quarta-feira, 19 de março de 2025

Washington Araújo: EUA em Declínio -- A Roma do Século XXI?

Os Estados Unidos, outrora o farol da democracia e a superpotência incontestável do século XX, encontram-se em uma encruzilhada crítica. A discussão sobre o declínio americano, antes relegada a círculos acadêmicos e críticos marginais, ganhou força no debate público, impulsionada por análises contundentes como as do economista Richard Wolff e pelas turbulências políticas e sociais que marcaram o início do século XXI.

A ascensão de Donald Trump à presidência, longe de deter esse processo, como prometido em sua retórica nacionalista, expôs e acelerou as fissuras e contradições que corroem a estrutura do império americano. A analogia com o declínio e queda do Império Romano, popularizada por Edward Gibbon em sua obra monumental, ressurge com força, oferecendo um espelho sombrio para a trajetória dos Estados Unidos no século XXI.

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Este ensaio busca aprofundar a análise dessa encruzilhada, ampliando os aspectos comparativos entre o declínio romano e o americano, explorando a demolição da "cerca de Chesterton" na era Trump, e incorporando insights de pensadores contemporâneos como Noam Chomsky e Slavoj Žižek.

·        A Sombra de Roma: Paralelos entre Declínio Imperial

Edward Gibbon, em "Declínio e Queda do Império Romano", descreveu um processo multifacetado e gradual, marcado por uma série de fatores interconectados que minaram a força e a estabilidade de Roma. Ao traçar paralelos entre a trajetória romana e a americana, é possível identificar semelhanças alarmantes:

» Corrupção e Degradação das Instituições: Gibbon destacou a corrupção generalizada nas instituições romanas, desde o Senado até o exército, como um fator crucial para o declínio. Nos Estados Unidos, a influência do dinheiro na política, o lobby desenfreado, a polarização partidária e a erosão da confiança nas instituições democráticas refletem uma crise de governança e legitimidade. A nomeação de juízes para a Suprema Corte com base em critérios ideológicos, a politização do Departamento de Justiça e os ataques à imprensa livre são exemplos da corrosão das normas e instituições que sustentam a democracia americana.

» Apatia Popular e Perda de Valores Cívicos: Gibbon observou uma crescente apatia entre os cidadãos romanos, que se tornaram mais preocupados com o luxo e o entretenimento do que com o bem-estar da República. Nos Estados Unidos, o consumismo desenfreado, a cultura do espetáculo, a polarização ideológica e a despolitização de amplos setores da população contribuem para uma erosão dos valores cívicos e um enfraquecimento do senso de comunidade e responsabilidade social.

» Desigualdade Social e Econômica: A crescente desigualdade entre ricos e pobres foi um fator de instabilidade social em Roma. Nos Estados Unidos, a concentração de riqueza nas mãos de uma elite cada vez menor, a estagnação dos salários da classe trabalhadora, a precarização do trabalho e a falta de mobilidade social criam um abismo crescente entre os "ganhadores" e os "perdedores" da globalização, alimentando o ressentimento e a polarização.

» Sobrecarga Militar e Extensão Imperial: Roma estendeu seu império por vastos territórios, o que exigiu um enorme esforço militar para manter o controle e defender as fronteiras. Essa sobrecarga militar, combinada com as dificuldades econômicas, enfraqueceu o império. Os Estados Unidos, com sua rede global de bases militares, seu envolvimento em conflitos em diversas partes do mundo e seus gastos militares exorbitantes, enfrentam um dilema semelhante. As derrotas militares no Vietnã, Afeganistão e Iraque, e o atual impasse na Ucrânia, evidenciam os limites do poderio militar americano e o alto custo da projeção de força.

» Invasões Externas e Pressões Migratórias: Roma enfrentou constantes invasões de povos bárbaros em suas fronteiras, o que contribuiu para a fragmentação e o colapso do império. Os Estados Unidos, embora não enfrentem invasões militares tradicionais, lidam com pressões migratórias, tensões raciais e culturais, e a ascensão de potências rivais como a China, que desafiam sua hegemonia global.

