Câmara
derruba veto ao PL da Dosimetria e abreas portas para reduzir pena de Bolsonaro
e golpistas
A
Câmara dos Deputados derrubou nesta quinta-feira (30) o veto do presidente Luiz
Inácio Lula da Silva (PT) sobre o PL da Dosimetria, que redefine o cálculo das
penas e altera as regras de progressão penal para crimes contra o Estado
Democrático de Direito. Foram 318 votos pela derrubada, 144 votos pela
manutenção do veto e 5 abstenções.
A
proposta estabelece a aplicação apenas da pena mais grave quando crimes como
tentativa de golpe de Estado e abolição do Estado Democrático ocorrem em
conjunto, o que elimina a soma das punições.
O
projeto também modifica dispositivos da Lei de Execução Penal e reduz os
percentuais exigidos para a progressão de regime. A proposta determina que a
Justiça aplique apenas a pena mais grave quando o réu pratica simultaneamente
crimes de tentativa de golpe e de abolição do Estado Democrático de Direito. A
regra evita a soma das penas nesses casos e reduz o tempo total de punição.
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Novos critérios para progressão de regime
A
proposta altera o cálculo da progressão de pena ao redefinir os percentuais
mínimos de cumprimento em regime fechado. Atualmente, réus primários podem
avançar de regime após cumprir 16% da pena, desde que o crime não envolva
violência ou grave ameaça.
O novo
texto autoriza a aplicação desse percentual mesmo quando o crime inclui
violência ou grave ameaça, o que amplia o alcance da regra para casos como
tentativa de golpe.
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Redução dos percentuais exigidos
O
projeto também define novos percentuais para reincidentes. O texto fixa em 20%
o tempo mínimo de cumprimento da pena em regime fechado para esse grupo.
Sem a
proposta, a legislação exige percentuais mais altos. Réus primários precisam
cumprir 25% da pena em regime fechado, enquanto reincidentes precisam cumprir
30%.
• Mais uma dele. Alcolumbre realiza
manobra para reduzir pena de Bolsonaro sem afetar crimes hediondos
O
presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União-AP), decidiu
desmembrar a análise dos vetos ao PL da Dosimetria, o que pode viabilizar a
redução de penas de condenados pelos atos de 8 de janeiro, incluindo o
ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), sem alterar regras aplicadas a crimes
hediondos. A medida preserva dispositivos da Lei Antifacção, que endurece
critérios para progressão de regime.
As
informações foram publicadas pelo G1 nesta quinta-feira (30). Segundo a
reportagem, Alcolumbre retirou da votação um trecho vetado pelo presidente Luiz
Inácio Lula da Silva (PT) que poderia permitir a progressão ao regime
semiaberto para condenados por crimes como feminicídio, milícia privada e
outros delitos graves.
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Na
prática, a decisão permite que o Congresso analise separadamente os vetos ao
projeto. Com isso, parlamentares podem discutir mudanças na dosimetria de penas
relacionadas aos atos golpistas sem estender os efeitos a integrantes de
facções criminosas.
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Exclusão de trecho vetado
O
trecho excluído tratava da progressão de regime e, se restabelecido, poderia
beneficiar também condenados por crimes hediondos. Como o veto de Lula foi
integral, o padrão seria a votação de todo o texto. Ainda assim, Alcolumbre
declarou a “prejudicialidade” de parte dos dispositivos.
“Em
virtude do prejulgamento da matéria pela aprovação do PL Antifacção e sua
conversão na Lei nº 15.358, de 24 de março de 2026, esta Presidência declara a
prejudicialidade dos vetos aos incisos 4 a 10 do art. 112 da Lei de Execução
Penal, alterados pelo art. 1º do PL da Dosimetria. Ficam, assim, excluídos da
votação do Veto 3, de 2026, os referidos dispositivos”, afirmou o senador.
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Justificativa
Alcolumbre
apontou que a Lei Antifacção, aprovada posteriormente, prevalece sobre o texto
da dosimetria. Também argumentou que o projeto não tinha como objetivo alterar
critérios de progressão de regime.
