quinta-feira, 20 de março de 2025

Cappelli revela outro motivo obscuro por trás da fuga de Eduardo Bolsonaro aos EUA

Interventor federal da Segurança Pública no Distrito Federal logo após os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, o atual presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Ricardo Cappelli, acredita que um outro motivo obscuro esteja por trás da fuga de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) aos Estados Unidos. 

Nesta terça-feira (18), Eduardo confirmou que fugiu de seu país e ficará nos EUA para articular junto a parlamentares estadunidenses e ao governo de Donald Trump retaliações ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e até mesmo sanções ao Brasil. Ele pediu licença de seu mandato de deputado federal para permanecer no país da América do Norte. Sua ideia é solicitar asilo político para que siga conspirando contra o judiciário brasileiro como forma de interferir no curso das investigações sobre tentativa de golpe de Estado que pesam contra o seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. 

Para Ricardo Cappelli, entretanto, o movimento de Eduardo Bolsonaro envolveria outros interesses: articular uma "ofensiva das BigTechs contra o Brasil em 2026", ano eleitoral. 

"O bananinha foi para os EUA? O óbvio todos sabemos, é frouxo. A questão importante é que ele foi para organizar a ofensiva das BigTechs contra o Brasil em 2026. Delírio? Converse com gente séria que monitora o tráfego nas redes. Pergunte o que aconteceu em 2018 e 2022", escreveu o presidente da ABDI em suas redes sociais na noite desta terça. 

<><> Entenda 

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) confirmou, em vídeo divulgado nesta terça-feira (18), que fugiu do Brasil e não volta mais. Desde janeiro, quando Donald Trump tomou posse para seu novo mandato como presidente dos Estados Unidos, o filho de Jair Bolsonaro viajou três vezes ao país e permanece lá para articular sanções contra o Brasil.

Eduardo também anunciou que se licenciará do mandato de deputado para permanecer nos EUA e seguir conspirando contra seu próprio país. O extremista, até então, era alvo de uma ação na Procuradoria-Geral da República (PGR) que solicitava a apreensão de seu passaporte por conspiração contra o governo e o Judiciário brasileiro. O pedido para apreender o passaporte do parlamentar foi negado pela PGR no mesmo dia em que ele confirmou sua fuga aos EUA. 

O filho de Jair Bolsonaro tem se aliado a parlamentares da extrema direita estadunidense para pressionar o governo dos EUA a impor retaliações contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, relator do inquérito sobre a tentativa de golpe, e até mesmo sanções contra o Brasil.

O objetivo é claro: constranger Moraes e o governo Lula com o respaldo dos EUA, tentando influenciar o curso da investigação sobre a tentativa de golpe. A intenção final é livrar Jair Bolsonaro da prisão e reabilitá-lo politicamente para um eventual retorno ao Palácio do Planalto. Além disso, Eduardo Bolsonaro aposta na imposição de sanções norte-americanas contra o Brasil como forma de enfraquecer a gestão de Lula e pavimentar o caminho para que seu pai volte ao poder.

"Da mesma forma que assumi o mandato parlamentar para representar minha nação, eu abdico temporariamente dele. Para seguir bem representando esses irmãos de pátria que me incumbiram desta nobre missão. Irei me licenciar, sem remuneração, para que possa me dedicar integralmente e buscar as devidas sanções aos violadores de direitos humanos", declarou Eduardo Bolsonaro. 

O extremista ainda fez ameaças explícitas ao ministro Alexandre de Moraes: 

"Aqui poderei focar em buscar as justas punições que Alexandre de Moraes e sua gestapo da Polícia Federal merecem. Vocês, homens de geleia, pequenos e vaidosos, não estão acostumados a lidar com homens de convicção". 

¨      Eduardo Bolsonaro chora ao vivo depois de fugir e tenta se esconder

Em entrevista a Ernesto Lacombe, o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) chorou ao comentar a sua fuga para os EUA.

O filho de Jair Bolsonaro tem se aliado a parlamentares da extrema direita estadunidense para pressionar o governo dos EUA a impor retaliações contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, relator do inquérito sobre a tentativa de golpe, e até mesmo sanções contra o Brasil.

O objetivo é claro: constranger Moraes e conspirar contra o governo Lula com o respaldo dos EUA, tentando influenciar o curso da investigação sobre a tentativa de golpe. A intenção final é livrar Jair Bolsonaro da prisão e reabilitá-lo politicamente para um eventual retorno ao Palácio do Planalto. 

<><> Fuga em lágrimas

Porém, sob risco de perder seu passaporte, Eduardo Bolsonaro decidiu ficar por terras estadunidenses. Ao comunicar o fato em entrevista a Ernesto Lacombe, o ex-parlamentar caiu nas lágrimas e até tentou se esconder. 

