De
castração química e reforma do Judiciário ao fim da reeleição: Flávio publica
plano de governo
Sob o
lema "Para o Brasil vencer o atraso" e com fortes críticas à gestão
do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o candidato ao Palácio do
Planalto Flávio Bolsonaro (PL-RJ) publicou nesta quinta (13) as diretrizes de
governo caso seja eleito. O documento é exigido pelo Tribunal Superior
Eleitoral (TSE) para disputar cargos majoritários.
Dividido
em nove eixos, o programa reúne propostas para segurança pública, economia,
educação, saúde, trabalho, infraestrutura, relações exteriores e funcionamento
das instituições. Entre as medidas, muitas reeditadas do plano de governo do
pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), estão a castração química de
condenados por estupro e abuso sexual de crianças, a redução da maioridade
penal para 16 anos, o fim da progressão de regime para condenados por crimes
hediondos e uma reforma do Supremo Tribunal Federal (STF).
O
candidato do PL também promete apoiar o fim da reeleição e uma reforma política
"urgente", sem fornecer detalhes.
"O
foco deve ser a representatividade e a proximidade entre o eleitor e o eleito,
superando o sistema atual, em que a desconexão perdura ao longo de toda a
legislatura de quatro anos", destaca.
A
segurança pública ocupa o primeiro eixo do documento, batizado de "Brasil
sem Medo". O plano propõe declarar o Primeiro Comando da Capital (PCC), o
Comando Vermelho (CV), milícias e outras facções como organizações
narcoterroristas, a exemplo do que fez recentemente o governo norte-americano.
A proposta prevê bloqueio de ativos, combate à lavagem de dinheiro e emprego de
forças de segurança para recuperar territórios dominados pelo crime.
A
redução da maioridade penal também aparece entre as principais mudanças, com o
apoio do candidato à responsabilização penal a partir dos 16 anos, ideia que
precisa ser aprovada no Congresso Nacional. Para adolescentes a partir dos 14
anos, o programa prevê punições em casos de crimes considerados graves, como
estupro, tráfico, tortura e assassinato.
Outra
proposta é construir cinco presídios federais de segurança máxima inspirados no
modelo adotado em El Salvador. Essas unidades, somadas aos cinco presídios
federais existentes, formariam um complexo que o plano chama de
"TREVA". Também seriam criadas 500 mil novas vagas no sistema
prisional em quatro anos, com isolamento de líderes de organizações criminosas
e restrições à comunicação dos presos.
O
documento também propõe a castração química de condenados por estupro e abuso
sexual de crianças. A medida seria aplicada a criminosos condenados pela
Justiça.
A
política de combate ao crime inclui ainda o fim da progressão de regime para
condenados por crimes hediondos, a criação de um sistema nacional de
reconhecimento facial e a instalação de mais de 1 milhão de câmeras. O programa
prevê também o uso de tropas especiais da Marinha e da Aeronáutica no
monitoramento permanente de portos e aeroportos, para combater o tráfico de
drogas.
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Mudanças no STF e crítica à atuação do Judiciário
O plano
de Flávio Bolsonaro defende que o Supremo Tribunal Federal passe a atuar
prioritariamente como corte constitucional e acusa a concentração de
competências no tribunal de produzir "insegurança jurídica, instabilidade
democrática e um desequilíbrio entre a vontade dos representantes eleitos pelo
povo e a revisão dessa vontade".
Entre
as mudanças previstas, estão o fim das competências criminais originárias do
STF, com a transferência de processos contra parlamentares para instâncias
inferiores; e a limitação das decisões monocráticas dos ministros.
No
capítulo chamado "Tesouraço na Censura", o documento critica
estruturas estatais voltadas ao combate à desinformação, classificadas como um
possível "Ministério da Verdade", e promete extinguir estruturas que
possam vigiar, rotular ou punir manifestações de cidadãos, jornalistas e
opositores.
Entre
as propostas de maior peso político está o fim da reeleição para presidente da
República, previsto em uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) já
protocolada no Senado por Flávio Bolsonaro. A medida é apresentada pelo
candidato como contraponto ao que classifica como "projeto de poder"
do PT.
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Adesão à OCDE e abertura comercial
Na
política econômica e externa, o programa defende a retomada do processo de
adesão do Brasil à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico
(OCDE). O documento associa a entrada no grupo à convergência das normas
brasileiras com padrões internacionais, à melhoria da governança de empresas
estatais e à redução de práticas de corrupção.
A
proposta também prevê uma abertura comercial para ampliar o acesso da indústria
a bens de capital, tecnologias e insumos importados. O plano pretende inserir
empresas brasileiras nas cadeias globais de valor e cita setores como
agroindústria, minerais críticos, saúde e economia digital como prioridades.
O
documento estabelece ainda como meta a redução gradual do Imposto sobre
Operações Financeiras (IOF) sobre câmbio, medida apresentada como parte do
processo de adesão à OCDE. Na área energética, o programa defende investimentos
em petróleo e gás, biocombustíveis, energia solar e eólica, e hidrogênio verde.
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Meio ambiente, trabalho e terras indígenas
No
capítulo sobre infraestrutura, agilizar licenciamentos ambientais, além de
criar mecanismos que garantam estabilidade para grandes projetos, com regras
válidas por até 20 anos. O texto também estabelece que, se o documento sobre as
questões ligadas ao meio ambiente demorar a ser concedido, a situação possa
resultar na concessão da autorização, em caso de o empreendedor ter cumprido
todas as exigências previstas.
Para
terras indígenas e quilombolas, o programa defende maior autonomia das
comunidades para decidir sobre atividades produtivas em seus territórios, com
previsão de indenização por restrições ao usufruto e mecanismos de compensação.
A
proposta também prevê mudanças na atuação de órgãos ambientais, como o
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis
(Ibama) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
No
mercado de trabalho, Flávio defende o princípio do "negociado sobre o
legislado", pelo qual trabalhadores e empresas poderiam estabelecer
diretamente as condições laborais, dentro dos limites legais. O programa também
propõe regras específicas para facilitar a contratação de jovens entre 18 e 24
anos e de trabalhadores com mais de 50 anos que estejam desempregados há pelo
menos 12 meses.
Na área
fiscal, o plano promete um "tesouraço" para reduzir despesas, enxugar
a estrutura administrativa e diminuir impostos. A proposta inclui corte de
ministérios, reforma administrativa, revisão de normas e mudanças no processo
orçamentário. O documento também defende uma redução da dívida pública como
caminho para juros menores e inflação dentro da meta.
Entre
outras propostas, o plano prevê que recursos de programas sociais tenham
aplicação proibida em apostas on-line. A Caixa também ganharia uma nova função,
descrita no documento como "Banco da Prosperidade", com atuação em
crédito, habitação, empreendedorismo e orientação financeira — o que já ocorre
atualmente.
A
proposta inclui ainda uma Estratégia Nacional de Inteligência Artificial
voltada às pequenas empresas, além do fortalecimento do turismo e do
desenvolvimento regional, com atenção à segurança hídrica, à expansão da
energia limpa no Nordeste e à bioeconomia na Amazônia.
Fonte:
Sputnik Brasil

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