A
teoria da revolução permanente
Embora
seja mais lembrado como um dos principais dirigentes da Revolução ocorrida na
Rússia em 1917, Leon Trotsky também apresentou contribuições fundamentais para
compreender aquele processo, sistematizadas na teoria da revolução permanente.
Essa sistematização foi realizada pela primeira vez por Leon Trotsky no
livro Balanço e perspectiva, escrito em 1906.
Sua
compreensão teórica partia das ideias expressas por Karl Marx e Friedrich
Engels na análise da dinâmica da revolução de 1848, mostrando que aquele
processo dirigido pela burguesia poderia significar a antessala da revolução
socialista.
Essa
aproximação de sua compreensão teórica com a de Marx e Engels foi assim
apresentada por Leon Trotsky, em 1929: “A teoria da revolução permanente foi
formulada pelos grandes comunistas de meados do século XIX, Marx e seus
discípulos, para enfrentar a ideologia burguesa, que, como se sabe, pretende
que, após o estabelecimento de um Estado ‘nacional’ ou democrático, todas as
questões possam ser resolvidas pela via pacífica da evolução e das reformas.
Marx não considera a revolução burguesa de 1848 senão como o prólogo imediato
da revolução proletária”.
Essa
aproximação também pode ser depreendida de textos do próprio Marx e Engels. Em
texto clássico, assim analisavam o que chamavam de “reivindicações da
democracia pequeno-burguesa”: “Quanto mais os indivíduos ou frações que compõem
essa democracia avançarem, tanto mais assumirão como suas essas reivindicações
e os poucos que reconhecem no que foi compilado acima o seu próprio programa
julgariam que desse modo teriam proposto o máximo que se pode esperar da
revolução. Porém essas reivindicações de modo algum podem bastar ao partido do
proletariado. Ao passo que os pequeno burgueses democráticos querem levar a
revolução a cabo de maneira mais célere possível e mediante a realização,
quando muito, das demandas acima mencionadas, é de nosso interesse e é nossa
tarefa tornar a revolução permanente até que todas as classes proprietárias, em
maior ou menor grau, tenham sido alijadas do poder, o poder estatal tenha sido
conquistado pelo proletariado e a associação dos proletários tenha avançado,
não só em um país, mas em todos os países dominantes no mundo inteiro, a tal
ponto que a concorrência entre os proletários tenha cessado nesses países e que
ao menos as forças produtivas decisivas estejam concentradas nas mãos do
proletariado”.
Leon
Trotsky, em suas formulações teóricas, além de destacar o protagonismo dos
trabalhadores na revolução, mostrou que as condições objetivas permitiam a
tomada do poder pelos trabalhadores. Trotsky entedia que o desfecho desse
processo dependia da dinâmica da luta de classes em âmbito internacional, na
medida em que “a conciliação do desenvolvimento desigual da economia e da
política só pode ser obtida na escala mundial”.
Trotsky
afirmava: “Um país pode estar ‘maduro’ para a ditadura do proletariado e,
contudo, não estar maduro ainda para a construção independente do socialismo,
ou mesmo para grandes medidas de socialização. Não se deve tomar nunca como
ponto de partida a harmonia pré-estabelecida da evolução social”.
Na obra
de Leon Trotsky, essas elaborações teóricas estão relacionadas aos
desdobramentos da análise da revolução russa de 1905. No desenvolvimento de sua
teoria, além da análise do processo revolucionário russo e da situação do país
diante da guerra contra o Japão, sistematizadas em Balanço e
Perspectivas e em 1905 (1908), Leon Trotsky também
escreveu A revolução permanente (1929), sob o impacto da
revolução na China, em 1927.
Os dois
primeiros mostram o debate direta com as principais dirigentes do Partido
Operário Socialdemocrata da Rússia, no começo do século XX, e o terceiro se
constitui em uma polêmica direcionada à ideia de “socialismo em um só país”,
defendida por Joseph Stálin e seus epígonos.
