Mulheres
que dão à luz devem fazer exercícios para saúde física e mental
As
novas mães devem ser incentivadas a realizar pelo menos duas horas de atividade
física de intensidade moderada a vigorosa, por semana, nos três primeiros meses
pós-parto. Segundo as recomendações, publicadas na revista British Journal of
Sports Medicine podem ser feitos exercícios diversos, como uma caminhada rápida
ou com foco em fortalecimento muscular. Os especialistas também destacam a
importância do treinamento diário dos músculos do assoalho pélvico para
prevenir incontinência urinária e sugerem a adoção de medidas para melhorar a
qualidade e a duração do sono.
No
período do puerpério, aumentam o risco de depressão, retenção de peso e de
líquidos, distúrbios do sono, diabetes e doenças cardiovasculares, sobretudo
quando há complicações durante a gravidez. Contudo, faltam diretrizes claras
sobre como as novas mães devem se envolver em atividades físicas
pós-parto. Visando resolver essa lacuna,
um grupo multidisciplinar de pesquisadores e clínicos especialistas, liderados
pela Universidade de Alberta, no Canadá, desenvolveu orientações atualizadas e
baseadas em evidências sobre atividade física, comportamento sedentário e sono
durante o primeiro ano pós-parto.
As
recomendações feitas pelos cientistas são baseadas na análise minuciosa de 574
estudos e, segundo a equipe, são aplicáveis a todas as mulheres que passaram
por um parto recentemente, independentemente de fatores como amamentação,
origem cultural, deficiência ou situação socioeconômica. Após consulta com mães
que acabaram de dar à luz, o painel de especialistas selecionou 21 resultados
considerados 'críticos' e 'importantes' para análise. A lista inclui lesões,
redução na qualidade ou quantidade do leite materno, depressão, ansiedade,
incontinência urinária, medo do movimento, fadiga e baixo crescimento e
desenvolvimento infantil.
• Recomendações
A
qualidade e a certeza das evidências para cada um desses resultados foram
avaliadas com o uso do sistema Grade — um sistema que avalia a qualidade da
evidência e a força das recomendações em saúde. Com base nesses dados, o painel
recomenda fortemente que, nas primeiras 12 semanas após o parto, as novas mães
— que não apresentem condições ou sintomas que as impeçam de se exercitar —
busquem uma combinação de atividades aeróbicas e de resistência, como caminhada
rápida, ciclismo e exercícios de fortalecimento muscular, totalizando pelo
menos 120 minutos semanais, distribuídos ao longo de quatro ou mais dias da
semana.
Para
aquelas com condições ou sintomas preexistentes, os especialistas aconselham
fazer uma consulta com o próprio médico antes de iniciar ou retomar a prática
de atividade física moderada. No entanto, os cientistas reforçam que todas as
mulheres que passaram pelo parto devem se engajar, ao menos, em atividades
leves diárias, como caminhadas suaves, para evitar os danos causados pela
inatividade.
Outras
recomendações importantes incluem o treinamento diário dos músculos do assoalho
pélvico, para reduzir o risco de incontinência urinária e reabilitar os
músculos dessa região, além de adotar uma rotina de sono saudável — por
exemplo, evitando telas antes de dormir e criando um ambiente escuro e
silencioso — para melhorar a saúde mental.
• Benefícios
De
acordo com Anderson Fernandes, coordenador de fisioterapia do hospital
Anchieta, em Brasília, a prática de atividade física após o parto oferece uma
série de benefícios. "Uma das vantagens é para a recuperação do corpo após
o parto, especialmente ao fortalecer músculos abdominais e do assoalho pélvico,
que geralmente ficam mais fracos durante a gestação. Além disso, estimula a
circulação sanguínea, o que pode ajudar a reduzir o edema nos membros
inferiores, um problema que pode acometer as mamães após o parto."
"Ademais,
os exercícios melhoram o metabolismo e o fortalecimento muscular contribui para
melhorar a postura que pode ser prejudicada durante a amamentação e pelas
atividades diárias de cuidado com o bebê. Além de estimular a liberação de
endorfinas, que melhoram o humor", destacou Fernandes.
A
fisioterapeuta Francielly Paiva Soares, da clínica Reactive Fisioterapia, em
Brasília, frisa que, nos primeiros meses, é fundamental estimular corretamente
a musculatura abdominal e a musculatura do assoalho pélvico. "Abdominais
tradicionais e atividades físicas, como treino de Crossfit e musculação mais
intensa, não são indicadas para esse primeiro momento. É indispensável o
cuidado e atenção para a puérpera. Rede de apoio nesse momento reflete no
bem-estar físico e mental. E claro, passar por profissional especializado em
reabilitação do assoalho pélvico oferece qualidade de vida a longo prazo para
essa mulher."
Conforme
a Sociedade Canadense de Fisiologia do Exercício, as mães que seguirem essas
práticas provavelmente terão diversos benefícios para a saúde, como redução da
depressão, incontinência urinária e dor lombar, além de regular o peso, os
níveis de colesterol e amenizar a fadiga, sem aumentar o risco de lesões ou
efeitos adversos na quantidade, ou, qualidade do leite materno.
Embora
nem sempre seja possível seguir essas recomendações à risca, os especialistas
afirmam que 'mesmo pequenos passos para alcançá-las ainda trarão benefícios
para a saúde física e mental'. Apesar de
ser necessário realizar mais pesquisas para preencher algumas lacunas na
literatura, eles argumentam que os benefícios clínicos significativos
"apoiam fortemente a inclusão de orientações sobre comportamentos de
movimento na prática clínica no período pós-parto'.
• Gestação ativa
"É
grande a importância de fortalecer o assoalho pélvico durante a gestação para
prevenir problemas futuros. A prática de exercícios específicos na gravidez
pode minimizar significativamente o risco de incontinência urinária no
pós-parto. Exercícios para períneo e relaxamento completo da musculatura na
hora de evacuar em conjunto com exercícios respiratórios são essenciais para
prevenção de constipação, associado à alimentação. Além disso, a
conscientização e o cuidado com o assoalho pélvico devem começar antes mesmo do
parto, garantindo uma melhor qualidade de vida para a mulher."
Fonte:
Correio Braziliense
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