·        A Demolição da Cerca de Chesterton

Como observado por Richard Wolff, a retórica de Donald Trump, ao proclamar o fim do declínio americano, revela uma compreensão superficial dos processos históricos. Trump, ao atribuir os problemas do país a administrações anteriores e prometer soluções fáceis e rápidas, encenou um "teatro barato" que desvia a atenção dos verdadeiros desafios estruturais.

A negação dos problemas estruturais, como a desigualdade crescente, a estagnação da classe trabalhadora, a crise do sistema de saúde e a deterioração da infraestrutura, agrava a crise. Essa negação se manifesta na relutância dos líderes políticos em reconhecer a realidade do declínio e em propor soluções abrangentes e de longo prazo.

G.K. Chesterton, escritor e filósofo inglês, formulou o conceito da "cerca de Chesterton" para ilustrar a importância de preservar as instituições e tradições que nos trouxeram até o presente. A cerca representa as normas, valores e práticas que, embora possam não ser imediatamente compreendidas, desempenham um papel importante na manutenção da ordem e da estabilidade social.

Trump, em sua presidência, agiu como um demolidor dessa cerca. Ele ignorou as normas e tradições da política americana, atacou as instituições democráticas, desrespeitou o Estado de Direito e semeou a divisão e o caos.

» Ataque às Instituições Democráticas: Trump questionou a legitimidade das eleições, atacou a imprensa livre, interferiu no trabalho das agências de inteligência e desafiou o sistema de freios e contrapesos. Suas ações minaram a confiança nas instituições democráticas e polarizaram a sociedade americana.

» Desrespeito ao Estado de Direito: Trump demonstrou desprezo pelas leis e normas, concedendo indultos controversos a aliados políticos, obstruindo a justiça e incitando a violência. Suas ações enfraqueceram o Estado de Direito e corroeram a confiança no sistema legal.

» Polarização e Divisão: Trump explorou as divisões raciais, culturais e ideológicas da sociedade americana, semeando o ódio e a intolerância. Sua retórica divisiva alimentou o ressentimento e a polarização, tornando o diálogo e o compromisso cada vez mais difíceis.

» A demolição da cerca de Chesterton por Trump deixou um legado de instabilidade, desconfiança e divisão. A reconstrução dessa cerca, a restauração da confiança nas instituições e a promoção da unidade nacional serão os maiores desafios para a América no futuro.

·        A Crise da Hegemonia Econômica e o Deslocamento do Poder Global

A supremacia econômica dos Estados Unidos, que sustentou sua hegemonia global no século XX, está sendo desafiada pela ascensão de novas potências, como a China e a Índia. A ascensão dos BRICS, com um PIB combinado já superior ao do G7, reflete a mudança do eixo de poder global.

A globalização, que inicialmente beneficiou os Estados Unidos, também contribuiu para o deslocamento da produção industrial para países com mão de obra mais barata, o que resultou na perda de empregos e na estagnação dos salários da classe trabalhadora americana.

A crise financeira de 2008 expôs as fragilidades do sistema financeiro americano e abalou a confiança na capacidade dos Estados Unidos de liderar a economia global.

·        A Crise Social e o Aumento da Desigualdade

O declínio econômico se traduz em crise social. A desigualdade cresce a passos largos, e a classe média e os trabalhadores de baixa renda pagam o preço. O salário-mínimo federal, estagnado em 7,25 dólares por hora desde 2009, é um exemplo gritante dessa deterioração.

A crise do sistema de saúde, com milhões de americanos sem acesso a cuidados médicos adequados, e a crise da educação, com o aumento dos custos universitários e o endividamento estudantil, são outros exemplos da deterioração das condições de vida da maioria da população.

