Terras
raras e a tragédia da mineração brasileira
No dia
17/07/2026 o premiadíssimo Jornalista Jamil Chade publicou uma reportagem
exclusiva sobre as chantagens do governo norte-americano, leia-se Donald Trump,
apresentadas ao governo brasileiro, em fevereiro de 2026, por meio de uma carta
oficial, exigindo do Brasil várias medidas: eliminação das tarifas de
importação para áreas estratégicas como a agricultura, comércio digital,
industrial, minerais críticos, tecnologia segura, aeroespacial e trabalho
(Jamil Chade, 2026). Destacamos da carta ao governo brasileiro as referências
aos minerais críticos: “Adotar medidas que limitem investimentos por atores
não-orientados pelo mercado” (e entidades estrangeiras com atuação nos setores
de mineração, refino e outros setores industriais críticos, sendo atores não
orientados pelo mercado a forma pela qual o governo norte-americano se refere
aos chineses, sem citá-los). E mais: “Revisar a venda da operação de níquel da
Anglo-American e garantir um processo justo para empresas dos EUA investirem no
Brasil no setor de minerais críticos.”
Mais
recentemente, os EUA voltaram a pressionar o Brasil por uma tarifa zero em
setores-chave da economia nacional. A exigência estadunidense ocorreu às
vésperas da entrada em vigor da sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros,
como indicado a seguir: “… aproximadamente US$ 7,4 bilhões em exportações
brasileiras para o mercado estadunidense poderão ser atingidos, o equivalente a
cerca de 18% das vendas brasileiras aos Estados Unidos. O governo brasileiro
acompanha os impactos esperados sobre os setores exportadores e prepara medidas
para reduzir os efeitos econômicos da decisão americana.”
A
administração federal brasileira classificou a medida como “procedimentos
unilaterais” sem justificativa comercial. A diplomacia brasileira estuda adotar
a Lei de Reciprocidade, além de acionar a Organização Mundial do Comércio
(OMC). Cabe agora, analisar os vínculos entre o novo tarifaço e a intenção de
controlar nossos minerais críticos e estratégicos (e terras raras).
Em
estudo técnico recente, elaborado pelo Centro Brasileiro de Relações
Internacionais – CEBRI, a pedido do Ministério de Minas e Energia – MME, o
Brasil é referenciado como detentor de 23,1% dos recursos minerais conhecidos
como terras raras, sendo a segunda maior reserva do mundo. Segundo Rafaela
Guedes, senior fellow do Cebri, o Brasil pode chegar a 35 mil toneladas de
concentrado de terras raras nos primeiros anos da década de 2030, caso os
projetos já anunciados sejam executados dentro do prazo previsto. Esse volume
corresponderia a cerca de 10% da produção mundial. A projeção para 2040 é ainda
maior. O estudo aponta a possibilidade de o país alcançar 75 mil toneladas por
ano, o equivalente a 20% da produção global estimada. A especialista, porém,
ressalta que esse potencial depende de licenciamento, capital e rotas
industriais viáveis. O MME busca antecipar o debate para orientar uma
estratégia nacional neste setor, reforçando a avaliação daquele Ministério, de
que o Brasil poderá tornar-se protagonista nas cadeias globais de minerais
críticos. O mesmo estudo ressalta que as políticas públicas serão decisivas
para atrair capital privado à cadeia produtiva.
Devemos
ressaltar que o Brasil parece já ter se familiarizado com a importância dos
seus minerais, sejam estratégicos, críticos e/ou denominados Elementos de
Terras Raras (ETRs). Entretanto, devemos lembrar que a exploração mineral no
Brasil tem uma história que vem desde o período colonial, por meio de uma
evolução histórica de saques, contrabando estruturado e brechas regulatórias.
O
processo começou com o pacto colonial imposto por Portugal e se transformou, na
atualidade, em esquemas complexos, dentre outros, como os operados pelo crime
organizado. No período colonial, durante os séculos XVII e XVIII, a Coroa
Portuguesa controlava a extração do ouro e diamantes, cobrando o chamado
Imposto do Quinto, isto é, 20% de toda a produção. Grande parte do minério
restante saía do País legal ou ilegalmente. Grande parte do ouro não permanecia
em Portugal. Em razão de tratados desfavoráveis, acabavam indo para a
Inglaterra, financiando a revolução industrial Britânica e outros impérios
estrangeiros. Além disto havia o contrabando do ouro em pó, que era escondido
em estátuas de santos ocas (origem da expressão “santo do pau oco”), em solas
de sapatos e nos cabelos dos escravos. No século XIX, mesmo após a sua
Independência, o Brasil continuou sendo explorado por meio de saques camuflados
e pela falta de fiscalização científica e soberania aduaneira.
