quinta-feira, 18 de junho de 2026

A Copa do Mundo 'ad maiorem gloriam' de Trump

Segundo o escritor uruguaio Eduardo Galeano, quando a Copa do Mundo começava, ele colocava uma placa em seu quarto com os dizeres "Fechado para futebol" e só a retirava quando o torneio terminava ou a seleção uruguaia era eliminada. Parece um tanto estranho que, para o autor do aclamado livro As Veias Abertas da América Latina, o futebol servisse como meio de se distanciar do mundo e de todas as suas vicissitudes econômicas, políticas e sociais. De certa forma, isso parecia validar o diagnóstico dos movimentos de esquerda a respeito do papel do esporte — e especialmente do futebol — como uma superestrutura que mascarava ou até mesmo justificava as injustiças produzidas pelo capitalismo. O futebol, então, seria um cúmplice involuntário, mas, em última análise, um colaborador, dos excessos do capitalismo contra a classe trabalhadora, impedindo-a de tomar consciência de todas as injustiças que sofria.

Pode-se pensar que a Copa do Mundo de 2026 cumprirá essa mesma função, não apenas internamente — as questões políticas e jurídicas não estarão mais no centro das atenções da mídia — mas também geopoliticamente. Em outras palavras, por pouco mais de um mês, torcedores ao redor do mundo estarão absortos em assistir e desfrutar de rivalidades "nacionais", mesmo que elas aconteçam em um campo de futebol. E assim, a população global em geral, mas especialmente aqueles em países envolvidos em conflitos armados, poderá esquecer momentaneamente as dificuldades e injustiças que enfrenta.

Mas essa não parece ser a atitude de Donald Trump. Ele parece determinado a que a Copa do Mundo não só mostre, mas também destaque algumas das políticas mais belicosas e agressivas que adotou durante sua presidência. O futebol, a Copa do Mundo, não seria um esconderijo para suas ambições e políticas belicosas, mas uma vitrine para exibi-las abertamente. Essa é a sua psicologia: fazer da busca por seus interesses particulares uma virtude a ser ostentada. Referimo-nos aqui não apenas à arrogância de organizar uma Copa do Mundo onde tudo é excessivo e exagerado, exatamente como ele gosta. Uma Copa do Mundo com 48 seleções e mais de 100 jogos. Ninguém pedia um aumento no número de participantes, apesar das consequências negativas: o acúmulo de problemas organizacionais, que exigem que vários países sediem as partidas, e, além disso, do ponto de vista esportivo, o prolongamento do torneio, com a consequente redução do descanso dos jogadores e um aumento do risco de lesões.

A ostentação em torno desta Copa do Mundo e de seus dois principais patrocinadores, Infantino e Trump, não termina aí. Ela dá continuidade a uma lógica já estabelecida na FIFA em edições anteriores, mas elevada a um patamar superior: a obsessão pelo lucro. Isso se reflete não apenas na receita da venda de direitos de transmissão televisiva, graças ao aumento do número de partidas, mas também no sistema de ingressos, onde foi implementado o "preço dinâmico". Esses preços flutuam de acordo com a demanda, mas sempre sobem (nunca caem).

O resultado é que, enquanto o preço máximo no Catar já era exorbitante — US$ 1.600 —, estima-se que neste ano alguns ingressos possam custar até US$ 13.000, com o preço médio girando em torno de US$ 1.000. Isso significa que eles serão acessíveis apenas a um pequeno número de indivíduos ricos, muito além do alcance dos torcedores tradicionais, aqueles para quem o futebol, como aponta Jorge Valdano, é "a ópera dos pobres".

Mas a falta de escrúpulos mais flagrante é a inversão dos valores que o esporte deveria defender, especialmente um evento como a Copa do Mundo, que deveria ser o epítome da universalidade e inclusão defendidas pelos direitos humanos. É ultrajante que, em vez de acolher torcedores de todas as origens para promover a inclusão e a união — como Infantino gosta de proclamar —, o governo Trump mantenha suas restrições de entrada para 39 países, alguns dos quais participam do torneio e enviam árbitros ou torcedores. Isso significa que eles correm o risco de serem barrados na chegada ou, uma vez em solo americano, detidos e deportados, como é costumeiro para o ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos).

Isso não é mera possibilidade. É uma realidade que já ocorreu com a deportação do árbitro somali Omar Abdulkadir Artan. E a FIFA, que tem poder suficiente para impor condições onerosas ao país anfitrião e garantir lucros exorbitantes para seus patrocinadores, é cúmplice ao fechar os olhos para a situação. Mas isso não deveria ser surpresa a esta altura, dada a cumplicidade entre a dupla improvável formada por Trump e Infantino. O primeiro recompensa o segundo com um mercado potencial de mais de 300 milhões de fãs, e o segundo recompensa o primeiro não apenas com o Prêmio da Paz da FIFA, mas também com uma Copa do Mundo para sua maior glória.

