quinta-feira, 30 de julho de 2026

Milei é sórdido e está a serviço de Trump e do bolsonarismo — Argentina como ela é

Antes de iniciar o artigo, afirmo ao leitor que o senador Flávio Bolsonaro (PL/RJ) age como um lacaio do governo de Donald Trump. Seu propósito real não é ser presidente, mas apenas agir e atuar como “vice-rei” encarregado de cuidar dos negócios dos Estados Unidos no Brasil, que voltaria a ser uma rica colônia a entregar suas riquezas exploradas por uma potência mundial, em um retrocesso histórico e escandaloso em pleno século XXI do terceiro milênio.

O candidato a presidente do Brasil, Flávio Bolsonaro, e o presidente da Argentina, Javier Milei, realizaram um show de horrores, breguices e ridicularidades, com direito a dancinhas debochadas e grotescas, bem como ambos se valeram de acusações mentirosas e agressões verbais inaceitáveis para quem se considera minimamente educado e preza pelo que é sensato e civilizado.

Os atos com motosserra e tesourão de poda apresentados pelos dois beócios cercados por uma verdadeira tigrada esfomeada pelo poder ficarão marcados na memória de todo cidadão que despreza patifarias e crimes, porque a verdade é que as declarações de Milei são crimes de calúnia, injúria e difamação, sendo eles ainda mais graves por se tratar de um presidente da República da Argentina em viagem não oficial.

Não foi um encontro partidário sério para apresentar propostas ao País, mas absolutamente leviano. Parecia a reunião da escória travestida de convenção partidária do Partido Liberal (PL) para lançar Flávio Bolsonaro candidato a presidente. A participação do mandatário argentino Javier Milei na reunião do PL, no dia 25 de julho, em São Paulo, gerou uma grave crise política e diplomática sem precedentes entre o Brasil e a Argentina.

A “visita” do político estrangeiro teve o propósito de interferir no processo eleitoral e democrático brasileiro. O presidente argentino de extrema direita e ultraneoliberal se alinha, sem qualquer contestação, aos interesses geopolíticos e econômicos de Donald Trump na América Latina, contrários à soberania dos estados nacionais e de seus povos, com a participação ainda, e por vídeo, do genocida Benjamin Netanyahu.

O premiê israelense é um assassino em massa de milhares de crianças e mulheres palestinas e atual mandatário de Israel, um país pária, de governo bárbaro, isolado do mundo e do que é minimamente civilizado. Para finalizar, durante o encontro dos delinquentes da extrema direita, exibiram a imagem do presidiário Jair Bolsonaro, gerada por inteligência artificial. Por IA, Bolsonaro conseguiu, enfim, expressar palavras inteligíveis, apesar de sua total dificuldade para raciocinar, obedecer e respeitar as leis, desde seu tempo de capitão expulso do Exército por má conduta moral e ambição desmedida por dinheiro.

Voltemos a Milei. Não se trata, que fique claro, de uma atuação política de Javier Milei movida pela emoção e que, com efeito, o leva a passar dos limites. Não, cara-pálida. Milei se juntou ao extremista de direita bolsonarista, Flávio Bolsonaro, já sabedor do roteiro torpe e abjeto antes de viajar para o Brasil, que era o de insultar com total desrespeito o presidente Lula e o ministro do STF Alexandre de Moraes. O magistrado impediu o presidente argentino de visitar o presidiário Jair Bolsonaro, o que lhe causou frustração e ódio no nível da fúria dos bolsonaristas nesses anos todos de agressões verbais pela internet e físicas em espaços públicos e também fechados.

O mandatário argentino veio ao Brasil em uma visita “privada” e fora dos ditames diplomáticos e governamentais. No território brasileiro, Milei insultou gravemente o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva perante uma claque de políticos brasileiros golpistas, que desejam transformar o Brasil em uma falida Argentina, levada à bancarrota moral e econômica pelo incontrolável e grosseiro Javier Milei, um homem de modos torpes, que se apresenta ao público como se fosse um alucinado.

Entretanto, quando Milei está em seu gabinete, na Casa Rosada, certamente volta-lhe a razão, mas plena de perversidade, no sentido de providenciar a brutal concentração de renda e de riqueza e submeter a soberania da Argentina aos interesses dos Estados Unidos. Milei pode até ser maluco, mas apenas com o povo pobre e remediado da Argentina, de quem recolhe impostos para direcioná-los à rica burguesia nacional e internacional. Este é o ponto central sobre Milei: “Loco sí, pero no tanto”.

Estúpido como uma mula empacada, Milei recebeu aplausos por suas palavras e atos asquerosos e repulsivos, dignos de sua própria baixeza e vileza, porque lhe falta dignidade e honra, a exemplo de sua viagem a São Paulo, a serviço do governo ditatorial de Trump e do bolsonarismo, que tenta emergir de qualquer maneira para poder desesperadamente respirar e assim enfrentar a liderança de Lula nas pesquisas, nem que seja com intervenção estrangeira nos assuntos políticos e eleitorais brasileiros.

