Saúde
na Argentina é o retrato do ser humano Milei
No
momento em que o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom
Ghebreyesus, tece rasgados elogios ao SUS e ao presidente do Brasil, Luiz
Inácio Lula da Silva, por tratar a saúde como direito universal, portanto
descolado das regras cruéis do “mercado”, vale descobrir como a saúde pública é
operada num certo país vizinho, cujo mandatário maior é conhecido praticante do
capitalismo de destruição, evolução do neoliberalismo dos anos 90 para algo
ainda mais francamente desumano.
Javier
Milei, presidente argentino, não é apenas o sujeito mal-educado que veio ao
Brasil ofender Lula e todos os brasileiros, disponibilizando à campanha de
Flávio Bolsonaro todo seu repertório de dejetos verbais. É um governante que
impõe fome e miséria ao seu povo. Nem sequer respeita o princípio civilizatório
de deixar a saúde pública livre das severidades da austeridade fiscal e da
desregulamentação econômica.
A forma
como Milei lida com a saúde pública retrata sua persona. O dado mais claro a
confirmar a afirmação é o corte de 40%, em termos reais, no orçamento do
Ministério da Saúde. Em maio último, seu governo baixou uma Decisão
Administrativa impondo corte adicional de 63 bilhões de pesos nos gastos
correntes da pasta, informou com estardalhaço La Izquierda Diario.
O
governo Milei desmantelou o histórico programa Remediar, criado em 2002 para
garantir a entrega gratuita de medicamentos em cerca de 7.800 centros de
atenção primária na Argentina, afetando a assistência a milhões de cidadãos
vulneráveis. Sua austeridade cega também reduziu em termos reais as verbas
destinadas à compra e à distribuição de medicamentos para tratamento de câncer.
Os programas de assistência e tratamento gratuito para pacientes com HIV/Aids
sofreram cortes sucessivos e expressivos, perfazendo uma queda real de 67% em
2024 e de 46%, prevista, em 2025, conforme noticiado pela Associated Press e El
Diario, acompanhados pela CNN Brasil.
Paralelamente,
as transferências de verbas federais para o Fortalecimento dos Sistemas
Provinciais de Saúde caíram mais de 60%. A falta de repasse sobrecarregou os
hospitais locais, gerando atraso em cirurgias marcadas e falta de insumos
médicos.
Já o
Decreto de Necessidade e Urgência (DNU 70/23) eliminou os controles estatais de
preços sobre a medicina privada, o que resultou em reajustes imediatos
superiores a 40% no valor da consulta, empurrando grande parcela de pacientes
da classe média para um sistema público em frangalhos. O Globo noticiou a
barbaridade.
Mas
maldade pouca é bobagem. Milei reduziu os subsídios do Programa de Atenção
Médica Integral (PAMI), o plano de saúde estatal dos aposentados. Idosos
perderam o acesso à cobertura integral de medicamentos gratuitos, resultando na
estimativa de que uma em cada quatro receitas médicas deixou de ser aviada por
incapacidade econômica dos pacientes.
A mídia
progressista argentina não cansa de denunciar que o represamento de repasses do
Tesouro Nacional resulta numa dívida acumulada de mais de 500 bilhões de pesos
com médicos, clínicas e farmácias, e que o Ministério da Saúde demitiu mais de
2 mil funcionários, em prejuízo das coordenações de vigilância epidemiológica e
controle de doenças endêmicas.
Para
imitar e bajular Donald Trump, que fez isso antes, Javier Milei oficializou a
saída da Argentina da OMS, alegando discordâncias profundas sobre as diretrizes
globais sanitárias aplicadas na pandemia de Covid-19. É esse sujeito que veio
ao Brasil ofender Lula.
¨
Associação Argentina de Saúde Pública repudia declarações
do presidente Milei
A
Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) recebeu, nesta segunda-feira
(27), um ofício da Associação Argentina
de Saúde Pública (Asociación Argentina de Salud Pública – AASAP) de
solidariedade institucional à comunidade sanitária brasileira, em que reafirmou
seu compromisso com a cooperação entre Brasil e Argentina na defesa do direito
à saúde, da equidade e do fortalecimento dos sistemas públicos de saúde na
América Latina. A manifestação foi motivada pelas declarações proferidas pelo
presidente da República Argentina, Javier Milei, durante agenda política
realizada no Brasil, no último sábado (25).
No
documento encaminhado à Abrasco, a AASAP afirma que tais manifestações não
representam a entidade nem os amplos setores da Saúde Pública argentina, que
mantêm, há décadas, uma trajetória de colaboração com instituições brasileiras.
No ofício, a associação ressalta que a saúde das populações depende de
capacidades construídas de forma cooperativa entre os países, como a vigilância
epidemiológica regional, a resposta coordenada às emergências sanitárias, o
acesso a medicamentos e tecnologias, a atenção em regiões de fronteira, a
cooperação científica e a atuação conjunta em organismos multilaterais.
Segundo
a entidade, essas iniciativas se apoiam no respeito institucional entre os
Estados e são essenciais para a proteção da vida e da saúde de milhões de
pessoas. A AASAP também destaca a histórica aproximação entre a Saúde Coletiva
brasileira e a Saúde Pública argentina, marcada pelo intercâmbio acadêmico,
científico e institucional, e defende que as associações científicas têm papel
fundamental na preservação desses vínculos, especialmente em contextos de
instabilidade política.
Ao
final da mensagem, assinada pela presidente da AASAP, Alejandra Sánchez
Cabezas, a entidade reafirma sua disposição em aprofundar o trabalho conjunto
com a Abrasco e seguir construindo agendas comuns em defesa do direito à saúde,
da equidade e do fortalecimento dos sistemas públicos de saúde na América
Latina.
A
Abrasco agradece a manifestação da Associação Argentina de Saúde Pública e
reafirma seu compromisso histórico com a cooperação internacional, a produção
compartilhada de conhecimento, o fortalecimento dos sistemas públicos de saúde
e a integração latino-americana em defesa da democracia, da ciência e do
direito universal à saúde.
Fonte:
Por Paulo Henrique Arantes, em Brasil 247/Abrasco

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