Argentina:
as ruas puseram um freio aos saques de Milei
O governo de Javier Milei sofreu recentemente
uma derrota dupla. A primeira ocorreu nas ruas, com a mobilização massiva em
protesto contra seu projeto de liberar a compra de terras por estrangeiros. A
segunda, nos corredores do Congresso argentino, onde ele não conseguiu reunir
votos suficientes para aprovar a lei tal como foi apresentada. Ambas apontam
para o mesmo sentido: um projeto de poder que começa a mostrar os limites de
sua força.
A lei que o governo buscava impor, sob o nome
de “Lei da Inviolabilidade da Propriedade Privada”, não era uma iniciativa
isolada nem um simples ajuste normativo. Fazia parte de uma série mais ampla de
ataques à soberania nacional: habilitar mecanismos para aprofundar a
estrangeirização da terra, facilitar o controle externo sobre recursos
estratégicos e abrir caminho para que o território argentino, seus bens comuns
e a capacidade de decisão sobre eles fiquem cada vez mais subordinados a
interesses alheios ao país.
Nas ruas, milhares de pessoas se mobilizaram
contra essa ofensiva. O governo respondeu como sempre responde quando o povo se
organiza: com gás lacrimogêneo e balas de borracha, com feridos e detidos. A
repressão não foi um excesso isolado. É um método. Sempre que o ataque encontra
resistência, o Estado mostra sua face mais violenta para tentar disciplinar
aqueles que não consegue convencer.
Porque é isso que começa a se desintegrar: a
hegemonia, a capacidade de convencer. Nas ruas, percebe-se o cansaço diante de
um ajuste econômico que castiga as maiorias populares enquanto beneficia um
punhado de setores concentrados. Essa austeridade não é um capricho técnico nem
um desvio de um plano bem-intencionado. É a forma que assume, na Argentina, uma
estratégia mais ampla da nova direita internacional para subjugar os povos do
Sul Global: reduzir salários, entregar recursos naturais, desmantelar direitos
e chamar a pilhagem de “modernização”. Milei não administra essa estratégia a
partir de uma posição autônoma; ele a executa como aliado incondicional de um
hiperimperialismo que hoje atravessa uma fase decadente e, por isso mesmo, mais
perigosa: precisa se apropriar do que resta ao Sul Global para sustentar uma
ordem que já não consegue garantir o bem-estar nem mesmo em seus próprios
centros.
No Congresso, a outra frente, o governo
também não conseguiu o que buscava. As tentativas de comprar votos
parlamentares, de formar maiorias à base de cargos, promessas e pressões, não
deram certo. Ele teve que recuar. Primeiro, em relação ao cerne da mal chamada
“Lei da Inviolabilidade da Propriedade Privada”. Depois, com a reforma da Lei
de Combate a Incêndios, resignando-se a uma versão reduzida. Dois recuos que
revelam a fragilidade de um projeto que se acreditava imbatível.
A mobilização contra a estrangeirização da
terra revelou algo mais profundo do que a rejeição a uma lei específica.
Mostrou um ponto de ruptura na capacidade da classe dominante de organizar o
consenso em torno de uma ordem social que beneficia apenas a ela mesma. Esse
consenso, que durante meses pareceu sólido, começou a se romper. Resta saber
qual será o caminho de organização dessa raiva que se tornou visível sob a
chuva, ao redor do Congresso.
Vijay Prashad vem apontando, a partir
do Instituto Tricontinental, que o ciclo atual do capitalismo
global não oferece saídas dentro de suas próprias regras: a crise é
administrada transferindo seus custos para o Sul Global, enquanto as burguesias
locais, transformadas em parceiras secundárias dessa ordem, aplicam internamente
as receitas que o capital financeiro internacional elabora externamente.
Prashad insiste que nenhum ajuste desse tipo se sustenta sem uma batalha
cultural paralela, destinada a apresentar como inevitável o que é, na
realidade, uma opção política a serviço de interesses concretos. Quando essa
batalha cultural começa a perder terreno, como ocorreu na Argentina, abre-se
uma fresta que nenhuma repressão consegue fechar por completo.
Algo disso ficou evidente na bandeira que
circulou repetidamente entre milhares de pessoas na multidão, a mesma que os
jogadores da Seleção desfraldaram após a vitória contra a Inglaterra na última
Copa do Mundo, com o slogan “As Malvinas são argentinas”. Desde a Guerra das
Malvinas, em 1982, essa partida não é mais apenas mais um jogo. O de 1986,
poucos anos após a guerra, foi inesquecível: é a partida da “Mão de Deus” e do
melhor gol da história, ambos assinados por Diego Maradona. O futebol carrega consigo
a reivindicação das Ilhas Malvinas, hoje transformadas em base da OTAN sob
domínio britânico e em plataforma para a pilhagem de petróleo e outros bens
comuns do Atlântico Sul. Essa bandeira tocou uma fibra sensível do povo
argentino, a de uma soberania cuja reivindicação nunca foi totalmente
abandonada, nem mesmo quando o poder vigente insiste em negociá-la.
