Ricardo
Almeida faz alerta e diz que América do Sul está sob pressão
A
América do Sul vive um momento de pressão política e geopolítica, marcado pelo
avanço da direita regional, por tensões eleitorais e pelo maior interesse dos
Estados Unidos no continente, avaliou o analista político Ricardo Almeida nesta
semana, durante entrevista ao programa Giro das Onze.
Em
participação na TV 247, Almeida analisou o cenário regional a partir das
eleições na Colômbia, das tensões na Bolívia, da posição estratégica do Brasil,
e também falou sobre Cuba, país localizado na América Central e que sofre
bloqueio econômico dos EUA. “Para entender o que está acontecendo na Colômbia,
nós temos que entender o que acontece no mundo”, afirmou.
O
analista disse que a pressão sobre a América do Sul aumentou em um contexto de
disputas internacionais e de dificuldades enfrentadas pelos EUA, país presidido
por Donald Trump (Partido Republicano), que representa a extrema direita
estadunidense. “Eles se viraram para cá, para a América do Sul e América
Central”, disse Almeida.
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Brasil no centro da disputa
O
Brasil aparece como peça central nesse processo por sua dimensão econômica,
seus recursos naturais e sua importância política regional, pontuou Almeida. “O
Brasil é riquíssimo. O Brasil é o maior produtor de carne, de cereais, tem
minérios a dar com pau. Quer dizer, é o País maravilhoso e eles estão
precisando”, disse.
Conforme
o analista, o Brasil precisa defender sua soberania e evitar relações
desequilibradas. “Nós também temos interesse em vender petróleo, minérios,
carne, laranja. Não estamos nos negando a negociar com os Estados Unidos, mas
nós queremos uma negociação no mínimo equilibrada”, continuou.
O
Brasil deve retornar ao grupo das dez maiores economias do mundo em 2026,
afirmou o Fundo Monetário Internacional (FMI), com dados de 45 países
compilados pela consultoria Austin Ratings. O Produto Interno Bruto (PIB)
brasileiro deve alcançar US$ 2,637 trilhões (10ª posição do ranking). Os EUA
devem manter a liderança (US$ 32,399 trilhões), seguidos por China (US$ 20,863
trilhões), Alemanha (US$ 5,455 trilhões), Japão (US$ 4,381 trilhões) e Reino
Unido (US$ 4,267 trilhões). Índia (US$ 4,158 trilhões) apareceu em sexto,
seguida por França (US$ 3,597 trilhões), Itália (US$ 2,739 trilhões) e Rússia
(US$ 2,655 trilhões).
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Colômbia e as eleições
Sobre a
eleição na Colômbia, Almeida evitou tratar o resultado como encerrado. “Ainda
não dou a Colômbia como derrotada”, disse, comparando o cenário o clima
político colombiano a processos de polarização em outros países da região. “Vai
depender muito da capacidade de resistência do povo colombiano”, seguiu,
pontuando que a direita regional pode vencer eleições, mas não necessariamente
consolidar projetos de governo. “Eles vencem alguns países, mas não conseguem
implementar o que eles queriam”.
Na
Colômbia, o candidato conservador Abelardo de la
Espriella se
declarou vencedor da eleição presidencial do dia 21. A eleição reforçou o
avanço da direita na América Latina e ampliou a perda de força da chamada “onda
rosa”, ciclo que levou lideranças progressistas a governos da região no começo
dos anos 2020.
Análise
no Valor
Econômico apontou
que existe atualmente um ambiente regional favorável a forças conservadoras nas
Américas - em países como Chile, Equador e Panamá, além de Argentina e Bolívia.
A avalanche direitista também pode ocorrer no Peru, onde Keiko Fujimori, da
direita conservadora, mantém pequena vantagem na apuração lenta e contestada do
segundo turno presidencial realizado em 7 de junho.
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Bolívia como sinal de alerta
O
analista também comentou a situação na Bolívia, onde destacou a mobilização
popular contra o governo. Para ele, o caso boliviano pode antecipar tendências
de conflito político na região. “Eu estou tentando criar um cenário futuro em
que a América do Sul pode se espelhar na Bolívia de hoje”, afirmou.
Almeida
disse que a mobilização boliviana está ligada ao custo de vida, à defesa de
direitos e à soberania nacional. “Lá o povo está resistindo ao desmonte total
dos direitos”, observou. “O povo boliviano tem uma consciência com os povos
originários e todos os povos que lá é muito hegemônico, sentimento de defender
a nação, de defender a soberania alimentar, energética e tudo mais”.
Em sua
análise, Almeida defendeu que o momento exige organização política e leitura
estratégica da conjuntura. “Não é o momento de ir para baixo da cama”, afirmou.
