'Geração
Lava Jato' prefere Flávio, e idosos podem ser 'novo Nordeste' de Lula, diz
diretora do Datafolha
As pesquisas
eleitorais têm mostrado uma certa estabilidade na disputa
presidencial, sinalizando, no momento, para um segundo turno
apertado entre o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva (PT) e o senador Flávio
Bolsonaro (PL-RJ), com pequena vantagem para o petista.
O
detalhamento das sondagens, porém, revela dados interessantes sobre a corrida
eleitoral, ressalta a diretora do instituto Datafolha, Luciana Chong, em
entrevista à BBC News Brasil.
Ela
nota que o crescente eleitorado de idosos,
com 60 anos ou mais, desponta como um possível "novo Nordeste" para o
PT, em referência à região que tem dado larga vantagem de votos para o partido
de Lula desde 2002.
Segundo
a última pesquisa Datafolha, em eventual segundo turno, 55% desse grupo
declaram apoio ao petista, contra 37% que preferem Flávio, uma diferença de
quase vinte pontos percentuais.
Os
idosos também chamam atenção por seu engajamento maior na eleição em relação a
outros grupos, nota Chong. Na pesquisa espontânea para o primeiro turno, ou
seja, quando os entrevistados são perguntados sobre em quem vão votar sem que
lhes sejam apresentados os nomes dos candidatos, apenas 34% do eleitorado mais
velho responde que ainda não sabe seu candidato, contra 46% dos mais jovens (16
a 24 anos).
"Os
idosos são agora 23% dos eleitores. Nunca houve um percentual tão alto de
pessoas com 60 anos ou mais dentro do eleitorado. E hoje, porque há a questão
da longevidade, uma pessoa de 60 anos, 70 anos, está muito ativa, diferente do
que era há algumas décadas. Hoje, as pessoas estão trabalhando, são ativas e
querem ir votar", analisa.
"É
um segmento importante que está bem engajado com o Lula nesse momento. Acho que
também muito por conta de todas as políticas econômicas que acabam acenando
para esse grupo, como a valorização do salário mínimo [que aumenta também o
valor de benefícios do INSS]", nota Chong.
Por
outro lado, a maior dificuldade de Lula está entre a população adulta, na faixa
de 35 a 44 anos, que a diretora do Datafolha chama de "geração Lava
Jato", em referência à operação que desmantelou um grande esquema de
corrupção envolvendo a Petrobras e diferentes partidos políticos durante os
governos de Dilma Rousseff (2010 a 2016).
É um
grupo que passou boa parte de sua vida governada por governos petistas e
acompanhou a grande repercussão do escândalo. Nessa faixa etária, Flávio
aparece com 53% das intenções de voto em eventual segundo turno, contra 38% de
Lula.
"Quando
a gente pergunta qual o principal problema do país, eles citam a corrupção mais
do que os outros grupos", destaca.
Para
Chong, o período eleitoral de campanha, que começou em 16 de agosto, e a
propaganda eleitoral gratuita em rádio e TV (a partir do dia 28) ainda são
capazes de influenciar o voto do eleitor, apesar da importância das redes
sociais como meio de informação hoje.
Até o
momento, porém, ela vê pouco espaço para algum candidato romper a forte
polarização entre Flávio e Lula, como os ex-governadores Ronaldo Caiado (PSD),
Romeu Zema (Novo) ou o novato Renan Santos (Missão).
Na sua
visão, essa é mais uma eleição movida pela rejeição, em que o eleitor escolhe o
seu candidato não tanto
pelas propostas, mas em contraponto ao que mais rejeita, seja o
presidente ou o filho de Jair Bolsonaro (PL).
Isso,
diz Chong, contribui para o cenário de segundo turno apertado que vem sendo
apontado nas pesquisas eleitorais, apesar da ampla vantagem de Lula nos
levantamentos de primeiro turno.
"A
gente vê que Lula vence todos os outros com percentuais parecidos, porque, para
esse eleitor [anti-Lula], tanto faz se é Flávio, se é Caiado, se é Zema; ele é
contra Lula. É mais um voto anti-Lula do que naqueles candidatos que estão ali
apresentados. Então, quando houver realmente um segundo turno definido, toda
essa direita vai se unir. Não vai ser uma eleição fácil", avalia.