Mas nenhuma fibra sensível, por si só, é
suficiente para mudar o rumo de um país. A revolta que se viu nas ruas precisa
se organizar, encontrar um canal, transformar-se em projeto. Caso contrário,
corre o risco de se esgotar na própria intensidade do momento, de se dissipar
em frustração assim que a onda da mobilização baixar. A tarefa que se coloca,
então, não é apenas resistir ao próximo ataque. É construir a força política
capaz de sustentar ao longo do tempo o que as ruas mostraram em meio à tempestade:
que há um limite, que esse limite deve ser defendido e que a Pátria não se
vende.
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Que fatores podem levar
Milei a perder as próximas eleições na Argentina em 2027?
A pouco mais de um ano das eleições
presidenciais, todas as pesquisas apontam para o seguinte panorama.
>>> 1 – Um terço da sociedade apoia
Milei
Há duas razões que explicam esse apoio.
Primeiro, por suas ideias, pela confiança e identificação com suas propostas
(na forma e no conteúdo), pelo lado positivo. E, segundo, por ser considerado
uma espécie de criptonita anti-peronista, por ser o único capaz de derrotar o
adversário e impedir o retorno do “comunismo”.
O primeiro motivo vem perdendo peso
gradualmente com o passar do tempo; e o segundo é o único que lhe permite
compensar essa queda e, assim, manter seu apoio entre 30% e 40%.
Ou seja: sua reconhecida incapacidade de
resolver os problemas econômicos cotidianos é compensada por sua liderança
única para derrotar o rival.
E, é claro: para desfrutar desse apoio, tem
sido fundamental o respaldo do poder econômico e da mídia. Eles o consideram o
garante do atual modelo econômico.
>>> 2 – Existem dois terços da
sociedade que não apoiam Milei
Há duas razões que explicam essa rejeição.
Primeiro, por não concordarem com suas ideias, porque nunca votaram nele nem
confiam nele, pois pensam de maneira muito diferente dele. Segundo, porque se
desiludiram à medida que ele governava e perderam a confiança nele.
Esse bloco social heterogêneo poderia se
“unir” eleitoralmente se encontrasse uma candidatura que os representasse.
Para que isso seja alcançado, é necessário
não cair na armadilha da confusão/caos que atomiza e fragmenta (e não por
questões de ideias, mas por outras razões menores).
Dito de outra forma: só será possível
aglutinar a maioria desses dois terços que não apoiam Milei se for formada uma
aliança com uma base comum (ideológica) antimileista, com generosidade para
ceder em diferenças secundárias e com responsabilidade para encontrar o método
adequado para escolher a candidatura.
Nesta altura, é insuficiente a estratégia
monopolista do diagnóstico crítico a Milei. Não basta para convencer
eleitoralmente a maioria desses dois terços. É necessário mostrar um caminho
com certezas.
Se as PASO (eleições primárias) forem
eliminadas, o caminho da reclamação/lamentação deverá caducar imediatamente. A
urgência estará em dispor de uma ferramenta política/eleitoral para decidir
entre as alternativas que queiram estar “juntas” por coincidências ideológicas.
Por exemplo: a via mexicana (pesquisa de opinião, em que cada parte propõe a
sua, com metodologia comum e com 4 a 5 perguntas consensuais). Essa opção não
precisa ser vinculativa; poderia servir como ponto de encontro e base
consultiva. Outro exemplo: estabelecer os parâmetros mínimos para fazer parte
desse espaço (compromisso de não apoiar Milei nos próximos 12 meses, chegar a
um acordo sobre as 10 primeiras medidas do próximo governo, endossar a urgência
de eliminar a proibição de Cristina Fernández de Kirchner, etc.).
A futura derrota eleitoral de Milei dependerá
de como esses dois pontos evoluírem.
Se Milei estagnar definitivamente (preso em
seu terço), como vem acontecendo nos últimos meses, tudo ficará nas mãos da
oposição.
Se a oposição se fragmentar, como vem
acontecendo nos últimos meses, e ainda se distrair com o que não é importante e
adiar o que deveria ter feito para ontem, então bastará a Milei seu terço, pois
uma queda na participação eleitoral se traduz em uma porcentagem de votos
válidos suficiente para ele vencer.
A disputa política e eleitoral está servida.
E o que for feito nos próximos meses será mais decisivo do que a reta final da
campanha, por melhor que seja o slogan ou o jingle.
