Rússia
e países da África concordam em aprofundar parceria africana com os BRICS
A
Rússia e os países da África concordaram em promover o aprofundamento da
parceria das nações africanas com o BRICS, segundo uma declaração divulgada
nesta quinta-feira (29) após a terceira cúpula Rússia-África.
A
Rússia e a África também fortalecerão o potencial para o desenvolvimento da
cooperação entre a União Africana e a Organização do Tratado de Segurança
Coletiva (OTSC), visando garantir a segurança regional, afirma o documento.
A
Rússia e os países africanos também concordaram em expandir a cooperação e
fortalecer a coordenação no âmbito do G20.
O
presidente da Rússia, Vladimir Putin, falou em coletiva de imprensa do
interesse de Moscou aprofundar os laços com os países africanos.
"Nosso
interesse comum em fortalecer ainda mais as relações, em pé de igualdade, com honestidade, em
colaboração e para benefício mútuo, ficou claramente expresso", declarou o
presidente russo.
Conforme
a declaração, as partes também concordaram em fortalecer a cooperação na área
de tecnologias e inovações digitais, incluindo inteligência artificial. A
Rússia e os países africanos têm apoiado o desenvolvimento de abordagens não
discriminatórias para padrões e gestão de riscos na área de inteligência
artificial, acrescentou o documento.
"Ressaltamos
a importância de os desenvolvedores e fornecedores de IA cumprirem a legislação
dos países onde suas tecnologias são utilizadas", declararam os países.
As
partes também pretendem expandir o comércio e o investimento em energia,
incluindo projetos de petróleo e gás e produção de baterias na África. A ideia
é criar zonas
industriais russas na África para uma produção local.
O plano
prevê, ainda, o desenvolvimento de corredores internacionais de transporte e
logística para garantir o acesso mútuo aos mercados.
A
declaração aponta para acordos para fortalecer a cooperação no setor
financeiro, inclusive para garantir mecanismos de pagamento confiáveis e sustentáveis,
segundo o documento.
"Os
Estados concordaram em expandir o uso de moedas nacionais em liquidações mútuas
entre a Rússia e os Estados africanos".
O
volume atual de comércio entre a Rússia e os países africanos, que chega a US$
27 bilhões (R$ 146,33 bilhões), não é um limite, mas sim o início de uma
trajetória, estabeleceram as partes. Ao todo, líderes de 21 países africanos participaram do
evento.
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Cúpula Rússia–África tornou-se um sinal de Putin ao Ocidente, afirma mídia
A III
Cúpula Rússia–África, realizada em Moscou nos dias 28 e 29 de outubro,
tornou-se um sinal do presidente russo Vladimir Putin para os políticos
ocidentais, escreveu uma agência de notícias ocidental.
De
acordo com a publicação da Bloomberg, durante a cúpula em Moscou, com a
presença de dezenas de líderes, o líder russo prometeu expandir
significativamente o comércio com a África e criticou as relações ocidentais
com o continente.
"Para
Putin, a cúpula foi mais uma oportunidade para demonstrar os esforços limitados
do Ocidente para isolar a Rússia devido ao conflito na Ucrânia", diz a
publicação.
Note-se
que a influência de Moscou na região africana
está se fortalecendo, especialmente nos campos da diplomacia e segurança.
Segundo a agência, a presença russa nos países do Sahel é mais perceptível.
A
Rússia também envia esforços para desenvolver a infraestrutura diplomática e
cultural que sofreu após o colapso da União Soviética, reabrir embaixadas
e expandir programas de bolsas de estudo, parcerias com universidades e
programas de formação, mencionou a matéria.
Como
detalhou a agência, Vladimir Putin, nos bastidores da
cúpula, acusou os países ocidentais de usarem sanções e pressão econômica para
manter sua influência na região africana e prometeu ainda fortalecer a
cooperação econômica com o continente, apesar da política de sanções
antirrussa.
O III
Fórum e Cúpula Econômica e Humanitária Rússia–África está sendo realizado em Moscou nos dias
28 e 29 de outubro.
Como
observou a representante oficial do Ministério das
Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, este evento se tornou um
novo marco no desenvolvimento da cooperação entre Moscou e o continente
africano.
