sábado, 10 de novembro de 2012

A ÉTICA PETISTA E SUA DEGENERAÇÃO POLÍTICA: pior que o carlismo



Alguns fatores levaram o projeto petista de assumir o comando da capital baiana, principalmente neste período, onde Salvador vai está bastante visível, não só por ser a sede da copa de 2014, mas pelo que ela representa de peso político para o País, ter sido derrotado,
O partido se apresentou com um discurso vazio, sem muito conteúdo, girando basicamente em torno da necessidade do atrelamento aos governos federal e estadual - como só assim se poderia administrar um Estado ou município, ou seja, teria que ser do PT ou de partidos aliados para as verbas federais serem liberadas -, rotulando o adversário como representante do atraso, sucessor do carlismo.
Procurou através de promessas, apelar para uma distinção entre dois projetos de governo, cuja distinção não passava de retórica eleitoreira, sem qualquer substância ideológica.
Apregoavam o terror anticarlista, esquecendo que em seu palanque, estava rodeada com a mais fina flor do carlismo, transformando assim, na marca da degeneração da ética petista.
Além da degeneração política petista, some-se o abandono pelo PT da bandeira de defensores da ética e da moral na política, assumindo após o mensalão, que tudo não passa de uma questão de cálculo para a manutenção, conquista e ampliação do poder, mesmo ao custo de mentiras e do abandono da verdade.
O anticarlismo foi à bandeira desfraldada durante a campanha e os discursos inflamados em relação ao retorno ao atraso político que o carlismo representa, era gritado por todos os cantos da capital. Esquecendo os petistas, que o seu líder maior, o Lula, contou com o apoio de ACM na Bahia no segundo turno das eleições presidenciais de 2002, quando esse coronel político ainda estava entre nós e mandava e desmandava por aqui.
Tradicionalmente a população baiana sempre esteve ao lado das oposições ao carlismo. Mas entre ser oposição ao grupo liderado por ACM e ser burra, está uma distancia muito grande.
Enquanto o candidato a prefeito e sua trupe bradava contra o carlismo, o governador Jaques Wagner vive rodeado deles, trazendo-os para perto de si, o que havia de mais puro sangue do grupo, figuras exponenciais, como seu vice-governador Otto Alencar, os ex-deputados Clovis Ferraz, Pedro Alcântara, Jairo Carneiro e mais recentemente o ex-senador César Borges que, quando governador, ordenou a ação da Polícia Militar de invasão ao campus da UFBA, cuja truculência Pelegrino e o PT apresentavam em sua propaganda eleitoral, sem, contudo, identificar o seu autor ou mesmo o comandante policial da ação, o qual fora promovido pelo mesmo Wagner.
Todos eles estavam no palanque de Pelegrino. Como criticar o carlismo se ao seu lado estava à fina flor carlista? Para complicar, o maior financiador da sua campanha era a OAS, conhecida no meio político como “Obrigado Amigo Sogro”, pelas obras que conseguia, com quem o candidato petista, dizem, teria negociado apoio para um grande empreendimento imobiliário no futuro.
Aliado a tudo, deve ainda ser considerado o fracasso do governo Wagner em políticas de segurança pública, das negociações com os policiais militares e com professores, somado a promessas não cumpridas.
Quando pensávamos que tínhamos rompido com as amarras do coronelismo, eis que o PT se apresenta com a mesma roupagem, tentando transformar Salvador em mais um dos seus currais, e que os soteropolitanos deviam obediência ao seu "rei".
A ética petista é fundamentada no argumento que, ninguém é ruim se estiver ao seu lado, só quem não presta são os que não estão a eles aliados. Isto tem sido visto ao longo destes anos que o PT está no Poder.
Passada a eleições em Salvador, após derrota do seu candidato à prefeitura, diversos artigos e postagens na internet foram colocadas, onde petistas e aliados, criticavam duramente os eleitores soteropolitanos pela escolha de ACM Neto, afirmando que a população havia apostado em candidatos que representavam o passado.
