Os 'Bolsonaros de IA' que fazem campanha até
contra Flávio nas redes sociais nesta eleição
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) está há meses preso, atualmente em domiciliar, e proibido de usar redes sociais e fazer manifestações
públicas e políticas, mas quem navega pelas redes sociais pode ter uma
impressão diferente e acreditar que ele está em plena campanha nas eleições de 2026.
"Gente, está difícil para nós", diz
"Bolsonaro" chorando em um vídeo no TikTok. "Peço que apertem na
cruz abaixo da minha foto e me ajudem a ganhar esta eleição."
Em outro, o ex-presidente aparece ao lado do
filho Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência pelo PL, fazendo coro
em um pedido de apoio. "Vamos mostrar nossa força e vencer ainda no
primeiro turno", eles dizem.
"Bomba!", diz "Bolsonaro"
em um terceiro vídeo. "Eu acabo de receber um alvará de liberdade para
minha candidatura. Então, se você me apoia, aperta todos os botões ao lado e
mande esse vídeo para três amigos."
Não se trata de Bolsonaro de verdade, é
claro, mas de sua imagem, fabricada com inteligência artificial (IA), em vídeos
direcionados aos seus eleitores.
São os chamado deepfakes, uma técnica que manipula ou cria vídeos, áudios
e imagens falsas com alto grau de realismo. Eles servem para fazer pessoas
parecerem dizer ou fazer coisas que nunca aconteceram.
Um "Bolsonaro de IA" foi usado pelo
próprio Flávio Bolsonaro ao lançar oficialmente sua candidatura. Na convenção do PL
que oficializou seu nome, o senador exibiu um
vídeo de menos de um minuto em que a imagem e voz do pai aparecem pedindo o
apoio a seu "escolhido".
A peça começa informando que "isso que
vocês estão vendo" não é Bolsonaro. "Isso é uma simulação da minha
imagem e da minha voz feita com inteligência artificial", diz o avatar do
ex-presidente.
"Peço que vocês recebam de braços
abertos a pessoa que escolhi para me substituir, sangue do meu sangue, meu
filho Flávio. Vem com fé, o Brasil tem futuro, e o futuro é Flávio Bolsonaro
presidente", conclui a imagem de Bolsonaro.
Mas, bem além da convenção do PL, a BBC News
Brasil também encontrou ao menos uma dezena de vídeos nas redes sociais em que
o "Bolsonaro de IA" faz de um pedido de apoio ao filho a uma
celebração por um falso "alvará de liberdade".
"Não vamos deixar o PT acabar com o
Brasil", diz um dos vídeos com dezenas de milhares de visualizações.
Em uma amostra de como esse tipo de
tecnologia permite mesmo simular qualquer coisa, até mesmo o impossível, também
há vídeos em que "Bolsonaro" faz o papel contrário: critica Flávio ao
dizer que ele "não tem condição de ser presidente" e faz campanha
contra o filho e a favor do seu adversário.
"Venho nesse vídeo feito por IA pedir a
todos vocês que não percam seu tempo em outubro votando no meu filho", diz
um deles.
"Por estar inelegível até a volta de
Jesus, eu resolvi indicar Flávio como um fantoche da minha candidatura. (...)
Mas eu já me arrependi de ter indicado esse moleque. A melhor opção é o Lula
mesmo."
Esses primeiros sinais de uma campanha que
pode ser marcada pela utilização desta tecnologia mostram que a Justiça
Eleitoral vai ter que deixar clara sua posição - e especialistas em direito
eleitoral consultados pela reportagem discordam sobre o alcance das regras
atuais.
O advogado Alberto Rollo, mestre pela
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), avalia que, neste
momento de pré-campanha, as resoluções do Tribunal Superior Eleitoral (TSE)
deixam dúvidas sobre o que é ou não permitido.
A resolução da Justiça eleitoral que
estabelece regras das propagandas eleitorais (a 23.610, de 2019), veda
expressamente o uso de deepfakes, independentemente se
são usados para prejudicar ou favorecer candidaturas.
A proibição ocorre mesmo que haja
autorização, sendo a pessoa viva, falecida ou fictícia.
