sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Ignacio Álvarez-Ossorio: A vitória eleitoral de Netanyahu condena Israel a um beco sem saída

Mais uma vez, Benjamin Netanyahu desafiou as pesquisas e venceu as eleições parlamentares israelenses, levando o Likud ao topo com uma ampla vantagem sobre seu principal rival, o partido Yashar do General Gadi Eisenkot. Embora sua coalizão não tenha alcançado as 61 cadeiras necessárias para governar, seu desempenho foi significativamente melhor do que o da frente anti-Netanyahu, condenando Israel a um estado de paralisia política.

O maior perdedor, sem dúvida, foi Eisenkot, que, segundo todas as pesquisas, seria o vencedor incontestável. Seu principal erro foi enquadrar as eleições como um referendo sobre a gestão de Netanyahu em relação aos ataques de 7 de outubro, visto que uma esmagadora maioria da sociedade israelense apoia a destruição sistemática da Faixa de Gaza e a intensa colonização da Cisjordânia, bem como a guerra total contra o regime iraniano e seus aliados no Eixo da Resistência: Hamas, Hezbollah e Houthis. Os resultados demonstram que o eleitorado acreditou na narrativa de que Israel trava uma guerra existencial em múltiplas frentes, na qual sua própria sobrevivência está em jogo, o que exigiria dar a Netanyahu carta branca e militarizar a sociedade para transformá-la em uma nova Esparta.

O principal sucesso do Likud foi atrair votos estratégicos, o que penalizou os partidos supremacistas Poder Judaico e Sionismo Religioso, que conquistaram apenas 13 cadeiras, muito menos do que o previsto pelas pesquisas. Não se trata de o eleitorado ter decidido punir a retórica genocida e os apelos à limpeza étnica de seus líderes, Itamar Ben Gvir e Bezalel Smotrich, mas sim de ter preferido concentrar seus votos em Netanyahu, que adotou muitas de suas posições. Com os resultados em mãos, parece claro que existe um amplo consenso sionista sobre a necessidade de aprofundar a política de fato consumado e a colonização dos territórios palestinos para impor, pela força das armas, um Grande Israel entre o Rio Jordão e o Mar Mediterrâneo. 

<><> A resiliência de Netanyahu

Os resultados demonstram que o bloco anti-Netanyahu subestimou a resiliência do líder do Likud, o presidente que há mais tempo governa na história de Israel, que conseguiu governar contra todas as probabilidades por mais de 20 anos em um cenário internacional extremamente complexo. As eleições deixaram claro que nunca se deve cantar vitória antes da hora. A única chance de Eisenkot formar um governo reside em uma aliança com os partidos árabes, cuja ascensão meteórica foi a maior surpresa das eleições. A Lista Conjunta — composta por Hadash, Taal e Balad — tornou-se o terceiro maior partido, depois do Likud e do Yashar, conquistando 12 das 120 cadeiras no Knesset, enquanto o partido islâmico Raam garantiu seis cadeiras.

A mobilização maciça de palestinos em Israel levou os partidos árabes a alcançarem seus melhores resultados de sempre, tornando-os um elemento-chave para garantir a governabilidade de Israel. A alta participação eleitoral entre as comunidades árabes deve ser interpretada não apenas como um protesto contra o genocídio em Gaza e o apartheid na Cisjordânia, mas também como um alerta sobre a negligência com as áreas árabes, onde o crime organizado prolifera. Embora os palestinos em Israel tenham sido tradicionalmente considerados cidadãos de segunda classe e excluídos das coligações governamentais, o fato de ocuparem 18 das 120 cadeiras no Knesset os torna um ator fundamental, embora ainda seja incerto se Eisenkot estará disposto a pagar o preço que a adesão ao governo de coligação implicaria. 

Embora o Likud tenha recebido a maioria dos votos e o bloco pró-Netanyahu tenha prevalecido sobre a oposição, não conseguiu os 61 assentos necessários para a maioria no Knesset. Portanto, suas remotas chances de manter a coalizão governista dependem de garantir o apoio de um dos partidos da oposição.

