Moisés
Mendes: Aterrorizar é o único programa de governo do bolsonarismo
Santa
Catarina tem grupos de extermínio de gays, que se anunciam publicamente assim
mesmo, como grupos de extermínio. Tem facções do crime estadual organizado que
ameaçam de morte uma desembargadora do Tribunal de Justiça por ter enquadrado
quadrilhas que agiam nas prefeituras.
Santa
Catarina já teve 30 prefeitos presos por corrupção, formação de quadrilha e
lavagem de dinheiro. Tem o maior número de células neonazistas do país. Tem o
mais forte e rico reduto bolsonarista, financiado por grandes empresários,
alguns sob investigação há quase uma década. Todos impunes.
Podem
dizer, e muitos dizem, que os grupos de extermínio ainda não teriam exterminado
ninguém. E que os bandidos encarregados de meter medo na desembargadora Cinthia
Bittencourt Schaefer também não cumpriram o que prometem.
Assim
como diziam que o grupo de extermínio formado pelo general Mário Fernandes e
seus kids pretos não chegou a executar o plano de assassinar Lula, Alckmin e
Alexandre de Moraes em 2022. Se não executaram, alguns acham que está tudo bem.
Estamos
falando de Santa Catarina por ter a maior exposição como Estado bolsonarista.
Tão bolsonarista que até um ex-governador, o poderoso Esperidião Amin, pode
perder uma vaga no Senado, onde já atua, para Carluxo, outro filho ungido do
golpista preso em casa. Porque é preciso radicalizar o extremismo no Estado.
Falamos
de Santa Catarina, mas poderíamos falar de qualquer outro lugar em que, apesar
de terem perdido a eleição e fracassado, por covardia, na tentativa de golpe,
grupos encarregados de disseminar o medo voltaram a atuar. Depois da eleição,
recolheram armas, mas estão ativos de novo.
Cumprem
a missão que lhes foi confiada por Eduardo Bolsonaro, Paulo Figueiredo, Allan
dos Santos e outros ameaçadores de autoridades. Isso é o que eles recomendam:
nós, aqui dos Estados Unidos, assustamos as altas autoridades de Brasília e
vocês se encarregam do resto nas suas paróquias.
Esse é
o programa de governo de Flávio Bolsonaro. Ameaçar o Supremo, adversários,
inimigos e até a madrasta. Tentar meter medo em todos os que se opuserem ao seu
projeto de levar de volta ao poder o fascismo bolsonarista. É o único programa
da extrema-direita: perseguir e amedrontar.
O
bolsonarismo precisa se reafirmar como perverso e assustador. É assim que
mantém em torno de si a velha direita que o enxerga como única força capaz de
vencer Lula e o lulismo.
Erram
os que subestimam, como se fossem apenas blefes, as ameaças bolsonaristas.
Facções encarregadas de meter medo são parte do cotidiano em cidades pequenas e
médias, que os moradores da cidade grande não enxergam.
O
bolsonarismo se reorganiza para uma vitória e também para a possibilidade de
mais uma derrota este ano. Se vencer, parte pra cima de quem deve ser acossado
e eliminado. Se perder e obtiver a imensa bancada esperada no Senado, criará
uma situação única em que governará pelo Congresso e tentará desmontar a atual
composição do Supremo.
Você
que leu até aqui deve atentar para aquele seu vizinho que ficou estranho. Ele
pode não ser apenas um antigo tio do zap reacionário que virou bolsonarista.
Pode ser integrante, apoiador ou simpatizante de algum grupo violento com
alvará para agir a qualquer momento, não pelo PCC ou pelo Comando Vermelho, mas
pelo bolsonarismo.
• Depois de Michelle, Flávio Bolsonaro
entra em rota de colisão com Damares
A crise
no núcleo bolsonarista ganhou novo capítulo com a ameaça da senadora Damares
Alves (Republicanos-DF) de se afastar da construção do plano de governo da
pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Palácio do Planalto, após ataques
de aliados do senador contra ela e Michelle Bolsonaro nas redes sociais. A
tensão no PL expõe um racha entre Michelle Bolsonaro, Damares Alves e aliados
de Flávio na disputa por espaço na direita, relata Malu Gaspar, no jornal O
Globo.
Damares
já comunicou que não pretende comparecer ao encontro de Flávio Bolsonaro com
lideranças femininas, marcado para esta quarta-feira (1º), em Brasília. Pessoas
próximas à senadora afirmam que a desistência de colaborar com a campanha
presidencial do senador pode ser o próximo passo, caso a ofensiva virtual
continue.
A
ex-ministra de Jair Bolsonaro (PL) havia sido sondada para contribuir com a
elaboração de propostas nas áreas de direitos humanos e assistência social. O
convite partiu de Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal no
governo Bolsonaro e filiada ao Republicanos, apontada como possível vice na
chapa de Flávio. A aproximação era vista como uma tentativa de reduzir a
resistência do eleitorado feminino ao pré-candidato, considerado um dos
principais desafios políticos da campanha.