"Mas a vedação está muito clara e
objetiva quando se fala de propaganda eleitoral. Não pode e ponto. A questão é
que, no momento, estamos fora do período de propaganda. A redação da resolução
[do TSE] realmente está complicada e acho que gera dúvidas na fase de
pré-campanha", avalia Rollo.
O período de campanha e propaganda eleitoral
geral começa em 16 de agosto.
Já na avaliação de Fernando Neisser,
professor de direito eleitoral da FGV/SP, não há dúvidas de que quem está
produzindo e compartilhando vídeos de deepfake no contexto
eleitoral já estão cometendo ilegalidade.
"Há uma jurisprudência firmada há
bastante tempo que diz que todas as regras formais da propaganda que valem para
o período eleitoral valem também no período pré-eleitoral", diz.
"Essa é uma regra que diz respeito à
forma, ao tipo de tecnologia que está sendo usada, e não ao conteúdo. Então,
não me resta dúvida, que isso vale também para o caso da convenção [do PL]. Não
há área cinzenta", segue Neisser.
<><> Vídeo na convenção já sob
análise no TSE
Logo após a convenção em que Flávio exibiu
o deepfake do pai, a Federação Brasil da Esperança, da qual o
PT do presidente Lula faz parte, entrou com uma representação por propaganda
eleitoral antecipada e uso irregular de inteligência artificial contra o PL e o
candidato.
O presidente do TSE, o ministro Kassio Nunes
Marques, foi o sorteado para ser o relator da ação.
Ao tribunal, os advogados da campanha de
Flávio defenderam que a gravação não pretendeu enganar o público ou espalhar
conteúdo falso.
Na avaliação do especialista Alberto Rollo,
pelas regras que existem e pelo fato de o vídeo ser identificado com IA no
início - portanto, sem "tentativa de enganar" -, não houve
ilegalidade em termos eleitorais na exibição do deepfake de
Bolsonaro.
Além de estarmos fora do período de
propaganda, o advogado avalia que convenção é um "ato interno".
"É uma reunião interna dos partidos. Não
é para o público externo, eleitor", avalia Rollo.
Fernando Neisser discorda. "É
indiscutível que, quando você tem um material que é produzido para circular nas
redes sociais, é irrelevante se o ambiente é interno ou externo. Segue sendo
ilegal", diz.
Mas, além da investigação eleitoral, o caso
de Bolsonaro se complica ainda mais porque o ex-presidente está preso e vetado
de usar redes sociais, mesmo que por intermédio de terceiros.
Na terça-feira (28/7), o ministro Alexandre
de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu 48 horas para a defesa do
ex-presidente explicar se foi autorizado o uso de imagem e voz no vídeo exibido
na convenção do PL.
Moraes explicou no documento que o
ex-presidente está com os direitos políticos suspensos em razão da condenação
criminal por golpe de Estado e
também está proibido, desde julho de 2025, de utilizar redes sociais
diretamente ou por intermédio de terceiros.
"A eventual concordância de Jair Messias
Bolsonaro com a divulgação de um vídeo produzido por IA, e amplamente divulgado
nas redes sociais, contendo sua imagem e declarações ostensivamente
político-eleitorais constituiria nova e grave transgressão à decisão judicial,
poucos dias após ser sancionado, e passível de reversão da prisão domiciliar
humanitária para o regime fechado", escreveu Moraes.
Em resposta a Moraes, na quarta-feira (29/7),
a defesa do ex-presidente informou que ele não autorizou a utilização de sua
imagem e voz para a produção do vídeo.
Segundo a defesa, o presidente não teve
contato com o filho porque está com o direito de visitas suspenso por 30 dias e
Flávio está proibido de visitá-lo por 90 dias. Portanto, de acordo com os
advogados, o ex-presidente não poderia ter autorizado o uso de sua imagem e voz
Em 15 de julho, Moraes havia suspendido, por
90 dias, o direito de Flávio a visitar o seu pai depois de ter lido, nas suas
redes sociais, uma carta em que o pai pedia união da direita em torno da
pré-candidatura do senador.
