sexta-feira, 28 de outubro de 2011

O DESMONTE DO ESTADO A QUEM INTERESSA(OU)?


Desde a era Collor que o Brasil vem passando por um processo de desmonte do Estado, através do processo de privatização inicialmente das estatais, agora das rodovias, já se fala dos aeroportos e portos e não se sabe o que mais estão aprontando. É um processo de desmonte jamais visto antes. Nunca se privatizou tanto em tão pouco tempo.
O que é de se espantar é a forma ou como o processo tem ocorrido. Sempre cercado de sigilos, dúvidas e desconfiança de parte da população, e para tentar minorar o grau de desconfiança pela falta de credibilidade, procuram se utilizar de farta e intensa propaganda que procura justificar a iniciativa.
Seus defensores, não sabemos a interesse de que ou de quem, insistem em considerar Estado brasileiro como um paquiderme, pesadão e inoperante. Logo eles, os principais responsáveis pelo inchaço do quadro funcional, através de indicações de milhares de apadinhados políticos, muitos sem qualquer conhecimento ou competência e outros sem qualquer necessidade.
Em seus discursos procuram argumentar a incapacidade do Estado brasileiro em investir, apesar da elevada carga tributária e os recordes de arrecadação que são batidos mês após mês, e que os serviços públicos se privatizados melhorariam de qualidade e ficariam mais baratos, além disto, que o dinheiro arrecadado deveria ser utilizado para abater a dívida pública, fazendo com que sobrassem mais recursos para gastos sociais.
Aí vem a pergunta que todo brasileiro deveria está fazendo: No patrimônio já privatizado isto realmente ocorreu? A telefonia fixa ficou mais barata? Os orelhões funcionam em algum lugar da sua cidade? A energia elétrica está mais barata? As estradas pedagiadas dão exemplos de qualidade e você transita a um custo cabível em seu bolso? Enquanto isto o Estado que deixou de cuidar destas atividades por acaso reduziu a carga tributária em igual percentual dos bens privatizados? Os serviços públicos essenciais e que caberia ao Estado cuidar melhoraram? Como está a educação pública em sua cidade? E o atendimento pelo SUS, as pessoas continuam morrendo nas filas de espera dos hospitais? E a oferta de medicamentos essenciais continua faltando? A Segurança pública é um exemplo?
Pois estes era e são os argumentos ainda utilidados, que o Estado tinha que investir em educação, Saúde, Segurança Publica e infra-estrutura, e se não ocorresse ou ocorrer as privatizações a tendência será faltar recursos para as atividades essenciais.
Volto a perguntar: E então a educação pública melhorou? Aonde? A saúde pública está as mil maravilhas? Aonde? A Segurança Pública existe? Aonde?
Recursos todos sabem que existem, mas para onde está indo? Ora, da mesma forma que sabemos da existência dos recursos, todos sabem para onde é destinado estes recursos: para as obras superfaturadas; para os bolsos de políticos e empresários desonestos, sem que a nossa Justiça tome qualquer medida.
Aliás, também seria sonhar muito que os mesmos punissem os mesmos. Recentemente um Ministro do Supremo foi a um casamento, onde o noivo que tem dezenas de causas no Supremo, com despesas pagas pelo advogado. Já viu então como será sua decisão não?
Mas voltando as privatizações, a quem realmente interessa?
Analisando material que tem chegado as nossas mãos e que circula na internet de críticos e de muitos denunciantes dos atos lesivos das privatizações, a gente passa a ter um quadro nu e cru de como os seus defensores pouco estava ou estão interessado em defender o patrimônio brasileiro.
Pelo que se observa, de início a prioridade era que os leilões ocorressem rapidamente, a toque de caixa, em pouco tempo, com prazos curtos, de forma a não vir despertar o interesse de muitos concorrentes e sim de poucos compradores em potencial de forma que fosse mais fácil oferecer-lhes inúmeras vantagens e facilidades.
Para atrair este grupo seleto de investidores “selecionados” deu-se início a um programa de saneamento das estatais a serem doadas, transformando-as de empresas deficitárias que eram, ocasionadas pelo inchaço de pessoal colocado através do apadrinhamento político, muitos inclusive sem necessidade, e de excesso de diretores com altos salários, tornando-as lucrativas.
Para que isto pudesse ocorrer o governo (o mesmo que passava para a população através da imprensa que o Estado havia esgotado a sua capacidade de investimento) investiu grandes somas nessas empresas, aumentou-lhes substancialmente as tarifas, que quando eram administradas pelo governo tinha as suas tarifas subsidiadas e muitas dessas beneficiavam os consumidores de baixa renda, além de assumir suas dívidas, ficando para o arrematador apenas o filet mignon, como diz o ditado.
Para dar sustentação à doação programada, o governo se encarregou de contratar Consultorias Internacionais escolhidas a dedo, para avaliar estas empresas. As Empresas de Consultoria de forma programada utilizaram de metodologias onde aplicaram o método de projeção da "presumível" lucratividade futura, sem levar em consideração tudo o que o Estado gastou para saneá-las. Como se sabe, este tipo de avaliação são medidas arbitrárias, e “induzidos” por estas avaliações o governo que já estava mal intencionado, estabeleceu preços mínimos inferiores ao que ele investiu somado às dívidas assumidas por ele.
Diante dos preços estabelecidos qualquer leigo ou dirigente responsável chegaria a conclusão que do ponto de vista do erário público, teria sido muito melhor manter as empresas administradas pelo poder público, em vez de vendê-las a preços de banana.
Aliado a toda esta tramóia, o governo ainda ofereceu aos compradores todos os tipos de facilidades, sempre à custa do suor do brasileiro, que é quem mantém o erário público. Um destes escândalos foi receber parte do pagamento em "moeda podre", ou seja, títulos públicos que levariam anos para vencer e que à época estava cotada muito abaixo de seu valor nominal no mercado, dada a falta de credibilidade do governo de então, junto aos investidores internacionais.
Diante desta facilidade o que fizeram os grupos interessados em arrematar as nossas estatais? Compraram os títulos públicos com grandes descontos e os usaram para pagar a conta ao governo. Só que o pagamento foi feito pelo valor nominal dos mesmos e não pelo valor de compra.
Não existe argumento para os defensores do sistema de privatização utilizada e que até hoje é adotado, que possam ser utilizados que justifique o crime praticado contra o povo brasileiro, pois ao receber os títulos pelo valor nominal só aí representou significativo subsídio acrescido do preço de banana que a estatal foi leiloada.
Na época ainda apareceu alguns heróis, aliás, ainda existem no País algumas viúvas que ousam defender o modelo de privatização utilizado, com o argumento de que o governo teria que pagar um dia estes títulos pelo valor nominal dos mesmos. Ora esta é o tipo de justifica para boi dormir, primeiro, porque não havia motivos para antecipar o seu resgate, e se fosse necessário resgatá-los antecipadamente o próprio governo poderia tê-los adquirido economizando 40, 50% ou mais do seu valor, como fizeram as empresas que o adquiriram, para efetuar o pagamento ao governo pelo valor nominal.
Achando pouco o crime de lesa pátria que cometeram, ainda utilizaram o BNDES para financiar grande parte dessas aquisições, a prazos e juros subsidiados, quando não obrigou o Banco a se associar minoritariamente e sem poder de voto para se desfazer das estatais.
Sugiro a quem queira se aprofundar, ou melhor, conhecer o escândalo que foi às privatizações, que procure nas livrarias o livro “BRASIL PRIVATIZADO” escrito por Biondi, pois é um livro muito rico em denúncias, a maioria documentada, constituindo um contraponto eficaz à propaganda oficial.
Ele segue a linha do jornalismo investigativo de denúncia, que coloca em xeque as versões dominantes, veiculadas interesseiramente pela grande mídia que foi a maior cúmplice do governo nesta propaganda difundida a favor da privatização a preço de banana.
Apenas para adiantar e aguçar a sua curiosidade, Biondi em sua obra atribui também ao governo as piores intenções, chegando a escrever na pag 6 "... o famoso processo de privatização no Brasil está cheio de aberrações. Não foi feito para 'beneficiar o consumidor', a população, e sim levando em conta os interesses - e a busca de grandes lucros - dos grupos que 'compraram' as estatais, sejam eles brasileiros ou multinacionais." Já na pag 7 ele continua: "Houve uma intensa campanha contra as estatais nos meios de comunicação, verdadeira 'lavagem cerebral' da população para facilitar as privatizações. Entre os principais argumentos, apareceu sempre a promessa de que elas trariam preços mais baixos para o consumidor 'graças à maior eficiência das empresas privadas'. A promessa era pura enganação. No caso dos serviços telefônicos e de energia elétrica, o projeto de governo foi fazer exatamente o contrário, por baixo do pano ou na surdina".<
Por isto eu pergunto: a quem interessou ou a quem interessa a privatização? Quem levou e tem levado vantagens até hoje?

8 comentários:

Artur Larangeira Filho disse...

Quanto ao modelo de privatização não tenho condições de opinar, mas que o Estado é um paquiderme, pesadão e inoperante, isso eu não tenho a menor dúvida. O Brasil é a 7ª economia mundial, está entre os 10 países mais desiguais do mundo e tem a 14ª maior carga tributária, pode? O Brasil nos cobrou em 2009 35,50% de carga tributária, enquanto países com igual nível de desenvolvimento social ao nosso cobraram muito pouco de sue cidadãos, como: Coreia – 34,50%; Turquia – 24,60%,Rússia – 23%, China – 20%, Chile – 18,20%, México – 17,50% e Índia – 17,20%. Para não haver reclamações, listo a seguir, apenas os países que cobram mais taxa que o Brasil – notem que todos com excelentes serviços públicos: Dinamarca, Suécia, Itália, Bélgica, Finlândia, Áustria, França, Noruega, Hungria, Eslovênia, Luxemburgo, Alemanha e República Tcheca (dados do OCDE).

Diante deste quadro fica realmente a pergunta: como se arrecada tanto e se faz um básico de péssima qualidade? Para mim a resposta está no modelo de Estado brasileiro que não é voltado para o povo e sim para seus funcionários, que têm salários, aposentadorias e privilégios que nem no 1º mundo existem, para mensalões e demais corrupções, e para os patrões de seus fornecedores, daí o que sobra para a população? Restos, migalhas, bolsas famílias., etc.

Conclusão: para o país ser uma república democrática tem que ser totalmente reformado, considerando-se os princípios de negação de privilégios e de que o interesse coletivo sempre deverá se sobrepor aos interesses individuais ou de poucos. ESSE ESTADO É UM DESATRE PARA O POVO.

Anônimo disse...

Grande Franklin, como sempre preciso nas análises e informações.
É exatamente esta a minha visão, concordo contigo em gênero número e grau. Outro grande brasileiro que irá concordar contigo, é o grande jornalista Helio Fernandes, Doutor das causas brasileiras.
Um abraço deste teu leitor assíduo
Wagner

Palavradesa disse...

OUTRA pergunta seria: O estado com milhares de cargos comissionados e estatais submetidas a interesse de grupos políticos e de partidos da base aliada (seja quais forem os governantes) a quem interessa?
Albernaz Terra

Anônimo disse...

Oi Franklin, dá uma pesquisada no bando de psicopatas da Nova Ordem Mudial, tenho certeza de que não é só brasileiro que está por trás disso.

Abs,
Celia

Célia Barcellos disse...

Tenho certeza de que o bando de psicopatas de cá se aliou com o bando de psicopatas de lá, não só para levar vantagen$$$, mas para negociar os poderes que lhes cabem na "nova ordem mundial".

Acbei de postar sua matéria aqui:
http://holosgaia.blogspot.com/2011/10/privatizacoes-fraudulentas-adivinha.html

Qualquer coisa que queira mudar, pode deixar um comentário.

Obrigada por nos passar sua pesquisa,

Celia

Palavradesa disse...

Pessoal

Vamos ser claros. As esquerdas sempre foram corruptas. Para eles dinheiro publico é e sempre será a fonte de sua receita. Eles não sabem e nunca vão se interessar em ser eficientes para produzir. São eficientes nas mobilizações para alcançar o poder. Depois roubam para se manter. Os exemplos estão em todos os países governados por eles.

O grande mal para o Brasil é que empresários são favorecidos e a nossa principal mídia, Rede Globo, se cala porque tudo isso convêm a ambos. É bom ao governo manter o povo dopado e distraído com aquela programação inútil, noticiando apenas o que interessa, principalmente crimes e prisões encomendadas, para não pensar nas coisas realmente importantes para a família e para a Nação. E, o faturamento aumenta.

E a oposição?? Que oposição?? Será que interessa aos políticos ser oposição com essa mamata toda..

Infelizmente é essa a nossa realidade. Estamos Fu........
A Eliana fez um desabafo esses dias que eu endosso plenamente.

Miguel Pellicciari

Palavradesa disse...

Será que ninguém percebe, que o foco dos verdadeiros corruptos é desviar a atenção da sociedade brasileira para a verdadeira corrupção praticada pelos GRANDES e que a MÍDIA ALIADA AS GOVERNÂNÇAS ABAFAM??

Quem escolheram? o ministro Orlando Silva, PORQUE NÃO PUNIRAM O TEIXEIRA?

Qual partido escolheram?? o PC do B (que não é do meu agrado) É um partido fraco. PORQUE NÃO ERSCOLHERAM O PT, aonde LULA distribuiu milhões para ONGS antes de encerrar seu mandato, sem qualquer análise ou investigação por parte dos órgãos públicos competentes destinados para tal função?

Vejam, a corrupção na BAHIA É GRANDE E CABELUDA . TÃO GRANDE, TÃO GRANDE, E NINGUÉM PAROU PARA PENSAR QUE ACM FOI, MAS DEIXOU A HERANÇA MALDITA, que em ritimo galopante caminha, para a desnacionalização do país, comprometendo a Soberania Brasileira.

Anonimo

vapera disse...

Muito bom, entretanto gostaria de lembara algumas coisas.
Por exemplo, o funcionário público aposenta de forma imoral com proventos integrais, e entendendo que o estado é imoral, corrupto, malversador, prevaricador, nepotista e etc, etc, tec, É evidente que esse estado é criminoso e que o que é chamado de imposto, na verdade é butim. Assim todos os funcionários públicos que tem em seus salários um pedaço do butim perpetrado pelo estado, fica claro que são criminosos, mesmo que só por omissão e receptação, mas são criminosos.
Ademais, se somos atacados e a justiça resolve intervir, ela fica com a fiança do infrator, fica com as multas e isso por ter sido inoperante, e leniente, enquanto o cidadão ofendido terá que correr atrás em uma justiça venal e corrupta.
Temos três poderes e só votamos em dois e o único que é escolhido por ele própro, o judiciário é que garante todos os corruptos livres dos outros poderes, isso é muito peculiar. Ademais, tal poder tem a prerrogativa de julgar seguindo as opiniões pessoais e interpretativamente> ou seja, não existe lei, existe o que um juiz quer entender como lei!!! Será que isso não é a verdadeira causa de tudo o que citastes???