Os
marxistas russos apresentaram diferentes interpretações sobre a revolução de
1905. Na Rússia, a burguesia era um pilar de sustentação do czarismo e estava
ligada de forma íntima ao imperialismo europeu. Essa situação impactava no
processo revolucionário. Segundo Leon Trotsky, as tarefas da revolução
democrática seriam incorporadas em um processo maior, de derrocada capitalista
e de transformação da sociedade. O proletariado russo não precisaria esperar a
revolução socialista nos demais países para tomar o poder, assumindo em sua
revolução tarefas que a burguesia havia abandonado, ainda que a manutenção do
poder soviético dependesse da vitória da revolução na Europa, sob risco de
degenerar, como de fato ocorreu.
Não era
interesse da burguesia russa, economicamente submissa aos países dominantes, a
defesa da nação e de um desenvolvimento capitalista autônomo. Na Rússia,
segundo Leon Trotsky, “o Estado tentava aproveitar-se dos grupos econômicos em
desenvolvimento e subordiná-los a seus interesses financeiros e militares
específicos. Os nascentes grupos econômicos dominantes tentaram se servir do
Estado para assegurar seus privilégios na forma de privilégios de classe. Nesse
jogo de forças sociais, a resultante foi muito mais favorável ao poder do
Estado do que foi na história da Europa ocidental. Esse intercâmbio de serviços
entre o Estado e os grupos sociais superiores, que se expressava na
distribuição mútua de direitos e obrigações, de encargos e privilégios, se
realizava à custa das massas trabalhadoras, e na Rússia foi ele foi menos
vantajoso para a aristocracia e o clero do que nas monarquias de classes
medievais da Europa ocidental”.
Leon
Trotsky salienta que os países dominados, além de terem processos diferentes
entre si, não repetem de forma mecânica o caminho dos países economicamente
dominantes. Na Rússia conviviam concentrações industriais desenvolvidas com
relações semifeudais no campo. Trotsky dizia que “a originalidade nacional
representa o produto sumário e mais geral da desigualdade do desenvolvimento
histórico”.
Esse
processo, na compreensão de Leon Trotsky, é expressão da “aproximação das
distintas etapas do caminho e à confusão de distintas fases, ao amálgama de
formas arcaicas e modernas”.
Em
contraste, segundo os mencheviques, haveria na Rússia uma revolução burguesa
clássica, que faria a transição para o modo de produção capitalismo, levando a
conquistas democráticas como reforma agrária, legalização dos partidos de
oposição, voto republicano, entre outras.
Para os
mencheviques, conforme afirma Pavel Akselrod em congresso realizado no ano de
1906, “as relações sociais na Rússia não amadureceram além do estágio da
revolução burguesa: a história impele os trabalhadores e os revolucionários,
com força crescente, na direção do revolucionarismo burguês – tornando-os
servidores políticos involuntários da burguesia – em vez de conduzi-los na
direção de um genuíno revolucionarismo socialista e da preparação tática e
organizacional do proletariado para o exercício do poder político. No entanto,
é a busca profunda e consequente desse objetivo que distingue a
social-democracia, enquanto partido de classe do proletariado, de todos os
outros grupos políticos ou ideológicos que possam reivindicar a denominação de
socialistas”.
Nessa
interpretação, os marxistas teriam o papel de organizar os trabalhadores em uma
espécie de fração socialista do bloco dirigido pela burguesia, pressionando-o
para que as conquistas do proletariado fossem a maioria possível. Leon Trotsky
polemizou abertamente com essa perspectiva. Em 1908, afirmava: “a simples
definição da revolução russa como uma revolução burguesa não diz nada acerca de
seu desenvolvimento interno e não significa, por certo, que o proletariado deve
adaptar sua tática à democracia burguesa porque esta última seria a única
pretendente legítima do poder estatal”. Escrevendo em 1919, Trotsky dizia
que “o ponto de vista menchevique partia do princípio de que nossa revolução
seria burguesa, isto é, que sua consequência natural seria a transferência do
poder à burguesia e a criação de condições para a existência de um parlamento
burguês”.