É importante notar que os partidos árabes têm sido tradicionalmente excluídos das coligações governamentais, que incluem apenas partidos judeus de orientação sionista. De fato, durante a campanha eleitoral, o Likud tentou impedir a sua candidatura, embora o Supremo Tribunal tenha, em última instância, permitido. A Lei do Estado-Nação de 2018 consagrou Israel como um Estado etnocêntrico judeu, no qual os dois milhões de palestinos encontraram dificuldades de integração, dada a sua falta de adesão ao projeto sionista. No dia das eleições, Netanyahu voltou a atacar a população árabe, afirmando: “Os apoiantes da Irmandade Muçulmana estão a invadir as assembleias de voto e a roubar as eleições”. Após a divulgação dos resultados, o primeiro-ministro advertiu Eisenkot de que “é proibido pôr em risco Israel e formar um governo que dependa de partidos árabes antissionistas”.

<><> Bloqueio

Assim, a atual conjuntura eleitoral torna a formação de uma coligação governamental uma missão praticamente impossível e condena Israel a um impasse político. Embora o Likud tenha recebido a maioria dos votos e o bloco pró-Netanyahu tenha prevalecido sobre a oposição, não alcançou os 61 assentos necessários para a maioria no Knesset. Portanto, suas remotas chances de manter a coligação governamental dependem de garantir o apoio de um dos partidos da oposição: Yisrael Beiteinu, liderado por Avigdor Lieberman, ou Beyahad, liderado por Yair Lapid e Naftali Bennett. Netanyahu tem 42 dias para conseguir isso. 

Se fracassar, ele ainda pode jogar com a carta de um governo de coalizão entre o Likud e o Yashar, no qual seus principais líderes se alternariam no cargo de primeiro-ministro. Essa fórmula permitiria que ele enfrentasse um contexto internacional adverso, no qual Israel parece cada vez mais isolado devido às suas políticas genocidas, e também reduziria sua dependência de grupos supremacistas brancos. Se bem-sucedida, essa estratégia representaria uma tábua de salvação para Netanyahu, assolado por seus problemas legais, e seria um golpe duro para Eisenkot, que concorreu às eleições como um candidato honesto que veio para pôr fim às maquinações do atual primeiro-ministro. 

¨      Sem maioria necessária para formar um governo

A lenta contagem dos votos, que ainda está em andamento após 12 horas, confirma a apertada vitória de Netanyahu. Com mais de 70% dos votos apurados, o partido Likud de Netanyahu lidera com 20% dos votos e 27 cadeiras, em comparação com os 16% e 20 cadeiras do partido Yashar! de Eisenkot. Os partidos de extrema-direita que formaram a coligação governamental de Netanyahu detêm 54 cadeiras, enquanto o bloco de oposição ou anti-Netanyahu possui 47 cadeiras, bem aquém da maioria de 61 cadeiras no Parlamento de 120 assentos.

A grande surpresa das eleições foram os partidos compostos principalmente por palestinos-israelenses, que conquistaram 19 cadeiras e podem ser fundamentais para a formação de qualquer governo, mas ambos os blocos de partidos judaicos prometeram não formar uma coalizão com eles durante a campanha.

<><> Netanyahu surpreende mais uma vez

Após o encerramento das urnas às 22h, horário local (21h na Espanha), diversas pesquisas indicavam que o partido do primeiro-ministro, Likud, obteria 25 cadeiras, enquanto o partido de Eisenkot, Yashar!, ficaria com 23. Mas algumas horas depois, as principais pesquisas indicavam que o Likud poderia conquistar 27 cadeiras, contra 21 ou 22 para o segundo partido mais votado.

O Yashar! é o principal partido do chamado bloco anti-Netanyahu, que assumiu a liderança na noite de terça-feira, mas, na manhã de quarta-feira, as pesquisas previam um empate entre os dois blocos, com 51 cadeiras cada. Nenhum dos dois conseguiria maioria no Parlamento (61 cadeiras) e teriam poucas chances de formar um governo sem o apoio dos partidos palestino-israelenses.

