Direita
brasileira, perplexa, deixa Flávio Bolsonaro sozinho com suas acusações de
fraude eleitoral
“Uma
fraude eleitoral diante dos meus olhos.” Com essas palavras, Flávio Bolsonaro
falou pela primeira vez dos Estados Unidos. Em um comunicado, afirmou, por
alguns minutos, ser o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. A fuga do
ex-candidato de extrema direita após sua derrota eleitoral pegou de surpresa
seus aliados mais fiéis. Frederick Wassef, advogado de Flávio Bolsonaro, disse
que a notícia o pegou de surpresa. Valdemar Costa Neto, presidente do Partido
Liberal (PL), também desconhecia o plano de fuga. O senador Rogério Marinho,
coordenador da campanha presidencial, afirmou que Flávio Bolsonaro não informou
nenhum dos líderes do partido sobre seus planos de deixar o país. Após a fuga
do senador, o PL convocou uma reunião de emergência para decidir o futuro do
partido, da qual participou Michelle Bolsonaro, ex-primeira-dama e senadora
eleita.
Veículos
de comunicação brasileiros como O Globo, Folha de São Paulo e Estadão de São
Paulo destacaram o "tom golpista" da carta em suas capas. Nela, ele
acusa Lula de ter cometido "fraude eleitoral" e afirma ser alvo de
"perseguição política que começou com meu pai".
Com
algumas exceções, as principais lideranças do bolsonarismo permanecem em
silêncio ou reconheceram a derrota. O PL reconheceu a vitória de Lula em um
comunicado oficial. Tarcísio de Freitas, que venceu as eleições para o governo
de São Paulo no primeiro turno e é um dos aliados mais firmes do bolsonarismo,
também reconheceu a vitória de Lula na tarde de terça-feira. Considerado o nome
mais forte para liderar a direita no Brasil, Tarcísio decepcionou a ala mais
radical do bolsonarismo, pois não questionou o resultado eleitoral nem
reproduziu o discurso de perseguição política utilizado por Flávio Bolsonaro.
Dentro do PL, os jovens deputados Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato, os mais
votados do país, estão ficando isolados em sua reivindicação de que os resultados
não sejam reconhecidos.
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A
postura mais radical do bolsonarismo não vem de seu núcleo central, mas de
aliados secundários. De um lado, Sérgio Moro, o juiz que prendeu Lula
ilegalmente em 2018 e foi eleito governador do Paraná, apoiou a decisão de
Flávio Bolsonaro de deixar o país. “O Brasil ainda está longe da normalidade
institucional. Nesse contexto, é compreensível que Flávio deixe o país”,
afirmou. De outro, Pablo Marçal, o coach de extrema direita que surpreendeu ao
conquistar milhões de votos nas eleições municipais de São Paulo em 2024,
manifestou apoio a Flávio Bolsonaro em uma publicação no Instagram: “Não é uma
fuga! É exílio”. Marçal, que assessorou Flávio Bolsonaro durante o segundo
turno eleitoral, pretende se candidatar à Presidência em 2030, apesar de estar
inelegível até 2032.
A
pressão sobre Flávio Bolsonaro aumenta após sua fuga do Brasil. A Polícia
Federal (PF) estuda solicitar ao Supremo Tribunal Federal (STF) o bloqueio dos
bens de Flávio Bolsonaro, a quebra de seu sigilo bancário e sua prisão
preventiva, com o objetivo de forçar seu retorno ao Brasil.
Alexandre
de Moraes, ministro do STF responsável pela investigação que acusa Flávio
Bolsonaro de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, já determinou o bloqueio
de bens e a quebra de sigilo bancário do advogado Willer Tomaz, amigo pessoal
de Flávio Bolsonaro, que deixou o Brasil na sexta-feira.
A PF
suspeita que Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz, que chegaram a utilizar uma conta
bancária conjunta, participavam de um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo
uma casa de apostas on-line, entre outras atividades. Segundo especialistas em
direito consultados pelo Folha de S.Paulo, a fuga de Flávio Bolsonaro fornece
fundamento jurídico para a decretação de sua prisão preventiva.
Por
outro lado, lideranças de peso do Partido dos Trabalhadores (PT) estão
intensificando a pressão contra Flávio Bolsonaro. Lula da Silva, vencedor das
eleições do último domingo, criticou duramente a fuga de seu adversário
político na segunda-feira, durante a comemoração de seu 81º aniversário. Lula
classificou a saída de Flávio Bolsonaro do país como “vergonhosa” e uma “falta
de respeito”: “Quem não deve, não teme. O cidadão que sai escondido deste país
deve alguma coisa”.