Vladímir
Lênin e Leon Trotsky divergiam dessa visão, particularmente no que se refere ao
papel dirigente da burguesa, descartando qualquer possibilidade de unidade
estratégica com estes setores na revolução. Contudo, Lênin não compartilhava da
mesma perspectiva de Trotsky sobre o processo revolucionário de conjunto. Para
o dirigente bolchevique, “embora reconhecendo a inevitabilidade do caráter
burguês da revolução vindoura, apresentava como tarefa da revolução a criação
de uma república democrática sob a ditadura do proletariado e do campesinato”.
Na
compreensão de Vladímir Lênin, nessa ditadura democrática de operários e
camponeses, a burguesia não assumiria a direção do processo, mas o proletariado
e o campesinato não conseguiriam superar o programa da própria burguesia nem
atacariam de forma radical a propriedade privada. Vladímir Lênin afirmava:
“Objetivamente, a marcha histórica das coisas colocou agora ao proletariado
russo exatamente a tarefa da revolução democrático burguesa (todo o conteúdo da
qual nós designamos, por uma questão de brevidade, pela república); esta mesma
tarefa se coloca a todo o povo, isto é, a toda massa da pequena burguesia e do
campesinato; sem esta revolução é inconcebível qualquer desenvolvimento
minimamente amplo da organização de classe independente para a revolução”.
Essa é
a interpretação que embasa a análise que Vladímir Lênin fez da Revolução de
Fevereiro, que rapidamente teria se esgotado, levando à necessidade de
superação do regime burguês pelo poder dos sovietes, em 1917. Leon Trotsky,
embora não negasse a necessidade de resolver as tarefas da revolução burguesa,
entendia que o proletariado deveria assumir a direção do processo. Comentava a
assim posição de Vladímir Lênin: “Lênin não resolvia, de antemão, a questão das
relações políticas entre as duas partes da eventual ditadura democrática: o
proletariado e os camponeses. Não excluía a possibilidade de os camponeses
serem representados na revolução por um partido especial, independente não só
da burguesia, mas também do proletariado, e capaz de fazer a revolução
democrática se unido ao partido do proletariado na luta contra a burguesia
liberal”.
Para
Leon Trotsky, em oposição a Vladímir Lênin, a revolução não iria se limitar a
formar uma república burguesa, com um governo democrático de coalizão de
classes, para garantir ao capitalista russo o tempo necessário para se
desenvolver. Contudo, a despeito dessa divergência, o centro de sua polêmica
eram principalmente os mencheviques, que “tentavam sempre e em todas as partes
descobrir indícios de desenvolvimento de uma democracia burguesa, e quando não
encontravam, os imaginavam. Exageravam a importância de qualquer declaração ou
discurso ‘democrático’ e subestimavam, ao mesmo tempo, a força do proletariado
e as perspectivas e as perspectivas de sua luta”.
Leon
Trotsky era enfático ao afirmar que a revolução na Rússia não repetiria a mesma
dinâmica das revoluções burguesas ocorridas na Europa. Em 1906, dizia que
“seria um erro grave simplesmente igualar nossa revolução com os acontecimentos
dos anos 1789-1793 ou 1848. Analogias históricas, pelas quais o liberalismo
vive e das quais se nutre, não podem substituir a análise social”.
Leon
Trotsky enfatizava: “A história não se repete. Por mais que se queira comparar
a revolução russa com a Grande Revolução Francesa, nem por isso a primeira se
transforma em uma simples repetição da segunda. O século XIX não passou em
vão”. Para Trotsky, as tarefas da revolução, tanto as democráticas como as
socialistas, só poderiam ser realizadas pela ditadura revolucionária do
proletariado.