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Pesquisa mostra que
quase 62% dos argentinos querem tirar Milei do poder
O governo de Javier Milei chega à segunda
metade do mandato sob forte desgaste político. A piora na avaliação da gestão e
os impactos da política econômica ultraliberal sobre o cotidiano dos argentinos
já começam a se refletir no cenário eleitoral.
É o que mostra a nova pesquisa da consultoria
Zuban Córdoba, divulgada neste domingo (2), segundo a qual 61,9% dos
entrevistados votariam por uma mudança de governo nas eleições presidenciais de
2027, enquanto apenas 33,4% apoiariam a continuidade da atual
administração.
O levantamento foi realizado entre 22 e 26 de
julho, com cerca de 1.500 entrevistados, e indica que a desaprovação ao governo
chegou a 65%.
Segundo a consultoria, a combinação entre
dificuldades econômicas, perda de confiança no projeto libertário e desgaste
político torna cada vez mais difícil uma recuperação da popularidade de Milei
às vésperas da disputa presidencial.
A economia aparece como o principal fator de
insatisfação. Para 53,9% dos entrevistados, a situação econômica pessoal está
pior do que no início do governo.
Os responsáveis pela pesquisa afirmam que a
percepção social não acompanha o discurso oficial sobre recuperação econômica e
que o eleitorado passa a cobrar resultados concretos em renda, salários e
atividade econômica.
O estudo também revela forte rejeição a uma
das propostas defendidas pelo governo: a flexibilização das regras para
aquisição de terras por estrangeiros.
Segundo a pesquisa, 77% dos argentinos
defendem que a compra de terras por capitais estrangeiros continue sujeita a
limitações, enquanto apenas 16,7% apoiam a liberalização. O tema ganhou
destaque após o governo sinalizar mudanças na legislação sobre recursos
estratégicos e propriedade rural.
Na projeção eleitoral, o peronismo aparece
numericamente à frente do partido governista.
Em um cenário com as principais forças
políticas, o peronismo reúne 31,3% das intenções de voto, contra 28% do La
Libertad Avanza.
Quando a consulta reduz as opções de resposta
e concentra a disputa entre os principais blocos, o peronismo aparece com
35,3%, ante 33,8% do partido de Milei, enquanto 24,3% dos entrevistados
permanecem indecisos.
Os pesquisadores avaliam que o terceiro ano
de mandato representa um momento decisivo para qualquer governo, quando a
população passa a exigir o cumprimento das promessas feitas durante a
campanha.
Na avaliação da consultoria, sem uma melhora
perceptível nas condições de vida, especialmente em salários e reativação da
economia, a recuperação política do governo tende a permanecer limitada.
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Deterioração do apoio
eleitoral a Milei está associada à precariedade econômica, aponta pesquisa
Uma pesquisa exclusiva realizada pela
consultoria Projection revelou, no domingo (16/08), uma deterioração
progressiva nas perspectivas eleitorais da administração liderada pelo presidente
Javier Milei na Argentina.
O estudo aponta que o impacto das medidas
econômicas sobre a população enfraqueceu a base do partido governista,
colocando o peronismo na vanguarda das preferências para as próximas eleições
gerais.
Segundo o relatório, seis em cada dez
argentinos classificam a gestão econômica atual como negativa ou muito negativa
para suas famílias. Da mesma forma, 62% dos entrevistados afirmaram não
projetar expectativas de melhora no curto prazo.
A pesquisa detalha que quase 60% dos cidadãos
tiveram que recorrer a empréstimos por meio de cartões de crédito ou
solicitações financeiras para cobrir suas despesas.
Essa percepção de deterioração é mais aguda
entre mulheres, adultos com mais de 55 anos e residentes da Capital Federal e
da Grande Buenos Aires.
O relatório destaca uma contração contínua do
chamado “núcleo duro” do partido governista, que atualmente está entre 25% e
30%, quando meses atrás atingia 35%.
Um estudo recente do Public Opinion Monitor
(MOP) da Zentrix Consultora revelou que 87,4% dos argentinos dizem que seu
salário continua perdendo terreno diante da inflação, e 61,9% entraram em
dívida nos últimos seis meses, mais da metade deles para cobrir despesas
básicas como alimentação e serviços.
Na pesquisa da Zentrix, 86,6% dos
entrevistados dizem que são necessários dois ou mais empregos para chegar ao
fim das contas. Dois em cada três argentinos consomem sua renda antes do dia 20
de cada mês, e apenas 9,3% afirmam que a renda chega ao fim do mês.
Os números são piores para os mais jovens.