Os dois partidos, compostos principalmente por cidadãos palestinos de Israel, obteriam 18 ou 19 cadeiras, de acordo com as pesquisas, mas todos os partidos judaicos, incluindo os da oposição, prometeram durante a campanha que não fariam um pacto com eles, seja para formar parte de uma coalizão governista ou para obter seu apoio para um voto de confiança.

Em suas primeiras declarações após as eleições, Netanyahu afirmou que seria uma “vergonha” se a oposição cooperasse com esses partidos. Falando da sede do Likud em Jerusalém, ele também afirmou que o bloco de direita havia conquistado uma “maioria decisiva” entre o “público sionista” de Israel e, portanto, esperava formar um “governo de direita forte”.

Por sua vez, Eisenkot declarou prematuramente no canal X que os resultados preliminares indicavam “uma total falta de confiança em Netanyahu” por parte da maioria dos cidadãos israelenses. Na sede de seu partido, por volta da meia-noite, afirmou que faria “todo o possível para formar um governo sionista” que representasse “todos os cidadãos de Israel igualmente”. O general aposentado obteve um bom desempenho com seu partido recém-fundado, conquistando uma parcela significativa dos votos de protesto contra Netanyahu, mas, com o passar das horas, suas chances de substituir o primeiro-ministro e pôr fim ao seu domínio quase absoluto da política israelense nas últimas duas décadas foram diminuindo.

A Lista Conjunta (composta por três partidos seculares palestino-israelenses) é um dos partidos que mais aumentou sua representação parlamentar, conquistando 13 cadeiras, o que a coloca como a terceira força mais votada, atrás do Likud e do Yashar!, enquanto o Juntos (formado pelos ex-primeiros-ministros Naftali Bennett e Yair Lapid) permanece na quarta posição. O líder da Lista Conjunta afirmou em um comunicado que terça-feira foi “um dia histórico”. “O povo falou e compareceu em massa às urnas, dando-nos sua confiança inequívoca. Provamos ser uma força política que não pode ser ignorada e que é impossível construir um futuro aqui sem a nossa voz”, afirmou Yousef Jabarin.

O partido islâmico moderado Ra'am, liderado por Mansour Abbas, deverá conquistar 7 cadeiras, segundo todas as pesquisas, e poderá desempenhar um papel fundamental, visto que já fez acordos com partidos judaicos no passado — o segundo colocado na lista é judeu — e não defende posições inaceitáveis ​​para as forças sionistas, como as defendidas pela Lista Conjunta — por exemplo, o fim da ocupação israelense dos territórios palestinos.

¨      Partidos palestinos em Israel alcançam um resultado histórico

Benjamin Netanyahu voltou a vencer uma eleição em Israel, depois de ter sido primeiro-ministro do país por quase 19 anos, à frente de diferentes governos, desde 1996. “Bibi” voltou a ser o líder político mais votado, à frente de seu partido, o Likud, que obteve mais de 20% dos votos e 26 cadeiras no Parlamento, segundo os resultados preliminares. O mandatário não foi duramente castigado depois de três anos de guerras abertas em várias frentes e de um genocídio em Gaza, e parece que uma parte do eleitorado quer que Israel continue por esse caminho e o apoia em uma nova rodada de bombardeios contra o Irã, uma “missão” que Netanyahu prometeu completar.

No entanto, tudo indica que ele não poderá reeditar a coalizão com a qual governou entre 2022 e 2026, a mais à direita da história do Estado hebreu, que não soma as 61 cadeiras que representam a maioria simples no Knesset. Seus sócios de governo mais radicais, que impulsionaram a colonização selvagem e a limpeza étnica na Cisjordânia, assim como a desumanização absoluta dos palestinos, obtiveram praticamente as mesmas cadeiras que na eleição anterior.

Com mais de 85% dos votos apurados, o partido Poder Judaico, do ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, conseguiu uma cadeira a mais (7), embora as pesquisas previssem um crescimento maior nas semanas anteriores à votação. O partido Sionismo Religioso, do ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, mantém suas 6 cadeiras. Os que mais perderam apoio foram os sócios ultraortodoxos de Netanyahu: o partido Shas passa de 11 para 7 cadeiras, enquanto o Judaísmo Unido da Torá continua ocupando 7 cadeiras.