Ora, não vimos às mesmas análises quando Lula se aliou a Sarney, Renan Calheiros, Collor de Melo e por último a Paulo Maluf,entre outros, no afã de eleger o seu candidato em São Paulo, como um retrocesso, muito pelo contrário, Lula com isto é considerado pelos petistas como grande estrategista.
Ninguém ousou tecer críticas quando o governador Jaques Wagner optou por governar com antigos aliados do carlismo (PP, PR, PTB, etc.), ou seja, como dizem alguns analistas políticos,  “lulistas genéricos” e “carlistas transgênicos”, mantendo a surrada e velha fórmula clientelista e patrimonialista de governar, para orgulho de Malvadeza I, que lá onde estiver se sentirá orgulhoso dos amigos que aqui deixou.
Aquele sonho de mudanças na política, com o governo Wagner acabou, quando este optou pela continuidade do modelo de governar que a população já estava acostumada a ver, ou seja, descaso com os serviços públicos, principalmente na saúde, educação; criminalização da pobreza; investimento em repressão como política de segurança pública; tratamento autoritário nas diversas reivindicações dos servidores públicos quando em greve; privatizações, etc.
Diante dessa conjuntura, aqueles que sempre lutaram contra o carlismo, como o ex-governador Valdir Pires assiste desolado,  Wagner se cercar de carlistas e adesistas por todos os lados..
Só para recordar: quando Waldir foi governador, enfrentou uma oposição ferrenha, comandada nada mais nada menos que por Antonio Carlos Magalhães e por aqueles que hoje estão ao lado de Wagner. Mesmo com uma oposição ferrenha, Waldir resistiu, sem jamais se socorrer dos adesistas como faz Wagner agora.
Hoje, apenas para lembrar, podemos citar o caso de Otto Alencar, que foi condecorado por Wagner com o título de "o melhor dos carlistas": As chicotadas com que ACM ameaçava dar aos inimigos foram aplicadas sem dó e piedade por Otto Alencar contra Waldir. Àquela época Waldir apanhou de Otto, hoje feito vice-governador de Jaques Wagner, como só ele sabe a dor.
O pior ainda, é ver o ex-deputado Clóvis Ferraz, carlista doente e que agora representa Wagner até em solenidade na Assembleia Legislativa, desfilar como representante de um governo que se diz de esquerda. Este é o quadro que desfila hoje na política baiana, que não deixa de ser desalentador. E ninguém ouve qualquer crítica de parte do PT e dos antigos aliados.
Voltando a derrota em Salvador, o maior cabo eleitoral de ACM Neto, foi o próprio governador Jaques Wagner, o único dos grandes governadores nordestino que não elegeu o seu candidato, fomentando o sentimento e o  nascimento de um antipetismo no Estado, que tende a crescer na mesma proporção em que as pessoas se decepcionam com  a gestão Wagner.
O sentimento hoje, é o de considerar Wagner um governador estranho.
De militante sindicalista se transformou num dos governadores mais apáticos e cruel que pode existir. Deixou de dialogar com o povo, de andar pelas ruas da cidade – aliás, optou por andar de helicóptero -, não visita bairros, nem sequer vai mais às portas das fábricas, onde começou sua trajetória política.
Ao contrário, escolheu Jaques Wagner em conviver com "antigos carlistas", que em um passado recente sempre combateu - como Otto Alencar, Cesar Borges, entre outros já citados a cima -, em lugar de estimular o arejamento e a qualificação do partido, de quadros limitados,
Enquanto vemos surgir lideranças em outros estados nordestinos, transformando os seus governos com a marca do desenvolvimento, da inovação, da transformação na educação do crescimento e de uma gestão bem pensada, na Bahia assiste-se o contrário.
A população baiana cansou da falta de renovação dos quadros petistas e desse esse jogo de comadres onde se revezam os nomes de Wagner, Pelegrino e Pinheiro. Sempre os mesmos, sem que haja qualquer alternância.
Diante da mesmice petista, a tendência, realmente, é pelo ressurgimento do carlismo, até porque a grande maioria do seu quadro, hoje se encontra  lado a lado com Wagner, o qual tem exercido um papel fundamental para o seu retorno, através da cooptação e das alianças espúria em seu governo.