"É que eu não gosto de parecer que eu tô me vitimizando, né?, disse, ao se vitimizar.

Veja o vídeo:

"O que eu vou fazer? E se ele resolver me prender igual ele fez com o Daniel Silveira devido ao que eu tenho falado, né? Eu vou ficar sem ver meus filhos crescer? Vou ficar, poxa, Jorge há quatro anos, Jair Henrique um ano, e minha mulher tendo que me visitar em cadeia sendo que não cometi crime nenhum, entendeu? Então tem muita coisa que pesa quando você toma essa decisão", disse Eduardo, às lágrimas.

Ele afirmou que seu pai autorizou a fuga: "Conforme eu fui conversando com ele, ele foi entendendo os meus argumentos também, ele aceitou a decisão", disse.

Em 25 de março, começa o julgamento de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado no Supremo Tribunal Federal.

<><> Nikolas Ferreira tem reação desesperada com fuga de Eduardo Bolsonaro

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) teve reação desesperada ao tomar conhecimento da decisão de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) de se licenciar de seu mandato para permanecer nos EUA e, dessa maneira, lutar contra aquilo que ele e bolsonaristas classificam como "ditadura do Alexandre de Moraes", em referência ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

A partir do depoimento de Eduardo Bolsonaro, a claque bolsonarista já trabalha nas redes o discurso de "tirania" e "derrota", prevendo a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro. Agora, como indica Nikolas Ferreira, eles já previam tal cenário.

"Me lembro que na campanha eu dizia o seguinte: se a gente perder é triste, mas se o Bolsonaro perder é uma tragédia. A situação no Brasil é anormal e tirânica. Que Deus nos guie e nos fortaleça", declarou, desesperado, Nikolas Ferreira.

¨      Quanto tempo Eduardo Bolsonaro poderá ficar afastado do cargo: como funciona a licença?

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) anunciou nesta terça-feira (18) que pretende se licenciar do mandato de deputado federal para morar nos Estados Unidos.

O parlamentar fez o anúncio em uma rede social, uma semana antes do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) que pode tornar o pai dele, Jair Bolsonaro (PL), réu por supostamente tramar um golpe de Estado no país.

Eduardo Bolsonaro anuncia que vai se licenciar do mandato de deputado federal

Segundo Eduardo, a decisão é temporária e não será remunerada. Apesar do anúncio, o político ainda não protocolou o pedido de afastamento no Congresso Nacional.

De acordo com a assessoria da Casa, no caso dele, “o deputado está no exercício do mandato e é necessária a efetivação do pedido de licença para análise das garantias das prerrogativas parlamentares”.

  • Deputados federais podem se licenciar da função?

Sim. Segundo o Regimento Interno da Câmara dos Deputados, os congressistas podem tirar licença nos seguintes casos:

  • para desempenhar missão temporária de caráter diplomático ou cultural;
  • para tratamento de saúde;
  • ou para assumir outro cargo público, como ministro.

️Também é prevista a licença para tratar de interesse particular, sem remuneração. De acordo com a norma, esse período não deve ultrapassar 120 dias (4 meses) por sessão legislativa. Esse seria o caso de Eduardo Bolsonaro, caso o afastamento seja oficializado.

Além disso, os parlamentares também têm direito a licença-maternidade e paternidade.

  • Como funciona a licença?

Em regra, a licença deve ser autorizada pelo presidente da Câmara dos Deputados. Atualmente, Hugo Motta (Republicanos-PB).

O pedido deve ser fundamentado, dirigido ao presidente e lido na primeira sessão do plenário após o recebimento.

  • Quem assume o lugar de Eduardo Bolsonaro?

Caso a licença do deputado ultrapasse 120 dias, quem assume o cargo é um suplente.

O primeiro suplente do PL em São Paulo seria Adilson Barroso (PL-SP), mas ele já ocupa a cadeira de Guilherme Derrite (PL-SP), que deixou o mandato para assumir a Secretaria de Segurança Pública em São Paulo. Neste caso, o segundo suplente do partido é Missionário José Olímpio.

Olímpio tem 68 anos e já foi deputado federal em outras duas ocasiões, em 2011 e 2019. Nas eleições de 2022, recebeu cerca de 61 mil votos.

  • Quanto é o salário de um deputado federal?

Desde fevereiro de 2025, os deputados e senadores federais têm remuneração bruta mensal de R$ 46.366,19.

  • Quanto tempo Eduardo Bolsonaro pode ficar nos EUA?

Se o parlamentar estiver nos Estados Unidos portando um visto de turista, a permanência é válida por até 6 meses.

Interlocutores próximos ao deputado afirmam que ele pode pedir asilo político a Trump. A medida é usada para casos de perseguição no local de origem.

Caso a solicitação ocorra e for aprovada, ele poderá permanecer no país por mais tempo.

