Diabetes
aumenta o risco de AVC? Cardiologista explica os fatores de risco, os sinais de
alerta e como prevenir
Pessoas
com diabetes têm maior risco de sofrer um acidente vascular cerebral (AVC),
conhecido como derrame. A glicose elevada ao longo dos anos pode comprometer os
vasos sanguíneos, enquanto a presença de outros fatores cardiovasculares pode
ampliar esse risco. Em entrevista ao jornalismo do Portal Um Diabético, o
cardiologista Bruno Mahler Mioto explicou como essa relação ocorre e quais
cuidados devem fazer parte da prevenção.
Uma
análise que reuniu 102 estudos, com quase 700 mil pessoas, identificou que o
diabetes mais que dobrou o risco de AVC isquêmico, causado pelo entupimento de
um vaso sanguíneo. O risco de AVC hemorrágico, provocado pelo rompimento de um
vaso, também aumentou, mas em menor proporção.
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Como o diabetes aumenta o risco de AVC?
A
glicose elevada por períodos prolongados pode danificar as paredes dos vasos
sanguíneos e favorecer a formação de placas de gordura nas artérias. Essas
alterações podem comprometer a circulação e contribuir para o bloqueio de vasos
que levam sangue ao cérebro.
Segundo
Bruno Mahler Mioto, o risco também está relacionado à presença de outros
problemas de saúde. Pressão alta, colesterol LDL elevado, tabagismo,
sedentarismo e excesso de peso estão entre os fatores que precisam ser
acompanhados.
A
doença renal e a fibrilação atrial, uma alteração do ritmo cardíaco que pode
favorecer a formação de coágulos, também entram nessa avaliação.
Uma
análise citada pelo cardiologista identificou diferenças entre mulheres e
homens. O aumento do risco de AVC associado ao diabetes foi de aproximadamente
2,3 vezes entre as mulheres e 1,8 vez entre os homens. Esses números
representam estimativas de estudos e não determinam individualmente o risco de
cada pessoa.
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Diabetes tipo 1 também aumenta o risco?
Como a
condição costuma começar mais cedo, o organismo pode ficar exposto por mais
tempo às alterações relacionadas à glicose elevada.
Um
estudo sueco acompanhou mais de 33 mil pessoas com diabetes tipo 1 e
identificou um risco de AVC isquêmico cerca de três vezes maior que o observado
na população geral. Os pesquisadores também encontraram uma relação entre o
aumento da hemoglobina glicada e o risco do evento.
A
hemoglobina glicada é um exame que indica a média da glicose no sangue nos
últimos dois a três meses. No diabetes tipo 2, a presença simultânea de pressão
alta, alterações no colesterol e excesso de peso também pode reunir diferentes
fatores de risco cardiovascular.
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Quais exames ajudam a avaliar o risco?
O
acompanhamento de pessoas com diabetes inclui exames e medidas que permitem
avaliar o controle da glicose e identificar outros fatores associados ao risco
cardiovascular.
Entre
eles estão a aferição da pressão arterial, a dosagem do colesterol, a
hemoglobina glicada e a avaliação da função dos rins. A pesquisa de proteína na
urina também pode ajudar a identificar alterações renais.
O
eletrocardiograma pode auxiliar na identificação da fibrilação atrial, uma
arritmia que nem sempre provoca sintomas. Em situações específicas, o médico
pode solicitar exames de imagem, como o ultrassom das artérias carótidas,
localizadas no pescoço.
A
indicação desses exames depende da avaliação clínica. Eles não são necessários
para todas as pessoas com diabetes e devem ser solicitados conforme o histórico
e os fatores de risco de cada paciente.
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Como prevenir o AVC em pessoas com diabetes?
O
controle da glicose, da pressão arterial e do colesterol faz parte da
prevenção. De acordo com Mioto, esses fatores precisam ser avaliados em
conjunto, porque cuidar apenas da glicemia não elimina os demais riscos
cardiovasculares.
A
pressão alta pode exigir tratamento medicamentoso quando as mudanças de hábitos
não são suficientes para atingir a meta definida pelo médico. As estatinas,
medicamentos que reduzem o colesterol LDL, também podem ser indicadas conforme
o risco cardiovascular, mesmo quando o resultado do colesterol não parece
elevado.
Não
fumar, praticar atividade física regularmente, reduzir o consumo de sal e de
alimentos ultraprocessados e controlar o peso quando necessário são outras
medidas que contribuem para a saúde cardiovascular.
Alguns
medicamentos utilizados no tratamento do diabetes tipo 2 também apresentam
benefícios cardiovasculares. Entre eles estão os agonistas do receptor de
GLP-1, uma classe que imita a ação de um hormônio intestinal. Estudos clínicos
identificaram redução de eventos cardiovasculares, incluindo AVC, em
determinadas populações de pessoas com diabetes tipo 2.
A
escolha do tratamento deve considerar o histórico clínico, os fatores de risco,
as necessidades e as preferências de cada paciente.
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Como reconhecer os sinais de AVC?
Os
sintomas de AVC geralmente aparecem de forma repentina. Entre os principais
sinais de alerta estão:
• Fraqueza ou formigamento em um lado do
corpo, no rosto, braço ou perna;
• Boca torta ao sorrir;
• Dificuldade para falar ou compreender o
que outras pessoas dizem;
• Alterações na visão;
• Perda de equilíbrio ou dificuldade para
caminhar;
• Confusão mental ou dor de cabeça súbita
e intensa, sem causa aparente.
Uma
forma de reconhecer alguns desses sinais é pedir à pessoa que sorria, levante
os dois braços e repita uma frase. Se houver alteração no sorriso, queda de um
dos braços ou dificuldade na fala, ligue imediatamente para o Serviço de
Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), pelo número 192.
Em
pessoas com diabetes, a hipoglicemia, caracterizada pela queda da glicose no
sangue, também pode provocar confusão mental e alterações na fala, com sintomas
semelhantes aos de um AVC. Medir a glicemia pode ajudar na avaliação, mas não
deve atrasar o atendimento de emergência.
Mesmo
que os sintomas desapareçam após alguns minutos, é necessário procurar
atendimento imediato. O episódio pode indicar um ataque isquêmico transitório,
causado por uma interrupção temporária do fluxo sanguíneo cerebral.
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Por que o atendimento rápido é essencial?
Diante
da suspeita de AVC, a orientação é acionar o SAMU pelo número 192. Também é
importante registrar o horário em que os sintomas começaram ou o último momento
em que a pessoa foi vista sem alterações. Essa informação ajuda a equipe médica
a avaliar as opções de tratamento.
No
hospital, exames de imagem, como a tomografia, ajudam a diferenciar o AVC
isquêmico do hemorrágico. Essa distinção orienta a conduta, porque os
tratamentos são diferentes.
Em
casos selecionados de AVC isquêmico, medicamentos podem dissolver o coágulo,
enquanto procedimentos por cateter podem retirar a obstrução de uma artéria. A
indicação depende do quadro clínico e do tempo transcorrido desde o início dos
sintomas.
Em
pessoas com diabetes, a equipe também verifica a glicemia durante o
atendimento. Valores muito baixos precisam ser corrigidos, enquanto a glicose
muito elevada exige controle durante a internação.
O Dia
Mundial do AVC, celebrado em 29 de outubro, marca ações de conscientização
sobre os sinais da condição e a necessidade de atendimento rápido. Para pessoas
com diabetes, o acompanhamento da glicemia e dos demais fatores
cardiovasculares faz parte dos cuidados de longo prazo.
Fonte:
Um Diabético

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