A polarização racial e cultural, a violência armada e a crise dos opioides são outros sintomas da crise social que aflige os Estados Unidos.

·        A Urgência de uma Mudança Real

Para evitar um colapso ainda maior, os Estados Unidos precisam abandonar a arrogância e reconhecer a necessidade de reformas estruturais. A solução não está em medidas cosméticas, mas em uma revisão profunda das instituições, no fortalecimento da democracia e na redução da desigualdade.

É preciso repensar o papel dos Estados Unidos no mundo, abandonar a política de intervenções militares e buscar uma diplomacia mais eficaz e multilateral.

É preciso investir em educação, saúde, infraestrutura e energias renováveis, criando empregos e oportunidades para todos.

É preciso reformar o sistema político, limitando a influência do dinheiro na política, fortalecendo a democracia e garantindo o direito ao voto para todos os cidadãos.

A história ensina que nenhum império é eterno. Os Estados Unidos podem seguir os passos de Roma e sucumbir aos mesmos males ou aprender com a história e tentar reverter esse ciclo. Mas o tempo está se esgotando.

·        A Encruzilhada e o Futuro da América

Os Estados Unidos se encontram em uma encruzilhada crítica. O declínio imperial, a sombra de Roma, a demolição da cerca de Chesterton e as crises econômica, social e política convergem para um momento de profunda incerteza. A retórica da negação, o teatro político e a falta de liderança agravam a crise. A reconstrução da confiança, a restauração das instituições e a promoção da unidade nacional serão os maiores desafios para a América no futuro. O futuro da América dependerá da capacidade de seus cidadãos e líderes de reconhecer a realidade do declínio, abandonar a arrogância, aprender com a história e promover as reformas estruturais necessárias para construir um futuro mais justo, próspero e sustentável. A encruzilhada é desafiadora, mas ainda há espaço para a esperança. Se a crise atual serve como um chamado para uma transformação mais profunda, que transcende as fronteiras nacionais e abraça a visão de que 'A Terra é um só país e os seres humanos seus cidadãos', conforme ensinado por Bahá'u'lláh (1817-1892), então a América, e o mundo, podem emergir mais fortes e unidos. O futuro dirá se a nação será capaz de superar seus desafios e reinventar-se para o século XXI, não apenas como uma potência, mas como um participante ativo na construção de uma civilização global mais justa e pacífica.

 

¨      Fiori: o ciclo que se fecha na Ucrânia

Ao se completarem dois meses da nova administração americana, o histrionismo de Donald Trump e a perplexidade dos europeus criam uma impressão duplamente falsa com relação à Guerra da Ucrânia. Por um lado, o presidente americano se comporta como se os EUA fossem o “país ganhador”, exigindo uma “reparação de guerra” do país derrotado, a Ucrânia, que foi seu grande aliado até anteontem. Por outro, os europeus, em estado de pânico, atribuem à traição de Trump e à sua decisão de acabar com a guerra, a responsabilidade por sua divisão e derrota eminente. Como se fosse possível fazer, desfazer e refazer a história real através apenas da manipulação de “narrativas” que são inventadas e repetidas incansavelmente pelas potências que se acostumaram a controlar o “imaginário coletivo” do sistema mundial.

Na verdade, o que estamos assistindo é o reconhecimento norte-americano de um fato consumado: a vitória da Rússia no campo de batalha contra as tropas da Ucrânia, e contra os

armamentos da OTAN, mesmo que durem ainda a resistência e os ataques pontuais dos ucranianos. Neste momento, os EUA estão exigindo que seus vassalos se rendam, na forma inicial de um “cessar-fogo”, mas na verdade se trata de uma vitória russa sobre os próprios EUA, que forneceram a maior parte do equipamento bélico, base logística, apoio de inteligência e financiamento, que permitiram aos ucranianos resistirem durante três anos, promovendo uma escalada militar que chegou às portas de uma guerra atômica, no final do governo de Joe Biden.