Além
disso, deputados do PT pediram a Alexandre de Moraes a decretação da prisão
preventiva de Flávio Bolsonaro e a solicitação de um alerta vermelho à
Interpol, para dar início aos trâmites de sua extradição.
No
entanto, algumas lideranças de peso do PT temem que Flávio Bolsonaro radicalize
nos Estados Unidos e incentive o governo de Donald Trump a adotar novas medidas
contra o Brasil.
• Nunes Marques e Mendonça se afastam de
Flávio Bolsonaro após carta golpista: “perdeu o bom senso”
O
presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, e o
vice-presidente da Corte, André Mendonça, buscam se distanciar do senador
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após a divulgação de uma carta golpista na qual o
candidato derrotado questiona o resultado das eleições presidenciais de 2026.
Os dois magistrados, considerados politicamente mais próximos do campo
bolsonarista, teriam manifestado a auxiliares a avaliação de que o senador
perdeu o bom senso ao insistir em acusações infundadas contra o processo
eleitoral. As informações são da Folha de São Paulo.
A
reação ocorre depois que o senador divulgou, na quarta-feira (28), um documento
em que inicialmente se autoproclamava “verdadeiro presidente do Brasil”.
Posteriormente, a expressão foi substituída por “líder do Brasil”, mas o texto
manteve alegações falsas sobre a eleição que garantiu a reeleição do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A
iniciativa de Flávio também provocou críticas entre outros integrantes do
tribunal. Ministros considerados mais alinhados ao governo Lula classificaram a
carta como um movimento absurdo, que deveria ser ignorado pela Justiça
Eleitoral. Dois dos quatro magistrados desse grupo avaliaram que o senador
procurou produzir instabilidade política por meio de uma narrativa
conspiratória baseada em informações falsas.
Um
ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) ouvido pela Folha também
desqualificou o documento. Segundo ele, o uso de um brasão incorreto,
acompanhado da inscrição “Estados Unidos do Brazil (sic)”, evidencia a falta de
seriedade da iniciativa e demonstra que Flávio não estava preparado para
assumir a Presidência da República.
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Kassio Nunes Marques reafirma legitimidade da vitória de Lula
Na
noite de quarta-feira (28), poucas horas depois da divulgação da carta, Kassio
Nunes Marques publicou uma nota em defesa da integridade do processo eleitoral.
Embora não tenha mencionado Flávio Bolsonaro nominalmente, o presidente do TSE
reafirmou o compromisso da instituição “com a vontade soberana do eleitorado,
que foi às urnas e legitimamente escolheu seus representantes”.
O
magistrado também ressaltou que as eleições “transcorreram dentro da mais
absoluta normalidade e com respeito aos ditames legais e constitucionais”.
Segundo a manifestação, o pleito foi entregue “com segurança”.
A
declaração pública reforça a posição que Kassio já havia transmitido
reservadamente a colegas do tribunal após a proclamação oficial do resultado do
segundo turno. Conforme a Folha, o ministro assegurou que não daria espaço às
reclamações da campanha de Flávio Bolsonaro, que se recusou a reconhecer a
derrota para Lula.
O
presidente do TSE também pretende conversar com o presidente do STF, Edson
Fachin, para estabelecer uma atuação coordenada diante das tentativas de
contestação do resultado eleitoral. A intenção é impedir que prosperem
iniciativas judiciais destinadas a colocar em dúvida a validade das eleições
presidenciais de 2026.
Apesar
da repercussão política da carta, os ministros do TSE evitaram comentar
publicamente o episódio durante a sessão plenária desta quinta-feira (29), a
primeira realizada após a divulgação do documento. Os magistrados deram
continuidade ao julgamento dos processos previstos na pauta, sem mencionar a
manifestação do senador.
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Flávio Bolsonaro enfrenta isolamento após fugir para os Estados Unidos
O
distanciamento dos integrantes do TSE ocorre em meio ao crescente isolamento
político de Flávio Bolsonaro. Após a derrota presidencial, o senador deixou o
Brasil e seguiu para os Estados Unidos, apesar de ter afirmado anteriormente
que não fugiria do país.
