segunda-feira, 5 de junho de 2023

Gladstone Leonel Júnior: Quando as pautas conservadoras se unem com as liberais, o resultado é o bolsonarismo

“Os liberais, dizia, eram maçons; gente de má índole, partidária de enforcar os padres, de instituir o casamento civil e o divórcio, de reconhecer iguais direitos aos filhos naturais e aos legítimos, e de despedaçar o país num sistema federal que despojaria de poderes a autoridade suprema. Os conservadores, ao contrário, que tinham recebido o poder diretamente de Deus, pugnavam pela estabilida¬de da ordem pública e pela moral familiar; eram os defensores da fé de Cristo, do princípio de autoridade, e não estavam dispostos a permitir que o país fosse esquartejado em entidades autônomas”.

Estas frases são do Sr. Apolinar Mascote, um conservador, que dá lições esquemáticas a Aureliano Buendía, o qual des¬pertava a curiosidade pelas ideias liberais. O trecho dos personagens de Gabriel Gacia Marquez no livro 'Cem anos de solidão é a síntese histórica destes blocos políticos na América Latina. Mesmo com a diferença entre conservadores e liberais, o contexto latino-americano aproximou estes dois grupos, os quais pactuaram o poder que possuem elaborando as Constituições vindouras a partir de meados do século XIX e articulando as relações políticas na gestão do Estado.  

Retornemos ao Brasil do século XXI e do ano de 2023. Ano em que foi eleito um Congresso Nacional que deixaria o Sr. Apolinar Mascote no chinelo, cujo o partido de maior bancada usa o nome de “Liberal”, para inflar as suas pautas conservadoras.

>>>> Nesta mesma semana eles se organizam para:

1) aprovar um projeto de lei (490/07) que visa restringir a demarcação de terras indígenas àquelas que comprovarem ocupação datada de 5 de outubro de 1988, ou seja, ignorando a pistolagem, a retirada de indígenas dos seus territórios e reforçando a história de violência contra os povos no Brasil desde 1500;

2) parte da bancada demonstrou repúdio do Estado brasileiro em receber o presidente do Estado Venezuelano no restabelecimento de relações diplomáticas e de atividades político-econômicas;

3) o início dos trabalhos da quinta CPI, dos últimos anos, contra o MST, sem motivação específica para fundamentar a criação dela e cujo relator já possui posições afrontosas ao movimento e à legislação ambiental do país.

Estes temas permitiram o realinhamento de pautas de grupos, que se constroem com uma narrativa liberal, mas não conseguiram emplacar candidaturas presidenciais em 2022, a partir da desmoralização da Lava Jato, e tiveram que aceitar Lula.

A frente deles estão os grandes meios de comunicação, os quais noticiaram diversas ocupações de terra como sendo ato de vandalismo, ignorando as razões políticas; propagandearam o “agro como pop”, os tendo como grandes financiadores, mas ignorando os mesmos como os maiores interessados em retirar os indígenas das terras; noticiaram como ditadura e a violência contra os direitos humanos em países da América Latina, mas só continuam vendo violações nesses países, nunca nos Estados Unidos, nem na Europa, claro.     

Até porque nessa aliança entre liberais e conservadores a democracia é válida só no ato de votar, configurada no mero ato de cidadania passiva. Participação popular ativa, já seria demais para essa turma. Em nenhum momento os veremos questionando a propriedade privada diante dos maiores latifúndios, inconstitucionais, do mundo ou da, também, maior concentração midiática do mundo. Para eles, a terra dos latifúndios e os meios de comunicação não precisam ser democratizados.

Essa aliança histórica (liberal + conservadora), retomada nas referidas pautas da conjuntura atual brasileira, foi responsável pela eleição de Bolsonaro em 2018. De forma inconsequente, mas consciente, é retomada por estes grupos.

Não resta dúvida que deve ser enfrentada com articulação política e mobilização pelos setores populares. Depois dos últimos anos, a integração latinoamericana, as pautas agrárias e indígenas não podem ficar reféns de projetos derrotados em 2022.

Se teve alguém que subiu o tom e não está baixando a cabeça para esta articulação, no que tange as pautas citadas, porque está ciente que, apesar de negociar, não pertence e nem foi eleito por estes grupos, é o presidente Lula. Resta saber quantos estarão com ele para enfrentar uma articulação no poder que ainda faz o povo de reféns.

 

       Mensagens de Cid mostram dia a dia negacionista no Planalto na pandemia

 

No grupo de WhatsApp da ajudância de ordens do Palácio do Planalto durante o governo Jair Bolsonaro, há um retrato preciso do negacionismo que predominava no governo sobre a pandemia do coronavírus.