Confira
a seguir os principais destaques da entrevista, em que Chong rebate críticas de
que o Datafolha "errou o resultado da disputa presidencial de 2022" e
conta sobre como ferramentas de inteligência artificial estão sendo usadas para
aprimorar instrumentos de checagem das pesquisas do instituto, que são
realizadas de forma presencial, nos chamados pontos de fluxo (áreas de grande
circulação de pessoas) das cidades onde ocorre o levantamento.
LEIA A
ENTREVISTA:
·
Quais tendências do eleitorado chamam sua atenção nesta
eleição?
Luciana
Chong - O
voto feminino, que em 2022 foi superimportante para a eleição do Lula, se
mantém. As mulheres têm uma resistência maior ao candidato Flávio, assim como
tinham em relação ao Jair Bolsonaro. Vemos também o voto dos mais jovens um
pouco mais com o Lula, e os evangélicos sempre mais alinhados à família
Bolsonaro.
Esse
ano, estamos fazendo essa pergunta aos entrevistados: "Numa escala de
bolsonarista a petista, de 1 a 5, em que grau você se coloca?". É para
entendermos se a pessoa é um bolsonarista raiz, se é um bolsonarista moderado,
se é um petista raiz, um petista moderado. E, no meio, aparecem os não
alinhados, que é um grupo superimportante, que pode decidir a eleição. A
intenção de voto desse grupo é um pouco mais para Lula do que para Flávio, mas
isso pode mudar. É um grupo mais suscetível a mudanças.
·
E como é o perfil social dos não alinhados?
Chong
- Eles
são mais jovens, têm escolaridade média, principalmente, e são mais de cidades
grandes. Não têm partido político de preferência. E existe um índice alto de
eleitores sem religião. É um perfil que não está tão engajado ainda com a
eleição, algo que vemos com os jovens, por exemplo, pois eles têm um índice
alto que responde que não sabe em quem vai votar na pesquisa espontânea.
Esperamos agora, com o início da propaganda eleitoral, que esse grupo se engaje
também. Vamos conseguir entender um pouco para que lado eles vão.
·
As mulheres são a maioria do eleitorado, representam
quase 53% dos eleitores. Com a vantagem que Lula tem entre elas, é possível
dizer que o eleitorado feminino se tornou um novo Nordeste para o PT?
Chong
- Acho
que não, porque o Nordeste ainda tem uma força maior. Quando a gente vê o
eleitorado feminino por faixa etária, por exemplo, as mais jovens são mais Lula
e as mais velhas também, mas essa faixa intermediária já não é tanto, que é
justamente uma faixa de idade que chamamos aqui de "geração Lava
Jato", porque é a geração que cresceu vendo a Lava Jato. Então, é mais
crítica em relação ao governo do PT, ao Lula, principalmente na questão da
corrupção.
Talvez
um segmento que esteja mais perto do que seria o Nordeste para o Lula sejam os
mais velhos. Se você vê na faixa de 60 anos ou mais, aí sim ele tem uma
vantagem muito maior. E aí parece um voto mais consolidado, pois os mais velhos
também são os que estão mais engajados [na eleição]. O índice de eleitores que
dizem que não sabe em que vai votar é menor [entre os idosos].
A
vontade de votar é maior do que a dos mais jovens. Então, é um segmento
importante e que está bem engajado com o Lula nesse momento. Acho que também
muito por conta de todas as políticas econômicas que o Lula vem fazendo, que
acabam acenando para esse grupo, como a valorização do salário mínimo [que
aumenta também o valor de benefícios do INSS] e a isenção do IR para quem ganha
até R$ 5 mil.
·
Então, o grupo que viveu a maior parte da sua vida
política sob os governos do PT é o que menos vota em Lula?
Chong
– Sim,
no total da amostra, nessa faixa etária, de 35 a 44 anos, o Flávio fica na
frente. E, quando perguntamos qual é o principal problema do país, eles citam a
corrupção mais do que os outros grupos.
·
Com o envelhecimento da população, os eleitores idosos
estão ganhando peso na eleição, mas eles não são obrigados a votar a partir de
70 anos. Qual a importância desse grupo?
Chong
– Os
idosos são agora 23% dos eleitores. Nunca houve um percentual tão alto de
pessoas com 60 anos ou mais dentro do eleitorado. É um grupo que, de fato, só
vai crescer. E hoje, porque há a questão da longevidade, uma pessoa de 60 anos,
70 anos, está muito ativa, diferente do que era há algumas décadas. Hoje, as
pessoas estão trabalhando, são ativas e querem ir votar. Então, é um segmento
importante. Vamos ter que ver como vai ser a abstenção, mas, pela intenção de
voto, a gente vê que eles têm um engajamento maior.