A saída
ocorreu depois de uma operação de despiste e surpreendeu integrantes de seu
próprio grupo político. Aliados que participaram diretamente da campanha
passaram a se afastar do senador diante da recusa em reconhecer o resultado das
urnas e da divulgação da carta golpista.
Entre
eles está o senador Rogério Marinho (PL-RN), responsável pela coordenação da
campanha presidencial de Flávio. Marinho declarou que nem ele nem o PL possuem
elementos para afirmar que houve fraude nas eleições, contrariando a narrativa
adotada pelo candidato derrotado.
O
governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também
defendeu o reconhecimento da vitória de Lula. Ao comentar o cenário político
após o segundo turno, afirmou que “o caminho é respeitar o resultado das urnas
e seguir em frente”.
As
manifestações evidenciam a dificuldade de Flávio em obter respaldo até mesmo
entre lideranças que estiveram ao seu lado durante a disputa presidencial.
Enquanto o senador insiste em questionar a legitimidade do pleito, figuras
importantes da direita passaram a defender o respeito ao resultado oficial.
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Advogada de Flávio também decide se afastar
O
isolamento do senador se estende à equipe jurídica que atuou em sua campanha.
De acordo com a reportagem, a fuga para os Estados Unidos teria ocorrido sem o
conhecimento prévio dos advogados responsáveis por sua defesa eleitoral.
A
advogada Maria Claudia Bucchianeri, que representou Flávio Bolsonaro em
processos no TSE, já comunicou a um interlocutor que não pretende apresentar
novas ações judiciais em nome do senador.
Segundo
o relato, Bucchianeri considera que seu compromisso profissional estava
vinculado à campanha presidencial, encerrada em 25 de outubro, data do segundo
turno.
• Alencar Santana pede inelegibilidade de
Flávio Bolsonaro por carta golpista
O
deputado federal Alencar Santana (PT-SP), vice-líder do PT na Câmara,
apresentou uma representação à Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) para
solicitar que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) seja declarado inelegível por
oito anos. A iniciativa ocorre após o candidato derrotado à Presidência
divulgar uma carta em que contesta, sem apresentar provas, o resultado das
eleições de 2026 e acusa a Justiça Eleitoral de favorecer a reeleição do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo
informações da coluna de Malu Gaspar, do jornal O Globo, o parlamentar petista
pede que o Ministério Público Eleitoral ingresse com uma ação no Tribunal
Superior Eleitoral (TSE) para investigar possíveis práticas de abuso de poder
político e uso indevido dos meios de comunicação. A representação foi motivada
pelo documento divulgado por Flávio na quarta-feira (28), no qual o senador
chegou a se apresentar como “presidente eleito do Brasil”, antes de substituir
a expressão por “líder do Brasil” diante da repercussão negativa.
Na
avaliação de Alencar Santana, as acusações feitas pelo candidato derrotado são
“mentirosas” e representam uma tentativa de deslegitimar o processo eleitoral.
O deputado sustenta que as manifestações de Flávio atingem a credibilidade da
Justiça Eleitoral e colocam em dúvida um resultado oficialmente proclamado, sem
que tenham sido apresentadas evidências de irregularidades capazes de
comprometer a votação.
Além da
inelegibilidade, o parlamentar solicita a preservação das diferentes versões da
carta publicadas nas redes sociais. O objetivo é assegurar que o conteúdo
original e as alterações posteriores possam ser utilizados na apuração. Alencar
também requer o encaminhamento do material à área criminal da
Procuradoria-Geral da República (PGR), para investigar a eventual prática de
crimes contra o Estado Democrático de Direito.
A
iniciativa ocorre em meio ao crescente isolamento político de Flávio Bolsonaro,
que deixou o Brasil após a derrota eleitoral e passou a enfrentar críticas
inclusive de integrantes do próprio campo político.
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Carta de Flávio Bolsonaro acusa fraude sem apresentar provas
O
documento divulgado pelo senador questiona principalmente a decisão de ampliar
em duas horas o funcionamento de determinadas seções eleitorais durante o
segundo turno. A medida foi determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do
Supremo Tribunal Federal (STF), após interrupções no transporte público em
diferentes capitais brasileiras.
Flávio
atribuiu à prorrogação do horário uma suposta interferência no resultado da
disputa presidencial. Sem apresentar provas, classificou o crescimento da
votação de Lula entre os dois turnos como uma “impossibilidade matemática”.