Segundo o analista, a disputa regional não deve ser analisada apenas como
avanço irreversível da direita, mas como parte de um enfrentamento em curso. “É
um momento de tensão e de enfrentamento”, disse.
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Argentina
O
analista comentou sobre a situação da Argentina, país presidido pelo
ultradireitista Javier Milei, aliado de Trump. “A situação tá complicada lá, tá
complicada na Argentina, os argentinos estão atravessando pro lado brasileiro
também, famílias inteiras”, acrescentou Almeida.
O
governo Milei celebrou a queda da taxa de pobreza para 28%, menor índice dos
últimos sete anos, apontou, no fim de março, o Instituto Nacional de
Estatísticas e Censos (Indec). Mas especialistas e centros de pesquisa
questionam a estatística. Segundo reportagem publicada pela BBC em 18 de abril, pesquisadores de
organismos públicos e consultorias privadas apontam divergências entre os
números oficiais e outros indicadores como salários reais e das aposentadorias,
que seguem diminuindo.
A posse
do ultradireitista foi em 10 de dezembro de 2023. Nos seis primeiros meses da
nova gestão, a proporção de argentinos em situação de pobreza aumentou 11
pontos percentuais, alcançando quase 53% da população. O percentual foi o mais
elevado em cerca de 20 anos, em patamar semelhante ao observado após a crise
econômica de 2001.
Estudo
da Pesquisa da Dívida Social Argentina, realizada pela Universidade Católica
Argentina (UCA) apontou que aproximadamente dois em cada dez trabalhadores
empregados vivem em situação de pobreza. Entre os trabalhadores informais, a
proporção sobe para 26%. Outro levantamento divulgado em março pela
Argendata-Fundar, mostrou que, entre os empregados formais, a pobreza chegou a
10% e, a 33% entre os trabalhadores informais (sem registro legal e sem
contribuições ao sistema previdenciário).
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Cuba
Na TV
247, Almeida destacou a delicada situação de Cuba. Na avaliação feita por
Almeida, o caso cubano deve ser observado dentro de uma lógica de negociação
assimétrica. “Quando tu desafia uma potência que militarmente ela é muito maior
do que a tua, tu tem que saber negociar. Cuba é simbólica”, afirmou,
acrescentando que o tema não deve ser tratado como uma disputa voltada à
destruição dos EUA, mas como uma busca por relações menos desiguais. “Não se
trata de destruir os Estados Unidos, se trata de fazer com que a população dos
Estados Unidos melhore de vida, mas sem nos explorar”.
Ricardo
também destacou que países latino-americanos têm interesses comerciais com os
EUA, mas defendeu que essas relações ocorram sem violação da soberania de
países do continente. “Temos interesse de vender petróleo, vender minérios,
vender carne, vender laranja. Não estamos nos negando a negociar com os Estados
Unidos, mas queremos uma negociação equilibrada, onde não haja mais ameaças”,
declarou.
O
Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra) identificou uma mudança
inédita no perfil dos solicitantes de refúgio no Brasil. Em 2025, cidadãos
cubanos passaram a liderar o número de pedidos, superando os venezuelanos pela
primeira vez desde o início da série recente. “Eu não sei se eu morasse em Cuba
hoje na situação cristão e eu fosse uma pessoa assim que desprendida da
política, vou dizer, eu faria o mesmo, talvez”, opinou Almeida.
Segundo
o relatório Refúgio em Números 2026, divulgado nesta segunda-feira
(22), o país recebeu 75.599 solicitações de refúgio ao longo do ano passado.
Desse total, 41.919 foram apresentadas por cubanos, o equivalente a 55,4% de
todos os requerimentos registrados. O contingente de cubanos que buscaram
reconhecimento da condição de refugiado no Brasil cresceu 88,1% em um ano. Os
venezuelanos ocuparam a segunda posição (21.233 pedidos, ou 28,1% das
solicitações formalizadas em 2025. Na sequência aparecem cidadãos da Colômbia
(1.432 requerimentos), seguidos por angolanos (1.253), marroquinos (888) e
ganenses (792).
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Fiori: derrota dos EUA no Irã acelera mundo multipolar e
torna eleição brasileira decisiva para o futuro da América do Sul
Em
entrevista concedida à jornalista Eleonora de Lucena, do Tutaméia, o cientista
político e professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ),
José Luís Fiori faz uma das mais contundentes análises geopolíticas sobre os
desdobramentos da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã. Para ele, o
memorando de entendimento firmado entre Washington e Teerã representa uma
derrota histórica da estratégia americana, expõe o fracasso militar israelense
e acelera a transição para uma nova ordem internacional, na qual o centro do
poder econômico e político continua se deslocando para a Ásia.