·
A campanha eleitoral e a propaganda gratuita em televisão
e rádio ainda têm relevância para mexer nas intenções de voto?
Chong
– Eu
acho que sim, porque, quando a gente faz pesquisas para medir o grau de
confiabilidade nos meios de informação, as redes sociais são as em que as
pessoas menos confiam, apesar de serem as mais utilizadas. Claro, atinge as
pessoas muito mais rápido e tem muito mais conteúdo rodando, mas as pessoas
ainda confiam mais nos meios tradicionais, como TV, rádio, jornais.
·
O Renan Santos, que disputa pela primeira vez uma
eleição, tem aparecido na frente de nomes tradicionais, como Ronaldo Caiado e
Romeu Zema. De onde vem esse apoio? Tem espaço para ele crescer mais, nesse
cenário tão polarizado entre Lula e Flávio Bolsonaro?
Chong
– Ele
tem apoio em um segmento muito nichado, entre os mais jovens, que é onde
consegue ter algum destaque. O conhecimento dele ainda é muito baixo, então ele
não consegue ainda chegar nas outras faixas de idade. Ele pode ter um
crescimento, porque agora, que começa a campanha mesmo, ele vai começar a
aparecer nos debates, nas entrevistas e vai se tornar mais conhecido. Mas eu
acho que ainda não ameaça essa polarização.
É a
primeira eleição, ele está construindo o nome dele, na verdade, não para esse
ano, mas para daqui a quatro anos, oito anos.
·
Por que Caiado não consegue decolar, mesmo concorrendo
por um grande partido?
Chong
– Ele
foi governador por dois mandatos. Lá em Goiás, ele é super conhecido, mas no
Brasil ainda não. Então, eu acho que, conforme ele for se tornando mais
conhecido agora, pode ser que ele também tenha crescimento.
Assim,
essa eleição está sendo marcada por várias denúncias de todos os lados, então
tem denúncia contra o Flávio, tem denúncia contra o Lula. Então, a gente não
sabe, daqui para frente, como isso vai seguir. E aí, talvez, seja uma chance do
Caiado conquistar um eleitor mais à direita.
·
Durante a redemocratização, nunca ocorreu de um candidato
a presidente que ficou em segundo lugar no primeiro turno conseguir virar e
ganhar a eleição no segundo turno. Este ano, porém, há alguns candidatos na
direita que tendem a transferir votos para Flávio Bolsonaro no segundo turno,
segundo o atual cenário das pesquisas eleitorais. É um cenário mais desafiador
para Lula?
Chong
– Sem
dúvida, é o que a gente viu em 2022. Na última eleição, o Lula ainda tinha uma
vantagem maior em relação ao Bolsonaro no primeiro turno. Só que, quando
começou o segundo turno, essa vantagem desapareceu e eles foram seguindo muito
empatados até o final. A diferença foi mínima. Então, eu acho que isso pode se
repetir, sim.
Hoje,
as simulações de segundo turno não servem para muita coisa, porque estamos
falando para o eleitor se posicionar em relação a algo que ainda está distante.
Mas
hoje, quando a gente faz essas simulações, a gente vê que o Lula vence todos os
outros com percentuais parecidos, porque, para esse eleitor [anti-Lula], tanto
faz se é o Flávio, se é o Caiado, se é o Zema, ele é contra o Lula. É mais um
voto anti-Lula do que naqueles candidatos que estão ali apresentados. Então,
quando tiver realmente um segundo turno definido, toda essa direita vai se
unir. Não vai ser uma eleição fácil.
·
O TSE deve julgar em breve a ação da campanha do Flávio
Bolsonaro que questiona a pesquisa eleitoral da Atlas Intel, que, ao final do
questionário sobre intenção de voto, reproduzia um áudio entre o candidato e o
banqueiro Daniel Vorcaro e questionava o entrevistado sobre essa gravação. Essa
pesquisa está suspensa por uma decisão do ministro Kássio Nunes Marques,
presidente do TSE. Como o Datafolha está acompanhando esse julgamento? Isso
gera alguma preocupação?