O
movimento, no entanto, foi abalado pela escalada de atritos dentro do
bolsonarismo. A crise se intensificou depois que Michelle Bolsonaro divulgou,
na semana passada, um vídeo de 27 minutos com críticas a Flávio Bolsonaro e
reclamações sobre articulações regionais do PL. A ex-primeira-dama afirmou ter
sido preterida em decisões sobre palanques estaduais, o que ampliou a disputa
interna por influência no partido.
Damares
saiu em defesa de Michelle e tentou amenizar a tensão entre a ex-primeira-dama
e Flávio. Nos últimos dias, porém, evitou confirmar presença no encontro de
lideranças femininas organizado pela campanha do senador, assim como a própria
Michelle. A indefinição abriu espaço para críticas de bolsonaristas nas redes
sociais.
Um dos
embates públicos envolveu Paulo Figueiredo, aliado do deputado cassado Eduardo
Bolsonaro (PL-SP). Ao comentar uma declaração de Damares ao Metrópoles, na qual
a senadora afirmou estar “orando” para decidir se participaria da agenda
partidária, Figueiredo escreveu: “Se fosse da Janja ou da Maria do Rosário
estariam todas unidas, certo?”.
Damares
respondeu defendendo sua trajetória na militância conservadora e convidou
Figueiredo a visitar seu gabinete em Brasília. Ele vive nos Estados Unidos e
teve o passaporte brasileiro cancelado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no
âmbito do inquérito sobre atos antidemocráticos. Em nova mensagem, Figueiredo
insinuou que a ex-ministra não teria abraçado, durante o mandato, a agenda
bolsonarista contra o STF, e afirmou que ela teria aderido à “militância
feminista” e a “projetos bastante esquisitos” para a direita.
O
aliado de Eduardo Bolsonaro ainda provocou a senadora ao vincular uma eventual
visita ao Brasil à vitória de Flávio Bolsonaro. “E aí, podemos contar com seu
apoio ao Flávio ou ainda está ‘orando’?”, escreveu.
Outro
bolsonarista que passou a atacar Michelle e Damares foi Oswaldo Eustáquio, que
vive na Espanha. Ele chamou Damares de “uma das maiores feministas do Brasil” e
fez insinuações sobre sua vida conjugal, o que irritou profundamente a
parlamentar.
No
vídeo divulgado na semana passada, Michelle Bolsonaro já havia denunciado a
ação de um “grupo do exterior” que, segundo ela, vinha direcionando ataques à
sua atuação política e à sua vida pessoal. A fala foi interpretada como uma
referência indireta a Eduardo Bolsonaro e a militantes bolsonaristas que vivem
fora do país.
A crise
também levou Michelle a renunciar à presidência do PL Mulher na noite de
terça-feira, após uma conversa com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa
Neto. A decisão gerou rumores sobre uma possível desistência de sua
pré-candidatura ao Senado pelo Distrito Federal, embora aliados afirmem que ela
não abandonou a vida política.
Após a
saída de Michelle do comando do PL Mulher, Damares divulgou nota em apoio à
ex-primeira-dama. No comunicado, afirmou que a decisão da aliada mostra que ela
“tem uma causa, e não um projeto de poder”.
“Agora,
você se afasta dessa liderança direta para cuidar da sua família e do nosso
grande líder, que tanto precisa de você neste momento”, diz o texto, em
referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Damares
também buscou transmitir uma mensagem de continuidade às apoiadoras de
Michelle. “Às mulheres que caminharam conosco até aqui: a Michelle não está
jogando a toalha. Ela plantou a semente e nos deu as ferramentas. O recado dela
para cada uma de nós é claro: fiquem firmes! Estejam prontas para os desafios
da política. A colheita de tudo o que ela plantou começou agora, e nós somos a
continuidade dessa missão”.
A
ameaça de afastamento de Damares aprofunda a dificuldade de Flávio Bolsonaro em
pacificar o campo bolsonarista e consolidar apoios internos antes da campanha.
O episódio também evidencia a disputa por protagonismo entre diferentes alas da
direita, especialmente em torno do eleitorado feminino e da influência política
de Michelle Bolsonaro.
• Michelle prevê novos escândalos e
derretimento de Flávio Bolsonaro
A
ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro descarta apoiar a candidatura presidencial
do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em qualquer cenário, mas admite a
possibilidade de disputar uma vaga ao Senado pelo Distrito Federal, em meio ao
agravamento da crise política e familiar do clã Bolsonaro, relata Lauro Jardim,
no jornal O Globo.
Michelle
teve uma longa conversa na terça-feira (30) com Valdemar Costa Neto, presidente
nacional do PL, e deixou claro que não pretende subir no palanque do enteado. A
ex-primeira-dama também teria avaliado que novos escândalos podem atingir
Flávio Bolsonaro e comprometer de forma decisiva sua candidatura ao Palácio do
Planalto.
A crise
entre Michelle e Flávio ganhou força na última semana e se tornou um novo foco
de tensão dentro do bolsonarismo. O atrito familiar ocorre em um momento
delicado para o senador, que tenta consolidar sua candidatura presidencial e
ampliar seu desempenho junto a segmentos do eleitorado considerados
estratégicos, especialmente mulheres e evangélicas.