¨      Uma Copa do Mundo feita sob medida para o trumpismo. Por Ricardo Uribarri

A Copa do Mundo da FIFA de 2026 entrará para a história como a primeira a contar com 48 seleções; por sua duração de 39 dias; e por ser realizada em três países diferentes: Estados Unidos, México e Canadá. Mas também será lembrada por questões mais controversas, como o fato de um dos países-sede, os Estados Unidos, estar em guerra com um dos participantes, o Irã. E também será lembrada como a mais hostil para muitos torcedores, tanto os dos Estados Unidos quanto os que tentam viajar para lá para assistir aos jogos. Há muitos motivos para justificar essa avaliação.

Imagine por um instante que você é haitiano ou iraniano e gostaria de ir aos Estados Unidos para torcer pela sua seleção nacional. Esqueça. Será impossível. Por quê? Porque seu país está entre um grupo de 19 nações cujos cidadãos foram proibidos de entrar nos Estados Unidos pelo governo Trump. A consequência é inédita em uma Copa do Mundo: torcedores das seleções classificadas estão proibidos de entrar no país anfitrião para assistir aos jogos. A própria seleção iraniana teve que mudar seu centro de treinamento durante o torneio, inicialmente planejado para o Arizona, para Tijuana, no México. E só poderá permanecer em solo americano pelo tempo estritamente necessário para disputar as partidas da primeira fase em Los Angeles e Seattle.

Mas imagine que você seja da Costa do Marfim ou do Senegal. Sua situação melhora, mas apenas um pouco. Você terá muita dificuldade para obter um visto para entrar nos Estados Unidos, já que esses são dois dos 20 países aos quais as autoridades americanas impuseram severas restrições à emissão desses documentos. Aliás, a Ministra dos Esportes do Senegal já anunciou que seu governo não organizará nenhuma viagem para torcedores devido à rejeição de seus pedidos.

“Tudo bem, mas eu não sou de nenhum desses países”, ele poderia retrucar. “Então não terei problemas para entrar nos Estados Unidos.” De fato, ele terá mais opções, mas isso não significa que não encontrará problemas significativos ao passar pelos rigorosos controles de fronteira. Ele precisará da aprovação dos agentes da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP), que têm autoridade para interrogar passageiros, realizar inspeções adicionais e revisar seus celulares e redes sociais antes de conceder ou negar a entrada. Esse é um processo que não afeta apenas torcedores, mas também membros de delegações oficiais, alguns dos quais, especialmente aqueles de países vistos com suspeita pelas autoridades americanas, estão sendo submetidos a verificações excessivamente rigorosas nos aeroportos. Um dos países afetados foi o Uzbequistão, cujo técnico, o ex-jogador de futebol Fabio Cannavaro, afirmou que lhe disseram: “Essas são as regras, mas no fim das contas a verificação de segurança só nos afetou. É muito estranho, mas você tem que perguntar a eles os motivos desse comportamento.”

Aymen Hussein, um dos jogadores de destaque da seleção iraquiana, foi detido por sete horas no Aeroporto O'Hare de Chicago antes de ter sua entrada autorizada. O fotógrafo oficial da seleção iraquiana não teve a mesma sorte; sua entrada foi negada. O mesmo aconteceu com o árbitro senegalês Omar Abdulkadir Artan, eleito o melhor árbitro de 2025 pela Confederação Africana de Futebol, cujo caso gerou considerável controvérsia nos últimos dias. Ele deveria ser o primeiro árbitro de seu país a apitar uma Copa do Mundo, mas, após desembarcar em Miami, foi submetido a um interrogatório de 11 horas no aeroporto e, depois de ser mantido em uma cela de detenção, teve sua entrada nos Estados Unidos negada devido a "problemas no processo de verificação de antecedentes". Ele teve que pegar um voo para Istambul.

Vamos supor que você conseguiu passar pela triagem inicial e entrar nos Estados Unidos. Outra possibilidade é que você já more no país e tenha interesse em assistir a um jogo. A menos que você tenha uma situação financeira confortável, será impossível comprar um ingresso devido ao preço elevado, um dos principais motivos de protestos nos últimos meses. A edição deste ano promete superar qualquer preço já visto neste evento.

Comparando com as Copas do Mundo recentes, o ingresso mais caro na Rússia, em 2018, custou US$ 1.100, e no Catar, em 2022, foi de US$ 1.600. Para o torneio de 2026, a FIFA estabeleceu um preço inicial de US$ 8.680 para a mesma categoria, valor que, devido ao sistema de preços dinâmicos implementado pela entidade — semelhante ao utilizado pelas companhias aéreas e que varia de acordo com a demanda —, vem aumentando constantemente. Estima-se que, com esse método, a FIFA tenha aumentado os preços dos ingressos em uma média de 34% para 90 das 104 partidas do torneio. A organização projeta uma receita de US$ 3 bilhões apenas com a venda de ingressos e pacotes VIP para esta Copa do Mundo, o que seria quatro vezes mais do que o arrecadado no Catar.