“Assim,
o eventual reestabelecimento desses dispositivos seria contrário às vontades
expressadas pelo Congresso tanto no PL da Dosimetria, que era no sentido de não
dispor sobre o mérito de tais normas, quanto no PL Antifacção, que era no
sentido de tornar mais rígidos os critérios de progressão do regime de
cumprimento de penas para os casos neles contidos”, disse.
• Alcolumbre faz manobra e exclui trecho
do PL da Dosimetria vetado por Lula
O
Congresso Nacional decidiu excluir parte do veto do presidente Lula ao chamado
PL da Dosimetria, em uma medida que evita impactos na Lei Antifacção e nas
regras de progressão de regime penal. A decisão foi tomada durante sessão
realizada nesta quinta-feira (30), em meio à análise sobre a manutenção ou
derrubada do veto presidencial.
A
iniciativa partiu do presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre
(União-AP), que optou por retirar da votação dispositivos considerados
conflitantes com a legislação recente de combate ao crime organizado no país.
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Exclusão evita flexibilização de penas
O ponto
central da controvérsia envolve trechos do PL da Dosimetria que poderiam
facilitar a progressão de regime fechado para semiaberto em casos específicos.
Caso esses dispositivos fossem restabelecidos com a derrubada do veto, haveria
possibilidade de beneficiar não apenas condenados por atos golpistas, mas
também pessoas envolvidas em crimes graves, como feminicídio, milícia privada e
delitos classificados como hediondos.
Além
disso, a mudança poderia alcançar integrantes de facções criminosas, o que
geraria contradição com a Lei Antifacção, sancionada como marco legal de
combate ao crime organizado no Brasil.
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Manobra incomum no Congresso
A
estratégia adotada por Alcolumbre é considerada incomum, já que vetos
presidenciais integrais normalmente são analisados em sua totalidade, sem
exclusão de dispositivos. Neste caso, o senador declarou a “prejudicialidade”
de parte do veto, retirando trechos específicos da votação.
Ao
justificar a decisão, Alcolumbre afirmou: “Em virtude do prejulgamento da
matéria pela aprovação do PL Antifacção e sua conversão na Lei nº 15.358, de 24
de março de 2026, esta Presidência declara a prejudicialidade dos vetos aos
incisos 4 a 10 do art. 112 da Lei de Execução Penal, alterados pelo art. 1º do
PL da Dosimetria. Ficam, assim, excluídos da votação do Veto 3, de 2026, os
referidos dispositivos”.
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Argumentos para a decisão
O
presidente do Congresso apresentou dois principais fundamentos para a exclusão
dos trechos. O primeiro está relacionado à temporalidade das leis: como a Lei
Antifacção foi aprovada posteriormente, suas regras prevalecem sobre
disposições anteriores do PL da Dosimetria.
O
segundo argumento diz respeito à intenção original do projeto. Segundo
Alcolumbre, o texto da dosimetria não buscava alterar critérios de progressão
de regime, mas apenas ajustar a redação para harmonizar com outras normas.
Ele
destacou que a eventual retomada dos dispositivos vetados contrariaria a
vontade expressa pelo próprio Congresso em duas ocasiões distintas — tanto ao
aprovar o PL da Dosimetria quanto ao endurecer regras por meio da Lei
Antifacção.
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Impacto político e jurídico
A
decisão ocorre em um contexto de análise sensível, já que o PL da Dosimetria
trata da redução de penas para condenados por atos golpistas, incluindo
envolvidos nos ataques de 8 de janeiro de 2023, em Brasília. O texto também
alcança o ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados condenados por tentativa de
golpe de Estado.
Ao
retirar os trechos controversos da votação, o Congresso busca evitar efeitos
colaterais que poderiam impactar o sistema penal de forma mais ampla,
especialmente no combate ao crime organizado.
• Lindbergh: "é hora de desmascarar o
Congresso inimigo do povo"
O
deputado Lindbergh Farias afirmou que há um “acordão vergonhoso” em curso no
Congresso Nacional com o objetivo de frear investigações sensíveis e garantir
proteção a Jair Bolsonaro e militares envolvidos na tentativa de golpe de
Estado. A declaração foi feita em vídeo publicado nas redes sociais, um dia
depois da reprovação do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal,
numa articulação comandada por Davi Alcolumbre.