Interlocutores
próximos de Michelle afirmam que a possibilidade de reconciliação entre ela e
Flávio é considerada inexistente. Nos últimos dias, a ex-primeira-dama teria
reforçado a aliados que não participará da campanha do senador e que acredita
que o avanço de novas denúncias poderá provocar forte desgaste político.
O
afastamento de Michelle representa um problema adicional para a articulação
eleitoral de Flávio Bolsonaro. Ela tem influência relevante no PL Mulher e
mantém presença expressiva entre eleitoras conservadoras e evangélicas, público
que a campanha do senador busca mobilizar para reduzir resistências e ampliar
sua competitividade.
A
tensão entre os dois já havia sido exposta publicamente após Michelle relatar,
em vídeo nas redes sociais, ter sido desrespeitada pelo enteado em uma
discussão sobre decisões políticas do PL. A repercussão do episódio ampliou a
percepção de divisão interna na família Bolsonaro e no partido, em um momento
em que a candidatura de Flávio tenta se apresentar como polo de unificação da
direita.
A
conversa com Valdemar Costa Neto, portanto, reforça que o rompimento político
entre Michelle e Flávio deixou de ser apenas um ruído familiar e passou a ter
impacto direto na estratégia eleitoral do PL. Ao mesmo tempo, a hipótese de uma
candidatura da ex-primeira-dama ao Senado pelo Distrito Federal mantém Michelle
no centro do tabuleiro político de 2026, ainda que distante da campanha
presidencial do enteado.
• Buscando estancar sangria, Valdemar
tenta levar Michelle a evento com Flávio
O
presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, tenta convencer a
ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro a participar de um evento ao lado do
senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato do partido à Presidência.
Valdemar
e Michelle têm reunião marcada para a tarde desta terça-feira (30), na sede do
PL, em Brasília. O dirigente pretende pedir que a ex-primeira-dama faça um
gesto político em direção a Flávio e compareça ao encontro organizado pela
campanha do senador.
Michelle,
no entanto, já indicou a aliados que não pretende participar da agenda.
Interlocutores da ex-primeira-dama afirmam que o evento foi articulado de forma
isolada pela campanha de Flávio e que ela não foi chamada para participar da
organização, apesar de presidir o PL Mulher desde 2023.
A
ausência de Michelle no encontro teria peso simbólico para a campanha de
Flávio. Ela é considerada uma das principais lideranças do bolsonarismo junto
ao eleitorado feminino, segmento apontado como estratégico para ampliar a
competitividade do senador na disputa presidencial.
Parlamentares
próximas da ex-primeira-dama também não devem comparecer ao evento. Entre elas
está a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), uma das aliadas políticas de
Michelle e figura influente entre mulheres conservadoras e evangélicas.
Nos
bastidores, deputados de direita avaliam que a resistência de Michelle é um
movimento de autopreservação de imagem. Ao marcar distância de Flávio, a
ex-primeira-dama também evitaria se associar a eventuais efeitos políticos da
investigação relacionada ao filme “Dark Horse”, cinebiografia inspirada na
trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A crise
entre Michelle e Flávio ganhou força após a divulgação de vídeos da
ex-primeira-dama nas redes sociais. Desde então, dirigentes e aliados do PL
passaram a atuar para reduzir o impacto do episódio e evitar que o atrito
familiar contamine a pré-campanha do senador.
Na
semana passada, Valdemar antecipou seu retorno ao Brasil para tentar mediar a
crise. À CNN, o presidente do PL afirmou que conversaria pessoalmente com
Flávio e Michelle. “Em primeiro lugar, vou falar com Flavio e Michelle
pessoalmente”, disse o dirigente.
Em
manifestação pública anterior, Valdemar buscou minimizar o conflito e afirmou
que divergências fazem parte da política. O dirigente também indicou que
tentaria conversar com os envolvidos antes de novas manifestações públicas
sobre o caso.
O
atrito entre Michelle e Flávio foi exposto publicamente após a ex-primeira-dama
relatar desconforto com o tratamento recebido do senador em uma conversa
telefônica. Segundo a CNN, Michelle afirmou em vídeo que teria sido
desrespeitada e maltratada pelo enteado.
A
tensão ocorre em um momento sensível para o PL, que tenta organizar a
estratégia eleitoral de 2026 e consolidar Flávio Bolsonaro como nome do partido
na disputa presidencial. A participação de Michelle em agendas públicas é vista
como peça importante para mobilizar a base bolsonarista e reduzir resistências
em segmentos do eleitorado.
A
reunião desta terça-feira, portanto, passou a ser tratada internamente como uma
tentativa de recomposição. O objetivo de Valdemar é evitar que a divisão entre
Michelle e Flávio se transforme em um obstáculo maior para a construção da
pré-campanha do senador.
Fonte:
Brasil 247

Nenhum comentário:
Postar um comentário