Chong
– Sim,
e ainda tiveram outras ações do Kássio nesses meses: ele propôs a criação
daquele selo de acurácia, em que a gente se colocou contra. O objetivo da
pesquisa não é acertar o resultado final. Não faz sentido você premiar as
empresas que estão acertando.
Por que
a pesquisa é importante? Justamente para contar a história da eleição, entender
quais segmentos são mais importantes para cada candidato, como as pessoas estão
se posicionando e entendendo a eleição. Então, esse selo vai contra tudo o que
a gente entende por pesquisa. Depois, ele veio também dizendo que queria que a
gente registrasse os bairros onde vai ser realizada a pesquisa antes de a
pesquisa acontecer. Isso seria gravíssimo, inviabilizaria a pesquisa.
Todo
ano de eleição, a gente sabe que os políticos querem, de alguma forma, tentar
proibir as pesquisas. Eles consomem muita pesquisa, acreditam nas pesquisas,
porque contratam e usam mesmo para as campanhas, mas são contra as pesquisas
divulgadas, que é o mais importante para o eleitor ter acesso.
Então,
eu acho que essa decisão do ministro contra a Atlas é muito ruim, porque
realmente o áudio estava no final do questionário. De forma alguma interferiu
na hora de dar a resposta dos entrevistados. E os institutos já têm que ser
muito transparentes. Já têm que registrar a metodologia, registrar o
questionário, entregar os bairros em que é realizado. As ferramentas de
controle já são suficientes. Então, acho que não precisaria de outras coisas,
ainda mais agora, faltando pouquíssimo tempo para a eleição.
·
Como você disse, questionamentos aos institutos não são
novidade. Surpreende essa movimentação vindo do TSE?
Chong
– Sim,
porque acho que nunca foi assim, tão perto da eleição. A resolução [do TSE com
regras para as pesquisas] já foi publicada no início do ano.
·
Outros institutos apoiaram o selo proposto por Kássio
Nunes Marques, como o Atlas Intel e o Paraná Pesquisas. Um argumento a favor é
que ajudaria a tornar institutos menores mais conhecidos. Por que você
discorda?
Chong
– Porque
vai contra o objetivo e a função da pesquisa. Se eu concordar com essa ideia,
estou dizendo que a pesquisa tem que acertar o número final do TSE. E não é
isso. A pesquisa tem que contar a história da eleição. A pesquisa é feita ao
longo do período eleitoral para contar essa história e vai até a véspera da
votação. A pesquisa de véspera é a última e, então, ela não pode ser comparada
com a urna do TSE.
Tem
sempre essas críticas de que "o instituto errou". Não acho certo
falar que o instituto errou ou acertou. Tem alguns institutos que falam:
"Ah, eu sou o que mais acerta".
Não é
por aí, porque a pesquisa de véspera termina no sábado à tarde, ela não pode
ser comparada com o resultado do TSE da votação de domingo. Porque as pessoas
deixam para decidir depois, ou pode ser que o eleitor mude de ideia. Pode ser
que, quando sair o resultado da pesquisa de véspera, por exemplo, sábado à
tarde, a pessoa queira fazer um voto útil em algum sentido para tentar resolver
a eleição em primeiro turno.
A única
pesquisa que poderia ser comparada com o resultado do TSE seria a pesquisa de
boca de urna realizada no dia da eleição. O Datafolha fazia isso quando ainda
não tinha a urna eletrônica. Agora, a apuração é tão rápida que não justifica
mais uma pesquisa cara. Mas seria a única que poderia confirmar: "Esse
instituto acertou, esse instituto errou".
Do
jeito que é hoje, não dá para criar um selo para premiar institutos, que é uma
ideia que vai contra a razão de ser da pesquisa.
·
Em 2022, os institutos foram acusados de errar porque
subestimaram os votos no Bolsonaro no primeiro turno. O resultado do TSE ficou
acima da margem de erro do Datafolha. Isso não poderia indicar alguma
necessidade de melhoria da metodologia, por exemplo?
Chong
– O
TSE não tem capacidade técnica de avaliar as metodologias dos institutos. Cada
instituto vai adotar a metodologia que considera melhor. Não tem uma regra:
"Essa é a melhor ou a outra pior". Cada um vai utilizar aquela em que
acredita mais.