O
processo era assim apresentado: “a revolução começa como burguesa, mas
rapidamente provoca poderosos conflitos de classes e só chega à vitória se
transferir o poder à única classe capaz de se colocar à frente das massas
oprimidas: o proletariado. Uma vez no poder, o proletariado não quer e nem pode
se limitar ao marco de um programa democrático-burguês. A revolução só poderá
ser levada a cabo se a revolução russa se converter em uma revolução do
proletariado europeu. Então, será superado o programa democrático-burguês da
revolução, junto com seu marco nacional, e a dominação política temporária da
classe operária russa irá se prolongar até a uma ditadura socialista
permanente. Mas se a Europa não avançar, então a contrarrevolução burguesa não
tolerará o governo das massas trabalhadoras na Rússia e empurrará o país para
trás – muito para trás da república democrática dos operários e camponeses. O
proletariado, então, chegando ao poder, não deve se limitar ao marco da
democracia burguesa, mas deve empregar a tática da revolução permanente, isto
é, anular os limites entre o programa mínimo e o programa máximo da
socialdemocracia, passar para reformas sociais cada vez mais profundas e buscar
um apoio direto e imediato para a revolução na Europa ocidental”.
Esse
processo cheio de particularidades levou o proletariado russo ao poder. Como
parte de uma onda revolucionária internacional, outros países passaram por
importantes lutas, chegando a tomar o poder por alguns meses, no caso da
Hungria, ou sendo esmagada, no caso da Alemanha. Essas derrotas sofridas pelos
trabalhadores europeus, somado à tentativa dos países imperialista de esmagar
militarmente o poder soviético na Rússia, levou a um período de refluxo das
lutas dos trabalhadores.
Leon
Trotsky, analisando a situação política do período, afirma que, “até 1923,
foram as derrotas dos movimentos e das insurreições do pós-guerra, devido, em
um primeiro momento, à ausência e, em um segundo à imaturidade e a debilidade
dos partidos comunistas”. Segundo Trotsky, observa-se, a partir de 1923,
uma “mudança desfavorável na correlação de forças entre as classes no âmbito da
política. O proletariado foi debilitado na Alemanha pela capitulação da direção
em 1923; foi enganado e traído na Inglaterra por uma direção com a qual a
Internacional Comunista tinha formado um bloco em 1926; na China, a política do
CEIC lançou o proletariado na armadilha do Kuomintang em 1926-27”.
Esse
processo de derrota da revolução e de refluxo nas lutas dos trabalhadores
levaram ao fortalecimento da burocracia stalinista na União Soviética. Em 1929,
Leon Trotsky alertava: “A revolução socialista começa no âmbito nacional, mas
nele não pode permanecer. A revolução proletária não pode ser mantida em
limites nacionais, senão sob a forma de um regime transitório, mesmo que este
dure muito tempo, como demonstra o exemplo da União Soviética. No caso de
existir uma ditadura proletária isolada, as contradições internas e externas
aumentam inevitavelmente, ao mesmo passo que os êxitos. Se o Estado proletário
continuar isolado, ele, ao cabo, sucumbirá vítima dessas contradições. Sua
salvação reside unicamente na vitória do proletariado dos países avançados.
Desse ponto de vista, a revolução nacional não constitui um fim em si, apenas
representa um elo na cadeia internacional. A revolução internacional, a
despeito de seus recuso e refluxos provisórios, represente um processo
permanente”.
Esses
elementos mostram a atualidade da teoria da revolução permanente na medida em
que a luta dos trabalhadores segue como um elemento político fundamental na
realidade do capitalismo em âmbito internacional. O combate à ordem vigente
permanece sendo uma perspectiva estratégica para muitos setores da esquerda.
Nesse sentido, a vigência das ideias de Leon Trotsky e o legado de sua defesa
da revolução proletária são elementos que apontam para a necessidade da vitória
da revolução e a reflexão acerca do papel das organizações políticas dos
trabalhadores.