Em sua decisão, Moraes argumentou que leitura
da carta por Flávio seria uma forma de burlar a restrição ao uso de redes
sociais.
Caso a campanha de Flávio seja punida por uso
de deepfake, isso poderia até levar a alguma condenação de abuso de
poder político, sujeito a cassação do registro e mandato.
"Mas tem que configurar que teve deepfake,
e não só uma uma vez. Toda jurisprudência do TSE, quando fala de abuso de poder
político, fala em gravidade da conduta. Ou seja, teria que ter gravidade,
condições de influenciar o pleito", diz Rollo.
Fernando Neisser avalia que a campanha
"já merece punição", mas ainda não se pode falar de "abuso de
poder político".
"Acho importante uma decisão
reconhecendo que é ilegal, tirando conteúdo do ar e aplicando multa. E isso já
fica como uma decisão, porque se a campanha decidir reiterar, aí sim vai poder
se falar em abuso de poder e cassação de registro e inelegibilidade",
conclui.
Em nota, o TSE informou à reportagem que não
se manifestará sobre temas ou casos que possam vir a ser ou são objetos de
análise na Justiça Eleitoral.
<><> E os perfis nas redes
sociais?
E as páginas que publicaram outros deepfakes de
Bolsonaro. Elas podem ser responsabilizadas na Justiça?
Para Fernando Neisser, a proibição não
diferencia candidatos de cidadãos comuns.
"O que se quer é um ambiente em que esse
tipo de material não seja produzido e não circule, sob pena de que essas
pessoas respondam por isso", diz.
Já Rollo avalia que, a partir de 16 de
agosto, quando começa o período de propaganda eleitoral, esse conteúdo pode vir
a ser enquadrado como irregular.
"As resoluções não trataram de todas as
hipóteses concretas. E aí o brasileiro é invetivo, e a IA permite isso. Então,
a Justiça acaba tendo que analisar caso a caso, o que é perigoso, porque
permite interpretações", avalia Rollo.
O especialista prevê que pode acontecer nessa
eleição algo parecido com à campanha à prefeitura de São Paulo em 2024, quando
o candidato Pablo Marçal fazia campeonato de recortes de vídeos até com
remuneração.
"A Justiça Eleitoral não estava
preparada, aí começa a jurisprudência sobre engajamento artificial estimulado
por prêmio. Então, tem que se atualizar todos os dias, com cuidado para não ser
parcial."
Para Neisser, ainda não dá pra saber qual o
volume de casos que a Justiça Eleitoral terá que analisar.
"A Justiça Eleitoral age por provocação.
É natural que as próprias candidaturas selecionem casos que elas querem gastar
tempo e esforço", diz o especialista, ressaltando que as campanhas não
devem entrar com ações contra todo vídeo de deepfake, apenas em casos mais
visíveis.
Na previsão de Rollo, a quantidade de casos
será muito grande.
"Mas a Justiça tem técnicos
ultrapreparados e tem ferramentas que vão ser usadas na fiscalização, mas acho
que, pela quantidade que está se desenhando, aí talvez não se consiga
efetividade de controlar 100% do que acontece nas redes. Vai escapar alguma
coisa", prevê.
O TSE conta com um sistema em que a população pode alertar casos de desinformação
eleitoral. As pessoa podem apontar "fatos notoriamente inverídicos ou
descontextualizados com potencial para causar danos ao equilíbrio do pleito ou
à integridade do processo eleitoral", inclusive com o uso de iA.
O tribunal também fechou acordos com as
principais plataformas de redes sociais para ajudar no combate à desinformação
durante a eleição geral de 2026. Os documentos incluem acordos de colaboração
para detecção e mitigação do "uso enganoso de tecnologias digitais"
no contexto das eleições, além de canais exclusivos para TSE enviar denúncias
de conteúdos específicos.
¨
As possíveis
consequências do vídeo de Jair Bolsonaro feito com IA na convenção do PL,
segundo juristas
O Tribunal
Superior Eleitoral (TSE) decidirá se a
campanha presidencial de Flávio Bolsonaro
(PL) cometeu alguma irregularidade ao
utilizar um vídeo do ex-presidente Jair Bolsonaro
(PL) produzido com inteligência
artificial (IA) durante a convenção
partidária do PL que oficializou sua candidatura ao
Palácio do Planalto.