De
fato, a gente ficou distante do número final [no primeiro turno de 2022], mas o
que é importante? A pesquisa, durante o período eleitoral, apontou, durante
todo o caminho, que era uma eleição polarizada, que os dois candidatos [Lula e
Jair Bolsonaro] iriam para o segundo turno, que não teria uma chance da
terceira via com Simone Tebet ou Ciro Gomes, que aquela polarização ia ser até
o final.
Então,
as pesquisas apontaram tudo isso, né? Apontaram o voto dos evangélicos,
apontaram o voto das mulheres. É isso que é importante. E, quando chega no
final, teve uma mudança de última hora dos eleitores do Ciro e da Tebet, que
optaram pelo voto útil: "Ah, não tem chance mesmo, vou votar no
Bolsonaro".
Essas
mudanças acontecem cada vez com mais frequência. Acho que isso não é um
sinalizador de que as pesquisas erraram, é um sinalizador de que tem mudança e
cada vez mais rápido.
·
Como o Datafolha está usando inteligência artificial (IA)
nas pesquisas?
Chong
– Nós
usamos como ferramenta para os nossos processos, fazer a checagem do material.
O pesquisador vai com o tablet e as entrevistas são gravadas, a gente recebe
esse áudio aqui na nossa sede, do Brasil inteiro. Aí, a IA transcreve essas
entrevistas, e a gente consegue comparar com o que o pesquisador anotou no
questionário.
Então,
eu sei, por exemplo, se você respondeu que vai votar no Renan Santos, mas um
pesquisador colocou que você não sabe. E, se está incoerente, a gente já
consegue identificar isso rapidamente e ouvir as outras entrevistas desse
pesquisador e identificar alguns problemas de forma bem rápida. Usamos as
ferramentas da IA para esse auxílio, em várias etapas, mas não para criar
questionário.
·
Essa checagem é feita em uma amostra da pesquisa.
Chong
– Temos
que checar pelo menos 20% do material de cada pesquisador. Se a gente
identifica algum problema, aí a gente checa 100%, e, se for necessário, a gente
faz a reposição desse material. Mas tudo tem que ser muito rápido, porque
fazemos o [trabalho de] campo em dois, três dias.
A gente
também consegue saber, pelo GPS do tablet, se o pesquisador realmente está no
lugar determinado. O pesquisador vai para uma cidade, por exemplo, e tem dois
pontos onde tem que fazer a pesquisa. Então, são todos controles de qualidade
que a gente vai, a cada eleição, aprimorando justamente para garantir que essa
coleta seja bem feita, porque tudo começa ali. Se tem algum problema de coleta,
você não consegue resolver depois.
·
Com os avanços tecnológicos, a pesquisa online é cada vez
mais comum. Por que o Datafolha mantém a pesquisa presencial?
Chong
– Porque
ainda é a melhor forma de garantir a melhor representatividade do universo. A
gente está falando do Brasil, que é muito desigual. O que a gente vê na Região
Sudeste e Região Sul é um cenário. Você vai para o Norte, o Nordeste, é outro
completamente diferente.
A
pesquisa eleitoral tem que ser representativa. Então, eu tenho que ter
eleitores de cidades de pequeno, médio e grande porte. Eu tenho que ter
eleitores com nível fundamental, que hoje, na nossa amostra, são mais de 30%.
No online, eu não consigo ter essa representatividade, eu vou ter um percentual
muito baixo de pessoas com baixa escolaridade. Eu não vou ter pessoas que moram
em municípios pequenos do Norte, do Nordeste, mesmo do Sudeste.
A gente
faz pesquisas online para outras coisas, como pesquisa de mercado, com outros
públicos, outros segmentos. Funciona super bem, mas, para isso, ainda não dá.
Numa pesquisa online, você tem que fazer uma ponderação muito maior dos
resultados [na etapa de processamento dos dados] para conseguir representar o
universo de eleitores. Na nossa pesquisa presencial, as nossas ponderações são
mínimas, são só ajustes.
·
Você comentou sobre a importância da liberdade
metodológica. É positivo ter diferentes metodologias no mercado e ferramentas
de agregação de pesquisas, que mostram a tendência predominante das sondagens
eleitorais?
Chong
– Sim,
acho super válido, porque se torna uma pauta. A gente está falando da pesquisa
online porque tem instituto que faz pesquisa online. Quanto mais a gente
discute pesquisa, metodologias e tudo mais, melhor é para o mercado de
pesquisa, e vamos aprimorando cada vez mais.
Fonte: BBC
News Brasil

Nenhum comentário:
Postar um comentário