segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

O PODER DA COOPTAÇÃO. É DE FAZER MEDO


Em regimes que se definem como democráticos, a formação de partidos políticos é talvez uma das principais manifestações de opinião, haja vista que, a organização de um partido político pressupõe a formação ou reunião de um grupo de pessoas que partilham de perspectivas e interesses comuns.
Porém, como os partido é composto por pessoas, muitas dessas lideranças ao alcançarem determinados patamares da vida pública, muitas sem uma formação moral e ética convicta, iniciam um processo de degradação moral e política, o qual tem início com pequenas benesses culminando com a cooptação por parte daqueles que estão no Poder e ou que lá querem chegar.
Apesar de hoje já está se tornando corriqueiro e a população anestesiada aceitar como normal no meio político, porém se há uma palavra que assusta os homens públicos, especialmente os políticos, mesmo quando estão fazendo exatamente aquilo que a expressão significa, é a expressão “cooptar”, até por conta das interpretações pejorativas que a palavra passou a ter.
Porém cooptar é o papel exercido por qualquer político que trabalha todo o tempo para tentar atrair lideranças que integram os quadros dos seus adversários. Não é exatamente isto o que o governo Lula tem feito? Que os governos estaduais fazem ao investir sobre as bases políticas no interior? E o que os opositores têm tentado nos seus contatos, ou José Serra, Aécio Neves e Cia. Ltda., são santinhos e quando viajam pelos Estados não tem buscado convencer prefeitos e lideranças que é sua a melhor proposta de governo e, com isto, transformar adversários em aliados? E isto não um trabalho de cooptação?
Portanto que fique claro: o que os políticos fazem em período de campanha eleitoral é, pura e simplesmente, cooptação. O que torna o termo pejorativo é a forma que usam para alcançar os seus objetivos.
A história tem mostrado que o processo de cooptação, sempre existiu ao longo dos séculos e foi realizado em sua grande maioria pela burguesia, que sempre buscou atrair para os seus quadros, líderes, dirigentes, intelectuais, artistas ou simplesmente militantes de esquerda ou do movimento sindical, ou seja, todos aqueles que direta ou indiretamente atravessavam os seus caminhos, principalmente aquelas lideranças de trabalhadores ou de lutas anticapitalistas.
E como se dá esta cooptação. O líder ao iniciar sua atividade, o faz de modo resoluto, mesmo que ideologicamente esteja despreparado, nas suas organizações e nos seus partidos políticos, de forma que adquira a confiança da classe a que representa. Porém com a convivência com a ala burguesa, a partir de dado momento, sente-se atraído pelos seus apelos, modo e forma de viver. Este é o apelo, o chamamento da burguesia.
A partir deste chamamento se inicia um processo de adaptação, onde é instalado no aparelho, utilizando da desculpa que está se sacrificando, a título de dar continuidade a luta dos interesses dos trabalhadores. Instalado no cargo de dirigente, seja em empresa privada ou em cargos de órgãos estatais, aí se inicia sua readaptação, passando a defender os interesses das elites econômicas e ou políticas, na verdade administrando os negócios e as crises do capital e da burguesia, negando todo o passado, passando a praticar as ações anteriormente criticadas e a qual combatia, entre elas, a repressão sobre a classe trabalhadora, sempre em nome da disciplina e da ordem. É claro da disciplina e da ordem emanada do capital e da classe burguesa.
Vejamos o maior exemplo de nosso País. O Presidente Lula. Daquele metalúrgico de ontem, das greves do ABC, compare ao Lula de hoje. Antes, um líder operário à frente de sua classe; depois, um líder a serviço do Estado, do capital, da burguesia e das elites econômicas e financeiras. Antes, dirigindo greves e manifestações; hoje, reprimindo-as.
Para entender o caso Lula é necessário que entendamos todo o processo de cooptação, o qual ocorre não de uma vez só, na verdade, quando um ex-dirigente, ex-operário ou intelectual alcança uma cadeira de Poder, ele já passou pelo processo de reeducação muito antes e várias vezes.
Voltemos ao nosso exemplo, o caso Lula e um pouco de sua trajetória e discursos. Após o surgimento do PT, em 1981, Lula se julgava e o partido como de “esquerda”. Por diversas vezes em seus discursos ele dizia: “Além de o PT ser um partido de esquerda, é um partido que tem um objetivo socialista”. 04 anos após, em 1985, esta era a palavra de ordem: "Não podemos, não queremos e não devemos pagar a dívida externa”. Um ano após, em 1986: “Quando chegarmos ao socialismo vamos dizer como ele será”, e em 1989: “Onde tiver um terreno vazio o trabalhador sem moradia deve invadir”. E ainda, “quando chegarmos ao Poder será criada uma auditoria sobre a dívida externa e interna, para comprovar que ela já foi paga várias vezes”. Estas eras as palavras de ordem de Lula, a liderança maior do PT, gravado e arquivados nos diversos jornais e revistas de circulação no Brasil.
Lula, que nunca foi um socialista, como ele mesmo afirmou e tem afirmado, até porque, ele, absolutamente nada sabia acerca de socialismo, estava nesta época na fase de readaptação, ou seja, no estágio do Lech Walesa, seu amigo, de 1980. O nosso ex-líder sindical não passava de um social-democrata ainda radical e inserido numa luta anti - ditatorial, que se travava na época.
Já em 1998, portanto 09 anos depois, quando seu processo de readaptação estava em curso, ou seja, passando para a condição de neoliberal, Lula muda de discurso: “Podemos fazer alianças sem nos prostituir”. Assim, mostra definitivamente a cara: “O PT não está propondo o calote das dívidas externa e interna. Nós queremos, sim, a auditoria da dívida externa”. Em 2001: “Eu acho que essa discussão numa campanha eleitoral, capitalismo e socialismo, estão defasados e fora de época”. Ainda em 2001: “Existem contratos que não podem deixar de ser cumpridos, mas isso não significa que sejamos obrigados a concordar com eles”. As duas últimas opiniões de Lula poderiam muito bem ter saído dos lábios do próprio FHC.
Isto significa que Lula e seu partido, o PT, já se encontravam totalmente domados, prontos e paramentados para assumirem a chefia do Estado neoliberal brasileiro como manda o figurino do atual estágio do capitalismo “globalizado”.
Portanto, se compararmos as idéias de Lula 1981 a 1989 com as de 1998 a 2000 e atuais, inclusive com as companhias políticas escolhidas após a ascensão ao Poder, veremos que só faltando dizer o mesmo de FHC, ou seja,: “Esqueçam de tudo o que eu disse e fiz no passado”.
Portanto, aí está o maior exemplo de cooptação feito pelas elites, não só a uma liderança, mas ao partido como um todo, pois sabemos que o sonho é o Poder e para alcançá-lo temos que nos submeter aos ditames das elites.
Um dia isto mudará. Quando? Aí só o tempo, o sonho e os ideais de alguém ou de um grupo poderá determinar.