A
atualidade do tema se explicita nos debates recentemente realizados no âmbito
do G7. O governo de Luiz Inácio Lula da Silva se recusou a assinar uma
declaração do G7 sobre terras raras. O Brasil considerou que o documento não
atende à visão do país sobre o tema e adota uma postura ofensiva contra a
China, afirmando que distorcem os mercados globais e prejudicam a concorrência
justa. Como país convidado para a cúpula, o Brasil não teria possibilidade de
influenciar no texto ou vetar trechos. Ainda assim, as autoridades nacionais
tinham a possibilidade de aderir aos projetos. A avaliação do Brasil é de que a
postura sobre terras raras no G7 reflete um olhar extrativista e sem qualquer
compromisso de criar uma base de desenvolvimento nos países onde existam
reservas.
O que
se pode preliminarmente inferir do documento final é que, para o G7, basta
atualizar o atual sistema de desenvolvimento internacional para garantir que
este atenda plenamente às necessidades das gerações futuras e aos desafios
atuais (Rev. Fórum, 2026): “Embora as políticas tradicionais de desenvolvimento
tenham alcançado resultados importantes, por vezes tiveram um impacto limitado
na redução da dependência financeira da assistência externa, no fortalecimento
da apropriação nacional e na criação de incentivos ao crescimento. A
arquitetura do desenvolvimento também se tornou excessivamente complexa,
resultando numa utilização subótima dos recursos.”
Contrariamente
à posição defendida pelo Brasil, os países ricos defendem que “os recursos
públicos são insuficientes por si só para satisfazer as necessidades globais de
desenvolvimento (…) precisamos catalisar reformas estruturadas para
racionalizar a arquitetura do desenvolvimento e garantir a sua eficiência e
impacto.” É bem verdade que os pontos defendidos pelo Brasil se encontram
ancorados em um aparato institucional que, na prática, ainda não dispomos de
forma integral, pelas características até aqui praticada da nossa atividade
mineral (exportadora de commodities).
O que
se espera para o futuro é podermos atuar tanto na exploração mineral
(upstream), bem como na mineração, beneficiamento e processamento (midstream);
e, quiçá, na fabricação de materiais e produtos de alto valor agregado
(downstream). A tarefa brasileira é imensa e de alto custo.
A
Agência Nacional de Mineração (ANM), criada em 2017 com o objetivo de
substituir o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), além de inúmeras
outras tarefas, tem papel fundamental na definição das jazidas a serem
exploradas, particularmente no cenário atual de exploração dos elementos de
terras raras. A título de exemplo de suas atividades, cabe destacar que é
função da ANM planejar e fiscalizar atividades relacionadas à exploração
mineral. Essa instituição também é responsável por realizar auditorias próprias
em barragens e analisar laudos de estabilidade apresentados pelas mineradoras,
como o que atestou a segurança da barragem da Vale em Brumadinho (MG). A
Polícia Federal vem apurando fraudes na concessão ilegal de licenças para
exploração de ferro, com a participação de empresas e autoridades públicas.
Como resultado de operações específicas, foram detidos um Diretor da ANM
(Agência Nacional de Mineração) e um ex-diretor da PF, entre outros envolvidos
que faziam parte de um grupo que corrompia servidores públicos em diversos
órgãos estaduais e federais de fiscalização ambiental, a fim de obter
autorizações e licenças fraudulentas.
O
debate relativo aos elementos de terras raras está vinculado à disputa global
por tecnologia, energia, infraestrutura digital, inteligência artificial e
capacidade industrial. Questão antes restrita a especialistas, pesquisadores e
formuladores de políticas públicas passou definitivamente a ocupar o centro das
disputas estratégicas do nosso tempo. Os minerais críticos deixaram de ser
apenas uma questão mineral. Tornaram-se uma questão de poder. A explicação para
tal reside no fato desses minerais estarem presentes nas cadeias produtivas que
sustentam a inteligência artificial, os semicondutores, os sistemas avançados
de defesa, os veículos elétricos, as redes de telecomunicações, os data centers
e boa parte das tecnologias que reorganizam a economia mundial. Quem observa
apenas as jazidas vê apenas uma parte da história, mas é chegado o momento de
se observar as cadeias produtivas, os fluxos tecnológicos e os interesses
geopolíticos, pois estamos diante de uma das mais importantes disputas
econômicas e estratégicas do século XXI.
O
Brasil está em uma encruzilhada, até pela situação geopolítica mundial. Nessa
disputa está contida a discussão sobre minerais estratégicos, minerais críticos
e terras raras, ampliada pela defesa da soberania brasileira e, por
consequência, pela proposta de criação da estatal TERRABRAS, que surgiu na
sociedade, via publicações de artigos científicos, notícias, debates,
articulações políticas no Parlamento e no Poder Executivo. E em ano eleitoral,
a proposta poderá estar presente nos Planos de Governo dos diversos candidatos.