O ingresso mais barato custava inicialmente US$ 140, mas após protestos, a FIFA decidiu liberar um número muito limitado a US$ 60, restrito a algumas partidas da fase de grupos. Os ingressos para alguns jogos da fase de grupos custam mais de US$ 1.000, mas se uma das seleções for do país anfitrião, o preço sobe para US$ 2.735. Nas oitavas de final, a faixa de preço inicial era entre US$ 105 e US$ 980; nas quartas de final, entre US$ 275 e US$ 1.775; nas semifinais, entre US$ 420 e US$ 3.295; e na final, o ingresso mais barato começava em US$ 2.030. Todos esses preços são indicativos, pois podem mudar dependendo das vendas. Além disso, a FIFA possui seu próprio sistema de revenda, uma prática permitida pela lei dos EUA, na qual cobra uma taxa adicional de 15% tanto do vendedor quanto do comprador. Ademais, houve reclamações de torcedores que, após comprarem ingressos para um setor específico, foram realocados para áreas de categoria inferior àquela pela qual haviam pago.

Essa política de venda de ingressos gerou inúmeros protestos de consumidores, levando à intervenção dos procuradores-gerais de Nova York e Nova Jersey, que anunciaram uma investigação contra a FIFA por supostamente inflacionar artificialmente os preços, enganar os torcedores sobre a localização de seus assentos e alterar as categorias de ingressos dentro dos estádios. A procuradora-geral de Nova Jersey, Jennifer Davenport, descreveu o processo como um "calvário", caracterizado por "confusão, escassez artificial e preços exorbitantes". A procuradora-geral de Nova York, Letitia James, afirmou que "ninguém deve ser manipulado a pagar preços exorbitantes por ingressos, e os torcedores devem poder confiar que os ingressos que compram são os que receberão". Os promotores emitiram uma intimação à FIFA, exigindo a divulgação de documentos internos e informações específicas sobre a venda de ingressos. Na Europa, a associação de torcedores Football Supporters Europe (FSE) juntou-se ao grupo de consumidores Euroconsumers para apresentar uma queixa formal à Comissão Europeia "por abuso de poder para impor preços excessivos".

Diante dessa situação, é importante destacar ações específicas tomadas pelas autoridades públicas para facilitar o acesso de torcedores menos favorecidos. Por exemplo, o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, decidiu destinar 1.000 ingressos para moradores da cidade, dentre os distribuídos ao comitê organizador conjunto de Nova York e Nova Jersey, ao preço de US$ 50 cada. Serão distribuídos 150 ingressos por partida para sete dos oito jogos que serão disputados no MetLife Stadium, com exceção da final, que também será realizada lá. Enquanto isso, a presidente mexicana Claudia Sheinbaum promoveu um concurso para mulheres de 16 a 25 anos, no qual quatro participantes ganharam ingressos para jogos da Copa do Mundo. Um desses ingressos era o que a própria Sheinbaum havia recebido para a partida de abertura do torneio, mas que ela abdicou. Em seu lugar, uma jovem indígena de 21 anos, Yolett Cervantes, de Tlaquilpa, Veracruz.

Se você conseguiu entrar no país e gastou uma quantia considerável em ingressos, saiba que ainda terá que arcar com o transporte até os estádios, que também não será barato em alguns lugares. Por exemplo, se você estiver em Nova York e quiser ir de trem ou ônibus, uma viagem de ida e volta custará US$ 98. E isso sendo generoso, porque a empresa responsável pelo transporte originalmente planejava cobrar US$ 150. Os protestos levaram a uma redução de preço, embora ainda seja muito mais caro do que, por exemplo, os US$ 12,90 que custa assistir a um jogo da NFL em qualquer outra época do ano. Talvez você prefira ir de carro. Nesse caso, prepare-se para reservar US$ 200 para estacionamento. Boston é outra cidade que quadruplicou seus custos habituais de transporte. Em contraste, cidades como Miami oferecerão transporte gratuito, enquanto outras como Atlanta, Seattle e Houston manterão suas tarifas normais.

Até recentemente, havia também o receio de que agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) pudessem usar os jogos para realizar batidas perto dos estádios, com o objetivo de localizar imigrantes indocumentados e deportá-los. Embora autoridades do Departamento de Segurança Interna tenham declarado que agentes estarão presentes perto dos locais dos jogos “para garantir a segurança do evento”, não há planos para realizar verificações de imigração nos participantes. No entanto, organizações de defesa dos direitos dos imigrantes permanecem céticas.