12 comentários:

Toninhobira disse...

Boa analise do esfriamento Petista como combativo e promessa de mudança no social.Por outro lado vejo com muita peocupação o palanque do lado de lá,com os mesmos que tambem foram base do ACM do painel.Então penso que a Bahia e pricipalmente Salvador estará amargando mais uma temporada de mesmice e nada novo,com este povo já pensando em 2014.Eu nao confio neles tambem.Meu amigo o povo,vai ter que crer na força que tem,para não er abandonado pela vaidade daqueles que estarão no poder.
Não creio que se fará um revanchismo contra Salvador como fora feito pelo velho ACM no governo da Lidice.Espero e sonho com uma Salvador mais limpa nas ruas e na politica.
Um abraço Francklin.

Marcos Bastos disse...

Agora com o mensalão, AP 470, temos a nítida impressão que está fazendo um julgamento político cheio de exageros de alguns de seus membros mais qualificados e omissão dos outros por falta de argumentação competente.
Quantos crimes muito maiores têm sido "esquecidos" por este mesmo tribunal que de superior só tem a verba bilionária que custa aos cofres públicos, sustentados pelos contribuintes! Todos os brasileiros são contribuintes, até os mais pobres pagam pesados impostos embutidos no arroz e feijão que compram, assistindo-lhes o direito de reclamar ainda mais contra estas fantochadas que não passam de lutas intestinas dos fazedores de politicalha, sempre de olho no Orçamento Geral da União, o alvo principal de tantas e maquiavélicas manobras que os tais ministros togados têm o dever de combater, mas...

Marcos Chagas disse...

O Pc do B é um dos partidos da esquerda comunista brasileira que aderiu fervorosamente à corrupção, roubando até a comida destinada a crianças pobres. Mas à diferença do passado, o objetivo do roubo não é colher fundos para tomar o poder. Ele já está no poder, sendo muito bem representado pelo Ministro do Esporte, Aldo Rabelo.

"Era tudo roubo. Vi maços de dinheiro serem distribuídos", afirma o proprietário da empresa JJ Logística Empresarial Ltda.

Marina Ferreira disse...

A PF descobriu que uma "pequena igreja" - sem templo nem fiéis - havia movimentado em suas contas quase R$ 400 milhões em operações financeiras. A "igreja" usada para a fraude só existia no papel: tinha registros nos cadastros do Fisco apenas para acobertar as atividades ilícitas de empresas do Grupo, que recorria a servidores para dar sumiço em documentos da Secretaria da Fazenda estadual. Como foram tolos. Se tivessem criado um partido político e fossem para a base aliada a PF não veria nada.

Amaro Souza disse...

Impressionante como os miseráveis transgressores das leis no país são premiados, esses togados, são indivíduos que estão acima das leis vigentes, essa injustiça flagrante não pode permanecer vigente, são exemplos negativos, que influencia o comportamento da população de qualquer nível cultural, tem que enquadrar de maneira adequada essas figuras esdrúxulas...
Abraço,

Marly Cuesta disse...

Nossa, temos que reconhecer que realmente o povo de Salvador, optou pelo ranço político e de autoritarismo que um partido representa num estado.Pelo que está escrito neste texto, vejo que vcs se orgulham das malvadezas do carlismo, se orgulham das ações de velhos coronéis da política carlista.Credo, isso é puro atraso de um povo!
Minhas condolências a essa mentalidade!

Garça Mello disse...

Kassab já nomeou um secretário de Haddad, e Maluf vai nomear outro. É o “homem novo” em ação; é o “novo jeito” de fazer política…
Como é mesmo? Fernando Haddad, o prefeito eleito de São Paulo, foi saudado pela imprensa companheira, especialmente a que se diz isenta, como “o novo”, a “novidade”, a “renovação” — e outras tolices do paradigma. Uma secretaria, a do Meio Ambiente, já está prometida para kassabista Roberto Trípoli, líder do atual prefeito na Câmara. É o novo…
Os petistas confirmam também o óbvio: Paulo Maluf, chefão do PP paulista, também vai poder indicar um secretário. Desde 1969, o homem só ficou longe da Prefeitura nas gestões Erundina, Marta, Serra e Kassab. Agora está de volta. É o novo… E mais novidades vêm por aí.

Lucelia Moreira disse...