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Por que o Irã se aproxima cada vez mais da Eurásia com
Rússia e China? Analista explica
Diante
das hostilidades militares e da retórica política agressiva dos EUA contra o
Irã, seguida também por seus aliados ocidentais, o país persa aprofunda sua
relação com a Eurásia. Esse movimento ocorre principalmente por meio de países
como Rússia e China, que vêm se consolidando como seus parceiros estratégicos.
Nesse
sentido, diante do atual recrudescimento geopolítico e da fragmentação do
cenário internacional, a tendência é que a tríade formada por Moscou, Pequim e
Teerã se
aprofunde ainda mais. Essa perspectiva foi apontada por João Gonçalves,
analista de relações internacionais e mestrando em ciência política, em
entrevista à Sputnik Brasil.
"É
nítido que qualquer tipo de investida contra o Irã e a Europa, de forma
cautelosa, mas muitas vezes subserviente, acaba se alinhando a essa posição.
Então, o Irã vê que seu espaço no Ocidente está sendo isolado e decide olhar
para o outro lado. Portanto, para o Irã é interessante, sim, que se aproxime de
China e Rússia", disse.
O
especialista também aponta que, apesar das recorrentes crises no Oriente Médio,
o Estado iraniano, além de resistir aos ataques de Washington e Tel Aviv, tem
se consolidado como uma rota vital no comércio internacional devido à sua
posição geográfica.
"O
Irã vem cada vez mais se comportando como aquele ponto de estrangulamento.
Porque o Irã é uma rota de conexão direta entre a Rússia e o oceano Índico, que
seria o mar da Índia. [Por exemplo], a Rússia, em vez de dar a volta inteira
através da Europa, passando pelo Mediterrâneo, ou até dando a volta na África,
pode simplesmente passar pelo Irã", comenta.
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Eurásia é uma oportunidade para o comércio iraniano
Outro
ponto levantado por Gonçalves é que, ao diversificar suas relações mais a
leste, surgem no horizonte oportunidades de expansão do comércio exterior, como
a aproximação com a União Econômica
Eurasiática (UEE),
bloco que conta com países como Armênia, Belarus, Cazaquistão e Quirguistão,
além da Rússia.
"É
uma visão que, sim, é muito válida em relação a essa União Econômica
Eurasiática. O Irã está olhando para leste, está se colocando em termos de
segurança, mas, em termos econômicos, é um país buscando diversificação e, daí,
com parceiros que, historicamente, pelo menos nessa história recente, estão
mais dispostos a oferecer algum tipo de resistência em relação ao que seria o
Ocidente", destaca.
Para o
analista internacional, o Irã vem se tornando um ator relevante também por sua
projeção no mercado petroleiro, simultaneamente ao momento em que a Europa, que
detém algumas das principais economias do mundo, está cada vez mais dependente
desse recurso.
"Além
disso, o Irã está ao lado do que seriam os países do Golfo. O petróleo mundial
circunda pelo Irã. Então, ele é esse ponto de conexão entre o petróleo global e
a Ásia, que é um continente que está em franca ascensão e que a gente pode
falar principalmente de China e Rússia. A Europa que precisa cada vez mais de
energia", observa.
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OCX também é importante na política externa do Irã
A Organização para
Cooperação de Xangai (OCX), da qual o Irã é membro pleno desde 2023, é outro
organismo que, segundo a análise de João Gonçalves, ilustra a crescente
inserção euroasiática do país em diálogos geoestratégicos.
"Em
relação à OCX, é uma organização não só de segurança, mas que promove inúmeras
iniciativas, e o Irã estar nesse debate, estar nessas parcerias, com certeza é
muito vantajoso. [O mundo] cada vez mais vem migrando para essa
multipolaridade, e a diversificação das parcerias é essencial", conclui.
No
cenário internacional contemporâneo, as sanções unilaterais não só prejudicam
um determinado Estado visado, mas acabam estimulando o surgimento de novas
coalizões bilaterais e regionais. Na atual conjuntura multipolar, o surgimento
de novos polos na economia global permite que essas relações se desenvolvam de
forma alternativa, sem passar necessariamente pelo eixo hegemônico ocidental.
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EUA, UE e economia global sofrerão se Washington retomar
hostilidades contra o Irã, diz senador russo
A
retomada das ações militares de Washington contra o Irã após as eleições de
novembro afetarão os Estados Unidos e a União Europeia e levará a consequências
catastróficas para a economia global, disse Aleksei Pushkov, membro do Comitê
Constitucional do Conselho da Federação.