Referindo-se a esses problemas relacionados à Copa do Mundo, o lendário jogador de futebol Thierry Henry afirmou que “a FIFA deveria garantir que o futebol continue sendo o foco principal. A política já tem palcos suficientes; o campo de futebol não deveria ser mais um deles”. Mas a organização e seu presidente têm demonstrado amplamente, nos últimos tempos, que sua única preocupação é maximizar o lucro, independentemente de outras considerações. “A edição mais inclusiva, onde todos seriam bem-vindos”, como Infantino proclamou há alguns meses, tornou-se uma das mais hostis e excludentes para os torcedores.

¨      A Copa do Mundo que temos e a Copa do Mundo que deveríamos ter

A Copa do Mundo sempre foi apresentada como a maior celebração esportiva do planeta. Mais do que um torneio de futebol, ela simboliza o encontro entre povos, culturas, idiomas e nações. Durante algumas semanas, o mundo se reúne em torno de uma paixão comum, lembrando-nos de que existem valores capazes de superar fronteiras.

Por isso, os acontecimentos que antecedem a Copa do Mundo de 2026 merecem uma reflexão profunda.

Nos últimos dias, o árbitro somali Omar Abdulkadir Artan, escolhido pela FIFA para atuar no Mundial e que seria o primeiro árbitro da Somália a participar de uma Copa do Mundo, teve sua entrada negada nos Estados Unidos. Mesmo portando visto válido, foi submetido a um longo processo de verificação e acabou impedido de ingressar no país.

Também a seleção do Iraque enfrentou dificuldades. Seu principal atacante, Aymen Hussein, foi retido por aproximadamente sete horas pelas autoridades migratórias antes de ser liberado. Um fotógrafo ligado à delegação teve sua entrada negada.

A seleção do Irã igualmente enfrentou incertezas relacionadas a vistos e condições de permanência durante a competição, gerando questionamentos sobre a participação plena de algumas delegações no torneio.

Outro episódio chamou atenção quando a FIFA determinou alterações no uniforme da seleção do Haiti. O modelo original continha referências históricas à luta pela independência do país e precisou ser modificado para atender às regras da entidade.

No campo econômico, surgiram críticas aos preços dos ingressos. Em alguns casos, os valores para a final alcançaram patamares nunca vistos na história do futebol, levando muitos torcedores a questionar se a Copa continua sendo um evento popular ou se está se tornando um espetáculo acessível apenas a uma pequena parcela da população.

Também não passou despercebido o fato de que, em 2025, a FIFA criou o Prêmio da Paz da FIFA e concedeu sua primeira edição ao presidente Donald Trump, decisão que gerou debates e críticas em diferentes partes do mundo.

Tomados isoladamente, cada um desses episódios pode ser explicado por razões administrativas, políticas, jurídicas ou comerciais. Entretanto, quando observados em conjunto, eles revelam uma tendência preocupante: o risco de que a Copa do Mundo se afaste de sua vocação original.

A Copa não nasceu para ser um privilégio.

Ela nasceu para ser um encontro.

Nasceu para aproximar povos que pensam diferente, falam idiomas diferentes e vivem realidades diferentes.

Quando um árbitro, um atleta, um jornalista ou um torcedor enfrenta barreiras que dificultam sua participação, não estamos diante apenas de um problema burocrático. Estamos diante de uma questão que toca o próprio sentido do evento.

Da mesma forma, quando os custos de participação se tornam proibitivos para milhões de pessoas, corre-se o risco de transformar a maior festa popular do planeta em um produto destinado principalmente aos que possuem maior poder econômico.

A Copa do Mundo que deveríamos ter é uma Copa aberta aos povos.

Uma Copa que acolhe.

Uma Copa que facilita encontros.

Uma Copa que reconhece a diversidade cultural como riqueza da humanidade.

Uma Copa que garante dignidade aos atletas, árbitros, profissionais da comunicação e torcedores.

Uma Copa em que os interesses econômicos estejam a serviço do esporte, e não o contrário.

O futebol possui uma linguagem que poucas instituições conseguiram construir. Em um único estádio podem estar presentes pessoas de diferentes religiões, ideologias, etnias e nacionalidades, torcendo lado a lado. Essa capacidade de reunir a humanidade é um patrimônio que precisa ser preservado.

Talvez a principal pergunta que esta Copa nos apresenta não seja quem levantará a taça no dia da final.

A pergunta mais importante é outra: Estamos construindo uma Copa do Mundo para os povos do mundo ou apenas um grande negócio global?

A resposta a essa pergunta ajudará a definir não apenas o futuro do futebol, mas também o significado humano de suas maiores celebrações.

 

Fonte: El País/Ctxt/IHU

 

Nenhum comentário: