sexta-feira, 21 de outubro de 2011

IGUALDADE SOCIAL: Como alcançar em uma sociedade de desigualdades sociais?

A pobreza é um fator social que afeta a todos os países, sejam ricos, emergentes ou pobres. No entanto, a desigualdade social nos moldes que se vê em nosso País, é um problema que ocorre em países não desenvolvidos, fruto principalmente da grande concentração de renda, onde poucos têm tudo e a maioria nada ou quase nada.
Ao se falar em desigualdade social, temos que compreende-la pelas diversas facetas com que se apresenta.
Como nas demais Nações que enfrenta esse problema, no Brasil ela traz diversas vestimentas, seja na desigualdade de oportunidades, na má distribuição da renda, em relação à escolaridade, de gênero, racial e até político, e por estes caminhos ela continua trilhando.
O Brasil, orgulhosamente, apresenta a desigualdade social como seu grande cartão de visita para o mundo, já que é do conhecimento de todos, ser um dos países mais desiguais, apesar de dados econômicos o incluir entre os 8 mais ricos do mundo. Em contrapartida, segundo dados da ONU, o Brasil está entre as 10 nações mais desiguais socialmente do mundo. Andamos na contramão do desenvolvimento, e de forma gritante.
Não vamos aqui discutir estudos que buscam justificar a desigualdade social brasileira, pois se sabe que diversas variáveis contribuíram e tem contribuído para este flagelo em nosso País, permanecendo por séculos em patamares inaceitáveis, diante da força de sua economia.
Não venhamos aqui culpar apenas os nossos antepassados ou o modelo de colonização utilizada, pois o que se tem percebido, e estes estudiosos não atribuem, é que esta persistente desigualdade social ocorre no Brasil em decorrência do processo de modernização, principalmente a partir do séc. XIX, diante do modelo de desenvolvimento econômico implantado, que trouxe como consequência o crescimento da miséria; as disparidades sociais, como na educação, na distribuição de renda, nos serviços de saúde, entre tantos outros fatores que impõe a desigualdade como fator das injustiças ocasionadas.
A desigualdade social ocasionada pela gritante concentração de renda, tem deixado como herança para a população, o desemprego, a fome que atinge milhões de brasileiros e a consequente desnutrição, a baixa escolaridade, a insegurança com o aumento da violência.
Este tem sido os ganhos obtidos pela maioria da população e esses são os exemplos do grau a que chegaram as desigualdades sociais no Brasil, fruto principalmente da elevada concentração da renda. Este é o modelo que tem tem que ser mudado rapidamente, se queremos acabar com a fome e a pobreza do País.
E esta herança maldita, se não combatida a tempo e com vigor, tende a se acumular.
Qualquer leigo sabe, que aqueles que vêm de família pobre e da periferia, não tem a mínima oportunidade de obter um nível de instrução que o permita concorrer no mercado e com isso galgar a ascensão de classe social. Não é preciso ser expert no assunto para poder afirmar que aqueles que possuem baixo nível de escolaridade não têm a menor chance de chegar a um nível social mais digno, ou até mesmo de lhe ser dada a chance de exercer uma profissão que lhe traga prestígio ou no mínimo de ser bem remunerado.
Os governos têm grande culpa pelas desigualdades sociais que reina em nosso País, em função de uma política econômica equivocada e de um sistema político onde vigora a “lei do mais sabido”, acrescentando a estes erros e equívocos que tem ocasionado grande parte dos problemas sociais, porém, a maior responsabilidade cabe a este jogo do mercado e do capital, cujos interesses maiores está no acumulo de bens e da riqueza, em detrimento das necessidades da maioria.
Portanto, urge que medidas sejam tomadas, reinventando um novo modelo político e econômico, onde se invista nas pessoas, como modelo de valorização do capital humano, e que os investimentos sejam voltados pensando na coletividade e para a coletividade.
Não se pode admitir e conviver com este modelo que se implantou em nosso país, onde em pleno século XXI, menos de um terço da população dispõe de condições de educação e vida comparativeis aos países considerados ricos, enquanto uma minoria tem que se submeter a um nível extremamente modesto e se vangloria de ser classe média, e a grande maioria tenha um padrão comparável aos mais pobres países afro - asiáticos.
A nossa sociedade precisa se aperceber da necessidade urgente de combater de forma efetiva a desigualdade social incrustada no Brasil. Precisa urgentemente se engajar, de forma que todos possam se beneficiar das riquezas produzidas neste País.
É preciso e fundamental a democratização do desenvolvimento tecnológico e o acesso a informação para todos, que não fique restrito a uma minoria, pois diante de uma economia cada vez mais globalizada, o conhecimento torna-se peça fundamental e significativa para a estratificação social e a formação do processo de desigualdade.
É aí que a educação pública e de qualidade entra nesta engrenagem, como mola propulsora fundamental para a mudança na estratificação social. A educação, não esta que aí está, mas uma educação como fonte geradora e portadora da transmissão do conhecimento, mudando o atual foco, que está unicamente voltado para formação técnica e prática, para uma formação que seja capaz de desenvolver no indivíduo o prazer de aprender a aprender. Que formemos profissionais pesquisadores e não apenas mão de obra "qualificada" para servir unicamente ao mercado.
Só através de uma educação pública de qualidade será capaz de gerar conhecimento e este conhecimento adquirido será capaz de iniciar um processo de redução das desigualdades em nosso País.
Antes argumentavam que era necessário o bolo crescer para se dividir as fatias em parte iguais. O bolo cresceu e a cada dia que passa cresce mais, e o que se assiste é o nível das desigualdades aumentarem. E o que é pior, é se observar que a estrutura de Poder e relações deste Poder com a sociedade, não tem apresentado o diálogo necessário e suficiente que tragam esperanças de mudanças significativas nesta ordem estrutural econômica e social que aí está.
Ou a sociedade acorda e se une, ou dificilmente conseguiremos alterar o formato da pirâmide social, que tanto humilha e alimenta as desigualdades.
Já estácomprovado que somente através da EDUCAÇÃO, é que poderemos disseminar o conhecimento, peça fundamental para que todos possam compreender e assimilar a quantidade de informações recebidas diariamente e será através da EDUCAÇÃO que todos brasileiros terão a garantia do exercício pleno da cidadania e poderemos iniciar o processo de transformação da base da desigualdade social.
Não devemos continuar aceitando este modelo implantado no País, unicamente pautado nas relações de propriedade e ou de riqueza, aliado a um conjunto de fatores, que somados àquelas, se insere o político e o poder de dominação, como causa das suas origens.
Não podemos continuar admitindo como uma situação absolutamente normal essa relação onde uma classe produz e a uma minoria se apropria dos seus resultados, que demonstra o caráter contraditório desta sociedade neocapitalista onde o patrão é o senhor todo poderoso e rico e só ele pode dá ordens, enquanto a minoria não passa de proletários, em condições de trabalhos indignos e com baixíssimos salários. Sob pena de mais cedo ou mais tarde termos que conviver com convulsões sociais e rebeldias, tal qual vem ocorrendo em páises ao redor do mundo.
Não estamos aqui pregando a luta de classes como solução de todos os problemas, mas não devemos aceitar e permitir a predominância de uma classe sobre as outras, sob pena de vermos agravadas as desigualdades sociais em nosso País.
Não podemos assistir de forma passiva o aumento da miséria, a concentração da renda, os salários serem cada vez mais achatados, o desemprego e a fome continuar a atingir milhões de brasileiros, o aumento do quadro da violência, tudo isto ocasionados pelo modelo econômico que ora vigora, sob pena de também sermos co-responsáveis por este quadro desolador que hoje é imposto a nossa população.
A política econômica ora praticada não está voltada para a geração de emprego e aumento da renda da população, muito menos voltada para estimular a criação, mas o que se observa é uma política voltada para o desenvolvimento de setores de produção, principalmente para o segmento financeiro, que claramente investem alto na economia de mão-de-obra, trazendo como consequencia o desemprego.
Portanto, precisamos mudar o foco da política econômica, e oferecer uma EDUCAÇÃO PÚBLICA DE QUALIDADE, se quisermos ter um País que ofereça condições decentes para o seu povo.

9 comentários:

Palavradesa disse...

Caro Francklin, acompanho seu pensmento, e nele consulto, posto que voce é um racionalista lógico. Eu gostaria, acaso aceite o que lhe mando, e dentro do seu interesse, colocar seus discursos nas comunidades em reação à melhoria da qualidade de vida. Assim, eu Carlos Santiago, 64, peço licença, pois lhe envio um arquivo, desejando articulação.
Gaasant

Anônimo disse...

Acredito que a aqualidade de vida no trabalho deva iniciar em casa. Muita hipocrisia acreditar que apenas o funcionário tem que buscar ou apenas a empresa tem que proporcionar...Um sistema é composto de duas partes. Mas claro que se o poder público exigir, será feito....PElo menos teoricamente....Educação além de uma opção, é obrigação. Preocupação com o bem comum deve ser uma constante.

Artur Larangeira Filho disse...

Não podemos culpar apenas o sistema financeiro,temos que entender que se estamos assim é porque o Estado permite,pois ele é quem regula as ralações trabalhistas e financeiras do país, basta lembrar que temos , por culpa do setor público, a maior taxa de juros do mundo. Com isso quero dizer que o setor público está se lixando para sua população, hoje ela dá bolsa esmola para os mendigos – para garantir votos - e a classe média que se “vire” para viver. Um dos aspectos que mais reforça este argumento é a diferença abissal de salários entre os trabalhadores / aposentados da iniciativa privada e os servidores da União. Comparemos as médias salariais:
Salários MÉDIOS dos funcionários públicos da União da ativa:
- Legislativo –R$ 14.116,00
- Judiciário: R$ 11.466,00,
- Executivo – R$ 7.499,00
Salário médio dos trabalhadores CLT, ou dos que pagam a conta de todos os trabalhadores acima: R$ R$ 1.612,00. Salário médio dos trabalhadores sem carteira assinada, mas que também pagam a conta: R$ 1.062,00

O menor salário médio do serviço público (o do executivo) é 363% maior que a média do trabalhador CLT, e o maior salário médio (do Legislativo) é 771% maior. Isso só pode ser ditadura.
Fonte de dados:
http://www.servidor.gov.br/publicacao/boletim_estatistico/bol_estatistico_11/Bol183_Jul2011.pdf

Voltando agora para os aposentados:
Benefícios médios: Em 2010 as aposentadorias do INSS do setor urbano – a dos que sempre contribuíram para o INSS – tiveram benefício médio de R$ 761,70 e a dos aposentados da União benefício médio de R$ 6.276,62, ou 724% a mais.
NOSSA FORMA DE GOVERNO PODE SER ARISTOCRACIA, CLEPTOCRACIA OU TIRANIA, MENOS DEMOCRACIA.
artur_larangeira@uol.com.br

kid disse...

“As pessoas não nascem iguais. Elas possuem habilidades e talentos próprios. Cada uma deve decidir sozinha o que quer fazer da vida: se prefere tabalhar duro ou levar uma existência mansa e tranquila. O principal papel do governo não é ir contra essa realidade e forçar algo que não existe nem existirá. O bom governante é aquele que oferece oportunidades iguais para todos buscarem a própria felicidade. O capitalismo promove níveis desiguais de prosperidade. Como diria o estadista Winston Churchill, isso é muito melhor do que produzir miséria igual para todos, como faz o socialismo.”

Palavradesa disse...

Prezado F.Roozevoolt

Abaixo minha reflexão.
Do Link, só li o primeiro artigo que trata da igualdade/desigualde social etc ( e pede que comente) e crítica o neoliberalismo. Ao meu ver, e sempre considerei assim, o Capitalismo selvagem não oferece a solução para o mundo que almejamos, entretanto, não será o socialismo que corresponderá as expectativas de uma sociedade que clama por justiça social. Do que depreendi no pouco que li, há uma simpatia pelo socialimo como o gerador de respostas para os males sociais. Ocorre, que as sociedades não podem se especializarem em se tornarem a banda filantrópica que jogará às costas, a banda que não almeje suar para carregar a cruz da subsistência somada aos caprichos e necessidades pessoais e individuais de cada ser e ou família. Além do mais, um regime socialista, no qual o Estado se apossa dos patrimônios e dele dispõe como lhe aprouver, não se gere automáticamente, daí parte de sua imperfeição e risco, pois o grupo gestor, passa a deter massa descomunal de poder sobre uma massa tocada de forma uniforme e sem direitos a contra resposta aos seus anseios pessoais e dons. Tudo é para o Estado e para a coletividade, mesmo que o esforço, talento e sacrifício tenha sido de um. No sistema socialista, o grupo detentor do poder, encontra muito mais facilidade para mover o leme conforme seus interesses, inclusive para se perpetuar no poder, ou por exemplo: Remover de uma vistosa propriedade ou empresa, alguém que não lhe seja simpático, para por lá alguém que lhe seja. Onde reside a justiça nessa engrenagem? No socialismo, o Estado determina até se você pode e quantos filhos poderá ter. Ou seja, até a caixa da felicidade, dos anseios mais íntimos, não pertecem ao ser humano. Mas, ao Estado.
Das experiência de quem já conviveue transitou em vários meios sociais, em cidades e estados diferentes. Há uma certeza a expressar: A doação pura e simples, a gratuidade, o acesso aos degraus que promovam conforto e ascensão social sem nenhuma contrapartida de esforço pessoal...Não é a solução.
Salvador, 26 de Outubro de 2011

Alírio Cavalcanti

Palavradesa disse...

Continuação das reflexões:
Então qual seria a solução?

O capitalismo. Entretanto, um novo sistema de capitalismo, a ser desenhado e posto em prática. No qual seja possível colocar freios, limites no excesso de concentração. Se o homem afirma que é possível, tornar um tanque de guerra invisível, sem o uso de truques de câmeras, como alegam os ingleses. É factível impor limites ao capitalismo para que se encontre um ponto de equilibrio comum, no qual a cobiça e concentração termina determinando guerras e injustiças ao redor do mundo.

Conheci pessoas que tendo conhecimento, formação, cultura e saúde, passaram a vida toda se esquivando de enfrentar o batente.
Como conheço pessoas que enfrentaram extrema dificuldade, carência de recursos, de condições etc e lograram trabalhar, estudar e ascender socialmente, mesmo em condições precárias. Da mesma forma, conheço gente que recebe o salário do mês e passa o mês fazendo de conta, enganando ao pagador e a sí mesmo. Sem demandar um esforço sequer para melhorar, entretanto sendo um peso para o contratador. Ora, é cristalina a certeza, de que essa situação se reproduz todos os dias em todos os rincões do país e do planeta, não endossando a tese do socialismo. Simplesmente porque distribuiria as benesses de forma igualitária e o peso da cruz do trabalho e da realização necessária de forma desigual, portanto, injusta.

Ao meu ver, e precisaria haver um consenso mundial dos principais paises capitalistas, quiçá do planeta. No sentido de que os freios e ou limites fossem respeitados em grau similar "ali e alhures!" e uma das soluções que vejo, talvez seja a tábua de salvação inclusive para a economia mundial, notadamente nas nações onde as taxas de desemprego castigam com maior força. E é claro, vale para os EUA; Europa; Espanha etc Porque em alguns meses se reinjetaria dinheiro novo, e os mercados precisam dele como se precisa de água para viver.
Salvador, 26 de Outubro de 2011

Alírio Cavalcanti

Palavradesa disse...

Final da reflexão:
QUAL A IDEIA CENTRAl?

Os paises precisam desativar (ou limitá-las, ou criar normas ) a bomba central que mata o emprego. AS GRANDES FUSÕES. FOCANDO NA VALORIZAÇÃO DA EMPRESA DE MÉDIO PORTE - Essa é a chave.

Caso não se deseje ou seja complexo acabar, desfazer ou limitar as fusões de empresas, que cedem espaços a monstrengos sorvedores vagas de empregos, então que se estipule limites...COMO SERIA ISSO? As empresas poderiam se fundirem, entretanto, apenas assumiriam "X" empresa, mas precisariam manter a planta fabril etc as grandes indústrias, precisariam ceder espaço para plantas menores que atendessem algumas regiões e não o mundo inteiro. Isso obrigaria que a empresa "XY" por exemplo, que tem uma grande fábrica em São Paulo, fosse obrigada a abrir uma planta na Bahia, outra em Pernambuco, outra em Buenos Ayres (por exemplo). Ou seja, o capitalismo estaria preservado, ou seja, o direito de conforme os esforços, ascender, entretanto, não vitimaria a sociedade, condenando-as ao terrível funil da falta de oportunidades.

A geração de emprego e riquezas seria tal, que haveria de em pouco tempo se precisar cuidar de educar-se para não haver super-consumo de coisas desnecessárias e especialmente produtos de matéria que degrade a natureza.

Talvez fosse exequível se criar um cadastro de preguiçosos declarados em cada região. Estes, receberiam uma ajuda do Estado, ajuda mínima - por exemplo: R$ 100 ou em alimentação. Teriam em cada lugar um clube do preguiçoso para lá ficarem, mas não poderiam perambular pelas ruas e nem dormir etc. Noutro cadastro seriam notificados os que se declarariam não-preguiçosos (ou seja: em tese estariam naquelas condições por falta de oportunidade) - Para este grupo, seria criado serviços de acompanhamento, assistentes, orientadores etc no sentido qualificá-los e remanejá-los para uma vida produtiva.

Essas são as sugestões básicas que ofereço como comentário e sugestões, embora com certa desconfiança de que os especiliastas e detentores do poder deem alguma atenção pra valer.

Salvador, 26 de Outubro de 2011

Alírio Cavalcanti

kid disse...

Promover a cidadania é de fato o caminho para resolver, pelo menos dentro dos limites aceitáveis, os problemas da desigualdade social brasileira. Não que estas questões possam ser consideradas aceitáveis, mas porque são muitos séculos e situações que provocaram essa realidade. Para entender a origem de tais disparidades no Brasil é necessário introduzir uma perspectiva mais ampla, abrangendo o passado histórico, sem desconsiderar as dimensões continentais do país. A família, as solidariedades intergeracionais e as políticas sociais debatem-se com este desafio, procurando encontrar as melhores soluções e as respostas mais adequadas à diversidade dos problemas inerentes. Encontra-se no mundo um contraste alarmante, enquanto milhões de pessoas passam fome, uma minoria usufrui do progresso e da tecnologia que a sociedade oferece. A reclamação contra o caráter ineficiente do Estado é geral e os benefícios coletivos do Estado são pequenos e de pouca qualidade diante de tão ampla desigualdade social. Marx já fazia, na Comuna de Paris, as mesmas reclamações que se fazem hoje contra o Estado. O Brasil, desde seu descobrimento, traz consigo esta deplorável marca da desigualdade social. A herança das diferenças sociais, da escravidão, do preconceito, do racismo, data do descobrimento e foi deixada pelos então proprietários de terras e governantes que trouxeram para a nova terra os marginalizados portugueses, os africanos que escravizaram e humilharam, os italianos e outros imigrantes que não eram vistos com bons olhos pelos senhores feudais. Daí a origem da desigualdade social brasileira que permanece e se expandiu de tal forma que chega a ser quase irremediável nos dias atuais. O fator mais evidente: a escravidão, que é o paroxismo da exclusão. Mesmo considerando-se os movimentos ascendentes na escala social - os imigrantes são um exemplo eloqüente disso -, a grande massa não teve condições de impor às elites uma distribuição menos desigual dos ganhos do trabalho. Nem logrou, eficazmente, exigir do Estado o cumprimento de seus objetivos básicos, entre os quais se inclui, na primeira linha, a educação. As seqüelas desse feito representam imenso obstáculo para uma repartição menos iníqua da riqueza e perduram até hoje. Também, desde o início do processo de desenvolvimento brasileiro, encontra-se outro fator evidente: o crescimento econômico, que tem gerado condições extremas de desigualdades espaciais e sociais, manifestas entre regiões, estados, meio rural e o meio urbano, entre centro e periferia e entre as raças. A disparidade econômica encontrada no país reflete-se em especial sobre a qualidade de vida da população: expectativa de vida, mortalidade infantil e analfabetismo, dentre outros aspectos. As populações mais pobres não têm ascensão no mercado de trabalho. Com o processo de urbanização, a modernização do setor agrícola e a industrialização no espaço urbano grande parte da população rural migrou para as cidades à procura de empregos e melhores salários. Com a industrialização e as modernas tecnologias, grande contingente populacional ficou sem acesso aos bens e serviços necessários à sobrevivência. As mudanças do sistema produtivo contribuíram para a precarização e degradação do emprego e, consequentemente a fragilização do liame social.

kid disse...

Quanto ao sistema produtivo e a relação econômica, trata-se de duas faces de uma mesma condição que resulta no processo da exclusão que não se reduz a uma não-integração ao trabalho, pois é igualmente uma não inserção na sociabilidade familiar, uma dissociação do liame social, ou seja, uma desafiliação. a elevada concentração da riqueza mobiliária e imobiliária agravada pelo declínio dos salários reais e à persistência dos altos juros são fatores estruturais sócio-econômicos que contribuem para gerar a desigualdade de renda no Brasil. As desigualdades entre os ativos e aposentados são bem evidentes, ao contrário da França, onde esta distância foi reduzida ao longo dos últimos 30 anos, graças a mecanismos de redistribuição de renda e aos regimes de seguridade social. O Brasil não é um país pobre, mas possui uma população pobre, devido à má distribuição de renda e riqueza, sendo que se pode considerar a desigualdade social como um dos principais determinantes da pobreza no Brasil. Os negros ainda têm muita dificuldade de se promoverem, os índios foram quase dizimados e excluídos da sociedade, a mulher demorou em conquistar um lugar de mais destaque no sistema machista e patriarcal, sistema este que só agora está se modificando. Também os nordestinos podem ser incluídos nesta categoria de excluídos. Eles que ajudaram a construir São Paulo não encontram um espaço para construir suas casas, restando-lhe as favelas ou o retorno para a miserável vida no Nordeste. Questão também importante refere-se aos comportamentos diferenciados observados cotidianamente em relação aos idosos, que adquiriram lugar em meio aos marginalizados, pois a cultura da sociedade sobre o envelhecimento os vê apenas como um processo degenerativo do ser humano. Entretanto, há quem pense que a experiência brasileira é rica em programas e projetos para atenuar as desigualdades regionais e sociais. Mesmo que a maioria delas não tenha obtido os resultados esperados, há exemplos de políticas sociais que estão tendo impacto favorável: o salário mínimo, a aposentadoria rural, a bolsa-escola, a renda mínima e a reforma agrária. No entanto, essas iniciativas não têm sido suficientes para resolver os problemas das desigualdades no Brasil. Propõe-se instituir um design que respeite a vida e incorpore os desafios, a realidade e a necessidade de promover mudanças, pois não se pode continuar refém de toda situação desumana. Um fator que se apresenta como utópico, mas realizável e com urgência, é a melhor distribuição da riqueza, fundamental para sanar ou diminuir as grandes desigualdades brasileiras.