Segundo o historiador e político argentino-israelense Meir Margalit, houve um voto de castigo contra Netanyahu, que nas eleições gerais anteriores obteve mais de 23% dos votos e 32 cadeiras. “Há eleitores do Likud que quiseram castigar Netanyahu e votaram na extrema direita de Ben Gvir e Smotrich”, afirma ao elDiario.es. Dessa forma, os votos que o Likud perdeu ficaram no bloco de direita que o primeiro-ministro interino encabeça e que soma 53 cadeiras, à espera dos resultados definitivos.

No entanto, Margalit considera que existe a possibilidade de que membros do bloco anti-Netanyahu, liderado pelo ex-general Gadi Eisenkot, possam desertar e apoiar o bloco pró-Netanyahu, em particular deputados de extrema direita que concorreram à eleição pelo partido de Eisenkot, o Yashar!, e pelo heterogêneo partido Juntos, sob a batuta do ex-primeiro-ministro Naftali Bennett, também de direita.

O bloco da oposição só tem em comum o desejo de tirar Netanyahu do poder, mas as legendas que o integram são de diferentes orientações políticas e têm programas muito diferentes, embora nenhuma apoie um Estado palestino independente ou o fim da ocupação israelense. As pesquisas de boca de urna alimentaram, na noite de terça-feira, as esperanças de um governo alternativo ao de Netanyahu, encabeçado por Eisenkot, mas o bloco conseguiu apenas 48 cadeiras. O Yashar! é o segundo partido mais votado, com pouco mais de 16% dos votos e 21 cadeiras, seguido de longe pelo Juntos, com pouco mais de 9% e 12 cadeiras. A legenda mais moderada do bloco, os Democratas, obteve 6,5% dos votos e 8 cadeiras.

<><> Um veto “racista”

No meio dos dois grandes blocos, encontra-se um bloco “dobradiça” que emergiu com força na eleição geral de terça-feira: os partidos integrados majoritariamente por palestino-israelenses, que conseguiram 19 cadeiras, aumentando sua representação parlamentar. A Lista Conjunta (formada pelos partidos Hadash, Balad e Ta’al) conquistou o quarto lugar, com 9% dos votos e 12 cadeiras, um recorde para essas legendas de perfil esquerdista, com o programa mais abertamente pró-palestino. Enquanto isso, o partido islamista moderado Ra’am conseguiu duas cadeiras a mais que nas eleições passadas.

Tanto a Lista Conjunta quanto o Ra’am teriam a chave do próximo governo, se não fosse o boicote de todos os partidos judeus, incluídos os da oposição, que durante a campanha rejeitaram a possibilidade de fazer acordo com os partidos árabes, tanto para formar uma coalizão de governo quanto para obter seu apoio numa votação de investidura. “O fato de nenhum bloco querer esses partidos significa que Israel é um país racista; estão discriminando mais de 20% da população”, lamenta Margalit, ativista veterano dos direitos humanos e da paz entre palestinos e israelenses.

Os cidadãos palestinos de Israel são cerca de 2 milhões, e sua participação na eleição do dia 27 bateu recordes. Esse eleitorado habitualmente apático quis que sua voz fosse ouvida depois de ver seus direitos cortados nos últimos três anos, desde o ataque do Hamas de 7 de outubro de 2023, e sob o governo de Netanyahu, que fez suas condições de vida piorarem, tanto dentro de Israel como nos territórios ocupados. A polícia israelense, sob o comando de Ben Gvir, permitiu que o crime organizado e a violência proliferassem nas localidades de população palestina, onde os assassinatos dispararam desde 2025.

Margalit acredita que Eisenkot poderia estar aberto a negociar com os partidos palestinos, mas, se chegasse a fazê-lo, vários membros de direita de seu bloco iriam para o lado de Netanyahu: “Seria a desculpa definitiva para desertar”. Por enquanto, só o líder dos Democratas, o centrista Yair Golan, se mostrou favorável a contar com os partidos palestino-israelenses para tirar o poder de Netanyahu e instou os demais membros do chamado “bloco da mudança” a se abrirem para conversar com a Lista Conjunta e o Ra’am.

