do Movimento
República de Curitiba, criado em 2016 para apoiar a Operação Lava Jato.
Além da
Braz Global Holding, a empresa Liber Group Brasil também está registrada no
mesmo local, embora Eduardo não figure entre os sócios.
¨ Plano de Eduardo
Bolsonaro contra Moraes inclui processo no Departamento de Justiça dos EUA
O
deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e aliados do presidente dos
Estados Unidos, Donald Trump, estariam planejando um conjunto de medidas contra
o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Além de
sanções econômicas e medidas para bloqueio de visto, a estratégia inclui um
possível processo no Departamento de Justiça, informou a Folha de
S.Paulo.
Segundo
um advogado ligado à gestão Trump, a ideia é que o órgão americano possa
investigar Moraes pelo crime de conspiração contra direitos fundamentais. A
legislação dos EUA prevê punição para quem conspira ou ameaça restringir as
liberdades constitucionais de alguém sem autoridade para isso. A pena pode
variar de multa a até dez anos de prisão.
O
argumento dos apoiadores de Bolsonaro é que Moraes teria cometido essa infração
ao determinar sanções a empresas de redes sociais, exigindo ainda a entrega de
informações de usuários e a suspensão de contas.
Uma das
apostas do grupo também é enquadrar Moraes na Lei Magnitsky, aprovada no
governo Barack Obama. A legislação permite o bloqueio de contas e ativos dos
alvos no exterior, além de estabelecer restrições de visto.
¨ Bolsonaro deve
ignorar julgamento no STF que pode torná-lo réu por trama golpista, dizem
aliados
Jair
Bolsonaro (PL) deve adotar a estratégia de ignorar o julgamento da Primeira
Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) que pode torná-lo réu por participação
em um plano golpista De acordo com parlamentares bolsonaristas ouvidos pela
coluna do jornalista Gustavo Uribe, da CNN Brasil,
Bolsonaro estará em Brasília nesta terça-feira (25), data marcada para o início
da análise da denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR),
mas não há previsão de que ele acompanhe presencialmente o julgamento. Ele também
não deverá participar do encontro político organizado por deputados e senadores
da direita na capital federal.
Nesse
mesmo dia, lideranças conservadoras planejam uma reunião para discutir a pauta
legislativa no Congresso Nacional e reforçar o esforço pela aprovação do
chamado PL da Anistia, que pretende anular punições relacionadas aos atos
antidemocráticos de 8 de Janeiro.
A
ausência de Bolsonaro no julgamento é parte de uma estratégia definida por seus
aliados no Legislativo. “A orientação é que ele demonstre indiferença, como
forma de reforçar a narrativa de que está sendo perseguido politicamente pelo
Supremo”, disse um deputado do PL sob reserva, de acordo com a reportagem. A
aposta é manter o discurso de vítima e evitar o desgaste da exposição direta
durante o processo.
A
Primeira Turma do STF reservou três sessões para julgar a denúncia da PGR,
sendo duas programadas para os dias 25 e 26 de março. A análise começará na
manhã de terça e pode se estender até a quarta-feira. Compõem o colegiado os
ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia, Alexandre de Moraes, Flávio Dino e
Luiz Fux.
O
procurador-geral da República, Paulo Gonet, organizou a acusação em núcleos,
conforme os eixos de atuação identificados pela Polícia Federal na suposta
tentativa de golpe. Bolsonaro foi incluído no primeiro grupo, considerado o
mais relevante, por envolver os supostos líderes da trama.
Além do
ex-mandatário, esse núcleo inclui ex-ministros do seu governo, como Walter
Braga Netto (Casa Civil), Anderson Torres (Justiça) e Paulo Sérgio Nogueira
(Defesa), todos apontados pela PF como peças centrais na articulação golpista.
Fonte:
Brasil 247

Nenhum comentário:
Postar um comentário