Na gravação, o avatar de Bolsonaro começa
avisando que se trata de conteúdo artificial. Depois, faz críticas à sua
prisão, diz ter escolhido Flávio para sucedê-lo e conclui: "o Brasil tem
futuro e o futuro é Flávio Bolsonaro Presidente".
Advogados eleitorais ouvidos pela reportagem
se dividem sobre se houve ou não ilícito eleitoral, mas não acreditam em
consequências graves como cassação da candidatura no momento.
Caso a Corte entenda que houve
irregularidade, o cenário mais provável é que a campanha de Flávio seja multada
por propaganda antecipada e proibida de usar gravações de Jair Bolsonaro feitas
com IA devido a uma resolução do TSE que restringe o uso de conteúdo gerado
artificialmente.
Na quarta-feira (26/7), a defesa de Jair
Bolsonaro negou que ele tenha autorizado a produção e uso do vídeo exibido na
convenção, depois que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal
Federal (STF), exigiu explicações.
O ex-presidente foi autorizado a cumprir pena
em prisão
domiciliar, após ser condenado por tentativa de golpe
de Estado, mas está proibido de se manifestar politicamente. Caso fosse
confirmado algum envolvimento de Bolsonaro no vídeo, havia o risco de Moraes
determinar sua volta para a prisão comum.
Ao negar ter autorizado esse conteúdo
específico, a defesa disse, por outro lado, que o ex-presidente nunca se opôs
ao uso de sua imagem pelos filhos.
"Muito antes das restrições atualmente
impostas, ao menos desde o período em que o Peticionário exercia a Presidência
da República, seus filhos sempre utilizaram sua imagem pública no âmbito da
atividade político-partidária, reproduzindo fotografias, gravações,
pronunciamentos, discursos, entrevistas e demais manifestações públicas,
prática notória, contínua e jamais objeto de qualquer oposição por parte do
titular desse direito".
"Essa circunstância decorre da natural
relação de confiança existente entre pai e filhos e da própria natureza pública
da imagem do Peticionário", continuou a defesa.
Com a negação da participação de Bolsonaro, a
atenção se volta para o TSE, onde a federação formada por PT, PV e PcdoB entrou
com uma representação questionando a legalidade do vídeo.
Na visão desses partidos, o vídeo em apoio à
candidatura do seu filho desrespeita uma resolução da Justiça Eleitoral que
proíbe gravações de deep fake.
Essa resolução diz que não é permitido
"o uso, para prejudicar ou para favorecer candidatura, de conteúdo
sintético em formato de áudio, vídeo ou combinação de ambos, que tenha sido
gerado ou manipulado digitalmente, ainda que mediante autorização, para criar,
substituir ou alterar imagem ou voz de pessoa viva, falecida ou fictícia (deep
fake)".
A federação liderada pelo PT também argumenta
que ocorreu campanha eleitoral antecipada, já que o vídeo afirma que "o
futuro é Flávio Bolsonaro Presidente" e foi divulgado para um público
amplo nas redes sociais do PL e do senador.
A representação pede, então, que o TSE
determine a remoção do vídeo com a gravação de Jair Bolsonaro e a proibição de
novas veiculações.
Além disso, solicita a aplicação de uma multa
contra a campanha de Flávio Bolsonaro por propaganda antecipada. Segundo a
legislação eleitoral, essa punição deve ser fixada entre R$ 5 mil e R$ 25 mil,
ou em valor equivalente ao custo da propaganda, quando superar R$ 25 mil.
Já a campanha de Flávio refutou os argumentos
petistas. Em representação ao TSE, argumentou que o vídeo não configura
campanha antecipada porque a gravação não traz pedido direto de voto e foi
divulgada no contexto específico da convenção partidária, ambiente em que há
maior flexibilidade sobre conteúdo eleitoral.
Quanto à acusação de deep fake, sustentou que
o vídeo não fere as restrições do TSE porque deixa claro sua natureza
artificial.