Milei, Trump, Netanyahu e Bolsonaro sabem que não adianta a América do Sul ter no poder mandatários de direita e de extrema direita se um país gigante e poderoso como o Brasil eleger Lula pela quarta vez, um mandatário profundamente democrático e comprometido com o desenvolvimento da população brasileira, com a soberania do Brasil, com o multilateralismo e a igualdade entre as nações. Lula é um político de centro-esquerda, um social-democrata autêntico com viés trabalhista, assim como está longe de ser um socialista tradicional.

Porém, mesmo sendo social-democrata, a extrema direita radicaliza e agride o fundador do PT e da CUT de forma permanente, porque luta apenas para controlar o poder central e realizar projetos de privatização e de concentração de renda e de riqueza, bem como excluir da atenção e proteção do Estado as pessoas pobres, as mais carentes, e, com efeito, permitir a realização de negócios com a iniciativa privada brasileira e estrangeira, a dedicar-lhe subservientemente o acesso às estatais, ao crédito dos bancos públicos, ao mercado interno e às riquezas naturais deste País rico de povo pobre.

A verdade é que Milei, para atender aos interesses eleitorais da família Bolsonaro, além de atacar as autoridades e as instituições democráticas brasileiras, cumpriu seu propósito de radicalizar ainda mais a política brasileira e, consequentemente, criar situações político-midiáticas, sem se importar com a severa reação do governo brasileiro, que está tomando as medidas cabíveis, além de rebater publicamente as grosserias de um político pleno de escândalos de ordem moral e governamental em seu lamentável mandato.

O Brasil, por intermédio do Itamaraty, acertou com precisão ao convocar de volta a Brasília o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Júlio Bitelli, que, juntamente com o chanceler Mauro Vieira, irá participar de reuniões para avaliar a crise entre Brasil e Argentina e, por seu turno, tomar as medidas necessárias, a exemplo de considerar Milei, um fanfarrão de palavras nojentas, “persona non grata”. Além disso, o embaixador da Argentina no Brasil foi também convocado para dar satisfações e explicações sobre as agressões do presidente argentino de extrema direita.

Além disso, ao desembarcar no Brasil, Milei recebeu todo o apoio do governador aliado da família Bolsonaro, Tarcísio de Freitas, que o recebeu no Palácio dos Bandeirantes. O argentino, mesmo realizando uma viagem não oficial, foi recebido com pompa e circunstância de chefe de Estado, bem como, de forma surreal, recebeu das mãos do governador bolsonarista a principal comenda do Estado de São Paulo. Mas não param por aí as grosserias e patifarias de Milei e seus aliados bolsonaristas. Simplesmente o mandatário argentino não comunicou ao governo federal sua vinda ao Brasil.

Evidentemente, toda essa pantomima e palhaçada (no mau sentido) foi planejada, assim como os ataques verbais violentos por parte de um presidente estrangeiro em solo brasileiro contra autoridades federais. Realizar uma viagem privada não isenta uma autoridade estrangeira de avisar oficialmente os poderes constituídos de uma República, ainda mais quando se trata de um país importante como o Brasil.

A verdade e a realidade é que a extrema direita se reuniu para cometer desatinos, desrespeitos e agressões e não para fazer política. Mas é o que ela sabe fazer, porque sempre foi vazia de projetos e programas sociais, econômicos e desenvolvimentistas. Não existem projetos de soberania e independência elaborados por essa corrente política que atua no campo da extrema direita. Apenas tiram tudo de suas populações e lutam para que seus países sejam apenas exportadores de commodities e integrados à zona de influência dos EUA.

Não interessa à extrema direita e às burguesias locais, que financiam suas campanhas e facilitam seus negócios, empoderar seus próprios países perante o concerto das nações. O que interessa a essa gente reacionária e violenta é ter o controle dos Estados nacionais e fazer deles instrumentos para que os ricos e os muito ricos continuem com seus altos padrões de vida, bem como os trabalhadores, os aposentados e as populações em geral apenas sirvam como mão de obra barata e sem emancipação escolar e financeira. O negócio desse tipo malévolo de gente é a mais-valia eterna, meu camarada.

Milei, antes de tudo, é um político mentiroso e administrador fracassado. Institutos de pesquisa, a exemplo de Atlasintel, Opina Argentina e Zuban Córdoba, indicam que Milei é impopular, pois sua rejeição varia entre 58,2%, 63% e 64,5%, respectivamente. Milei, que é um tremendo estúpido, acha que sua péssima educação e suas agressões reverberadas vão lhe dar votos, o que certamente não vai acontecer, bem como o presidente argentino está sendo processado e sob denúncia criminal por suposto desvio de verbas públicas e violação de deveres funcionais.

Esse processo está em tramitação após sua viagem ao Brasil para participar de um evento privado organizado pelo Partido Liberal do presidiário Jair Bolsonaro, com a participação de alguns de seus filhos e aliados, dentre eles o presidente Milei. A ação judicial afirma que o presidente argentino utilizou recursos do Estado para comparecer ao evento partidário de lançamento da candidatura a presidente de Flávio Bolsonaro. Milei usou a estrutura do Estado, a exemplo do avião presidencial, da comitiva oficial, além de recursos financeiros como cartões corporativos. Milei se aproveitou do público para atender a interesse privado, como fazem os grandes empresários com a cumplicidade de políticos para usurpar o Estado e desfalcar o erário público.

