Lula
vê derrota de Messias como parte da democracia, diz Sidônio Palmeira
O
presidente Lula avalia como parte do funcionamento democrático a rejeição do
nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo Senado. Segundo o
ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência, Sidônio Palmeira, o chefe
do Executivo está tranquilo diante do resultado da votação, que barrou a
indicação.
De
acordo com informações da coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo,
Sidônio afirmou que o presidente entende o episódio como um processo
institucional. "Lula acredita que o processo faz parte do sistema
democrático. Ele encaminhou um nome ao Senado, que aprova ou não a
indicação", declarou o ministro.
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Governo descarta crise com o Senado
O
ministro também refutou a avaliação de que a rejeição teria abalado a relação
entre o governo e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Segundo ele, não há comprometimento político decorrente da votação, apesar de
análises apontarem desgaste.
Ainda
conforme a coluna da Folha, Sidônio negou que o Planalto considere prejudicada
a interlocução com o Senado, contrariando interpretações de bastidores após o
resultado.
• Florestan: a derrota não foi de Messias
nem de Lula, mas da democracia
O comentarista Florestan Fernandes Júnior
afirmou, em vídeo publicado na TV 247, que a rejeição do nome de Jorge Messias
pelo Senado não deve ser interpretada apenas como uma derrota do presidente
Lula, mas como uma derrota da democracia brasileira.
Segundo
Florestan, a leitura feita pela mídia corporativa, que classificou o episódio
como “derrota histórica do presidente Lula”, reduz a gravidade política do
momento. “Eu discordo, não foi uma derrota do presidente, foi uma derrota de
todos nós, foi uma derrota da democracia”, afirmou.
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Crítica à reação do Senado
Florestan
comentou a cena em que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, comemorava a
rejeição de Messias ao lado de colegas da Mesa Diretora.
Para o
jornalista, o episódio se insere em uma sequência de movimentos políticos que
ameaçam o Estado democrático de direito.
“Ontem,
assim que o Senado rejeitou o nome de Jorge Messias e Davi Alcolumbre
comemorava ao lado dos seus colegas de mesa, os sites da mídia corporativa
estampavam nas manchetes derrota histórica do presidente Lula”, disse.
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Eleição de 2026 e democracia
Na
avaliação de Florestan, o cenário reforça a centralidade da eleição
presidencial de 2026.
Ele
defendeu que a reeleição do presidente Lula será decisiva para a preservação do
regime democrático no Brasil.
“A
eleição de 2026 é fundamental e é importantíssima a reeleição do presidente
Lula no sentido da preservação do estado democrático de direito”, declarou.
• A reação das lideranças evangélicas à
rejeição de Jorge Messias para o STF
Em sua
maioria, lideranças evangélicas na política reagiram positivamente à rejeição
do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal
Federal (STF), após votação no plenário do Senado nesta quarta-feira (29/4).
O nome
de Messias foi rejeitado por 42 senadores e recebeu o apoio de apenas 34 — eram
necessários 41 votos favoráveis para que o indicado de Luiz Inácio Lula da
Silva (PT) fosse referendado.
A
exceção aos críticos foi o ministro André Mendonça, que chegou ao STF por
indicação de Jair Bolsonaro em 2021, ocasião em que o ex-presidente o chamou de
"terrivelmente evangélico". Mendonça afirmou nas redes sociais que
respeita a decisão do Senado, mas que "o Brasil perde a oportunidade de
ter um grande ministro do Supremo".
"Messias
é um homem de caráter, íntegro e que preenche os requisitos constitucionais
para ser ministro do STF. E amigo verdadeiro não está presente nas festas, está
presente nos momentos difíceis. Messias, saia dessa batalha de cabeça erguida.
Você combateu o bom combate! Deus o abençoe! Deus abençoe nosso Brasil!",
escreveu Mendonça no X.
No
Senado, parlamentares evangélicos que haviam se posicionado a favor de Messias
antes da sabatina, como Eliziane Gama (PT-MA), vinculada à Assembleia de Deus,
ainda não se manifestaram após a derrota. Os opositores, por outro lado,
fizeram publicações nas redes sociais comentando o resultado do plenário.
Presidente
da Frente Parlamentar Evangélica, Carlos Viana (Podemos-MG) disse que a
rejeição era uma "vitória do Brasil". "Clima quase que de festa
aqui no Senado federal. Pela primeira vez nesta história recente esta casa
rejeitou um nome indicado pela presidência da República", ele afirmou, em
vídeo compartilhado no Instagram.