¨
Por que o mundo deveria prestar mais atenção na África
Oriental?
A
região da África Oriental — que abrange países costeiros, como Quênia,
Tanzânia, Uganda, Ruanda, Burundi, Etiópia, Somália, Djibuti, Eritreia e Sudão
do Sul — vem chamando atenção nos últimos meses.
Ela
reúne temas ligados a rotas comerciais e disputas territoriais, dentre as quais
destacam-se as tensões em torno do rio Nilo; os conflitos na Somália, no Sudão
do Sul e em partes da Etiópia; e a crescente competição entre China, Estados
Unidos, Rússia, União Europeia, Turquia e países do Golfo por influência
econômica e militar.
A
região também ocupa uma posição estratégica por abrigar o chifre da
África e por estar próximo ao estreito de Bab al-Mandeb, uma das
principais passagens marítimas para o comércio entre a Europa e a Ásia. Ao
mesmo tempo, projetos de infraestrutura, iniciativas de integração regional e a
exploração de minerais críticos e gás natural ampliam sua relevância econômica
e geopolítica, enquanto as rotas comerciais e marítimas reforçam a disputa por
influência sobre o território e os recursos da região.
Ao Mundioka,
podcast da Sputnik Brasil, Jacqueline Wahbeh, pesquisadora,
professora e mestre em história pela Universidade Federal do Paraná (UFPR),
aborda a posição da Etiópia na região. Embora o país seja uma das
principais potências políticas e militares da África Oriental, a especialista
avalia que esse protagonismo é disputado com o Egito.
Um dos
principais pontos dessa disputa está no uso das águas do rio
Nilo. A construção
da Grande Barragem do Renascimento Etíope (GERD), no Nilo Azul, tornou-se foco
de tensão entre os dois países e também o Sudão. Para Adis Abeba, o projeto
amplia a geração de eletricidade e pode beneficiar outros países da região,
enquanto Cairo mantém preocupações sobre a disponibilidade de água.
Acima
de tudo, Wahbeh enxerga que a construção da barragem também pode
representar uma oportunidade de desenvolvimento regional, caso haja um acordo
entre os países envolvidos. O projeto poderia gerar empregos e estimular a
industrialização.
"Se
houvesse um acordo para que […] esse desenvolvimento pudesse ser sentido por
todos os países da região, ele seria extremamente positivo."
A
posição da Etiópia também é condicionada pela ausência de acesso direto ao mar.
Boas relações com Eritreia, Somália e Djibuti são, portanto,
estratégicas para o escoamento e a entrada de mercadorias. A região é
ainda mais crucial pela proximidade com o
mar Vermelho e
o canal de Suez, importantes vias comerciais entre Ásia e Europa, além do
petróleo.
Essa
localização faz com que conflitos e instabilidades tenham potencial de
repercussão internacional, sobretudo com os conflitos no Oriente
Médio. Assim,
a região é "um ponto extremamente estratégico entre Oriente e
Ocidente".
<><>
Conflitos que transbordam fronteiras
Outros
países da região também ajudam a explicar a complexidade desse cenário. As
disputas em países como Sudão do Sul, Uganda e República Democrática do
Congo ultrapassam as fronteiras nacionais e provocam um grande fluxo
de refugiados.
A crise
não pode ser entendida, portanto, apenas como um problema interno, avalia a
pesquisadora, já que diferentes interesses externos contribuem para sua
manutenção, especialmente de atores ligados à dinâmica do mar Vermelho.
"Isso
teria a ver muito mais com uma série de outros envolvidos e outros interesses
que financiam esse acontecimento."
Por
fim, a pesquisadora destaca que muitos desses pontos de tensão têm origem em
fronteiras estabelecidas durante o período colonial.
"Grande
parte dos conflitos hoje […] não vai estar exclusivamente vinculada aos países
como uma entidade política."
Fonte:
Por Michel Goulart da Silva, em A Terra é Redonda/Sputnik Brasil

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