"A transparência integral, a ausência de
falsidade material, a inexistência de qualquer ofensividade, a montagem
exclusivamente digital (sem mesclas entre realidade e digital) e o contexto
interno e político que é próprio das convenções partidárias constituem
elementos relevantes que afastam, por completo, qualquer alegação de ilicitude
manifesta", argumentou a campanha de Flávio.
"Ora, o avatar reclamado nada mais é do
que a versão moderna e tecnológica daquilo que sempre foi usado em eventos
partidários e eleitorais como bonecos de papel, imagens em cartazes e até em
máscaras, camisas, com mensagens de apoio", diz outro trecho da defesa.
<><> Relator do caso e presidente
do TSE, Nunes Marques tem visão mais flexível sobre IA
O caso foi sorteado para relatoria do
ministro Kassio Nunes Marques, atual presidente do TSE, que já deu declarações
mais favoráveis ao uso de inteligência artificial nas campanhas.
Sem citar diretamente o vídeo de Jair
Bolsonaro, ele disse na segunda-feira (27/7), ao jornal Estado de São Paulo,
que "usar IA para fazer campanha é lícito, o que não pode é usar para
prejudicar alguém".
Essa visão traz uma interpretação menos
restrita que a atual resolução do TSE, cujo texto proíbe conteúdo artificial
"para prejudicar ou para favorecer candidatura".
Marques poderá decidir individualmente sobre
a representação do PT ou levar o caso ao plenário do TSE, que conta com mais
seis ministros, sendo mais dois do STF (André Mendonça e Dias Toffoli), dois do
Superior Tribunal de Justiça (Antonio Carlos Ferreira e Ricardo Villas Bôas
Cueva) e dois oriundos da advocacia (Floriano Peixoto de Azevedo Marques Neto e
Estela Aranha).
Mas, caso o relator decida individualmenente,
a parte derrotada poderá recorrer ao colegiado.
Ouvido pela reportagem, o advogado eleitoral
Guilherme Barcelos acredita que há elementos para condenar Flávio Bolsonaro por
campanha antecipada e proibir a reprodução do vídeo.
Ele não vê, porém, elementos para abertura de
um processo de cassação de candidatura. Para isso ocorrer, ressalta, o ilícito
eleitoral tem que ter gravidade maior, sendo capaz de desequilibrar o pleito
eleitoral.
"Seguramente, não há elementos para
cassar a candidatura. Agora, uma irregularidade, há sim. Isso, para mim, é
muito concreto".
Ele ressalta que o aviso inicial que o avatar
faz no vídeo, alertando que o conteúdo foi gerado artificialmente, apenas
cumpre o que determina a atual regra eleitoral.
"Todo e qualquer material realizado por
IA deve ter essa advertência. É obrigatório, seja no Instagram, no YouTube,
enfim, qualquer que seja a plataforma. Inclusive, eu oriento meus clientes a
colocar o aviso até em conteúdo impresso feito com IA. Então, com esse aviso,
eles estavam apenas cumprindo essa exigência".
"A partir daí nós adentramos a outras
regras inerentes à inteligência artificial e ao uso dela. E há uma regra que
proíbe taxativamente o uso da IA para utilizar a figura de alguém, modificação
de voz, de imagem. Enfim, isso é proibido", continuou.
Já o advogado eleitoral Alberto Rollo avalia
que não houve qualquer ilegalidade no uso do vídeo. Ele afirma que, de fato, o
uso desse tipo de gravação gerada por IA é proibido durante a campanha
eleitoral, que terá início a partir de 16 de agosto.
Na sua visão, porém, a divulgação da gravação
na convenção partidária, sem pedido direto por voto, não configura ainda
campanha eleitoral e, portanto, o uso do conteúdo artificial não estaria
vedado.
"Eu sustento que não houve ilegalidade
na utilização dessa IA lá na convenção. Eu não estou falando a partir de 16 de
agosto. A partir de 16 de agosto não pode e ponto. E qual é a consequência?
Pode ser a cassação do registro ou a cassação do mandato, caso o uso desse
conteúdo tenha gravidade, condições de influenciar o pleito".
Fonte:
BBC News Brasil

Nenhum comentário:
Postar um comentário