“Na
noite de domingo, vi estarrecido uma fraude eleitoral se concretizar diante dos
meus olhos. A atuação ilegítima e ilegal do ex-advogado do Lula permitiu que
uma impossibilidade matemática se concretizasse e Lula acrescentasse mais de 10
milhões de votos do primeiro para o segundo turno”, afirmou o senador na carta.
A
acusação não encontra respaldo nos números divulgados pelo TSE. De acordo com a
Justiça Eleitoral, apenas 34.393 votos foram registrados depois das 17h no
segundo turno, enquanto a vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro alcançou
4.430.191 votos.
Os
dados também mostram que 95% das seções eleitorais brasileiras já estavam
fechadas até as 17h10, o que contraria a tentativa de associar a extensão do
horário de votação a uma alteração decisiva no resultado nacional.
O
presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou no próprio domingo
(25) que a prorrogação não modificou o desfecho da eleição.
Na
representação, Alencar Santana argumenta que eventuais questionamentos sobre
decisões judiciais devem ser apresentados pelos mecanismos legais previstos na
legislação eleitoral, e não utilizados para sustentar acusações públicas de
fraude sem comprovação.
“Eventual
controvérsia sobre a validade da decisão que prorrogou o horário comporta
debate nas vias processuais próprias e não autoriza ninguém, e muito menos o
segundo colocado na disputa, a apresentar a eleição como fraudada”, afirma o
deputado.
O
documento encaminhado à PGE também menciona manifestações anteriores de Flávio
Bolsonaro contra o reconhecimento da vitória de Lula. Entre elas está a
alegação de que fiscais do PL teriam sido retirados da sala-cofre do TSE
durante a apuração, informação negada pela própria Corte.
Pedido
de inelegibilidade remete a punição de Jair Bolsonaro
A
iniciativa do vice-líder petista ocorre diante de um precedente envolvendo o
ex-presidente Jair Bolsonaro, pai de Flávio. Em 2023, o TSE declarou Jair
inelegível por oito anos em razão de sua conduta durante uma reunião com
embaixadores realizada no Palácio da Alvorada, na qual difundiu informações
falsas sobre o sistema eletrônico de votação.
Na
ocasião, a Justiça Eleitoral considerou que o então presidente havia cometido
abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação ao atacar a
confiabilidade das urnas eletrônicas.
Agora,
a representação contra Flávio busca a apuração de possíveis infrações
eleitorais relacionadas à divulgação de acusações infundadas contra o resultado
da disputa presidencial.
O
pedido de Alencar Santana, contudo, não implica uma declaração automática de
inelegibilidade. Para que o senador seja punido na esfera eleitoral, será
necessária a adoção das medidas judiciais cabíveis e uma decisão da Justiça
Eleitoral.
Partidos
reconhecem vitória de Lula e Flávio enfrenta isolamento
A
ofensiva judicial do PT ocorre enquanto a maior parte das principais forças
políticas do país reconhece a reeleição de Lula.
Até o
início da tarde desta quinta-feira (29), União Brasil, PL, PSD, MDB, PSDB, PT,
PCdoB, PV, PSB, PSOL, Rede, Republicanos, Avante e PDT haviam defendido o
reconhecimento do resultado das urnas.
Mesmo
aliados próximos de Flávio Bolsonaro evitaram endossar suas acusações de
fraude.
O
governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou
compreender a “indignação de seu aliado”, mas defendeu que o resultado
eleitoral seja respeitado.
“O
momento exige responsabilidade, serenidade e a construção de uma oposição
forte, capaz de exercer seu papel. É assim, respeitando o processo democrático
e trabalhando dentro das instituições, que vamos fortalecer o sistema de freios
e contrapesos que sustenta a nossa democracia”, declarou Tarcísio em comunicado
à imprensa.
O
senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio
e apontado como possível candidato do partido à presidência do Senado, também
se distanciou das alegações apresentadas na carta.
Marinho
reconheceu que o PL não dispõe de elementos para afirmar que houve fraude na
eleição e atribuiu a primeira versão do documento a um possível problema de
elaboração.
“Acredito
que deve ter havido algum problema na confecção da carta. O fato é o que está
na sua manifestação oficial, ele se autodenomina como líder, o que é um fato.
Ele é um líder do Brasil”, afirmou o senador a jornalistas.
As
manifestações evidenciam a dificuldade de Flávio em obter apoio político para
contestar a vitória de Lula, inclusive entre integrantes de sua própria
campanha.
Fonte:
El Diário/Brasil 247

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