Logo no
início, Lindbergh fez um ataque direto ao Legislativo. “É hora de desmascarar o
Congresso inimigo do povo. É hora de revelar a verdade”, disse. Segundo ele, a
articulação envolve setores do bolsonarismo e do Centrão e tem dois objetivos
centrais: impedir o avanço de investigações e evitar punições a lideranças
políticas e militares.
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Investigações sob pressão
De
acordo com o parlamentar, há incômodo crescente entre esses grupos com
operações recentes. “O que tá acontecendo é um acordão vergonhoso entre
bolsonarismo e centrão com dois objetivos: barrar as investigações da Polícia
Federal”, afirmou.
Ele
citou especificamente a chamada operação “carbono oculto”, que, segundo suas
palavras, teria atingido “o andar de cima do crime organizado, sistema
financeiro, PCC, gente da política”. Também mencionou investigações conduzidas
pela Polícia Federal e pela Receita Federal envolvendo o Banco Master.
Para
Lindbergh, esse cenário remete a episódios anteriores da política brasileira.
“É como se Romero Jucá lá atrás falou: ‘É preciso estancar essa sangria’. É
como se isso tivesse voltado”, declarou, sugerindo uma tentativa de interrupção
de apurações em curso.
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Proteção a Bolsonaro e militares
O
deputado também afirmou que o segundo objetivo do suposto acordo é político e
jurídico. “O ponto dois é livrar a cara de Jair Bolsonaro e dos generais
golpistas”, disse.
Segundo
ele, a movimentação mais recente envolve a tentativa de derrubar o veto
relacionado à dosimetria de penas. Lindbergh criticou o presidente do Senado,
Davi Alcolumbre, e alegou que houve demora proposital na convocação de sessões
do Congresso.
“O
Alcolumbre não chamava a sessão do Congresso. Por quê? Porque tinha medo”,
afirmou. Ele também acusou setores do PL de atuarem de forma contraditória em
relação à criação de uma CPMI.
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Críticas à articulação no Congresso
Na
avaliação do parlamentar, promessas de investigação feitas por aliados do
bolsonarismo não passam de retórica. “Tudo conversa furada. Nunca quiseram.
Fizeram um acordão, vai tá lá os bolsonaristas calados, em silêncio, sem falar
da CPMI, do master”, disse.
Lindbergh
defendeu que a sociedade precisa reagir ao que chamou de tentativa de
blindagem. Ele relembrou episódios recentes em que mobilizações populares
teriam alterado decisões políticas.
“Vocês
lembram quando eles vieram com a PEC da blindagem? Eles aprovaram na Câmara, a
gente foi pras ruas, as ruas derrotaram a PEC da blindagem”, afirmou.
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Apelo à mobilização popular
O
deputado também mencionou disputas envolvendo política tributária e criticou o
que chamou de postura do Congresso contra medidas de justiça fiscal. “O
Congresso inimigo do povo não queria a taxação dos mais ricos e a gente virou o
jogo”, disse.
Para
ele, o momento atual exige nova mobilização. “Agora é hora novamente da gente
fazer esse movimento, de revelar o que tá acontecendo por trás, esse grande
pacto que estão fazendo para tentar impedir as investigações”, afirmou.
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Confiança no avanço das investigações
Apesar
das críticas, Lindbergh demonstrou confiança no andamento das apurações e no
governo do presidente Lula. “Eles vão perder. A sociedade vai se levantar e o
governo do presidente Lula não vai baixar a cabeça”, declarou.
O
deputado concluiu afirmando que as tentativas de interferência não terão
sucesso. “Se tudo que estão fazendo é para paralisar as ações da Polícia
Federal, eles estão enganados. As investigações vão avançar e a verdade vai
aparecer, os nomes vão aparecer. Doa a quem doer”, disse.
Fonta:
Brasil 247

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