O conteúdo consta na quebra de sigilo das mensagens do ex-ajudante de ordens Mauro Cid, agora analisadas pela Polícia Federal (PF).

A Covid-19 era chamada de “peste” ou “peste chinesa” pelos assessores. Em 25 de fevereiro de 2021, o ajudante de ordens Osmar Crivellati informou: “Silvio [Kammers] deu positivo o exame de COVID (sic), disse que está bem, sintomas normais da peste”.

Cid respondeu: “Perfeito!”. Kammers também fazia parte da ajudância de ordens.

Naquele momento, a doença se espalhou pelo Palácio do Planalto. Em 1º de março, o próprio Crivelatti informou que começou a “ter sintomas da peste chinesa” e que aguardava o resultado de um teste.

Tenente Alencar, outro integrante do grupo, deu uma atualização do status da equipe no dia 4 de março. “TC (Cid), situação do nosso pessoal afastado, falei com todos eles agora pela manhã: ten Crivelatti está bem, motorista Frota tomando medicação se recuperando de uma pneumonia viral e o Morais está com dores no corpo, mas está bem em dispensa médica aguardando resultado do exame covid”.

Kammers morreu naquele mesmo dia, vítima da doença, o que foi informado também no grupo.

Embora os ajudantes de ordens tenham se mobilizado no velório e na assistência à família de Kammers, o Palácio do Planalto tentou abafar a notícia e só publicou sobre a morte no Diário Oficial da União (DOU) cinco dias depois.

No dia 5 de março, o grupo tomou conhecimento de que a esposa do motorista Frota ligou e pediu ajuda para conseguir uma vaga de internação em um hospital em Brasília – supõe-se que para seu marido, que estava doente.

O mês de março foi um dos mais letais da pandemia, com hospitais lotados. Naquela época, o governo Jair Bolsonaro estava atrasado na compra de vacinas, disponíveis em outros países em escala muito maior do que no Brasil.

O grupo também espalhava desinformação sobre o tema. Em 23 de março de 2021, Cid enviou informações falsas sobre a eficiência do “tratamento precoce”, termo que bolsonaristas usavam para se referir a remédios comprovadamente ineficazes defendidos por eles.

“O protocolo do tratamento precoce funciona!”, disse mensagem encaminhada por ele. “Principalmente se for aplicado corretamente, por pessoas idôneas, como foi o caso do médico militar, tenente Canela, nesse depoimento emocionado do paciente. Mais uma vez, #BolsonaroTemRazao.”

Em junho, quando outro assessor do Planalto adoeceu, Cid buscou saber se ele estava “tomando tudo” de medicação, possivelmente se referindo a drogas ineficazes.

Crivelatti repassou as perguntas ao assessor, um sargento, que, por sua vez, mandou uma foto de sua receita médica. Cid fez mais perguntas sobre a medicação, mas em um áudio, ao qual a coluna não teve acesso.

Era comum que o grupo da ajudância de ordens fosse usado para entrar em contato com negacionistas com quem eles se solidarizavam, como uma médica de Camaquã (RS) demitida por usar remédios ineficazes contra a Covid-19.

“Camaquã está em polvorosa porque o hospital demitiu uma médica que receitava tratamento precoce e tentava, para pacientes terminais, alguns tratamentos experimentais que estão sendo usados com sucesso”, escreveu Cid no grupo.

 

       Rejeitado pelo PL, Salles critica aproximação de Bolsonaro com Nunes

 

O deputado federal Ricardo Salles (PL) mostrou sua insatisfação, neste sábado (3), com o possível apoio da legenda ao atual prefeito, Ricardo Nunes (MDB), na corrida política do ano que vem.

•        O que aconteceu:

Em publicação no Twitter, Salles disse que para o "centrão tudo é business". O ex-ministro de Jair Bolsonaro se sente deixado de lado pelo seu próprio partido para concorrer à Prefeitura de São Paulo em 2024 e disse que o deputado federal Antonio Carlos Rodrigues, seu colega de partido e ex-ministro de Dilma Rousseff, é o nome que representa uma suposta ligação do PL com o PT.

Salles ainda sugere que o MDB, de Nunes, e o PT são aliados. Na avaliação do bolsonarista, a Prefeitura de São Paulo "está cheia de petistas", e ainda cita o nome de Marta Suplicy (MDB), atual secretária de Relações Internacionais da capital e ex-prefeita de São Paulo pelo PT. Horas mais cedo, ele escreveu: "Quem com os porcos anda, farelo come".