Ao
longo da entrevista, Fiori sustenta que Donald Trump encerrou um conflito
extremamente custoso sem alcançar os objetivos anunciados, avalia que Israel
saiu ainda mais fragilizado do confronto, aponta o fortalecimento da China, da
Rússia e do próprio Irã e afirma que as eleições presidenciais brasileiras
deste ano serão um dos principais campos da disputa geopolítica mundial.
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Uma guerra sem vitória para Washington
Para
Fiori, o memorando de entendimento representa aquilo que dirigentes israelenses
classificaram como uma "rendição vergonhosa e humilhante" dos Estados
Unidos. Em sua avaliação, essa caracterização é correta porque Washington
iniciou uma guerra sem conseguir justificar plenamente suas razões nem alcançar
os objetivos estratégicos que dizia perseguir.
Segundo
ele, a promessa iraniana de não desenvolver armas nucleares já havia sido
reiterada anteriormente por sucessivos governos de Teerã. Da mesma forma, a
reabertura do Estreito de Ormuz apenas restaurou uma situação que havia sido
alterada em consequência da própria ofensiva americana.
Na
avaliação do professor, os Estados Unidos gastaram cerca de US$ 40 bilhões,
destruíram infraestrutura militar e civil, eliminaram importantes lideranças
iranianas e provocaram milhares de mortes para terminar praticamente no mesmo
ponto em que estavam antes do conflito. Além disso, afirma que a guerra
desorganizou os mercados globais de energia e alimentos e agravou a crise
econômica enfrentada pela Europa desde o início do conflito na Ucrânia.
Para
Fiori, tratou-se de uma guerra "completamente absurda", que terminou
sem produzir ganhos estratégicos proporcionais aos custos humanos, econômicos e
políticos envolvidos.
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Israel fracassa em sua estratégia histórica
Na
visão do cientista político, Israel saiu ainda mais enfraquecido do conflito.
Ele
lembra que Benjamin Netanyahu defendeu durante décadas um ataque conjunto entre
Israel e Estados Unidos capaz de destruir definitivamente a estrutura militar,
política e religiosa do Irã. Apesar da intensidade dos bombardeios e da
eliminação de parte da alta cúpula iraniana, nenhum dos objetivos centrais
teria sido alcançado.
O
governo iraniano permaneceu de pé, o programa nuclear continuou existindo, a
capacidade balística foi preservada e a população não rompeu com suas
lideranças.
Mais do
que isso, segundo Fiori, o Irã terminou a guerra ocupando uma posição
estratégica superior à que possuía anteriormente ao assumir o controle militar
e econômico do Estreito de Ormuz, elemento que considera decisivo para a
derrota estratégica imposta aos Estados Unidos.
Outro
ponto destacado pelo professor foi a vulnerabilidade demonstrada pelo sistema
israelense de defesa aérea. Segundo ele, drones e novos mísseis iranianos
conseguiram romper repetidamente o chamado Domo de Ferro, modificando
profundamente os parâmetros militares da região.
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Conflito entre Irã e Israel continuará
Apesar
do cessar-fogo, Fiori acredita que a rivalidade entre Irã e Israel permanecerá
durante muitos anos.
Segundo
ele, trata-se de um confronto muito mais profundo do que uma disputa
convencional entre Estados nacionais. Há componentes religiosos, históricos e
territoriais que impedem uma pacificação definitiva.
Por
isso, mesmo que haja um período de relativa estabilidade diplomática, o
professor considera que a tensão permanecerá latente e poderá voltar a explodir
em novos confrontos.
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Trump pode recuar, mas não abandonará a estratégia imperial
Questionado
sobre as razões que levaram Donald Trump a aceitar um acordo, Fiori admite que
fatores econômicos e políticos podem ter pesado.
Ele
observa que Trump costuma avançar agressivamente, mas também sabe reconhecer
derrotas quando considera necessário, embora continue apresentando esses recuos
como vitórias perante sua base política.
Entretanto,
o professor faz uma distinção importante entre os reveses militares e a
estratégia global dos Estados Unidos.
Segundo
ele, derrotas como as do Vietnã, do Afeganistão e agora do Irã não significam o
fim da capacidade imperial americana. Os Estados Unidos continuam sendo uma
potência militar com capacidade de projetar força em escala global e deverão
continuar intervindo onde julgarem necessário para defender seus interesses
estratégicos.
Nesse
contexto, Fiori acredita que Washington poderá intensificar sua atuação em
outras frentes, citando explicitamente Cuba e as eleições brasileiras como
alvos prioritários da política externa americana.
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China emerge como principal beneficiária
Uma das
principais teses defendidas por Fiori é que a China foi a grande vencedora
indireta da guerra.