Em seu
canal no Telegram, o senador russo relatou que, segundo informações da mídia
ocidental, os EUA estão planejando uma nova rodada de ataques contra o Irã após
as eleições de meio
de mandato,
em novembro.
"A
retomada das hostilidades na região, sem dúvida, levaria a guerra a um novo
patamar, com uma soma de consequências negativas para os países da região, para
a economia global e para os próprios Estados Unidos", salientou o senador.
Por sua
vez, os países da União Europeia sofrerão novamente antes do
inverno (Hemisfério Norte) com os preços dos combustíveis, que certamente
aumentarão, e se lembrarão dos tempos de fornecimento garantido de gás e
petróleo da Rússia.
"Ao
mesmo tempo, é improvável que uma nova ofensivapermita aos Estados Unidos
alcançar uma vitória militar e a rendição do Irã — pelas mesmas razões que
impediram os Estados Unidos de alcançar esse objetivo na primeira
ofensiva", resumiu.
Mais
cedo, um veículo de imprensa de grande circulação norte-americano, citando
autoridades estadunidenses não identificadas, informou que o chefe da Casa Branca, Donald Trump, estaria inclinado a
retomar as hostilidades contra o Irã, mas uma decisão final ainda não
havia sido tomada.
O
próprio líder norte-americano havia afirmado anteriormente que os Estados Unidos não atacariam o Irã
antes das eleições de meio de mandato para o Congresso dos EUA.
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Herança maldita no Afeganistão: 20 anos de guerra dos EUA
e o retorno do Talibã
Em
2001, os EUA invadiram o Afeganistão e derrubaram o regime do Talibã, em
resposta aos atentados de 11 de setembro, organizados pela Al-Qaeda
(organização terrorista proibida na Rússia e em vários outros países), que
tinha no país seu principal refúgio.
Vinte
anos depois e trilhões de dólares gastos na guerra ao longo das duas décadas,
os estadunidenses foram embora e o Talibã voltou ao
poder.
O que ficou dessa intervenção? O que os Estados Unidos conseguiram alcançar? O
legado estadunidense no país e o custo humano de duas décadas de conflito foram
temas do podcast da Sputnik Brasil Mundioka desta quarta-feira (28).
Uma das
entrevistadas, a doutoranda em relações internacionais pelo Programa de
Pós-Graduação San Tiago Dantas e professora de relações internacionais na
Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação (ESAMC) Lais Cavallin
lembrou que o Talibã nunca deixou de existir. O grupo apenas recuou para o
vizinho Paquistão e zonas rurais do Afeganistão.
Para
ela, o grande erro estratégico da intervenção dos EUA foi concentrar os
esforços na capital, Cabul, e grandes províncias, ignorando as regiões rurais,
que concentram mais de 70% da população.
"Ao
longo dessas duas décadas, o Talibã se reorganizou como força de insurgência
contra a ocupação militar, e assim que as tropas ocidentais se retiraram, em
2021, o grupo reconquistou o país, tomou Cabul em menos de duas semanas e hoje
a gente está vendo a história sendo reconstruída."
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Mulheres usadas como cobaias
Além de
deixar a infraestrutura do país destruída e uma crise econômica sem
precedentes, em miséria, a violência contra as mulheres também foi uma herança
nefasta, frisou Cavallin.
Como
modus operandi das intervenções, os EUA usaram "uma receita pronta de
reconstrução" sem considerar especificidades locais. Uma delas foi a
imposição às mulheres do país de uma série de programas com visão ocidental,
que não tiveram adesão.
"Instrumentalizando
as mulheres afegãs sob esses slogans de libertação e o herói branco, para
salvar essas mulheres das mãos dos bárbaros terroristas", ironizou a
professora.
Assim
que as tropas estadunidenses foram retiradas do Afeganistão, as mulheres foram
deixadas à própria sorte sob o domínio dos mesmos que os EUA denominavam
terroristas, e perderam todas as conquistas da época da ocupação, cujas frágeis
melhorias seguiram uma lógica assistencialista e imperialista, cujo principal
objetivo com a intervenção era abrir mercado.
"E,
principalmente, todo o patriarcalismo e o conservadorismo das comunidades
afegãs. Então, a cultura afegã, a religião, as tradições, os costumes, eles
foram desconsiderados pelos Estados Unidos na hora de pensar nesses
programas", ponderou ela.