Entre os consultados entre 18 e 39 anos, 85,5% relatam ter ficado sem renda
antes do dia 20, em comparação com 60,6% na faixa etária de 40 a 59 anos.
67,1% dos argentinos consideram que os dados
de inflação publicados pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (INDEC)
não refletem a evolução dos preços reais no dia a dia, e apenas 29,6%
consideram os números oficiais confiáveis.
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Governo argentino
interpreta erroneamente estudo para alegar que Brasil liderou uma “campanha
anti-Argentina”
“Quem colocou mais dinheiro nessa campanha
anti-Argentina? O governo do Brasil, 25% dos recursos saíram do governo do
Brasil”, afirmou Milei em 26 de julho à Radio Mitre. A
acusação foi feita um dia após o mandatário argentino participar da oficialização de Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência
pelo Partido Liberal e como adversário de Lula na eleição de 2026. Em 2
de agosto, Milei voltou a acusar Lula e chamá-lo de “corrupto” em
uma entrevista para o veículo La Nación. Três dias depois, o
chanceler argentino Pablo Quirno fez novas
críticas no veículo Infobae. “22% das
mensagens da campanha anti-Argentina vieram do Brasil, seguido por México”,
disse. “É evidente que também há dinheiro envolvido nisso. Não tenho provas
para incriminar ninguém no governo, mas certamente veio do Brasil”, afirmou
o ministro das Relações Exteriores.
Embora não tenham mencionado diretamente, o
presidente e o chanceler argentino fizeram referência nas redes sociais e em
veículos de comunicação aos resultados de um estudo da consultoria
Monitor Digital. Mas o levantamento foi interpretado de
forma errônea para sustentar as acusações contra o Brasil.
Em sua conta do X, Milei compartilhou várias vezes um
infográfico da conta Encuestas Argentinas que replicou os dados da Monitor
Digital. Esse estudo foi publicado cinco dias depois do fim da Copa do
Mundo, em 19 de julho, em que a Argentina alcançou o segundo lugar.
Durante e após o Mundial, milhares de
mensagens difundidas nas redes sociais e em veículos de comunicação acusaram os argentinos de serem arrogantes, provocadores,
racistas e violentos. A consultoria identificou que a conversa sobre a
Argentina nas redes sociais foi liderada por publicações do Brasil com 22,1%;
seguida de México com 14,8% e Estados Unidos com 13% durante o período
estudado.
Mas o Monitor Digital não se concentrou em
publicações feitas somente durante o campeonato, e sim em um período que se
estendeu de dezembro de 2022 a julho de 2026. Além disso, o ranking incluído no
estudo, e replicado por Milei, mostra o número de publicações que mencionam a
Argentina sem especificar se são elogios ou críticas. O único caso em que se
analisa o teor das mensagens sobre o país é no mês de julho, quando se
registrou “54,7% de sentimento positivo frente a 44,9% negativo”, mas
sem especificar de quais países eram as publicações.
<><> Publicações orgânicas
A consultoria responsável pelo estudo afirmou
que a conversa sobre a Argentina foi “impulsionada principalmente por
uma audiência jovem, masculina, fãs de futebol e de língua espanhola”. “Trata-se
de um grupo social muito definido no universo das redes globais que vem
impulsionando o intenso debate sobre os argentinos, bem diferente da crença
generalizada de que a discussão é promovida por interesses específicos de
certos países que querem lançar uma campanha 'anti-Argentina’”, diz o
relatório.
Uma conclusão similar foi publicada em 26 de
julho pela consultoria Inteligência
Analítica em um estudo com o título “A conversa hostil sobre Argentina”,
que analisou a interação nas redes sociais durante e depois da final da Copa do
Mundo.
O estudo analisou 587.907 publicações de
325.627 usuários no X e identificou que as contas possuíam, em média, 7,46 anos
e que apenas 0,29% delas foram criadas após o início da Copa do Mundo. Além
disso, houve uma média de 1,81 publicações por conta. “Esse é o perfil
de uma participação massiva de baixa intensidade (...) Uma operação
coordenada apresenta o padrão oposto: menos contas, mais volume em cada”, explica
a consultoria.
O estudo também identificou que os usuários
não formaram grupos fechados que interagiram entre si, algo típico em campanhas
orquestradas. Pelo contrário, a estrutura era a de uma conversa aberta entre
estranhos. O governo brasileiro anunciou em 4 de agosto que irá manter as
relações com a Argentina reduzidas ao nível de encarregado de negócios “enquanto
persistirem os ataques verbais do presidente Javier Milei contra as
instituições brasileiras”, segundo disse uma fonte do Ministério das
Relações Exteriores do Brasil à AFP.
Fonte:
Por Julian Bokser, para Globetrotter/Vermelho/Opera Mundi/Checamos AFP

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