A Argentina está desindustrializada e o Estado foi desmontado, com um prejuízo incalculável para o povo argentino — prejuízo moral, econômico e financeiro, diga-se de passagem. Agora, perguntemos: qual é a moral que Milei e seu desastroso desgoverno têm para com os argentinos e o restante da comunidade latino-americana? Então, vamos lá! Para quem não sabe, fique logo a saber das cafajestadas do mandatário argentino contra seu próprio povo.

Javier Milei é disparado o pior presidente civil da história da Argentina e, sem sombra de dúvida, é um político corrupto e determinado a desmontar o Estado argentino para entregá-lo de bandeja ao grande capital privado e monopolizado, bem como as riquezas de seu país, que, como disse anteriormente, está desindustrializado, com alto índice de desemprego, além de ser vítima de uma inflação alta, a serviço do establishment internacional, além de ser menino de recados de Donald Trump.

Milei afundou a Argentina, e seus ataques a autoridades brasileiras seguem o rumo de Donald Trump e Marco Rubio, o radical secretário de Estado dos Estados Unidos. Enquanto isso, a Argentina sofre com a inflação alta, que atinge o patamar de 33,5% ao ano (junho de 2025 a junho de 2026), conforme medição de junho de 2026, sendo que no primeiro semestre deste ano o acumulado foi de 16,8%.

A verdade, como sempre acontece, é que quem é favorecido por políticas econômico-financeiras neoliberais são sempre os ricos e a classe média alta. Como sempre e em qualquer lugar deste pequeno e frágil planeta, Milei favoreceu e beneficiou os ricos, principalmente os dos setores de mineração (petróleo/lítio), agricultura e pecuária e exportações líquidas, geralmente a favor dos grandes exportadores.

Enquanto isso, no governo ultraneoliberal de Milei, os setores da indústria manufatureira, do comércio varejista e o consumo interno das famílias sofrem profunda queda com o aviltamento do mercado interno, a economia real, que gera emprego e renda para milhões de trabalhadores e aposentados, verdadeiros responsáveis pelo consumo de inúmeros setores econômicos e segmentos sociais, que fazem o dinheiro circular e, com efeito, chegar às mãos das famílias e das médias e pequenas empresas.

Em resumo: a política econômica neoliberal imposta aos povos por políticos de direita e de extrema direita tem por propósito fundamental privilegiar os ricos e os muito ricos. São eles os beneficiados pelas riquezas dos países e pela produção dos trabalhadores. Só que essa gente rica é minoria, mas controla os mercados e os meios de comunicação, realidades que acarretam a submissão da população às mentiras e às manipulações, somadas a questões religiosas e outros assuntos de conotações morais e familiares.

Trata-se da corrupção dos costumes por meio de um moralismo sem moral, cuja finalidade é transformar os setores pobres e remediados da sociedade em redutos de pessoas reacionárias e preconceituosas contra sua própria classe e realidade, o que é um disparate, porque a luta de classes requer consciência social e de classe, de forma a, aí sim, ser possível derrotar a burguesia e parte da classe média reacionária por meio do voto, que não é revolucionário, mas sim um meio que as democracias burguesas e ocidentais criaram para evitar revoltas populares mais graves ou violentas.

A verdade em termos de governo Milei é que as reformas fiscais realizadas pelo maluco argentino da motosserra derrubaram a inflação, que ainda continua bastante alta, mas, como todo processo neoliberal, o setor exportador primário sempre se dá bem e enriquece ainda mais. Por sua vez, o consumo doméstico e o mercado formal de trabalho, como sempre, continuam a sofrer impactos muito severos causados pelas medidas de austeridade, que significam congelar os investimentos públicos e os salários, assim como canalizar o dinheiro público para atender aos interesses econômicos da burguesia e de governos de potências estrangeiras.

Milei é tão descaradamente irresponsável e cruel que submeteu novamente a Argentina ao FMI para receber créditos de US$ 20 bilhões, o equivalente a R$ 118 bilhões. O FMI (leia-se EUA) tutelou a Argentina e suga suas riquezas minerais e naturais como se não houvesse amanhã. Milei deveria ser preso por alta traição à pátria, assim como deveria ser barrado se tentasse entrar no Brasil enquanto Lula estiver no poder.

O presidente argentino é carrasco de seu povo, além de causar-lhe humilhações, porque os técnicos do FMI entram na Argentina e determinam o que o governo do país sul-americano tem que fazer. É uma vergonha. Milei vai ser derrotado e, como tem inúmeros esqueletos em seu bestial armário, certamente vai se tornar um presidiário, igual ao seu similar aqui no Brasil. É isso aí.

 

Fonte: Por Davis Sena Filho, em Brasil 247

 

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