A
rejeição, inédita em 132 anos, acontece poucos meses antes da eleição
presidencial, marcada para outubro, em um cenário de baixa aprovação popular do
presidente Lula, o que o enfraquece as articulações no Congresso.
A
vice-presidente da bancada evangélica, Damares Alves (Republicanos-DF), afirmou
que o resultado "não diz respeito ao candidato, não é o ministro Messias,
diz respeito aos Poderes".
Ela
acrescentou que "quem perdeu foi o governo Lula, que provou sua
incapacidade de articulação política", e pediu que seja revisto o sistema
de indicação de ministros para a Suprema Corte.
"O
Senado sai vitorioso, mandando o recado de que, a partir de agora, somos uma
casa que precisa ser respeitada, temos independência e temos um grupo de
senadores maduros, que querem ver as instituições nos seus devidos lugares.
Repito: não foi nada contra a pessoa do ministro Messias, foi apenas um sistema
que estamos rejeitando hoje", disse Damares, também em vídeo.
Messias
tinha mais apoio de lideranças evangélicas fora do eixo político. O apóstolo
Estevam Hernandes, que criou a Igreja Renascer em Cristo e preside a Marcha
para Jesus no Brasil, apoiava a indicação, assim como o apóstolo César Augusto,
fundador da Igreja Fonte da Vida, que afirma ter mais de 700 templos no país.
Ambos, no entanto, não se pronunciaram sobre a derrota.
Outro
que se posicionou foi Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em
Cristo e uma das figuras mais vocais entre os evangélicos. "Derrota
vergonhosa para Lula! Como disse em várias entrevistas, Messias é um
esquerdopata gospel, onde tenho profundas divergências, diametralmente oposto
ao que penso. Acabou a indicação dele para o STF. Só o próximo governo!"
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'Servo de Deus'
Antes
de ser rejeitado no plenário, Jorge Messias havia sido sabatinado pela Comissão
de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e aprovado por 16 votos a 11.
Ao
responder a perguntas feitas pelos senadores, ele se declarou "totalmente
contra o aborto" ao mesmo tempo em que defendeu sua legalidade nos casos
já autorizados pela Constituição e pela jurisprudência do STF (em caso de risco
à vida da mãe, estupro ou anencefalia).
Ele
também relatou sua origem evangélica e se descreveu como "servo de
Deus", mas afirmou que o Estado é laico e que o STF não pode ser omisso
nem praticar "ativismo".
Defendeu
sua atuação como advogado-geral da União no processo contra os condenados pelo
8 de Janeiro e afirmou que nunca teve vínculos pessoais diretos com o
presidente Lula.
Messias
foi o terceiro indicado do petista no atual mandato para o STF, que tem hoje
quatro ministros nomeados por ele.
Cristiano
Zanin e Flávio Dino chegaram à Corte no atual governo; Cármen Lúcia foi
indicada no primeiro; e Dias Toffoli no segundo. Outros dois — Luiz Fux e Edson
Fachin — foram indicados pela sucessora de Lula, Dilma Rousseff (PT).
O
decano do STF, Gilmar Mendes, foi indicação de Fernando Henrique Cardoso, e
Alexandre de Moraes, de Michel Temer (MDB). Jair Bolsonaro indicou outros dois:
Kássio Nunes Marques e André Mendonça.
• Planalto abre “caça aos traidores” após
derrota de Messias no Senado
A
rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo
Senado levou o Palácio do Planalto a iniciar uma ofensiva interna para
identificar parlamentares que votaram contra o nome do governo. A derrota,
considerada inédita, acendeu um alerta sobre a coesão da base aliada e levou à
revisão das estratégias políticas no Congresso, informa o Metrópoles.
O
resultado da votação, realizado de forma secreta, provocou forte desconforto
entre aliados do presidente Lula. A apuração interna busca mapear possíveis
dissidências e entender como a expectativa de vitória acabou frustrada no
plenário.
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Reunião com Lula e avaliação de respostas
Após o
revés, Lula convocou uma reunião com Jorge Messias para discutir as causas da
rejeição e traçar os próximos passos. Também participaram do encontro o
ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, o ministro da Defesa,
José Múcio, e o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).
Nos
bastidores, interlocutores do Planalto indicam que o governo avalia medidas
políticas como reação. Entre as possibilidades está a exoneração de indicados
ligados ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que ocupam cargos
na administração federal.