¨      Eduardo Bolsonaro 'jamais poderia representar o Parlamento', diz vice-líder do governo Lula após deputado se licenciar

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), vice-líder da Maioria na Câmara, classificou como uma "vitória" a licença pedida pelo também deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-RJ), que anunciou ter decidido se mudar para os Estados Unidos.

"É uma grande vitória não ter essa figura [Eduardo Bolsonaro] à frente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, ele jamais poderia estar representando o parlamento. É um grande dia", disse Lindbergh Farias.

A decisão anunciada por Eduardo Bolsonaro acontece dias após seu nome ser cogitado para comandar a Comissão de Relações Exteriores da Câmara. Ele era favorito à vaga. No entanto, o cargo ficará com outro deputado do PL.

Lindbergh e o deputado federal Rogério Corrêa (PT-MG) entraram com um pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) para a apreensão do passaporte de Eduardo Bolsonaro. O documento foi enviado no dia 27 de fevereiro e o STF negou nesta terça-feira (18), após a PGR se posicionar contra o pedido.

Segundo os petistas, havia "o risco concreto" de o filho 03 do ex-presidente praticar ações relacionadas à tentativa de golpe de Estado, ocorrida após a eleição presidencial de 2022 e investigada pelo Supremo.

"[Eduardo Bolsonaro] Ao utilizar-se de sua posição e influência, negocia com nação estrangeira no intuito de intervir em assuntos internos do Brasil com o objetivo de restringir ou obstruir o livre exercício das instituições democráticas, sobretudo do Supremo Tribunal Federal", defendem Lindberg e Corrêa, no documento.

<><> Risco de planejar fuga de Jair Bolsonaro

Para Rogério Corrêa, a ida de Eduardo para os Estados Unidos está relacionada a agilizar uma eventual fuga do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que foi denunciado pela PGR na investigação sobre a tentativa de golpe de estado.

"Não há menor dúvida de que ele [Eduardo Bolsonaro] decidiu ficar nos Estados Unidos porque estava com medo de perder o passaporte e, também, para continuar sua trama golpista. O objetivo, agora, é planejar e preparar a fuga de seu pai", disse Rogério Corrêa.

<><> Pedido para Jair usar tornozeleira eletrônica

Além de pedir ao STF a apreensão do passaporte de Eduardo, os dois deputados entraram com pedido na Procuradoria-geral da República (PGR) para que ela determinasse que Jair Bolsonaro usasse tornozeleira eletrônica.

Ambos argumentam que a decisão impediria que Bolsonaro se aproximasse de qualquer embaixada de outro país no Brasil e lembraram do episódio em que o ex-presidente permaneceu abrigado por dois dias (de 12 a 14 de fevereiro de 2024) na embaixada da Hungria.

"Consigna-se que, mais uma vez, o ex-presidente admitiu a possibilidade de pedir refúgio em alguma embaixada no Brasil, caso tenha a prisão decretada após eventual condenação pela trama golpista de 2022", disseram no documento.

¨      Na mesma semana, duas grandes derrotas do bolsonarismo

O clã Bolsonaro e seus aliados sofreram duas grandes derrotas nesta semana. Não conseguiram apoio popular imaginado para o pedido de anistia a Bolsonaro e outros condenados do 8 de Janeiro, e a ida de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) para a Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados também não vingou.

Após as duas derrotas, o deputado anunciou que vai pedir licença do mandato para morar nos EUA. No comunicado, Eduardo Bolsonaro diz que está fugindo de uma ditadura e de uma tirania.

"Tenho certeza de que o meu eleitor também entende que o meu trabalho neste momento é muito mais importante aqui nos Estados Unidos do que no Brasil. Como defendia o professor Olavo de Carvalho, não se combate uma ditadura vivendo dentro dela", disse o filho 03 do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O deputado afirma que não vai se acovardar sem se submeter a um "regime de exceção". Mas diz isso dois dias após seu pai, dentro do seu próprio país, ir para as ruas, reunir 18 mil pessoas, segundo a USP (não 1 milhão como queria), e liderar uma manifestação política.

Manifestação em que atacou decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que ele considera injustas e exerceu, na plenitude suas liberdades de expressão, de manifestação, de ir e vir.

Que ditadura e tirania são essas? Na ditadura, parlamentares têm mandato cassado, suspenso. Era isso o que os atos institucionais faziam na ditadura militar depois do golpe de 1964 no Brasil. Não era o parlamentar que se licenciava.

E por fim, como é que em uma ditadura ou tirania um parlamentar aspira ser presidente de uma Comissão de Relações Exteriores? E tem apoio do maior partido Parlamento ? Nada disso bate com o conceito de ditadura e tirania da família Bolsonaro.

O clã Bolsonaro inventou a ditadura cloroquina: só funciona na cabeça deles.

 

Fonte: Fórum/g1

 

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