Neste momento, a situação ainda está muito confusa, mas mesmo assim já é possível reconstruir os caminhos e principais passos que levaram a essa guerra. Uma história que começou em 1941, com a assinatura da Carta do Atlântico, pelo presidente americano, Franklin Delano Roosevelt, e pelo primeiro-ministro britânico, Winston Churchill, em Newfoundland, nas cercanias do Canadá. Carta Atlântica que se transformou na “pedra

fundamental” da “aliança estratégica” entre EUA e Grã-Bretanha (GB), que foi vitoriosa na Segunda Guerra Mundial, e que foi em seguida sacramentada pelo bombardeio atômico norte-americano das cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki. Uma aliança inquebrantável que durou 80 anos e que esteve na origem do projeto globalista de construção de um mundo unificado e tutelado pelos anglo-saxões, seguindo as regras e valores da “civilização

ocidental”.

Esse projeto anglo-saxônico mudou de rumo, entretanto, depois do discurso de Winston Churchill, em Fulton, Missouri, EUA, em março de 1946, quando o ex-primeiro-ministro britânico propôs aos seus aliados norte-americanos a construção de uma barreira de contenção militar – que ele chamou de “cortina de ferro” – separando o “mundo ocidental” da zona de influência comunista da União Soviética. Uma política inglesa, de demonização e confronto permanente com a Rússia, que foi formulada pela primeira vez logo após o Congresso de Viena, em 1815, um século antes da Revolução Soviética. A grande novidade desta proposta,

portanto, foi o convencimento e mobilização do governo norte-americano de Harry Truman a favor dessa estratégia que deu início à Guerra Fria, em 1947, seguida pela formação de um bloco dos países do Atlântico Norte, consagrado pela criação da OTAN, em 1949, e pela inauguração da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, em 1951, embrião da União Europeia, que viria a ser formalizada em 1993.

Quarenta anos depois, no momento da queda do Muro de Berlim, em 1989, e da dissolução da União Soviética, em 1993, as duas grandes potências anglo-saxãs voltaram ao seu projeto de

1941. Foi quando se falou em “fim da história” e da vitória definitiva da democracia e do capitalismo liberal e anglo-saxônico, sobretudo depois da arrasadora vitória militar dos EUA na Guerra do Golfo, de 1991/2, quando os americanos expuseram ao mundo sua nova tecnologia de guerra teledirigida, equivalente às bombas de Hiroshima e Nagasaki, do ponto de vista do impacto sobre o sistema mundial.

A partir de então, os EUA se desfizeram do seu compromisso com as Nações Unidas, e com as regras de funcionamento do seu Conselho de Segurança, e transformaram a OTAN – progressivamente – no seu braço armado de intervenção nos Balcãs, no Oriente Médio, na Ásia Central e Europa do Leste”. Primeiro foi a Bósnia, em 1995, e depois a Iugoslávia, em 1999, que foi bombardeada pela OTAN sem a aprovação do Conselho de Segurança da ONU. E o mesmo voltou a acontecer em 2003, quando EUA e Grã Bretanha invadiram e destruíram o Iraque, apesar do veto da Assembleia Geral e do Conselho de Segurança das Nações Unidas,

e da oposição de Alemanha, França e de vários outros aliados tradicionais dos anglo-saxões. Começaram ali as “guerras sem fim” dos EUA, da GB e da OTAN no Grande Oriente Médio, e se estenderam até sua e “retirada” do Afeganistão, em 30 de agosto de 2021.