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Guerra Fria
Ela
elencou outros legados "malditos", como o aumento do tráfico de
drogas e da violência devido ao empoderamento por parte de Washington da
Aliança do Norte, grupo armado opositor ao Talibã, cujas lideranças possuíam
histórico de massacres civis, de saques, estupros e destruição da
infraestrutura, principalmente durante a guerra civil dos anos 1990.
"O
Afeganistão ficou sob intervenção da União Soviética por dez anos e, durante
essa intervenção, os EUA financiaram esses senhores da guerra […] assim que
eles conseguiram a retirada da União Soviética, começou uma guerra civil […],
fazendo com que o Talibã surgisse como a possibilidade que a população enxergou
como saída pra esse histórico de intervenção e de guerra."
Ela
conta que também houve tentativa do governo dos EUA de mobilizar mulheres
afegãs para serem agentes secretos:
"Então
eles queriam dar treinamento para essas mulheres, para que elas, dentro das
suas comunidades, pudessem coletar informações que fossem importantes para os
Estados Unidos receberem e conseguirem desestabilizar guerrilhas, forças contra
insurgentes, o próprio Talibã."
O plano
fracassou, acrescentou, porque as mulheres "acharam muita hipocrisia e uma
contradição muito grande que aqueles que estavam bombardeando e destruindo suas
casas e suas famílias quisessem que elas se aliassem a eles", declarou, ao
relatar ainda abusos, estupros, que foram feitos, inclusive, por parte dos
próprios soldados dos EUA, da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).
Também
em entrevista para o Mundioka, o professor de relações internacionais da
Unilasalle Marcello Freitas explica que o desfecho evidencia os limites da
estratégia americana de impor sua influência por meio da força militar e faz
parte de um processo mais amplo de declínio relativo da hegemonia de
Washington.
"Quando
um gigante como os Estados Unidos cai, é um problema também para quem está
perto, e isso tem a ver com a gente aqui no Brasil", alertou ele. "A
manutenção dessa máquina militar pelo planeta inteiro, uma coisa inédita na
história, se tornou muito cara e insustentável para os Estados Unidos",
avaliou.
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Da guerra ao terror ao fracasso no Afeganistão
Para o
pesquisador, os atentados de 11 de
setembro
marcaram uma mudança na política externa americana, que passou a priorizar uma
atuação mais unilateral sob o argumento do combate ao terrorismo. A invasão do Iraque, em 2003, foi um dos
exemplos dessa estratégia.
"Você
coloca essa figura do terrorista árabe como um inimigo difuso que pode ser
qualquer um, e aí você justifica essa nova etapa da política americana que vai
se concretizar com a guerra em 2003 do Iraque", afirma.
Freitas
apontou a corrupção, a fragilidade das instituições e a dificuldade de
compreender a complexidade política e social do país como fatores que
comprometeram a reconstrução. A retirada americana, em 2021, durante o governo
Joe Biden, e o retorno do Talibã ao poder simbolizaram, na avaliação do
professor, o fracasso da intervenção.
"A
desastrosa saída do governo americano, da ocupação americana do Afeganistão no
período do governo Biden, que inclusive lembra muito a saída dos Estados Unidos
de Saigon na Guerra do Vietnã, uma humilhação total, que mostra o quanto esse
projeto foi por água abaixo."
O
pesquisador também chamou a atenção para o custo humano do conflito. Segundo
ele, a população afegã enfrenta consequências profundas, especialmente as
mulheres e as minorias religiosas, enquanto a instabilidade favorece a atuação
de grupos extremistas.
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Quem ganhou com a guerra?
Além
dos custos humanos, Freitas questionou os interesses econômicos associados às
intervenções militares. Para ele, setores da indústria bélica e empresas
contratadas para reconstruir países atingidos pelos conflitos estão entre os
beneficiários desse modelo.
"Quem
ganhou é quem sempre ganha, os senhores da guerra, a indústria, o complexo
industrial militar, mesmo com derrotas e vitórias, permanecem funcionando,
gerando muito dinheiro, riqueza e talvez até corrupção", afirmou.
O
professor destacou a contradição de investir na destruição e, depois, destinar
recursos à reconstrução, enquanto as populações locais permanecem expostas à
violência e à precariedade.
Para o
pesquisador, o caso demonstra que a superioridade militar não é suficiente para
garantir influência política duradoura. A experiência afegã expôs os limites de
uma estratégia que buscou transformar outro país pela força, mas terminou sem
alcançar os objetivos anunciados.

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