José
Guimarães afirmou que o governo respeita a decisão do Senado, mas cobrou
esclarecimentos sobre o resultado. “Cabe ao Senado explicar as razões dessa
desaprovação”, declarou.
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Derrota inédita e impacto na articulação
A
rejeição de Jorge Messias marca a primeira vez, em mais de um século, que um
nome indicado ao STF é barrado pelo Senado. O episódio representa um revés
significativo para o governo, que vinha intensificando a articulação para
garantir a aprovação.
Antes
da votação, Messias percorreu gabinetes e se reuniu com ao menos 77 senadores,
incluindo parlamentares da oposição. A base governista acreditava contar com
cerca de 47 votos favoráveis. Paralelamente, o Planalto ampliou a liberação de
emendas parlamentares, com R$ 11,6 bilhões empenhados apenas em abril, sendo R$
2,5 bilhões direcionados a senadores.
Apesar
do esforço, o resultado foi adverso. O líder do governo no Senado, Jaques
Wagner, reconheceu a surpresa com o desfecho. “Para mim, foi uma surpresa.
Estávamos esperando 44 ou 45. Cada um vota com a sua consciência”, afirmou.
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Bastidores e disputa política no Senado
No
Congresso, parlamentares avaliam que a derrota teve influência da atuação do
presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Segundo relatos, ele teria se
posicionado contra a indicação e defendido outro nome para a vaga no Supremo, o
do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
A
tramitação da indicação já indicava dificuldades. Embora Jorge Messias tenha
sido indicado em novembro de 2025, o envio formal ao Senado ocorreu apenas em
abril, após meses de adiamento motivados pelo receio de rejeição.
Diante
do cenário, cresce entre aliados a avaliação de que uma nova indicação ao STF
poderá ser adiada para depois das eleições, enquanto o governo busca recompor
sua base e evitar novos desgastes políticos.
• Governo Lula considera relação com
Alcolumbre rompida de forma definitiva
O
governo Lula passou a considerar rompida de forma definitiva a relação com o
presidente do Senado, Davi Alcolumbre, após a derrota na tentativa de aprovar o
nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF). A avaliação,
compartilhada por interlocutores do presidente, é de que a atuação do senador
comprometeu de maneira irreversível o vínculo político entre o Planalto e a
cúpula do Senado.
De
acordo com informações da colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, o
sentimento predominante entre aliados do presidente é de frustração e
indignação com a postura de Alcolumbre durante o processo de votação. Embora
discursos oficiais indiquem que Lula teria recebido o resultado com
tranquilidade, bastidores apontam forte insatisfação dentro do governo.
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Pressão política e reação do Planalto
Antes
mesmo da conclusão da votação, aliados do presidente já indicavam que
Alcolumbre poderia enfrentar consequências políticas. A avaliação era de que o
senador mobilizou sua influência para barrar a indicação de Messias, provocando
constrangimentos ao governo.
Na
manhã da quarta-feira (29), antes da sabatina do advogado-geral da União,
interlocutores relataram que Alcolumbre afirmou ter cerca de 50 votos
contrários à indicação, o que gerou apreensão entre governistas. O cenário
reforçou a percepção de que a derrota seria inevitável.
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Estratégia para enfraquecer Alcolumbre
Diante
do episódio, integrantes do governo defendem uma reação política mais dura.
Entre as propostas está o empenho do presidente Lula para derrotar candidatos
apoiados por Alcolumbre no Amapá nas eleições de outubro, com o objetivo de
reduzir sua influência em Brasília.
Além
disso, aliados pressionam por medidas administrativas, como a demissão de
indicados do senador em cargos ligados ao governo federal. A iniciativa é vista
como forma de consolidar o rompimento político considerado inevitável por
setores do Planalto.
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Impacto no Senado e agenda legislativa
Mesmo
com pautas relevantes em tramitação no Senado, como o debate sobre o fim da
escala de trabalho 6x1, aliados do presidente avaliam que a manutenção de uma
relação institucional com Alcolumbre não deve ser prioridade.
A
leitura entre governistas é de que eventuais atrasos na análise dessas
propostas poderão ser atribuídos ao próprio presidente do Senado, o que, na
visão desses interlocutores, poderia gerar desgaste político para o senador.
Fonte:
Brasil 247/BBC News Brasil/Brasil 247

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