E o mesmo aconteceu na Europa, onde a OTAN se expandiu de forma contínua, multiplicando suas bases militares na direção da Europa do Leste da fronteira ocidental da Rússia. Apesar da

promessa do secretário de Estado norte-americano James Baker ao primeiro-ministro russo Mikhail Gorbachev, feita em 1991, logo após o fim da Guerra Fria, de que a OTAN não avançaria na direção da Europa do Leste, em 1994, o presidente Bill Clinton autorizou sua primeira expansão, e em 1999 a Otan começou sua “marcha para o Leste”, com a incorporação de Hungria, Polônia e República Tcheca. E em 2004, a OTAN incorporou Estônia, Lituânia, Letônia, Bulgária, Eslovênia e Eslováquia, enquanto experimentava suas

novas formas de intervenção através das chamadas “revoluções coloridas” contra governos desfavoráveis aos interesses americanos – como foi o caso da “revolução das rosas”, na Geórgia, em 2003; da “revolução laranja” na Ucrânia em 2004; da “revolução das tulipas” no Quirguistão, em 2005.

Por fim, em abril de 2008, na cidade de Bucareste, a OTAN anunciou seu xeque-mate, com a incorporação da Geórgia, e sobretudo da Ucrânia, que Zbigniew Brzezinski (o grande geopolítico do Partido Democrata norte-americano), considerava ser uma peça central da disputa dos EUA com a Rússia, pelo controle da Europa do Leste e de todo o continente eurasiano. Tão importante que Brzezinski chegou a propor que a Ucrânia fosse conquistada pelos EUA e pela OTAN, até no máximo 20152 – o que acabou acontecendo depois do golpe de Estado de 2014, que derrubou o governo eleito de Viktor Yanukovych, considerado hostil

pelos EUA e pela OTAN.

A Rússia protestou inutilmente contra esses sucessivos avanços da OTAN sobre sua fronteira ocidental. E, em 2007, na Conferência de Segurança de Munique, o presidente russo, Vladimir Putin, advertiu pessoalmente as potências ocidentais de que a Rússia não toleraria os avanços da OTAN na Geórgia e na Ucrânia. Sua advertência foi ignorada uma vez mais e, no ano seguinte, a Rússia foi obrigada a fazer uma primeira intervenção militar direta na República Autônoma da Ossétia do Sul, para impedir sua incorporação à OTAN. E mais à frente, em 2015, voltou a intervir diretamente contra o golpe de Estado apoiado pelos EUA e pela OTAN, ocupando e incorporando a Crimeia ao território russo.

Por fim, em 15 de dezembro de 2021, a Rússia entregou um memorando às autoridades americanas e da OTAN, e aos governantes da União Europeia, propondo a interrupção da expansão da OTAN, o afastamento de suas tropas das fronteiras russas e a desmilitarização da Ucrânia. Não houve resposta a esse memorando e o silêncio das “potências ocidentais” foi o estopim que deflagrou a invasão russa do território da Ucrânia, iniciando de fato uma “proxy-war” entre Rússia e EUA.

Três anos depois do início da guerra, já não cabe dúvida de que a Rússia venceu no campo de batalha, mas também no campo da competição tecnológico-militar com relação aos equipamentos fornecidos aos ucranianos pelos EUA e pelos países da OTAN. Além disso, a Rússia também venceu a guerra econômica contra as sanções que lhe foram impostas pelas potências ocidentais, e sua economia vem crescendo sistematicamente à frente dos demais países europeus.

Não há dúvida de que a vitória russa se acelerou e consolidou nos dois últimos meses: i) com a saída dos EUA da guerra e a ruptura do seu “casamento estratégico” com a Grã Bretanha;

ii) com a divisão interna da OTAN e a ameaça de saída dos EUA;

iii) com a fragilização da União Europeia, depois do seu afastamento dos EUA;

 iv) e finalmente, com o desmonte do “bloco ocidental” e de sua hegemonia mundial exercida nos últimos 200 anos.

Como consequência, o mais provável é que as negociações post-bellum entre Rússia e EUA se transformem no primeiro passo de uma nova “ordem mundial multipolar” e “pós-europeia”, a mais importante de todas as reivindicações e vitórias russas.

 

Fonte: Brasil 247/Outras Palavras

 

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