A esse
respeito afirma Wagner Gomes: “Quando se fala em soberania nacional, não se
trata de opinião, mas de um princípio jurídico consagrado na Constituição
Federal. O artigo 1º, inciso I, estabelece a soberania como um dos fundamentos
da República Federativa do Brasil. Isso significa que o país tem o direito de
decidir seus assuntos internos por meio de suas instituições, leis e
representantes, sem interferência indevida de governos ou interesses
estrangeiros. O mesmo entendimento é reconhecido pela Carta da ONU, que prevê a
igualdade soberana entre os Estados. Portanto, qualquer debate sobre soberania
deve partir desses fundamentos legais e não apenas de interpretações políticas
momentâneas.”
Essa
não é a visão da ultra direita americana e brasileira: “O Brasil vai ser o
campo de batalha onde o futuro do hemisfério será decidido, porque o Brasil é a
solução dos EUA para quebrar a dependência que eles têm com a China por
minerais críticos, especialmente elementos de terras raras.” A frase é do
senador Flávio Bolsonaro (PL/RJ), pré-candidato à Presidência da República do
Brasil, proferida durante a Conferência da Ação Política Conservadora
(CPAC),organizada pelo movimento conservador norte-americano, no Texas, em 28
de março de 2026. Não foi dito em off. Não foi interpretação de adversário. Não
foi recorte tirado de contexto. É parte da plataforma de governo, parte do
programa do candidato, “enunciado em público, diante de uma audiência estrangeira,
por quem pretende governar o Brasil.”
O
Editorial do Le Monde diplomatique Brasil, Edição 228, intitulado “Brasil é o
grande desafio”, escancara as estratégias americanas em relação ao Brasil e à
América Latina: “A nova estratégia dos Estados Unidos para a América Latina se
baseia no documento “Project 2025”, elaborado pela ultradireita
norte-americana, liderada pela Heritage Foundation. Trata-se de combater os
governos de esquerda; financiar governos conservadores na região; conter a
influência da China na região; assegurar o controle das riquezas naturais (para
reduzir a dependência da China em terras-raras, por exemplo); promover o
bloqueio naval do comércio do país (Cuba); congelar reservas do país;
concentrar forças militares na região; e, no limite, promover ações como o
sequestro do presidente Maduro e sua esposa.”
E qual
é a questão primordial e imperativa desta proposta e deste debate? A resposta
é: soberania. No sentido mais amplo do termo, como tem defendido o Presidente
da República, Luís Inácio Lula da Silva, porque, como também já salientou o
ex-ministro José Dirceu, o risco que todos os países correm de ataques à suas
próprias soberanias já não é mais uma possível eventualidade, e isso se torna,
cada vez mais, uma ameaça ao Brasil.
A
Aclara Resources, empresa canadense de mineração, está colaborando com
instituições como a Virginia Tech, nos Estados Unidos, para desenvolver
tecnologias de separação e refino de terras raras. Atualmente, o setor de
processamento de terras raras é dominado por empresas chinesas, mas esta
empresa canadense busca construir um sistema de cadeia de suprimentos
independente da China, aproveitando suas operações de mineração no Brasil.A
empresa já iniciou operações de demonstração em uma planta piloto de separação
de terras raras. O vice-presidente executivo, José Augusto Palma, disse ao
Nikkei que os projetos, incluindo a planta comercial, “devem estar operacionais
até 2028”.
Para
diversificar suas cadeias de suprimentos, os Estados Unidos, a Índia, a União
Europeia e muitos outros países voltaram sua atenção para o Brasil, e a
competição pelos recursos de terras raras do Brasil está se tornando cada vez
mais acirrada. O jornal The New York Times afirmou que após serem
“estrangulados” pela China, os Estados Unidos têm pressionado o Brasil para que
este chegue a um acordo crucial sobre minerais, visando a produção de milhões
de toneladas de diversos elementos minerais necessários para sustentar o
desenvolvimento econômico futuro e o fornecimento de equipamentos militares
norte-americanos.
A
doutrina clássica define a soberania como sendo: una (só pode haver um poder
soberano no mesmo Estado), indivisível
(não se reparte entre os Poderes, ainda que suas funções se dividam),
inalienável (não pode ser transferida sem que o Estado deixe de existir) e
imprescritível (não se extingue pelo tempo). Com o fim da ditadura militar e o
processo de redemocratização, o Brasil viveu um novo marco com a Constituição
de 1988, chamada de “Constituição Cidadã”. Nela, a soberania assume status de
fundamento da República (art. 1º, I), integra o conceito de soberania popular
(art. 14) e figura como princípio da ordem econômica (art. 170). Diferentemente
de momentos anteriores, em que serviu para legitimar o autoritarismo ou a
centralização do poder, a soberania passou a ser concebida como valor
democrático, voltado à efetivação dos direitos fundamentais e à promoção do bem
comum.