De momento que vocês defendem estas pessoas condenadas, em julgamento democrático, público, de documentação aberta, notório e isento, e até feito por maioria do STF nomeada pelo próprio executivo do PT, contra petralhas notoriamente corruptos, está defendendo nada mais que a própria corrupção, sim. De acordo com a ética e a lógica dos petralhas, Al Capone, quando foi enquadrado por sonegação do IR, nos Usa, também foi um injustiçado..rsrs !!!. NUNCA tinha feito nada de errado até então. Segundo esta mesma lógica, claro que lá todo mundo sabe que tal como estes petralhas corruptos daqui, ele e seus comparsas eram completamente inocentes, foram apenas vítimas da mídia golpista do Chicago Tribune.. .quá, quá, quá.. . Me engana, que eu góstio !!!

Marcos Limoeiro disse...

Em nota divulgada à imprensa, Dirceu alega que arriscou a própria vida,lutando pela democracia.
Faz parte da “democracia” de Dirceu: comprar votos de parlamentares, sequestrar, assaltar bancos, jogar bombas em locais públicos, roubar o dinheiro da nação, implantar censura a imprensa. Foi por essa “democracia” bolivariana, cubana e chavista que ele gostaria de ter implantado no Brasil.
Todo marginal quando entra no crime, arrisca a vida. Sequestrar, assaltar, jogar bombas em locais público é arriscado…… Portanto, marginal quando arrisca a vida não possui mérito algum.

Reginaldo Oliveira disse...

Destruíram um projeto popular, unindo-se à decadente e egoísta burguesia nacional, dando-lhe fôlego e muita grana. Compuseram-se com os antes inimigos, acreditando ser a melhor tática. Utilizaram-se dos métodos dos “agora amigos”, “afinal se todos fizeram, e nunca deu errado nem jamais daria nada!” Engendraram um plano estratégico, em cima de um crime perfeito que não existe quando alguém investiga seriamente.

Nelson Carvalho disse...

O Partido dos Trabalhadores, contrariamente à sua promessa – estelionato eleitoral – de resgatar a moralidade no poder público, transformou esse mesmo poder em um Covil de Bandidos e o país em um Paraíso de Cafajestes - os esclarecidos canalhas. Seu ponto de partida foi transformar o Congresso Nacional em um balcão de compra de apoio parlamentar dando origem a uma gang que acaba de ter a maioria de seus membros condenados pelo STF.
A recente fala do Senador Jorge Viana no Senado contendo o protesto “ser inadmissível que o governo nomeie ministros que depois condenem membros do partido” consolida ainda mais o caráter cafajeste desse partido que está destruindo o país que tentou fazer do STF um lacaio do projeto de poder do PT.

Paulino Cardoso disse...

Enquanto eram os PPP (pobres, pretos e prostitutas) jogados desde sempre nas cadeias, estava tudo muito bem. Bastou o Supremo decretar dez anos e dez meses de prisão para José Dirceu para todo mundo acordar e discutir a realidade penitenciária brasileira.
Se o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, classifica as prisões do país como "medievais" e prefere a morte a ficar preso no Brasil, o que a sociedade e principalmente os próprios condenados podem dizer?
Com a autoridade de quem atuou efetivamente para melhorar esse estado de coisas, retirando das prisões milhares de presos ilegais à época em que presidiu o STF e o CNJ, Gilmar Mendes concordou com a crítica de Cardozo, mas ironizou: "Lamento que ele fale só agora".
Depois da pena de Dirceu à prisão, também entrou em pauta no Supremo o debate sobre penas pecuniárias versus privação de liberdade. Ou seja, multas em vez de prisão.
Estridente, Dias Toffoli disse que o intuito dos crimes (do mensalão) era financeiro, e não atentar contra a democracia ou partir para a violência, e resumiu: "Era o vil metal. Que se pague então com o vil metal".
E houve uma inversão. Antes, o revisor Ricardo Lewandowski abria o debate e Toffoli o acompanhava. Ontem, Toffoli puxou a questão e Lewandowski foi o primeiro a aderir à tese, com uma ressalva: desde que de acordo com as posses do réu.
Soou como uma tentativa de negociação típica de advogados, não de juízes: já que estão condenados, que paguem em dinheiro, não em dias na cadeia. Tudo, menos levar réus tão ilustres para a prisão?
A dinâmica do julgamento, porém, segue a lei e a tradição: uma coisa não elimina a outra. Condenados devem pagar com o bolso e, dependendo do caso, com a liberdade.
Que a condenação de poderosos não seja em vão nem só vingança. Além de resgatar a Justiça, que possa também tornar mais justas as prisões medievais dos brasileiros comuns.