Caso um
dos objetivos americanos fosse enfraquecer Pequim por meio do conflito no
Oriente Médio, afirma o professor, o resultado foi exatamente o oposto.
Segundo
ele, os chineses participaram ativamente das negociações que levaram ao
cessar-fogo e ampliaram seu prestígio diplomático justamente no momento em que
Washington saía enfraquecido militarmente.
Fiori
destaca ainda que Donald Trump acabou sendo obrigado a realizar uma visita
diplomática à China logo após o acordo, movimento que considera simbólico da
nova correlação internacional de forças.
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A ordem multipolar ganha velocidade
Para
Fiori, ainda não existe um modelo claramente definido de mundo multipolar.
O que
está ocorrendo, afirma, é um acelerado processo de fragmentação do antigo bloco
ocidental.
Segundo
sua análise, a União Europeia atravessa um período de enfraquecimento político,
aumentam as divergências entre Europa e Estados Unidos e também surgem tensões
inéditas entre Washington e Tel Aviv.
Ao
mesmo tempo, o fechamento temporário do Estreito de Ormuz demonstrou que o
centro do sistema internacional vem se deslocando progressivamente para a Ásia,
especialmente para a China.
Na
avaliação do professor, o atual processo de negociação entre Estados Unidos e
Irã poderá ser lembrado como uma das primeiras grandes negociações da nova
ordem multipolar que está emergindo no século XXI.
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Nova revolução militar
Fiori
também identifica profundas transformações tecnológicas produzidas pela guerra.
A
principal delas seria aquilo que chama de "dronificação" dos
conflitos.
Segundo
ele, drones relativamente baratos demonstraram enorme capacidade ofensiva e
defensiva, alterando radicalmente os custos e a dinâmica das guerras
contemporâneas.
Além
disso, o professor considera que o uso estratégico do Estreito de Ormuz
inaugurou uma nova forma de guerra econômica.
Na sua
avaliação, outros pontos de estrangulamento do comércio internacional — como os
estreitos de Málaca e Bab el-Mandeb e os canais de Suez e do Panamá — passam a
adquirir importância estratégica ainda maior nos futuros conflitos globais.
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Irã emerge como potência regional
Na
avaliação de Fiori, o mapa geopolítico do Oriente Médio foi profundamente
alterado.
O Irã
sobe de patamar como potência regional, enquanto Israel vê seu peso estratégico
relativo diminuir, apesar de continuar sendo a única potência nuclear da
região.
Ao
mesmo tempo, os países árabes aliados dos Estados Unidos passam a questionar a
eficácia da proteção militar americana, uma vez que, durante os momentos mais
críticos da guerra, Washington concentrou seus esforços na defesa de suas
próprias bases e tropas.
Mesmo
assim, Fiori não acredita que os Estados Unidos abandonarão o Oriente Médio.
Sua previsão é de que Washington continuará exercendo forte pressão política,
econômica e militar sobre seus aliados e adversários na região.
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Europa e Ucrânia
Sobre a
guerra na Ucrânia, Fiori avalia que o conflito está longe de terminar.
Segundo
ele, a resistência ucraniana depende diretamente da União Europeia e da OTAN,
que possuem interesse em prolongar a guerra para reconstruir sua capacidade
industrial e militar.
Embora
considere que a Rússia esteja próxima de consolidar sua posição no Donbass, o
professor afirma que o verdadeiro objetivo estratégico de Moscou sempre foi
modificar toda a arquitetura de segurança criada pelos Estados Unidos e pela
Europa após o fim da União Soviética.
Nesse
aspecto, avalia que Moscou já obteve importantes vitórias estratégicas ao
conter a expansão da OTAN e aprofundar a crise política interna da União
Europeia.
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Brasil será o principal campo de batalha político da América do Sul
Na
parte final da entrevista, Fiori faz um alerta sobre as eleições presidenciais
brasileiras.
Segundo
ele, Donald Trump deverá atuar diretamente para influenciar o processo
eleitoral brasileiro, com apoio de grandes grupos financeiros e tecnológicos
ligados à extrema direita.
O
cientista político afirma que, embora governos conservadores tenham conquistado
espaço em vários países sul-americanos, nenhum deles possui relevância
estratégica comparável à do Brasil.
Por
isso, sustenta que o futuro geopolítico da América do Sul será decidido nas
eleições brasileiras.
"De
forma muito simples e direta: os países da América do Sul sem o Brasil não têm
a menor relevância mundial, nem mesmo para Donald Trump. E, portanto, deste
ponto de vista, a grande batalha sul-americana estará sendo travada mesmo é no
Brasil, neste segundo semestre. Diria mais, o futuro do continente estará sendo
decidido nestas próximas eleições presidenciais brasileiras", conclui José
Luís Fiori.
Fonte:
Brasil 247

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