A
soberania nacional é, portanto, o poder supremo e independente de um Estado
para se autogovernar, criar leis e proteger seu território sem interferência
estrangeira. Na prática, ela abrange duas dimensões principais: Soberania Interna (é a autoridade máxima do
Estado para organizar suas instituições, aplicar a justiça e fazer cumprir as
leis dentro de suas fronteiras territoriais); e Soberania Externa (é a
independência do país nas relações internacionais. Garante o direito de o
Estado representar sua população, firmar tratados e defender seus interesses em
igualdade com outras nações, livre de subordinação.)
O PL nº
2780/2024, que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos
com foco em incentivos fiscais, linhas de crédito e atração de investimento
privado, aprovado pela Câmara dos Deputados (e nesse momento em discussão no
Senado Federal), particularmente em razão das suas lacunas, corre o risco de
repetir o ciclo histórico brasileiro de mera exportação de commodities. O PL
pode até ser considerado um primeiro passo para organizar o setor mineral, mas
o incentivo fiscal privado sozinho não garantirá nossa autonomia tecnológica.
A
intenção do novo marco regulatório é permitir a entrada de capital estrangeiro
sem reduzir a participação nacional em processos que garantam maior agregação
de valor, em um primeiro momento, como resultado do beneficiamento e refino dos
minerais, que hoje deixam o país em forma bruta (fase anterior aos processos
industriais que deveriam ser o mote para uma política de desenvolvimento
endógeno).
Com a
criação da TERRABRAS, o Estado brasileiro dará passo decisivo e poderá
desempenhar o seu papel na coordenação de um setor dispondo de um efetivo
instrumento público permanente de governança, e deverá atuar sob rígidos
princípios de desenvolvimento sustentável e segurança ambiental, servindo de
modelo de “mineração verde” e garantindo que os lucros extraordinários dessa
nova fronteira tecnológica sejam reinvestidos em Pesquisa e Desenvolvimento –
P&D.
Então,
cabe perguntar: minerais estratégicos e críticos para quem? Segundo o Relatório
do PL nº 2780/2024, aprovado na Câmara dos Deputados, que reduziu o debate
público ao ser aprovado em regime de urgência, a Política Nacional de Minerais
Críticos e Estratégicos terá como finalidade “fomentar a pesquisa, a lavra e a
transformação” desses minerais “de maneira sustentável”, promovendo
desenvolvimento industrial, tecnológico e econômico.
Da
forma como está organizado, o PL nº 2780/2024 permite inferir que, mesmo não
sendo uma intenção explícita do novo marco regulatório, o objetivo do texto
aprovado é permitir a entrada de capital estrangeiro, todavia sem definir de
maneira objetiva a participação nacional em processos de maior valor agregado,
como beneficiamento e refino dos minerais, que costumam deixar o país em forma
bruta (fase anterior aos processos industriais).
É
imprescindível definir claramente, cada conceito e objetivo presente no texto
do PL nº 2780/2024, para que ele realmente defenda um justo retorno para as
regiões afetadas pela exploração mineral. Também é necessária a apresentação de
um texto que não acelere, sem garantias, a tramitação dos processos de
licenciamento e lavra. Como hoje está, o Relatório do PL: a) amplia os
benefícios para as mineradoras e não respeita a consulta prévia prevista na
Convenção 169 da OIT, que garante a consulta prévia, livre e informada a povos
indígenas e comunidades tradicionais; e b) enfraquece o licenciamento ambiental
e aprofunda as desigualdades ao manter um modelo colonial, com exportações de
commodities in natura, sem a devida fiscalização e punição de crimes cometidos
contra o erário público, contra a nossa economia e, ao final, contra a nossa
soberania, em geral, dois dos maiores problemas da mineração brasileira e,
certamente, do País.
A
criação da TERRABRAS poderá capitanear o refino dos elementos de terras raras e
estimular a industrialização local, pois corremos o risco de subsidiar com
dinheiro público (via isenções e fundos previstos no PL nº 2780/2024) a
exportação de diversos minérios de alto valor para serem industrializados no
exterior. Essa nova empresa estatal brasileira, como proposta no PL nº
1754/2026 (protocolada pelo Partido dos Trabalhadores – PT, na Câmara dos
Deputados) e o PL nº 1733/2026 (de autoria do Deputado Rodrigo Rollemberg –
PSB/DF) trazem a Terrabras como um instrumento público estratégico capaz de
capítanear um projeto nacional de desenvolvimento tecnológico realmente
soberano.
Fonte:
Por Flávio Cruvinel Brandão, em Outras Palavras

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