O líder da Lista Conjunta, Yousef Jabareen, disse no X que uma mudança passa por “uma associação judaico-árabe”, uma associação que deve ser “real e igualitária”. “Estamos prontos e preparados para abrir caminho para a derrubada do governo de Netanyahu. Diante de um governo de sangue, diante de uma política de supremacia, racismo e exclusão, oferecemos uma alternativa completamente diferente”.

O movimento Standing Together, que reúne israelenses judeus e palestinos e que mobilizou o voto a favor dos partidos palestinos, celebrou os resultados e pediu aos líderes políticos que tomem decisões corajosas. “Há uma vitória judaico-árabe sobre o governo de extrema direita. A única pergunta é se os líderes do bloco da mudança têm a coragem de formar um governo judaico-árabe”, perguntava no X Alon-Lee Green, cofundador do partido Um Lugar para Todos, surgido do Standing Together, mas que não se apresentou na eleição de 27 de outubro.

<><> Instabilidade e incerteza

Por sua vez, o historiador e professor argentino-israelense não se mostra muito otimista porque, mesmo que Eisenkot conseguisse formar governo com o apoio externo dos partidos palestinos, “não duraria muito tempo, porque os palestinos exigiriam algumas medidas que Eisenkot não poderia cumprir, e o governo cairia muito rápido”. Nesse caso, se abriria um período de instabilidade política.

Ofer Cassif, candidato judeu israelense da Lista Conjunta, explicou em uma entrevista ao elDiario.es que estariam dispostos a apoiar a investidura de Eisenkot, mas poriam condições ao novo governo, como parar as demolições das casas palestinas ou desmantelar os assentamentos que são ilegais também segundo a lei israelense (os chamados postos avançados, que proliferaram na Cisjordânia ocupada sob o governo que está saindo, que financiou e apoiou os colonos).

Diante dos resultados históricos dos partidos palestinos, o Likud pediu nesta quarta-feira à Polícia e ao Shin Bet (agência de segurança e inteligência interna de Israel) que investiguem como eles conseguiram esses resultados. “As eleições em Israel foram roubadas por partidos árabes que apoiam o terrorismo e a eliminação do Estado judeu, mediante crimes graves como o suborno, as ameaças, a violência, a fraude e o uso de um programa de computador ilegal para mobilizar os eleitores”, denunciou o partido em um comunicado. Também apresentou uma queixa ao Comitê Eleitoral Central, o órgão que supervisiona o processo democrático e certifica os resultados, que disse que vai examiná-la.

Margalit acredita que, se os palestinos não forem levados em conta pelos demais partidos, perderão a confiança em um sistema político que os marginaliza. “Creio que vai ser a última vez que os partidos árabes conseguem atrair tantos eleitores às urnas, se virem que não vale a pena e que não serve para nada votar porque, mesmo quando conseguem tantas cadeiras, ninguém os leva em conta”. Calcula-se que a participação dos eleitores palestino-israelenses ficou inclusive acima da média nacional de 77%.

O historiador e pesquisador do Instituto Van Leer de Jerusalém acredita que os partidos palestinos não poderão mudar o governo e o rumo de Israel, porque tanto Netanyahu quanto Eisenkot compartilham as mesmas políticas e ideias belicistas. “De dentro não vai haver mudança. É preciso haver pressão concreta, não simbólica, contra Israel por parte da Europa e dos Estados Unidos. Precisamos que façam com Israel o que o mundo fez com a África do Sul anos atrás”, na época do apartheid, afirma Margalit.

O especialista não descarta que Netanyahu lance um novo ataque contra o Irã enquanto permanece como primeiro-ministro interino, em meio às negociações para a formação de um novo governo ou ao bloqueio político que poderia ocorrer e que pode se prolongar por semanas. Ele afirma que o mandatário queria fazê-lo antes da eleição desta terça-feira, mas o chefe do Estado-Maior do Exército o freou, e agora ele poderia pensar que recebeu o mandato das urnas para levar a cabo uma ofensiva contra Teerã, que provavelmente contaria com o apoio de Donald Trump.

 

Fonte: El Diário

 

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