Preterido pelo PL, Ricardo Salles quer ser oposição ao deputado federal Guilherme Boulos, do PSOL. No entanto, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e o ex-presidente Jair Bolsonaro, candidato da legenda derrotado nas últimas eleições, têm demonstrado apoio à reeleição de Ricardo Nunes.

Em menos de um mês, os três políticos almoçaram duas vezes. Segundo pessoas próximas de Nunes, o prefeito paulistano ouviu de Costa Neto e Bolsonaro que o PL está "de portas abertas" para ele, o que sugere uma ligação mais próxima com o partido.

Segundo a colunista Thaís Oyama, lideranças do PL afirmam que Boulos teria ampla vantagem contra Salles. De acordo com ela, Bolsonaro está sendo "convencido" que Salles, um nome da extrema-direita, seria "engolido" por Guilherme Boulos na disputa para a prefeitura de São Paulo.

“Vou explicar: Valdemar, através do deputado Antonio Carlos Rodrigues, ex-ministro da Dilma e atual elo de ligação do PL com o PT, tem uma secretaria e duas subprefeituras na administração Nunes, que não apoiou Bolsonaro ano passado e ainda disse ao Estadão não querer ser o candidato da direita. [...] Não são conservadores, nem liberais e nem direita. Muito menos oposição. Jamais serão. Serão sempre governo. Não foi para isso que passamos quatro anos lutando contra a esquerda. Vergonha,” diz Ricardo Salles, deputado federal por São Paulo.

•        PL estuda punição a Ricardo Salles após ataque a Valdemar

O departamento jurídico do Partido Liberal estuda a possibilidade de punir o deputado federal Ricardo Salles (PL-SP) por causa do mais recente ataque feito por ele ao presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto.

Nesse sábado (3/6), Salles reagiu publicamente à aproximação da cúpula do PL e do ex-presidente Jair Bolsonaro ao prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), que tentará a reeleição no ano que vem. Desde o início do ano, Salles tenta se viabilizar como “o candidato bolsonarista” à Prefeitura da capital.

 “Vou explicar: Valdemar, através do deputado Antonio Carlos Rodrigues, ex-ministro da Dilma e atual elo de ligação do PL com o PT, tem uma secretaria e duas subprefeituras na administração Nunes, que não apoiou Bolsonaro ano passado e ainda disse ao Estadão não querer ser o candidato da direita”, tuitou Salles.

Valdemar rechaça extrema direita em SP, mas diz que decisão será de Bolsonaro

Um dia antes, Bolsonaro e Valdemar participaram de um almoço com Nunes na capital paulista, o segundo em menos de um mês. A aliados, o ex-presidente disse que Nunes é o “melhor nome” para disputar a eleição contra o também deputado federal Guilherme Boulos (PSol-SP) em 2024.

•        Punição disciplinar

Logo após o tuíte de Salles ganhar o noticiário, dirigentes do PL começaram a conversar sobre qual seria a melhor forma de reagir ao ataque. Um deles disse ao Metrópoles que o departamento jurídico já está avaliando se o comportamento do deputado configura infração disciplinar.

O estatudo do partido prevê como infração “grave divergência entre seus membros”, com possibildiade de punição que vai de advertência, suspensão de três meses a um ano e até expulsão da legenda. “Não acredito em expulsão porque é isso o que ele quer. Agora, uma suspensão poderia complicá-lo bastante, inclusive na atuação dele nas comissões da Câmara (dos Deputados)”, disse um dirigente do PL, sob reserva.

 

       Eduardo Cunha usa apartamento funcional da filha como QG

 

O ex-deputado federal Eduardo Cunha tem se hospedado no apartamento funcional de Danielle Cunha, sua filha e deputada federal pelo União Brasil no Rio de Janeiro, desde quando ela assumiu o mandato, em fevereiro.

“Não tem sentido ficar em hotel quando minha filha mora aí”, diz Cunha à coluna. “A minha filha frequentava Brasília nos meus mandatos e ficava na minha casa e usava o meu carro quando precisava.”

“Da mesma forma que ela mora com o marido aí. O marido não pode morar no apartamento?”, questionou, negando qualquer irregularidade e lembrando que não há nenhuma regra que proíbe que familiares usem o apartamento funcional.

Em março, a repórter Juliana Braga mostrou que Cunha também usa um carro alugado com cota parlamentar da filha. A assessoria da deputada disse, na ocasião, que o carro “atende a todos que vão a Brasília e contribuem para o exercício do mandato dela, como prefeitos, vereadores, além da própria família”.

 

Fonte: Brasil de Fato/Metrópoles/UOL

 

 

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